'Me lembra de novo porque eu te deixei me convencer a isso, pai, por favor.'

De braços cruzados, sentada na poltrona da sala de casa, Bianca reclamava reclamava sobre ir viajar com a irmã e o namorado.

'Porque você é uma filha maravilhosa e vai ajudar seu pai a conseguir um tempinho com a namorada dele.'

'Então você e a tia Dandara oficializaram?'

Diante da pergunta de Pedro, Bianca e Karina trocaram olhares com Gael.

'Não, quer dizer, ainda não. Mas se tudo certo esse fim de semana eu faço ela mudar de ideia!' Respondeu o lutador.

'Por favor, Paizinho porque esse meu sacrifício tem que servir para um bem maior!'

'Ah, Bianca, deixa de ser fresca, vai. O show do Pê vai ser maneiríssimo, a Galera da Ribalta manda super bem, e um fim de semana com o João não pode ser tão ruim assim, vai.'

'Você diz isso porque não é no seu pé que ele fica pegando...'

'Eu acho que não é bem no seu pé que ele quer pegar não...' Brincou Pedro e foi imediatamente advertido por Gael que andava, ansioso, de um lado para o outro da sala.

'Bi, o Duca vai também, não vai? O João não é louco de ficar de gracinha do lado dele, e além disso, é bom o papai namorar a Dandara que assim ele lembra que é bom e larga um pouco do meu pé.'

Passando os braços em volta do pescoço do guitarrista, Karina se aproximou para dar um beijo no namorado e Gael logo limpou a garganta e fez o sinal do 'to de olho' para os dois. Em outros tempos ele já teria separado o casal e usado dos mandamentos para conter Pedro, mas hoje ele sentia que devia ao menino. Se não fosse o show da banda dele em Ouro Preto, seu fim de semana com Dandara não estaria acontecendo... E ele mal podia conter a excitação para aquele final de semana começar.

'Ó, os três! Sem uma palavra pro esquisito sobre eu e a Dandara, hein? Ele ainda não sabe de nada e eu acho melhor deixar a Dandara falar com ele primeiro!'

'Querido mestre sogrão, eu não quero assim, te contrariar nem nada... Mas você acha mesmo que o Johnny não sabe de nada? Assim, ele até que é meio devagar, mas você e a tia da Dandara dão muito mole, cara, quem que não sabe que vocês se gostam?'

Gael forçou um olhar de irritação em direção a Pedro, mas não conseguiu sustentar por muito tempo e acabou esboçando um sorriso. Ele adorou a notícia de que todos sabiam que Dandara era sua. Aquela conquista era maior do que qualquer campeonato que ele disputara. Bianca e Karina ainda trocavam risinhos quando a campainha tocou e Gael fez sinal para Bianca ir atender.

'Vai, vai, eu preciso me fazer aqui... Pose de que tá tudo tranquilo.'

Pedro riu de ver o sogro nervoso assim e aproveitou o momento de distração do mestre para voltar ao amasso outrora interrompido.

'Oi João! Que bom que você veio!'

Bianca disfarçava na porta e cumprimentava Dandara, que seguia o menino. Apoiado na parede, Gael sentiu seu coração bater mais forte ao ve-la entrando em sua casa, ciente de que ela não sairia dali tão cedo. Eles trocaram um olhar cúmplice e João, reparando no hipnotismo de Gael por sua mãe, passou direto pelo lutador, esbarrando de propósito e em seguida fazendo o sinal do 'to de olho' para ele.

'Bom dia, meninas... Pedrinho! Ansiosas pra viagem, pro show?'

Com um irônico 'Ô', Bianca se jogou novamente na poltrona e pegou seu celular. Dandara riu de leve, cumprimentou Karina e Pedro e seguiu se aproximando de Gael.

'Mestre Gael, como vai?'

Ela vestia um vestido jeans, azul claro, com um decote mais profundo que o habitual, valorizando seus seios. Ele não podia resistir.

'Melhor agora.'

'Tia Dandara!' Exclamou Pedro com uma voz aguda. 'Você por aqui! Não esperava!'

'Qual foi, Pê?' Karina perguntou num sussurro.

'Ué, não era pra gente disfarçar?' Ele sussurrou de volta 'Eles tavam dando muito na cara aí eu achei que podia demonstrar minha surpresa de ver a tia Dandara na casa do mestre Cruel!'

'Bobo...' Disse Karina, rindo de leve e depositando selinhos no namorado.

'É, meu amigo...' João respondeu, alheio, sentando ao braço da poltrona de Bianca 'Minha mãe fez questão de me trazer, como se eu tivesse dez anos. Depois fala que eu regredi, não é a toa que eu faço análise.'

'Claro que eu tinha que vir com você, meu amor.' Gael apontou para seu peito indicando que era ele o amor, mas a morena seguiu, revirando os olhos. 'Você tá sem celular, como é que ia se comunicar e encontrar seus amigos?'

'Não sei! Como eu tenho feito desde o início do ano quando você me tirou o celular e me fez um marginal da sociedade?'

'Nossa, João, quanto drama!' Cutucou Bianca.

'Mas você gosta de drama, não é, Bianquinha? Faz teatro e tudo.' A menina também revirou os olhos e voltou-se para seu celular. Dandara se aproximou de Pedro e Karina que dividiam o sofá.

'Pedrinho, vê se você anima o João, por favor, que ele tá assim, melancólico, há dias já!'

'Foi mal aê, tia Dandara, mas acho que quem pode animar o Johnny não sou eu não.'

Karina riu enquanto Bianca lançou um olhar fulminante para o guitarrista.

'Liga não, filha, o Capiroto tá num dia de sinceridade hoje.' Fazendo sinal para todos se moverem, Gael caminhou até a porta, ao lado de Dandara. 'Vambora, cambada, vamos descer todo mundo, já avisei ao Duca pra sair com o carro...' e adicionou ao pé do ouvido da morena '...eu tenho planos melhores para o fim da tarde.'

Praça, os cinco adolescentes todos dentro do carro. Duca e Bianca sentavam a frente e Pedro, Karina e João dividiam o banco traseiro.

'Tchau, meus amores! Bom show pra vocês, divirtam-se!'

'A Delma vai encontrar vocês lá?' Gael questionou pela terceira vez.

'Sim, sim, ela vai junto com o Nando e a banda. Eles iam sair da Ribalta, ou já foram ou tão saindo.'

'Falando em sair, você não tem que voltar pra casa não, mãe? Quer uma carona? A gente te deixa lá!'

'E onde que a tia Dandara vai sentar, doido?'

'No seu colo é que não vai ser.'

'Filho, eu vou passar antes na Ribalta para dar boa sorte pro Nando, combinei com ele de dar um tchau.' De canto ela olhou para Gael e viu que ele estava olhando-a. 'Mas agora vocês precisam ir, né? Não se atrasem, é ruim pegar estrada de noite!'

Duca ligou o carro e deu a partida. Karina, Bianca e Pedro seguiram acenando para Dandara e Gael até o carro fazer a curva. João permanecia com os braços cruzados.

Assim que o carro desaparecera de vista, Gael segurou a morena pela cintura. Se não bastasse o toque dele para fazer o corpo de Dandara estremecer, ele ainda desceu sua mão até a lombar, pressionando seus quadris juntos.

'Enfim sós.' Ela pronunciou antes de beijá-lo ali mesmo, no meio da praça. Dandara conseguia sentir o efeito que causava nele com um simples beijo e provocava-o com mordidinhas no lábio.

Beijando o pescoço da morena, ele suplicou.

'Você precisa mesmo se despedir do Nando?'

Com uma mão no peito dele ela afastou-o, jogando a cabeça de lado.

'Sabe o que é? É que um final de semana inteiro longe do Nando, né? Como é que eu vou fazer sem um amigo para cantar comigo? Se bem...' ela voltou a aproximar-se, descendo a mão pelas costas dele e subindo por dentro da camisa do lutador.

'Se bem...' Ele repetiu.

'Se bem que eu estou descobrindo um novo cantor que está me agradando em muito.'

'Está é?'

'Uhum... E ao contrário do Nando...' Ela passava as mãos pelas laterais do corpo dele por baixo da camisa. 'Ele tem um tanquinho que me tira totalmente do sério'

Cheio de desejo, ele beijou-a como se a possuísse.

'Imagina,' ela completou entre beijos 'se eu ia preferir outra coisa... Só precisava de uma desculpa para não ir pra casa de imediato.'

'De imediato?' Ele riu-se 'Você não volta pra casa por muito tempo ainda... É tão bom poder te beijar quando eu quiser... Te tocar quando eu quiser...' As mãos do lutador percorriam o corpo da morena e desciam pelo quadril apertando suas curvas. Ela o segurou, contida.

'Não aqui, amor... No meio da praça...'

'Porque não? Pra todo mundo ver que você é minha.'

'E quem disse que eu sou sua?' Ela arqueou a sobrancelha e não resistiu ao olhar de desejo do lutador. 'Acho que por hoje eu sou mesmo.'

'Hoje só, não... O fim de semana todo.'

Ela fez que sim com a cabeça e abraçados, seguiram de volta ao apartamento de Gael. Ao cruzarem a portaria ela se dirigiu às escadas que levavam ao apartamento quando ele surpreendeu-a, pressionando-a contra a parede e subindo a barra do vestido dela deslizando a mão pelo interior e exterior da coxa da morena. O corpo de Dandara respondia enviando ondas de eletricidade ao interior de suas pernas que logo ficaram bambas.

Inutilmente, ela tentou resistir.

'A gente está na escada do seu prédio!'

'E daí? Aqui não é mais em público, é?' E adicionou no ouvido dela 'Nunca tem ninguém aqui.'

Os lábios dele estavam molhados e pressionavam, quentes, contra o pescoço de Dandara. Ela jogava a cabeça para trás a fim de sentir a barba dele roçar cada centímetro da sua pele. Seu corpo pedia mais contato e ele evitava, provocando-a. Ela puxou-o pela camisa e passou os braços pelo pescoço dele, levantado o quadril para encaixar com o dele. Dançando como pode, ela tentava senti-lo sobre o jeans enquanto Gael depositava beijos molhados em direção ao colo dos seios dela. Arfando contra a parede, ela levantou a cabeça dele e saltou em seu colo. Ele a segurava pelas pernas, e mantinha-a pressionada contra a parede de forma que seus corpos se tocassem.

Dandara sentia os músculos do lutador, os braços fortes da força de mantê-la com ele instigando-a ainda mais. A pressão do corpo dele no seu era enlouquecedora. Ele não conseguia esperar mais. Por debaixo do vestido, ele subia uma mão pelo exterior da coxa da morena até tocar a renda de sua lingerie. Ele ameaçou tirá-la e como resposta, Dandara mordeu o lábio dele.

Ele riu.

'Isso é você pedindo para parar? Porque não vai funcionar assim não.'

Aproveitando que ele se distraia, ela soltou-se dos braços dele e subiu alguns degraus da escada, ficando na mesma altura do lutador. Puxou-o pelo cós da calça e olhando-o nos olhos, desfez o botão do jeans dele, provocativa. Sem raciocinar, Gael seguia seu instinto e mergulhou em um beijo apaixonado, sua língua invadia a boca dela. A excitação dos dois era palpável e Dandara cortou o contato antes que aquilo tomasse um rumo que não havia mais volta.

'Não aqui.'

Ele apertava o olho sem entender. Não havia sido ela quem abrira o botão da calça? Mas era tudo parte do plano dela para provoca-lo como ele fazia tão bem com ela.

Lentamente ela começou a subir as escadas, ainda de frente para ele. Sorrindo, deixou cair uma alça do vestido, revelando o marinho de sua lingerie. Gael jogou a cabeça para o lado, fazendo gesto de quem fora atingido e ela, com um sorriso de quem sabia exatamente o que provocava nele apontou para a outra alça.

'A regra é... Quanto mais a gente subir... Mais o vestido desce.'

Notas finais
E aí, estão gostando?? O que vocês querem que role nesse final de semana? Eles vão ter muito tempo para se descobrir em todos os sentidos hahaha