Notas iniciais
O nome deste capítulo deveria ser: O retorno do nyah e da minha net. Logo depois que o nyah voltou minha internet caiu. Motivo da queda? Copa. Bandeirinhas da copa + vento e chuva = cabo da internet desconectado.

4.

Durante semanas Phill tentou transpor a barreira construída por Joan. De todas as maneiras procurou saber a razão da distância criada pela garota. Joan nem ao menos olhava para ele.

Com muito custo Phillip conseguiu emboscar Joan em um canto isolado da cozinha.

– Tenho que ajudar a Sam com o jardim. Me deixe ir!

– Não deixo até você me dizer o que está acontecendo.

A garota bufa.

– Eu vou dizer logo, assim você para de me perturbar. Certo?

– Não vou prometer nada. Não aguento ficar longe de você!

– Mesmo com meu mau cheiro?

– O quê? Que mau cheiro? Não entendo.

– Não deve ter entendido porque eu falo tudo errado. Não é?

– Não estou entendendo nada!

– Eu ouvi o que você disse de mim para seu irmão. “A Joan parece uma tonta”, “Deve falar tudo errado” e para terminar “Ela não cheira muito bem também”. Deu para entender agora?

Phillip fica branco de espanto e arrependimento.

– Eu… Eu… Não quis falar aquilo, quer dizer, falei de mentira!

– Agora eu é que não estou entendendo.

– Eu fiquei com ciúmes, tudo bem!!

– Continuo sem entender.

– Eu não queria falar de você para o meu irmão! Eu não queria que ele soubesse o quanto você é legal, todas as garotas gostam muito dele e você iria preferí-lo a mim! Desculpa, mas eu queria ter você só para mim! Eu nunca pensei nada daquilo sobre você, muito pelo contrário! Te acho a pessoa mais incrível e maravilhosa do mundo! Quando a gente crescer vou me casar com você! Se você aceitar, é claro!

Joan não pode acreditar no que ouve, nunca se sentiu tão feliz! Também gostava tando de Phill. Ele estava até em seus sonhos. Queria viver com ele até ficar velinha.

– Eu aceito!

– Vamos ser igual ao meu papai e mamãe, Joan! Você será Joan Scott!

***

1744

As crianças cresceram, se tornaram adolescentes, os sorrisos e brincadeiras viraram beijos e carícias. Se tornaram além de amantes, grandes amigos e confidentes. Sabiam dos sonhos um do outro. Joan ajudou Phillip superar a perda, no ano anterior, do querido, alegre e brincalhão avô, Edward Hastings. E Phill ensinou Joan sobre literatura, pintura, música e sobre os romances não correspondidos das histórias.

Com a idade perceberam que não seria nada fácil um casamento entre classes tão distantes. Cecille também não tinha um título quando se casou com Charles, contudo Joan e Phillip teriam uma batalha mais dura. A moça era a empregada do castelo, orfã, sem educação de etiqueta, essencial para a esposa de um nobre, e não tinha nem mesmo roupas próprias, ainda ganhava as roupas descartadas de Anne.

Phillip nunca fora corajoso ou enérgico, sempre respeitou e seguiu a risca todas as orientações e idealizações que seus pais lhe impuseram. Desafiar os pais e a sociedade deixava o rapaz fora de todos os eixos. Joan, já não era uma menina inocente, sabia das poucas chances de Phillip enfrentar os preconceito e decepções para casar-se com ela.

Joan amava Phill de corpo e alma, amava-o e não se importava com o fato de não terem, e possivelmente nunca terem, um relacionamento oficial. Se contentava em receber o amor de Phillip, que a garota sabia ser verdadeiro. Afinal, ela mesma morria de medo do que iria ter de suportar se casasse com Phillip Scott. Do jeito que estava, estava bom!

Não foi apenas seu amor incondicional que Joan entregou a Phill, ela entregou ao amado sua pureza, sua preciosa virgindade. Phillip, que era um garoto muito sensível, vulnerável, gentil e romântico, também presenteou Joan com sua primeira vez. Compartilharam, um com o outro, esta experiência única. O namoro seguiu em segredo, nem mesmo Edward ou Samantha, sabia sobre os encontros secretos dos dois. Ninguém notava, ou fingiam não ver, as declarações de amor que os pombinhos mostravam através dos olhares e expressões.

***

Edward já estava com quase vinte e quatro anos. Formado, iria voltar para casa. Os escândalos de Ed nunca terminaram, apenas mudaram de endereço. Quando estava em Londres, ainda no internato, possuía toda a liberdade que queria. Depois que entrou na universidade, cursava medicina em Oxford, suas libertinagens só aumentaram. Mesmo com toda a intensidade em sua vida social, Edward conseguia ser o melhor aluno de sua turma, ele adorava medicina.

– Adeus meu amigo! — Diz Ed para Duncan enquanto abraça o companheiro de aula e farra. — Chegou a hora de eu voltar para casa.

– Adeus! Espero poder vê-lo o quanto antes! Sentirei saudades meu amigo.

– Eu também! Quando puder, passe por Greenland!

***

A família Scott está toda na mesa de jantar apreciando a deliciosa e farta refeição.

– Phillip, temos duas ótimas notícias para você. — Diz Cecille empolgada.

– O que é mamãe?

– A primeira, está tudo acertado, você será aceito na Universidade de Shester. Como você queria, irá cursar Administração a pouquíssimas horas de casa.

Na verdade, Phill não queria cursar Administração. Queria ser pintor, mas seus pais se decepcionariam muito então nunca teve coragem para contar seu sonho.

A escolha pela universidade mais próxima de casa, todos desconheciam, com exceção de Joan, era para não se afastar de sua amada.

– Ótimo, mamãe! Obrigada papai, sei que o senhor é o responsável por isto. E a segunda boa notícia?

– Acertamos com o duque Richmond, o Thomas Lennox, e vamos oferecer um jantar para a família deles. Se tudo correr bem e você não se recusar, seu casamento com a filha dele, Margaret, acontecerá em breve.

Phillip tem dificuldades para processar as palavras ditas pela mãe. O cérebro para de funcionar, deixa o talher que segura cair ao chão e derruba o suco, que estava em seu copo, pela mesa. Não consegue disfarçar sua rejeição pela ideia, nem sua tristeza.

– Filho, não fique preocupado. — Tranquiliza Cecille. — Será apenas um jantar para nos conhecermos. Nunca lhe forçaríamos a se casar com alguém que não ama. Se não for Margaret, haverão outras moças de família. Iremos te apoiar sempre. Escolhemos os Lennox por acharmos que Margaret é o melhor para você neste momento. Se não for sua escolha, tudo bem! Está certo?!

– Sim mamãe. Eu perdi a fome. Posso me retirar?

– Sim Phill. — Permite Charles.

– Com licença.

Phillip sai do recindo com a frase de sua mãe ecoando em sua mente.

“Se não for Margaret, haverão outras moças de família.”

– Outras moças de família. — Pensa o rapaz, reiterando a parte que mais lhe preocupava. — Minha mãe poderia ter dito “outras moças”, mas não, “outras moças DE FAMÍLIA”. Ou seja, Joan nem pensar, nunca.

***

– Phill, você está bem?

Phillip não consegue contar a lastimável novidade para Joan. Decide reunir forças e contar a ela depois, em um momento mais propício. Tenta disfarçar a angústia.

– Não sei, estou cansado. Eu acho. Eu passei na universidade de Shester, vai ser ainda mais difícil nos encontrarmos e isto me deixa doente.

– Talvez seja mais fácil. Poderemos ter mais privacidade fora dos limites do castelo.

– É verdade, enfim uma notícia boa!

– Por falar em notícia, foi por isto que eu vim te procurar. É apenas uma suspeita, mas eu estou muito preocupada e com medo.

– Diga logo!

– Acho que estou grávida.