Jogando Com Prazer
13 Aoi
Notas iniciais
E OBRIGADO PELOS REVIEWS FODAS!!!!!!
Sem mais delongas...
Enjoy!
Dolorido. Quebrado. Foi exatamente assim que eu me senti ao abrir os olhos, deparando-me com um céu totalmente escuro, uma chuva devastadora e trovões que faziam os vidros da janela tremerem.
Me encolhi sob o grosso cobertor, descartando a possibilidade de me levantar. Ali estava tão quentinho!
- Oh! A bela adormecida finalmente acordou.
Virei-me lentamente, tentando me ajeitar sem sentir muita dor, mas estava difícil.
- Que horas são? — grunhi.
- Meio-dia.
Estendi os braços em sua direção.
- Vem pra cama.
Uruha riu, mas caminhou até mim e se largou sobre o colchão, abrindo os braços para me receber.
Praticamente me arrastei até encontrar seu corpo e me acomodar por ali, sentindo seus braços me envolverem.
Seus lábios encontraram os meus em um selo suave.
- Ohayo, meu gatinho manhoso.
- Ohayo — respondi, bocejando.
- Você precisa de alguma coisa? Remédio? Comida?
- Não. Por enquanto eu só quero ficar assim, sentindo o cheiro da sua pele, te tocando...
Seus braços me estreitaram mais contra seu corpo.
- Está carente, meu anjo? Eu não te dei atenção o suficiente ontem? — seu tom era brincalhão.
- Mas eu quero mais! — beijei seu pescoço lentamente.
Kou levantou a cabeça, me dando mais espaço.
- Sou todo seu, Yuu.
Ergui o rosto, procurando por seus olhos, encontrando aquela entrega total que ainda me deixava desconcertado.
- Você permitiria que eu...? — deixei o resto da pergunta implícita.
Ele acariciou meu rosto.
- Ei! Eu disse que assumia as duas posições numa boa, não é? Eu quero te sentir em mim, Aoi.
- Hoje?
- Eu estou a fim, você também. Qual é o problema?
- Eu não disse que queria! — rebati.
Uruha deu um leve tapa em meu braço.
- Está me rejeitando, cachorro?!
Acabei rindo com a brincadeira.
- É claro que eu te quero, Uru. Mas eu quero te provar com calma, sem afobação... Hoje ainda não é o dia.
- Tudo bem, mas eu vou te molestar de qualquer jeito. Seu corpo é uma delícia, sabia? — sussurrou ao meu ouvido.
Gemi baixinho.
- E você é um grande pervertido.
- Com muito orgulho.
Voltei a colar meus lábios aos seus, dessa vez aprofundando o beijo, deixando minha língua explorar cada canto da sua boca... Tão bom!
Segurei seu rosto entre minhas mãos, controlando o ósculo, impondo um ritmo lento e sensual, pedindo delicadamente pra que ele me seguisse.
E ele atendeu meu pedido prontamente. Diminuindo seu próprio ritmo, movendo a cabeça em pequenos intervalos de tempo, mudando o ângulo e a profundidade do beijo.
- Yuu! — gemeu, mordendo meu lábio.
- Hm? — beijei seu queixo.
- Não faz isso comigo.
- Isso o quê? — mordi o lóbulo de sua orelha.
- Não me deixa provar o gosto se não for me dar o doce. Eu odeio ficar na vontade!
Fitei aqueles lábios cheinhos projetados em um biquinho emburrado, meio inchados por conta dos beijos anteriormente trocados... Perfeitos!
E eu soube que tinha perdido a batalha naquele momento. Porque nenhuma pessoa no mundo poderia resistir àquele ser tão deliciosamente manipulador.
Selei seus lábios repetidas vezes, fazendo-o sorrir.
- Tá bom, Uru. Eu te dou seu doce.
Seus olhos brilharam.
- Mesmo?
- Hai.
Ele afastou as pernas, deixando que eu me acomodasse entre elas.
- Do meu jeito ou do seu?
Chupei seu pescoço de leve.
- Do meu jeito, já que sou eu quem vai controlar.
Seus braços envolveram meu pescoço, puxando-me para perto.
- Não rola um meio termo? Nem uma cerinha de vela?
Rolei os olhos.
- Você é completamente louco.
- Por favor? — friccionou o quadril contra o meu.
Respirei fundo, tentando manter o controle da situação.
- Não. Hoje nós vamos fazer sexo de um jeito mais... Romântico — sussurrrei ao seu ouvido. — Confia em mim, Kou.
- Eu confio, mas...
Coloquei o indicador sobre seus lábios.
- Então deixa eu te conduzir.
Uruha assentiu, afastando minha mão e me puxando para um beijo profundo.
Mas algum idiota resolveu que aquela era a melhor hora pra apertar a porra da campainha.
Me afastei de seu corpo relutantemente.
- Deixa que eu vou. Não ouse se mexer!
- Ok.
Ignorei as dores e levantei-me lentamente, andando com o máximo de dignidade que meu traseiro dolorido permitia.
Abri a porta já disposto a xingar o filho da puta que tinha nos atrapalhado, mas me deparei com...
- Vocês?!
Ruki, Reita, Kai e Nao entraram sem pedir autorização, carregando uma coleção de sacolas.
- O que vocês estão fazendo aqui com esse temporal? — questionei.
- Nós íamos almoçar na casa do Kai, mas quase não está dando pra enxergar com toda essa chuva, então nós viemos pra cá — explicou Ruki.
- E minha casa por acaso tem cara de restaurante? — Uruha apareceu com os braços cruzados.
- Kou-chan! — o anão-de-jardim se jogou nos braços do meu namorado.
- Kou-chan é o caralho! Vocês atrapalharam minha bela tarde de sexo, seus putos.
E só pelo cenho franzido e pelas sobrancelhas arqueadas eu sabia que ele realmente estava nervoso.
- Suas recepções calorosas sempre são reconfortantes, Shima — disse Reita.
- Eu e o Nao vamos pra cozinha! — avisou o líder.
Será que só eu tinha notado o perigo ali? Kouyou estava — literalmente — prestes a explodir.
O chibi foi fumar na varanda, com cara de poucos amigos.
- Nós vamos tomar um banho e já voltamos — anunciei.
- Dê um jeito de acalmá-lo — murmurou Akira.
- Pode deixar.
Enlacei sua cintura e conduzi-o até a suíte.
- O que foi isso, Uru? Você não é de dar chilique à toa.
- Eu. Quero. Transar! Será que é difícil entender?
- Nós transamos há algumas horas atrás, Kou.
- Mas eu quero fazer de novo!
Sorri.
- É só um almoço! Nós teremos o resto da tarde e toda a noite para aproveitar.
- Promete?
- Prometo. Agora vamos tomar um banho.
- Está bem.
U&A
- Olha, eles não morreram afogados — debochou Ruki.
Uruha beijou o topo de sua cabeça.
- Me desculpe, chibi.
- Está desculpado.
- Eu vou fumar. me faz companhia, Aoi? — perguntou Reita.
- Claro.
Peguei duas latas de cerveja e me dirigi à varanda, encontrando a calopsita ambulante já com o cigarro aceso.
Estendi-lhe a bebida.
- Qual é o assunto?
Reita sorriu.
- Não se pode mais chamar um amigo apenas pra jogar conversa fora?
- Vindo de você? Duvido muito. Desembucha logo.
- Como foi?
- Sabia! Pelo visto a curiosidade absurda do Takanori é contagiosa.
- Ele deve estar interrogando o Uruha nesse momento.
- Eu sei.
Traguei o cigarro e expeli a fumaça lentamente, vendo-a sumir no ar.
- Foi bom. Doeu como o inferno, mas foi bom.
- Você está muito machucado?
- Não. Só alguns hematomas mais fortes, nada muito sério.
- Que bom! Eu sinceramente achei que o Shima fosse te estuprar. Ele estava tão...
- Necessitado? Ainda está! O Uru é meio ninfomaníaco, eu acho.
- Pois eu tenho certeza.
Rimos juntos.
Uma brisa suave brincava em meus cabelos, tirando alguns fios fora do lugar.
- Você está gostando dele? — a pergunta veio de repente.
Tomei um longo gole da minha cerveja, lembrando do que eu havia dito na noite anterior.
- Bom, ainda é muito cedo pra dar qualquer reposta concreta, mas... Eu acho que sim. Só queria ter a mesma certeza sobre ele.
- Pergunte.
- Assim, do nada?
- Vocês estão namorando, Aoi! Não há motivos pra ter vergonha.
Suspirei.
- Tem razão.
A porta de vidro se abriu e por ela passaram nossos respectivos namorados.
- Estão falando mal de nós? — perguntou Uruha, beijando meu rosto carinhosamente.
- Só estava dizendo o quanto você é ninfomaníaco.
- Mas eu não sou! Só que eu fiquei quase dois meses sem sexo, preciso tirar o atraso.
- Boa sorte, Aoi. Você vai precisar.
- Com certeza.
Depois disso apenas ficamos em silêncio,admirando a vista panorâmica que nós tínhamos dali.
O que Reita dissera ainda rondava minha cabeça, deixando-me confuso. Eu simplesmente não sabia se queria saber a resposta.
- Um doce pelos seus pensamentos — sua voz rouca falou ao meu ouvido.
Sorri.
- Estava pensando em nós.
Olhei para o lado e vi a sacada vazia. Ruki e Reita haviam saído de fininho, nos deixando em paz para conversar.
- Especifique, Yuu — seu cenho estava franzido.
Tomei mais alguns goles de cerveja, pensando em como abordar aquele assunto.
- Você lembra o que eu te disse a noite passada, antes de eu cair no sono?
- Que você estava gostando de mim? Lembro.
- Que eu acho que estou gostando de você, Kouyou. Não tenho certeza.
- Ok. E o que tem isso?
Respirei fundo e umedeci os lábios.
- Eu quero uma resposta, Uru. Porque eu não vou me jogar de cabeça num relacionamento sem ter a menor chance de ser correspondido. Eu já sofri demais, já tive relações fracassadas o suficiente... Não quero passar por isso de novo.
E foi a vez dele ficar em silêncio. Longos minutos preenchidos apenas pelo barulho de carros e a conversa abafada na cozinha.
- Me dá o cigarro? — pediu
Nervosismo. Esse era o único motivo plausível pelo qual ele me pediria aquele lixo tóxico.
Estendi-lhe o cilindro de nicotina, vendo Kou levá-lo à boca em um gesto quase desesperado, inalando a toxina avidamente.
Seus olhos só voltaram a encontrar os meus quando ele terminou de tragar o cigarro.
- Eu queria muito te dar uma resposta concreta, Yuu... Mas eu não sei.
- Como assim "não sabe"?
- Eu não sei, Aoi! Eu adoro ficar com você, estar contigo, te tocar, te beijar... Só não me peça pra dar um nome a tudo isso que eu estou sentindo — suspirou. — Eu nuca me apaixonei, Yuu. Minha vida foi regada a aventuras e pequenos relacionamentos, nada forte o suficiente pra que eu quisesse levar a história adiante. Você é o primeitro homem que eu namoro, o primeiro pelo qual eu nutro um carinho especial, mas não sei se dá pra enquadrar isso em "gostar". Lamento, mas eu ainda não me sinto seguro pra definir o que eu sinto. Por enquanto me basta o que nós estamos compartilhando um com o outro, essa coisa gostosa que está acontecendo entre nós. Quero continuar assim.
Puxei-o pela cintura, tomando seus lábios com carinho.
Sua declaração não me deixara chateado, pelo contrário! Eu adorei o fato dele ter sido sincero, sem me encher de expectativas vazias.
- Você tem razão, Kou. Vamos deixar tudo como está e aproveitar o que nós estamos vivendo.
Ele sorriu e mordeu meu pescoço de leve.
- É o que eu mais desejo nesse momento.
U&A
Nosso almoço transcorreu sem maiores incidentes. Apenas brincadeiras leves, conversas bobas e sorrisos fáceis. Um breve momento de paz dentro do turbilhão profissional que estávamos vivendo.
Os rapazes saíram de lá quase no fim da tarde, nos deixando uma bela pilha de louças pra lavar.
- Argh! Como são desorganizados — reclamou Uruha.
- Quem vê pensa que você é um poço de organização — retruquei.
- Yuu, olha como está essa cozinha! — esbravejou.
Rolei os olhos e abracei-o por trás.
- Depois nós arrumamos isso. O que acha de irmos pro quarto?
Ele se virou em meus braços e beijou-me com volúpia.
- Adorei a ideia.
Mas meu celular tocou, acabando com o clima.
- Ah, qual é! — resmungou.
Olhei no visor e atendi ao telefonema sorrindo.
- Okaa-san!
Só que a voz do outro lado estava chorosa, baixa, transmitindo notícias que fizeram meu coração apertar.
Desliguei minutos depois, sentindo as lágrimas embaçarem minha visão e um nó se formar em minha garganta.
Kou segurou meu rosto entre as mãos.
- Yuu, o que foi?
- M — Meu pai — sussurrei.
- O que tem ele? — sua voz estava aflita.
Fitei seus olhos chocolate e respirei fundo.
- E- Ele está internado.
Notas finais
Enfim, páscoa chegando XD
Reviews e chocolate me fazem feliz *-*
Até segunda amores!
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