Jitensha
1 Eu dispenso
Notas iniciais
Hoje estou trazendo o primeiro cap de uma shortfic feita especialmente para minha sis, PixelKiyoshi. Pensa numa guria louca por um angst com o Rukawa DEOS! Só você mesmo sis pra me fazer ter inspiração para escrever uma história tão legal com um personagem que eu detesto :B Tenho certeza q vc vai amar essa fic, pq tenho várias surpresinhas pra você.
Espero que goste do comecinho
Te adoro sis ♥
[Nome] tentava manter-se o máximo afastada do corpo de Rukawa enquanto ele pedalava pela orla da cidade. Era impossível não se segurar nele, mas mantinha o mínimo de contato suficiente para não perder o equilíbrio.
Depois das aulas, [Nome] havia ficado esperando vários minutos por Rukawa na entrada da escola, já que haviam combinado de ir à orla juntos naquela tarde. Ela esperou cinco, dez, vinte minutos e não havia nem sinal do jogador. Irritada, a garota decidiu procura-lo pela escola, e encontrou-o treinando sozinho no ginásio.
—Oi, Rukawa! – ela protestou tirando os sapatos para entrar na quadra. – Nós não tínhamos combinado de ir à orla?
O calouro finalizou sua jogada com um lay-up perfeito e aterrissou no chão, ofegante. Ele ergueu o rosto lentamente e olhou na direção de [Nome] como se tivesse que fazer esforço para focalizá-la. Assim que associou a voz com o vulto que distinguira, ele se endireitou e caminhou em silêncio até ficar alguns passos da namorada.
—Me responde, Rukawa! – protestou a menina vendo que o jogador não dizia nada.
—Desculpe. – ele disse baixinho. – Eu não vou poder ir.
—Hã? – [Nome] arregalou os olhos, confusa. – Por quê?
Ele girou nos calcanhares e contemplou a cesta mais distante.
—Não posso me dar ao luxo de ficar passeando por aí à toa depois da derrota que tivemos. Preciso treinar.
—Mas o Akagi-senpai liberou vocês do treino hoje para esfriarem a cabeça! – ela exclamou elevando a voz. A raiva começava a embrulhar o estômago da menina. Estava acontecendo de novo.
—Sim. – Rukawa disse num tom seco. – Mas eu não tenho tempo pra esfriar a cabeça.
Nesse instante, um vulto surgiu na entrada do ginásio empurrando as portas de metal. Mitsui Hisashi, o shooting guard da Shouhoku, entrou distraído carregando sua pasta e uma garrafa d’água. Porém, assim que viu Rukawa, sua expressão se contorceu numa de desafio e raiva.
—Desobedecendo as ordens do capitão, Rukawa? – ele provocou com uma risada encaminhando-se para o banco dos reservas.
O calouro se limitou a encarar o veterano em silêncio. Enquanto isso, [Nome] tremia de raiva diante do namorado, os olhos ardendo por causa das lágrimas que ameaçavam cair. Quando Rukawa voltou os olhos para a garota, o que quer que pretendia dizer evaporou-se de sua mente.
Os olhos marejados de [Nome] o pegaram de guarda baixa e sua frieza vacilou. Para ele, era difícil demonstrar afeto de uma forma mais aberta, mas ele estava sempre cuidado da melhor forma possível de [Nome]. Vê-la à beira das lágrimas sempre fora o ponto fraco de Rukawa. Sentia vontade de matar qualquer um que estivesse envolvido com a tristeza da menina... E se sentia a pior pessoa do mundo quando a culpa era sua.
Percebendo a dureza das palavras que dirigira à namorada, Rukawa suspirou e olhou para Mitsui que praticava arremessos de três pontos na outra ponta da quadra.
—Vamos. Eu te levo em casa.
Ele estendeu um dos braços para pousá-lo no ombro esquerdo de [Nome], mas a menina desvencilhou-se, furiosa.
—Não se incomode. – ela disse virando-se de costas para Rukawa. – Não vou você perder mais tempo à toa comigo.
Era sempre assim. Ele sempre cancelava a maioria dos programas por causa do basquete. O basquete sempre vinha em primeiro lugar, e ela sobrava para escanteio. Já tinham sido três meses de namoro assim, e tudo parecia só piorar. Até quando ela teria de aguentar esse descaso? Daquele jeito, nem parecia que os dois eram namorados.
Os olhos estreitos do jogador se arregalaram assim que conseguiu processar a verdadeira mensagem por trás das palavras de [Nome]. A ansiedade fervilhou na boca de seu estômago, mas ele se manteve impassível. Ele tornou a erguer a mão, mas dessa vez agarrou sem hesitação o braço esquerdo da namorada.
—Eu vou te levar em casa. – ele repetiu, inflexível.
—Eu já disse que não precisa se incomodar! – [Nome] protestou alto demais, atraindo a atenção de Mitsui. O garoto de cabelos negros azulados parou de arremessar e olhou desconfiado na direção do casal parado diante da entrada do ginásio.
[Nome] puxou o braço com força, mas Rukawa não cedeu. As lágrimas escorreram grossas pelas bochechas da menina, que ergueu os olhos para encarar com toda a raiva que sentia os olhos negros do namorado. Assim que seus olhares se encontraram, [Nome] congelou.
O calouro prodígio da Shohoku encarava-a com a teimosia e a determinação típica que ele mantinha durante os jogos. A ferocidade era tão intensa que arrancou todas as forças que a garota ainda tinha para lutar contra o aperto de Rukawa. Ela sabia que, com o namorado naquele estado, jamais conseguiria fazê-lo desistir de leva-la para casa.
Suspirando exasperada para deixar bem claro que não estava gostando de nada daquilo, [Nome] parou de tentar se desvencilhar e firmou o olhar diretamente na íris negras de Rukawa.
—Tudo bem. Mas é só.
Sem dizer absolutamente nada, o garoto deu um leve empurrão nas costas da namorada para que ela seguisse para fora do ginásio. Ambos caminharam em silêncio até o lugar onde Rukawa costumava deixar sua bicicleta.
Por fim, cá estavam eles: [Nome] relutantemente agarrada à cintura do namorado enquanto ele pedalava em direção à sua casa.
Depois de alguns minutos, eles finalmente viraram numa rua lateral à orla e se embrenharam no labirinto de ruas residenciais. Em questão de dois minutos mais estavam diante do portão da casa de [Nome]. Assim que Rukawa parou a bicicleta, a garota saltou o mais rápido possível para a calçada, batendo em suas roupas como se o namorado as tivesse sujado ou contaminado com alguma coisa. O garoto revirou os olhos diante da atitude da menina, mas no fundo se sentiu incomodado. Porém, ele entendia os motivos da namorada, e não a julgaria por isso.
A menina dedicou-se a encará-lo por alguns segundos, a raiva fazendo suas íris tremerem. Depois, sem dizer uma única palavra, ela girou nos calcanhares e encaminhou-se para o portão. Abriu o cadeado sem cerimônia e entrou o mais rápido que pôde, a cabeça baixa agora evitando os olhos de Rukawa. O jogador esperou que ela tivesse trancado novamente o portão gradeado e antes que ela saísse do alcance de sua voz, disse num tom neutro:
—Se cuida.
Ele virou o guidão forçando a bicicleta girar 180 graus e sem sequer olhar para [Nome], firmou o pé no pedal direito e pedalou rua acima. A garota ficou parada diante da porta de sua casa, as lágrimas escorrendo silenciosamente por sua face.
Rukawa não pedira desculpas. Não dissera nada que demonstrasse arrependimento pelo que tinha feito. Simplesmente se limitara a bancar o teimoso para leva-la em casa. [Nome] tinha certeza que ele apenas fizera isso para saber que ela tinha ido para casa ao invés de sair para fazer alguma possível besteira.
Como se ela fosse se rebaixar ao nível dele.
Cerrando um dos punhos sentindo as unhas cravarem-se em sua palma, [Nome] abriu a porta rápido demais e precipitou-se para seu quarto sem conferir se seus pais já estavam em casa. Mas também não importava. Ela iria se trancar no quarto e chorar até que a raiva secasse junto com suas lágrimas, e era melhor que ninguém a procurasse até que tivesse se acalmado.
Ainda desconsolada pelo desprezo do namorado, a menina entrou cegamente em seu quarto e se jogou sobre sua cocha grossa enfeitada com formas geométricas em vários tons lilases. [Nome] puxou um dos travesseiros e enterrou o rosto com vontade para que ninguém ouvisse seus soluços. Adormeceu pelo cansaço e pela forte dor nas têmporas, e naquele dia, não teve mais nenhuma notícia do namorado.
Será que tudo desabaria tão rápido assim? Talvez... Talvez ela tivesse se enganado sobre Rukawa. Ele era tão popular, tão focado no basquete que prometia um futuro brilhante para ele... Por que ele perderia tempo com uma garota como [Nome], que nem era tão bonita e incrível como muitas que andavam suspirando atrás dele? O que ela tinha para encantar Rukawa Kaede, o calouro prodígio da Shohoku?
É, talvez o jogador tenha se dado conta de que ela não era o suficiente para ele, ou que seria apenas uma pedra em seu sapato. Ele precisava focar no basquete certo? Era esse o caminho que ele tinha escolhido... E [Nome] não estava inserido nele.
Ela não era essencial.
Não era necessária.
Notas finais
Espero que tenham gostado desse começo meio tenso ♥
Beijos e até o próximo capítulo!
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