.Jimin & Jeongguk.
1 .prólogo.
Notas iniciais
Jimin chega cambaleando em casa, depois da madrugada intensa que teve. Ele poderia ter escutado o que seu noivo havia falado, mas foi mais forte que ele. Não conseguiria ficar em casa, sabendo que haveria uma festa badalada na cidade, e que talvez um artista famosa apareceria.
— Achei que chegaria dessa forma, então te esperei. — Suspirou, a um canto da sala, onde ficava o sofá recém comprado. Azul. Escolha do Jimin, que detestava cores neutras.
— Poderia ter ido dormir, não me importo. — Segurou-se na parede para amparar a queda que poderia levar em seguida. Encostou-se ali mesmo, e espero o outro vir ao seu encontro, mas ele permaneceu imóvel onde estava.
— Então está certo. Vou dormir Jimin, antes que a gente comece uma discussão, na qual não estou interessado no momento. — Levantou-se, fechando o livro que estava lendo e caminhou na direção do quarto, o qual, não deveria ter saído hoje.
— Jeongguk! — Chamou num tom elevado, em que o outro parou a caminhada, no meio do corredor e virou-se para trás tentando se lembrar por qual motivo se apaixonou por aquela pessoa tão diferente de si. Talvez pelo que ele havia feito depois de tudo, ou porque ainda permanecia ali depois de todos terem partido. Suspirou e caminhou na direção do homem à sua frente e o abraçou.
— Eu fiquei preocupado, não faça isso novamente. — Encarou os olhos castanhos de Jimin, que ainda permaneciam com o mesmo brilho do colegial. Talvez fora por estes olhos que se apaixonou.
— Nem vou te prometer nada. Já fazem seis anos que tentou e não mudo.
— Mas quando sair, por favor, não vá para um lugar que certamente ocorrerá um tiroteio em seguida. — Disse, ao mesmo que Jimin o olhou. Por um instante apenas respiravam, ofegante, e nos segundos depois, o mais velho o beijou. Daquela forma, de seis anos atrás.
— Desculpe Kook. Eu vou tentar novamente. — Apoiou-se nos ombros do outro, e sendo guiado por Jeongguk chegou até o quarto, onde caíra na cama e dormiu sentindo as mãos quentes do seu noivo o despindo.
. *** .
No primeiro indicio de luz do dia, Jeongguk acordou e tocou ao seu lado, e respirou aliviado pelo corpo do seu amor estar ali, e não debaixo da terra.
Tantas vezes, que ele já havia ficado até tarde aguardando Jimin chegar. Até mesmo quando estavam na faculdade, quando tudo era sempre uma diversão. Mesmo naquela época, se preocupava com o mais velho. As vezes que ele saia e demorava horas e horas para retornar ou das vezes que iam dormir juntos e Jeongguk acordava no meio da noite apavorado e não encontrava Jimin ao seu lado.
Jeongguk, nunca havia se recuperado totalmente de suas crises de pânico e ter Jimin ali, o ajudando, era algo realmente importante para ele. Quando sua mãe faleceu, pareceu que tudo havia desmoronado, mas lá estava ele, aquele garoto de cabelos rosa estendendo a mão para Jeongguk, que a segurou fortemente para não cair naquele abismo. E até hoje, Jimin ainda segura em sua mão, mesmo desse jeito diferente ele ainda está ali, o protegendo das crueldade do mundo. Depois de anos, Jeongguk, ainda sentia medo, medo de um dia acordar e não encontrar aquele garoto de cabelos, agora loiros, ao seu lado, contando algo irrelevante mas que tiraria um sorriso bobo dos dois. Os dois se amavam dos seus jeitos tortos, apesar de tudo, ou pelo menos, era o que cada um imaginava nas noites afastados por quilômetros de distância. Que aquilo tudo era real. E agora, seis anos depois poderíamos chamar isso de amor, ou amenos, algo parecido com este sentimento.
Às vezes Jimin se perguntava se deveriam estar noivos parecia errado em certos momentos. Como pessoas que eram tão extremas poderia dar certo? Mas ele realmente queria tentar fazer tudo isso acontecer. Se um dia acabasse ele poderia dizer “eu tentei”, mas mesmo com todas essas dúvidas ele permanecia ao lado do outro, porque havia prometido naquele dia que o protegeria.
Mas, será que para protegê-lo ele precisa amá-lo?
. *** .
Passava das três da tarde quando Jimin Acordou com sua roupa pregando no corpo por conta do suor. O sol entrava e clareava todo quarto — que agora tinha cortinas vermelhas, graças a ele próprio que insistiu tanto que acabou convencendo Jeongguk a comprá-las.
Levantou-se e caminhou diretamente para o banheiro, para tomar um banho gelado e despertar completamente. Sua boca estava seca por conta do álcool da madrugada passada, mas ele já estava tão acostumado que nem percebeu.
Ao final do banho, olhou-se no espelho e enxergou o mesmo garoto de antes. Aquele por quem as meninas se apaixonava e os meninos sentia inveja. Ele não tinha mudado tanto assim, porém agora, não fazia mais bullying pelos corredores da escola, e ainda tinha salvado alguém. Ele não tinha certeza se o que estava acontecendo agora, era para ter acontecido, mas ele esperava que si, pois talvez ter alguém para quem voltar depois de uma noite agitada era uma ideia agradável.
Colocou um short qualquer e foi até a sala onde encontrou o outro com livros e cadernos espalhados na mesa.
— Hoje é domingo, não é dia de estudar. — Disse aproximando-se e o beijando.
— Você deveria fazer o mesmo. — O encarou. — Você não tinha uma prova importante na terça?
— Eu tenho muitas provas importantes. — Revirou os olhos. — Quero sair com você, como antes.
— Estou terminando a teoria da relatividade, talvez, quando eu terminar a gente vá.
— Ainda me pergunto como estamos juntos há tanto tempo. — Suspirou, lembrando dos pensamentos que teve no banheiro.
— Talvez porque nos amamos? — Jeongguk levantou-se e acompanhou o mais velho até a cozinha.
— Talvez. — Começou, mas percebeu seu erro logo em seguida e calou-se. — Eu te amo, Kook.
— Eu te amo também, Tae.
Os dois sabiam que metade desta frase não era real, mas nenhum ousou desmenti-la. Estavam tentando ao máximo, tornar tudo isso o mais real possível, e Jimin pode ter feito o certo, naquela noite de verão quando pediu o outro em casamento, no ano passado.
. *** .
— Ainda não acredito que estou assistindo a esse filme besta com você. — Jeongguk disse apoiando seu braço na poltrona do cinema.
— Você tinha prometido que sairia comigo assim que terminasse de estudar.
— Eu disse sair, não perder nosso tempo assistindo isso. — Indicou o filme comédia besteirol que começaria em instantes.
— Eu sei que no fundo você gosta.
— Ha ha, engraçado. — Calou-se, não queria começar uma briga agora.
Assim que o filme acabou, Jeongguk não levantou-se da poltrona, ficou apenas encarando a tela enquanto os créditos rolavam. Em seguida olhou para Taehyung que acabara de se levantar, e pensou se deveria realmente continuar com isso, estava ficando sufocante.
— Deveríamos dar um tempo.
E foi dessa forma, que perceberam que aquilo, talvez não fosse real. Jimin e Jeongguk continuaram a se encarar depois da frase dita, que ainda ecoava entre ambos, e após, Jeongguk saiu, torcendo para que o outro não viesse atrás de si, e para sua sorte ao dobrar o corredor o viu desaparecendo pela outra saída.
Os dois queria aquilo, mas nenhum tomava iniciativa. Precisava de um corajoso, e certamente Jimin não poderia fazer isso.
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