Jogando Com Prazer
3 Aoi
Notas iniciais
Bom, mais um chap pra vocês...
Sem mais delongas, divirtam-se.
Prepotente... Arrogante... Cretino! Eu tinha tantos adjetivos pejorativos para defini-lo naquele momento que eu precisaria de uma página inteira dedicada somente a eles.
Como ele ousara me chamar de incompetente? Pior! Dizer que eu não sou homem o suficiente pra assumir os meus erros! Infelizmente não tive oportunidade de responder, já que o resto da banda resolveu chegar no pior momento.
Kai estava sério, muito sério, e isso não era comum. Quando ele pegou aquele maldito pendrive eu já sabia que ia dar merda, Reita nem precisava ter dito. E quando ele voltou, pedindo pros dois saírem, meus temores se confirmaram: o bicho ia pegar pro nosso lado.
Eu e Uruha sentamo-nos lado a lado, aquele não era momento de discussão.
Kai ergueu o pendrive à altura de nossos olhos.
–Que merda é essa?
–Foi exatamente o que eu acabei de perguntar pro Uruha — respondi, dando de ombros.
–Eu estou falando de modo geral, Yuu! Os dois estão uma bosta! A impressão que eu tive é que são dois guitarristas amadores, e não o Aoi e Uruha que eu conheço. Sério, nunca vi dois solos tão ruins.
–Nos desculpe, Kai. O que nós podemos fazer pra melhorar? — Uruha usou o tom calmo de sempre.
–Olha, eu já tolerei muito de vocês dois. Respeitei o tempo de cada um, tentei entender os dois lados da moeda, conciliei todas as brigas, mas agora acabou. Vocês vão voltar a ensaiar juntos, como dois músicos normais.
–Não! — protestei.
–Por mim tudo bem. O problemático, homofóbico e preconceituoso é ele, não eu.
Argh! Cretino!
Kai suspirou.
–Yuu, você não tem o que querer. Dessa vez tem algo importante demais em jogo, algo pelo qual nós lutamos durante anos. É a GazettE! Nossa vida, nosso sonho, lembra?
Assenti em silêncio. Eu havia prometido que faria qualquer coisa pra não prejudicar a banda, certo? Bom, chegou a hora de cumprir.
–Ok. Nós vamos voltar a ensaiar juntos — ditei.
E seu belo sorriso de covinhas voltou. Sério, se o Kai fosse mulher eu casava com ele. Bonito, carinhoso e ótimo cozinheiro, tudo que um homem precisa.
–Obrigado, Aoi. Sabia que você iria entender.
Ruki irrompeu pela sala nesse exato momento e jogou-se ao lado de Uruha, repousando a cabeça em seu ombro.
–Boa sorte, Pon. Você vai ter que aguentar um velho mal-amado, mal-comido e mal-humorado!
Será que deixar o nosso vocalista em coma durante uma semana prejudicaria muito a banda?
–Mal-comido é o teu rabo, Takanori!
–Quem disse? O Reita me come muito bem, por isso eu estou sempre de bom-humor, já você...
–Chega, Taka. As coisas já estão ruins o bastante, não as deixe piores ainda — Uruha se meteu.
Me virei a tempo de pegar uma troca de olhares significativa entre os dois.
Ruki bufou, irritado.
–Me desculpe, Yuu. Eu não tive a intenção de ofendê-lo.
Sorri, hipócrita.
–Claro, vou fingir que eu acredito.
Reita adentrou o aposento sorrindo.
–Podemos ensaiar?
–Hai — respondemos em uníssono.
Ensaiamos durante horas a fio, dando uma pequena pausa apenas para o almoço. Quando Kai pronunciou a tão esperada frase "Vamos parar por hoje", já passava das 19h00.
–Putz, minha garganta já era — reclamou Ruki.
–Meus dedos também — disse Reita.
Kai nos mostrou suas mãos, que já começavam a formar bolhas.
–Foi mal, galera. Acho que eu exagerei.
Percebi que Uruha massageava o tendão esquerdo com uma leve expressão de dor, mas ninguém mais pareceu notar.
–A gente te perdoa se você disser que não vai ter ensaio amanhã — ele se pronunciou.
Nosso líder riu.
–Não terá ensaio pra nós! Vocês dois vão ensaiar normalmente.
O loiro abriu a boca para falar, mas fechou-a em seguida. Segundos depois ele saiu sem se despedir de ninguém.
Por algum motivo desconhecido a raiva inundou todo meu ser.
–Você está maluco? Nós somos guitarristas, lembra? Precisamos das mãos para tocar — esbravejei.
–Eu não vi nehum dos dois reclamando — retrucou em um tom altivo.
–Eu estou bem, mas o Uruha não! Estava na cara que ele estava sentindo dor!
–É impressão minha ou você está mesmo defendendo o Shima? — perguntou Reita.
–Claro que não! Só estou constatando um fato.
–Não quero nem saber! Amanhã vocês vão ensaiar e pronto — ditou o líder.
–Ok. Mas não conte conosco no próximo ensaio então. A não ser que você pretenda procurar outros guitarristas. E dessa vez eu estou falando por nós dois!
Peguei minhas coisas e saí sem esperar resposta.
Quando cheguei ao estacionamento encontrei Uruha sentado sobre o capô do seu carro, com um cigarro entre os lábios.
Como meu carro estava ao lado dele só tive que imitá-lo para ficarmos um de frente pro outro.
–Achei que você tinha parado de fumar.
–Eu parei. Só tenho recaídas quando fico nervoso.
Suspirei.
–O Kai pegou pesado dessa vez.
–Ele só está pensando no que é melhor pra banda. De qualquer maneira, a culpa de tudo isso é nossa.
–Errado. A culpa de tudo isso é minha, você não tem nada haver com isso.
–Oh! Então quer dizer que eu não sou um moleque irresponsável?
Irônico? Hm. Interessante.
–Bom, você foi um moleque irresponsável, mas eu passei dos limites. Se a banda está nessa situação a culpa é 100% minha.
Seus olhos se fecharam e sua cabeça voltou-se para o céu, expondo pequenas marcas vermelhas em seu pescoço.
Revirei os olhos.
–E então, na minha casa ou na sua?
O sorriso que brotou em seus lábios foi... Malicioso?
–Isso soou muito ambíguo, Aoi. Se fosse com qualquer outra pessoa eu teria certeza que hoje a noite me renderia uma boa foda.
Senti meu rosto arder de vergonha.
–Eu estou falando do ensaio, Uruha.
Ele riu baixinho e me fitou. Péssima ideia. Eu ainda estava muito vermelho.
–Eu sei. Bom, melhor que seja na sua né?
–Ok. Então esteja na minha casa amanhã às 14h00, certo?
–Claro.
Me levantei e estendi a mão.
–Trégua?
Um leve suspiro antes de sua mão se juntar à minha.
–Seria mais legal se fosse um "amigos?", mas "trégua" também serve.
Então Kai estava certo? Ele realmente não gostava daquela situação entre nós. Como eu pude ser tão idiota?
–Talvez a trégua seja só um começo, Kouyou. Mas vamos deixar rolar, não?
–Sim, vamos deixar rolar. Até amanhã, Yuu.
–Até.
Antes que vocês me perguntem: eu não sou bipolar. O fato é que depois de vê-lo irritado por culpa de Kai, a única coisa que eu desejei foi ver aquele sorriso tranquilo em seu rosto. Sim, eu sou confuso ao extremo. E daí?
Bom, agora só me resta esperar. Nas consequências dos meus atos eu posso pensar depois, beeem depois.
U&A
Acordei no dia seguinte com o meu celular tocando, quer dizer, gritando na minha orelha.
Tateei o criado-mudo — derrubando alguns objetos pelo caminho — até encontar o maldito aparelho, ao qual eu nem me dei o trabalho de olhar no visor.
–Que foi?
–Caramba! Bom dia pra você também, Aoi.
Me forçei a abrir os olhos e esfregá-los. Meu relógio digital marcava 7:15 da manhã... Ah, não! Só pode ser piada.
–Takanori, você não acha que é muito cedo pra começar a me encher?
–Não. Eu adoro te ver irritado logo de manhã.
Ok. Respire, Yuu. 1, 2,3...
–O QUE VOCÊ QUER, PORRA?!
–Balada. Sábado. A banda toda. Sim ou não?
Me sentei e apoiei-me na cabeceira.
–Eu tenho escolha?
–Ahn... Não! Ah, avisa pro Shima. Eu sei que ele vai pra sua casa hoje. Bye.
Como assim " eu sei que ele vai pra sua casa hoje"? Sérá que Uruha contou?
Desisiti de ficar devaneando e me levantei, eu precisava de uma ducha.
Depois do meu banho longo e relaxante decidi ficar jogado no sofá, assistindo tv. Só me levantei — horas depois — para atender a campainha.
Uruha estava encostado ao batente, mordendo a haste dos óculos escuros.
–Boa tarde, Aoi — um pequeno sorriso adornava seus lábios.
–Com certeza não.
Enquanto ele tirava os sapatos, voltei a me jogar no sofá.
–Aconteceu alguma coisa?
–Ruki. Você disse a ele que viria pra cá?
Ele suspirou resignadamente.
–Ele nos viu conversando ontem e me fez um interrogatório completo, aí eu tive que falar.
–Hm. Entendo. O safado me ligou logo de manhã pra avisar que nós vamos pra balada sábado.
Uruha franziu o cenho.
–Mas eu tenho compromisso!
–Desmarque. Você conhece muito bem o poder de persuasão do chibi.
Sua cabeça pendeu para trás e ele fitou o meu teto, desolado.
–Mas eu quero fazer sexo, Yuu!
E eu corei, desviando olhar no mesmo momento.
–Excesso de informação, Uruha.
–Ah, desculpa! É que o Kai não liga.
–Tudo bem, foi só o choque. É estranho ouvir você falando isso sobre outros caras, eu ainda não me acostumei.
–Ahn... Você sabe que mais cedo ou mais tarde nós teremos que conversar, não sabe? Eu tenho um monte de perguntas entaladas na garganta, mas só vou fazê-las quando você decidir colocar todas as cartas na mesa.
Arregalei os olhos. Isso foi muito surpreendente.
–Kouyou, eu...
–Não fala nada. Eu tenho as perguntas, você tem as respostas, e vice-versa, mas esse não é o momento. A banda vem em 1° lugar, e ela está sofrendo com os nossos atos. Vamos ensaiar?
Ei! De onde vem toda essa maturidade? Desde quando Uruha é assim tão coerente? Uma vozinha chata dentro da minha cabeça lembrou-me que eu não sabia nada sobre ele.
Seus dedos estalaram ante meus olhos.
–Yuu, você me ouviu?
–Sim, claro. Vamos ensaiar.
U&A
–Ficou perfeito! — disse Uruha ao meu lado, enquanto gravávamos o nosso trabalho no pendrive.
–Kai vai ficar orgulhoso — afirmei.
–Nem acredito que a gente conseguiu.
Sorri, vitorioso. Depois de mais de cinco horas de ensaio, nossos solos estavam prontos. Perfeitos, sincronizados, como sempre foi.
–Como está sua mão? — perguntei.
Seu tendão estava inchado, e ele reclamou de dor algumas vezes.
–Bom, está um pouco dolorida, mas não é nada sério.
–Tem certeza?
–Claro. É só consequência do excesso de ensaios.
–Se não melhorar me avise, eu mato o Kai por você.
Foi a vez dele corar. O que eu tinha dito de errado?
–Não acho que será necessário, mesmo assim, obrigado.
–Não por isso.
–Bom, eu vou indo. Já está ficando tarde.
–Certo.
Acompanhei-o até a porta.
–Até depois de amanhã?
–Hã? Como assim? Nós não vamos ensaiar?
–Não. Eu tive uma conversa muito séria com o nosso líder sobre abuso aos funcionários — brinquei.
Ele riu.
–Bom, obrigado mais uma vez então. Minha mão agradece.
–Eu vou cobrar — pisquei.
–Oh! Sinta-se à vontade. Então... A balada... Nós não temos opção?
–Ahn... Acho que não.
Ele rolou os olhos.
–Durma bem, Aoi.
–Você também, Uru — testei o apelido que eu não usava há anos.
Não pude ver sua expressão, mas tive a certeza que ele sorriu.
É. Talvez ter dado essa trégua tenha sido uma boa ideia...
Bom, que venha o sábado então!
Notas finais
Podem fazer cara de "Hã" que eu deixo.
Eu avisei que o Aoi era bipolar, não avisei?
Bom, agora as coisas vão realmente começar a se encaixar...
Enfim, reviews e chocolate me fazem feliz *-*
Até segunda!!!!
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