Notas iniciais
Então eu venho postar, senhoras e senhores, FINALMENTE o capítulo 8!!!! o/ Era pra eu ter postado semana passada, mas como eu tava sem internet (vulgo: me mudei G.G aí demoraram pra transferir a droga do wi-fi), nem deu pra postar. Bom, depois de vários dias sem inspiração aqui está u.u Novamente, esse capítulo meio que foi mais pra encher linguiça :/ e tá grande G.G Mas o importante é que, depois desse capítulo, a história vai poder seguir da forma que eu tava quereno o/ #Todoscomemora XD (ou não G.G) Bom, deixa de demora e aqui está u.u Ah, e uma novidade: Eu criei um Tumblr pra Jikan Ryoko!!! o/ Sim, um tumblr, tipo, especialmente para a história, onde eu posto coisas da história, curiosidades e outras coisas que não vão necessariamente aparecer aqui. Bom, o Tumblr ainda está bem no comecim mesmo G.G Mas, caso queiram dar uma olhada, aqui está: ''Jikanryokobastidores.tumblr.com'' Pretendo postar coisas no Tumblr sempre o mais que puder (essa frase tá certa? G.G), bom, espero que gostem ^^ Agora chega de enrolação e bora pro capítulo u.u

|CAPÍTULO 8: Eta |Honoka|

***

–Que brisa mais deliciosa é a da noite de sexta-feira. Você não concorda, Arai-san?

E lá estava eu, Honoka Arai, com uma camisa vermelha com detalhes pretos e uma calça jeans um pouco desbotada, com meus cabelos presos em um rabo de cavalo, andando ao lado de um homem do quinto dos infernos vestido de terno chamado Mephistopheles – um nome muito bom, se você quiser que seu filho seja satanista. Ótimo.

Eram cerca de onze e meia da noite, e uma brisa refrescante circulava o bairro onde eu morava. Eu havia saído sem que minha mãe percebesse, junto à um garoto que havia acabado de atacar meu sutiã em plena noite chuvosa – que, aliás, a chuva havia parado justo quando íamos saindo -, o que é super normal.

Eu estava com uma sapatilha preta. Eu andava meio nervosa e espiava sempre o garoto ao meu lado, que parecia curtir a brisa. Olhava cuidadosamente cada casa do bairro, as janelas,tudo, com o maior entretenimento. Havia um grande movimento de carros, embora fosse de noite. A calçada por onde andávamos tinha algumas plantas em jarros espalhados ao lado das casas, ainda com as pétalas molhadas por causa da chuva.

Eu o havia chamado para sair àquela hora da noite apenas para que minha mãe não o percebesse- mas agora não sabia para onde ir. Uma cafeteria? Talvez. Eu estava tensa, olhando para os lados toda hora, enquanto Mephistopheles parecia curtir a minha preocupação. Foi quando ele então disse:

–Se você não estiver confortável com minha presença, senhorita Arai... – eu estranhei o modo de como ele havia me chamado de ‘’senhorita’’. Eu nunca gostava quando se referiam assim à mim, principalmente um homemgato que quase me estuprara em meu próprio quarto — ... eu posso voltar à minha forma felina, se quiser.

Nós dois paramos ao mesmo tempo, assim como nos filmes românticos, com a diferença que eu estava assustada ao invés de apaixonada. Eu encarei aqueles olhos azuis levemente asiáticos brilhantes. Confusa ainda, perguntei:

–...Forma felina... v-você quer dizer... um gato negro? – Era meio óbvio isso, mas mesmo assim eu perguntei. Porém, ao invés que ele me respondesse, em uma fração complicada de segundos, quando eu pisquei, percebi que ele havia sumido.Porém, subitamente, senti patas de gato tocarem meu ombro e levei um sobressalto com a aparição repentina de um felino preto em meu ombro.

–Pronto. – Ele sorriu para mim, tranquilo, se é que eu posso dizer que um gato pode sorrir. Olhei novamente para os lados e ninguém, então fechei os olhos e respirei fundo, e voltei a andar, torcendo para que ele não fizesse nada de estranho comigo novamente.

Se eu fosse uma garota inteligente e super decidida, organizada e tranquila, eu espantaria aquele gato como uma menina sadia e equilibrada, e voltaria para minha casa. Porém, como eu era uma retardada indecisa e insegura, eu não fiz isso, e continuei andando que nem uma anta patogênica, com um gato no meu ombro. Algumas pessoas passaram, mas não me notaram. Alguns olhavam brevemente, mas não ficavam com os olhos fixos em mim, como os do colégio. Foi quando, de repente, o gatinho demoníaco psicopata das trevas sussurrou:

– Arai-san, peço desculpas, mas... para onde está me levando? – ele levantou a... digamos... sobrancelha de gato, esperando uma resposta, e seu rabo peludo raspou pelas minhas costas. Cara, como eu odiava pelo de gato!

Eu sussurrei de volta, exasperada:

–...Para algum lugar onde ninguém que eu conheça esteja presente, Sat-... d-digo, M-Mephistopheles.

–Por favor, eu peço que me chame apenas de Mephisto! – Ele bocejou e se espreguiçou. Ninguém merece, foi o que eu pensei. Além de estranho, se espreguiça em meu ombro na maior tranquilidade do mundo. Eu apenas suspirei novamente.

Andei mais alguns passos em silêncio, quando, de repente, ele começou a dizer:

–Arai-san, você sabe o que é o ‘’tempo’’?

Eu franzi a testa, e olhei pro gato de relance enquanto andava, e respondi, baixinho:

–...É-É óbvio que eu sei o que é o tempo. É um conceito universal que define o espaço temporal entre cada ação que ocorre no universo. – Eu nunca havia descrito o conceito do tempo tão formal daquele jeito, mas ali eu não soube descrever de outra maneira. Ainda andando, o gato falante continuou:

–Exatamente, Arai-san. O tempo, resumidamente, cerca o conceito do universo por completo. – era um pouco tenso e bem estranho uma menina e um gato comentarem assuntos filosóficos em plena noite em uma calçada da cidade de Tokyo, mas era isso que estava acontecendo. Eu sempre achava esse tipo de coisa bizarra, mas eu meio que já estava aceitando, aos pouquinhos, a ideia de ter um gato falante em meu ombro, embora ainda me assustasse. E ele então continuou: — Arai-san, você acredita em um deus?

Antes que eu respondesse à pergunta, notei que ele pulou logo em seguida para o chão, retornando à sua forma humana. Porém, o que mais me assustou, era que ele parou na minha frente, me forçando a parar. Ele me encarou com seus olhos azuis, um tanto sério, enquanto uma lâmpada perto nos iluminava. Eu achei aquilo muito bizarro, e mais estranho ainda o fato de que ninguém notou. Alguns passavam e nem ligavam, no máximo reparavam o terno do rapaz na minha frente. Eu engoli em seco, e respondi:

–Mephistoph-... D-Digo, Mephisto... você, por acaso é... – eu fiquei uns segundos em silêncio, com certo receio da resposta que ele iria pronunciar, mas continuei: — ...O Mefistófeles de ‘’Fausto’’?

Em poucos milésimos de segundo, me arrependi do que havia dito. Eu, de frente para ele, ali, parados, com alguns observando-nos cautelosamente, enquanto percebi o tons de seus olhos mudarem para uma cor mais escura.

Eu não tive como me conter. Eu estava lendo um exemplar da peça teatral alemã ‘’Fausto’’, onde um demônio chamado ‘’Mefistófeles’’ aparecia, em forma de um animal, para Fausto, com a finalidade de realizar um contrato – coisa que Mephisto estava tentando fazer comigo. Aquilo não podia ser mero sonho, nem eu era sequer dependente de drogas... bem, eu esperava que não. Aquilo era real, assim como aquele meu sonho não era apenas um sonho. Eu não iria simplesmente na onda do rapaz.

Então, para finalmente o término do maldito silêncio, ele respondeu:

–Honoka... eu posso lhe chamar assim? Eu já disse, nem Deus nem Lúcifer da Bíblia existem, muito menos os outros deuses de outras religiões. Eu não sou um demônio, e muito menos um anjo, e como você notou, não sou um ser humano. Mas, se há uma coisa que posso lhe afirmar, é que eu, de fato, conheci o Fausto que mencionas.

Talvez eu teria aberto a boca para fazer mil perguntas que brotavam em minha cabeça que estava girando de dúvidas, mas foi quando escutei uma música vindo de um bar próximo. Era uma música animada, e, olhando para trás de Mephisto, notei que, de fato, em um bar tocava uma música um tanto divertida. Eu não dei tanta atenção, mas ao ouvir a música, percebi que Mephisto arregalou os olhos, e perguntou lentamente:

–...Meu Deus, isso é um bar? – Rapidamente, ele se virou para trás, para também ter uma visão de alguns bêbados dançando dentro do bar, enquanto alguns que passavam riam. Era uma música até que boa, e o bar parecia bem organizado. Eu pigarreei, e tentei me manter firme e séria, e o interrompi:

–M-Mephisto... – e lá estava eu, gaguejando de novo, para ferrar com a minha vida. Afinal, por que diabos eu sempre tinha que gaguejar quando tentava me manter séria? — P-por favor, não tente f-fugir do...

–...Oh, minha nossa senhora, quanto tempo eu não vou em um bar!!! – ele se virou para mim, sorrindo igual a uma criança, mostrando seus dentes perfeitamente alinhados que deixariam qualquer invejoso de queixo caído. Eu fiquei meio assustada com a repentina mudança de humor dele, e ele, de repente, perguntou: — Honoka, nós podemos entrar? Por favor, vamos até o bar!

Eu fiquei desconfortável e um tanto duvidosa com a pergunta, e recuei um passo. Afinal, que droga de pergunta era aquela?

–...M-Mas que droga de pergunta é-é essa... ? E-Eu tenho quinze anos, e eu não gosto de...

–Ah, não seja tão ruim, Honokinha, por favor, vamos! – Eu me senti sem graça com o ‘’Honokinha’’que ele havia soltado, mas antes que meu rosto pudesse corar, ele simplesmente agarrou a minha mão, e saiu me puxando. – Vamos, por favor, eu pago a sua conta, se você quiser!

–...Mephisto, mas que... m-me solta, e-eu não quero entrar! – Eu tentei me soltar, mas ele continuou com sua expressão de criança pidona, o que me fez ficar em uma certa dúvida. Na boa, o rosto dele era muito bonito!

–Vamos, eu juro que sairemos rápido! Por favor, uma cerveja de vez em quando não faz mal! Ao além!!! – Ele saiu me puxando do nada, e eu, toda atrapalhada e sem coordenação motora, quase tropecei. Continuei andando junto com ele, tentando pedir para que parasse, mas o bar estava logo à nossa frente. Alguns passaram e riram da nossa situação... aliás, posso dizer que era a minha situação. Eu fiquei um pouco corada com aquilo, então nós enfim entramos no bar.

***

O bar estava um pouco mais agitado do que eu pensava.

Muitos homens bebiam à vontade, conversavam besteira, e o cheiro de cachaça estava um pouco forte. Mephisto havia soltado à minha mão, graças aos céus, e o barman estava distraído, olhando para o nada.

Era um bar grande, eu tinha que admitir. Era arrumado, realmente, e a música era até boa. Eu corei quando percebi o olhar dos homens pela minha roupa, e me toquei que uma garota de quinze anos em um bar de adultos era uma coisa muito estranha. Eu me aproximei de Mephisto, que estava de costas para mim olhando ao redor do bar com um sorriso no rosto, e cochichei, exasperada:

–...V-Você tem ao menos conhecimento do que está fazendo, Mephisto?

Ele se virou pra mim, e sorriu. Eu não gostei muito daquele sorriso, mas ele disse:

–Fique tranquila, Honoka. Eu finjo ser seu namorado e lhe protejo, se você quiser. As pessoas daqui não parecem ser tão ruins. Vamos, procuremos um lugar para sentar!

***

Por insistência minha, nós fomos procurar assentos no fundo do bar.

Após passarmos por vários homens – e mulheres também – que conversavam seus assuntos de bêbados, pelo barman e os outros, achamos uma área no fundo que estava um tanto vazia. Devia ter umas... não sei, umas cinco pessoas nas mesas. Havia uma garota encapuzada no fundo, mexendo em um celular, e um casal na mesa do lado da dela. Mephisto parecia amar aquele clima de bar, e meio que cantava junto com a música. Eu sempre tinha que o apressar para voltar a andar, se não, eu suspeitava que ele pararia e começaria a se embebedar, do nada.

–Ei, ei, mocinha, não acha melhor ir para casa? – uma mulher de uns trinta anos falou para mim, enquanto passávamos. Ela parecia ter uma quantia razoável de joias, e vestia uma roupa gozada e tensa de macumbeira, o que me fez levar um susto – Sua mãe deve estar preocupada, não?

–...A-Ah, não... o-obrigada, mas não vou demorar muito... – Eu comentei, dando uma risadinha sem graça e acelerando rapidamente o passo pra chegar à Mephisto.

–Acho aquele lugar bom, o que você acha? – Ele me perguntou, apontando para a mesa onde tinha a garota encapuzada. Eu não achava muito confortável sentar com alguém desconhecido, tendo outras mesas vazias por perto.

–...Não é melhor em outra? Tem uma garota ali... melhor sentarmos na do lado dela.

–É, tens razão. – Ele assentiu, e continuou a andar. Atrás da gente, um casal de meia idade, já bêbados, começou a dançar. O casal perto da garota caiu em gargalhadas. Sinceramente, era um lugar até agradável, exceto pelo cheiro de cerveja e dos homens conversando besteira. Quando nos aproximamos da mesa que íamos sentar, olhei novamente para a garota, e notei uma certa estranheza nela. Não, não era estranheza... era semelhança. Ela mexia no celular sem nem sequer piscar direito, e algumas mexas cacheadas saíam de seu capuz azul-marinho.

–...Espere... – eu cochichei com Mephisto, observando a menina atentamente — ...Aquela ali é... não, não pode ser ela... seria ridículo pensar assim.

Ele não pareceu dar tanta importância,e continuou andando. Foi quando ele teve a genialidade de esbarrar no refrigerante da garota do capuz e o derramar em eu casaco, fazendo a garota ter um sobressalto que quase derrubou seu celular.

–Ai, meu Deus do céu, desculpe! – Mephisto falou, olhando a tragédia que havia feito,e eu não pude evitar de levar minha mão à testa e murmurar um ‘’Gênio!”. Porém, eu tive uma surpresa um tanto bizarra quando a garota reclamou:

–Caralho, vê se olha por onde anda, porra!

A garota levantou o capuz, e eu percebi que ela estava de boina – não me pergunte porquê um ser usaria uma boina com um capuz em cima, mas tudo bem -, e pude ver seu rosto claramente. Ela tinha um cabelo meio cacheado e meio liso,e olhos pretos. Uma expressão completamente familiar estava em seu rosto, e eu levei um susto, enquanto Mephisto ainda olhava seu terno, que também havia sido molhado.

–ERIKA? – eu exclamei,olhando para a garotada boina, e ela me encarou com um olhar meio maconhado. Ah, não... aquilo não podia ser... eu conhecia aquela garota. Mas o que diabos ela fazia ali, naquele momento? – ... O-O que você está fazendo aqui?

–...Honoka? – Ela arregalou os olhos, e olhou novamente para Mephisto, e pareceu reconhecê-lo. Alguns segundos em um silêncio entre nós passou lentamente, até que seu olhar voltou para mim – ...Mas que... O que vocês dois estão...

–Ah, vejo que é a Otsuka-san!!! – Mephisto exclamou, olhando Erika sorrindo, e sua animação parecia crescer. Quanto à mim, eu estava confusa e não fazia a mínima ideia do porque de Erika estar ali. Afinal, o que estava acontecendo? Teria Mephisto previsto que ela estaria ali? E o que ela fazia ali?

Ninguém pareceu notar o que ocorreu. Erika encarou Mephisto lentamente por um bom tempo, até que finalmente disse:

–...E-Ei... Você não é aquele...

–Sim, sim, Mephisto a suas ordens! – eu achei que ele iria apenas passar direto, mas para minha surpresa, ele puxou rapidamente a cadeira da mesa, fazendo Erika afastar a dela rapidamente, surpreendida.

–EI, EI EI!!! — ela exclamou, logo se enfurecendo — O que você pensa que está fazendo? – ela olhou pra mim, o que eu não gostei nem um pouco. Eu não poderia ajudar em nada no momento, e nem eu mesma sabia porque estava ali, e Erika olhou para mim com um olhar que exigia uma explicação... que eu não tinha – Honoka, afinal, que porra você está fazendo aqui com esse... esse ser das trevas!?

–E-Eu que lhe pergunto, Erika-san! O que vo... – Eu exclamei. Porém, Mephisto puxou logo em seguida a cadeira em minha direção, o que fez Erika olhar a cena com uma expressão do tipo: ‘’Por que essas pessoas estão invadindo a minha mesa?”

–Ah, por favor, sem brigar no bar, Arai-san, Otsuka-san! – ele sorriu abertamente, mostrando seus dentes, e seu olhar novamente parecia ter clareado – Vamos sentar, curtir um pouco a música e a bebedeira! Pediremos ao garçom um gole de cerveja!

Eu, hesitante, sentei lentamente na cadeira, olhando para todo lado e para todos. No entanto, quando meu cérebro de anta finalmente registrou o que ele havia acabado de dizer, eu logo protestei:

–...E-Ei, eu não quero cerveja! – eu olhei para Erika, que, pelo seu olhar, pareceu concordar comigo, de alguma forma – M-Mephisto, entenda que nós só temos qui-.....

–Ei, garçom! Aqui, por favor! – Ele levantou o braço e acenou desesperadamente para o garçom mais próximo, que logo viu seu chamado. Erika ainda estava tentando entender o que se passava, ainda com o celular na mão, enquanto o garçom se aproximava, e eu me queixava mentalmente da escolha que havia feito.

***

Em alguns minutos, Mephisto bebia cerveja como se não houvesse amanhã.

Enquanto eu e Erika estávamos caladas e quietas, apenas observando Mephisto beber o... o quê? Décima quarto copo de cerveja? Eu confesso que já estava ficando impaciente. Nós estávamos que nem otárias ali, esperando o garoto de no máximo dezessete anos ficar bêbado. Quando ele estava colando a cerveja novamente no copo, Erika se antecipou, do jeito mais doce do mundo, acabando com o tédio:

–Eu vou enfiar a porcaria da garrafa da cerveja no seu cu se você não parar de beber e se explicar agora!

Ah... a doce e fofinha Erika...

Foi quando ele parou de por a cerveja no copo – para a nossa alegria –, fechou a garrafa e voltou a olhar para nós duas. Ele sorriu novamente, e naquele ponto quem quase estava gritando era eu. A música, graças a todos os deuses, foi substituída por outra calma e baixa.

–Ah... eu sinto muito mesmo... – Mephisto falou — É que realmente fazia muito, mas muito tempo que eu não bebia cerveja japonesa. – eu ia perguntar o que ele queria dizer com isso, mas o tom de seus olhos pareceu mudar novamente. Ele assumiu um ar meio sério, e seu sorriso sumiu. Eu e Erika, tensas, observamos enquanto ele entrelaçava os dedos e apoiava o queixo neles. Então, continuou a falar, enquanto os bêbados mal nos notavam: — Suponho que ambas ainda tenham suas marcas, certo?

Nós assentimos. Então ele prosseguiu:

–Como eu já havia dito, isso foi puramente para chamar a atenção de vocês.

–Eu apenas suponho que você tenha exagerado um “pouquinho”, não? – Erika falou, encarando-o com seu olhar predileto de assassina perigosa ‘’não-me-toque’’. Ele apenas riu de leve.

–É, tenho que concordar com isso. Mas, quando tento chamar a atenção de alguém, nem sempre é desse jeito, mas com vocês teve que ser assim.

–E por quê? – Erika perguntou novamente, demonstrando irritação – Para... como foi que você disse? Nos tornar ‘’Viajantes do Tempo’’? Então, isso é como nos filmes científicos? Você é um ser mágico que pode nos fazer voltar no tempo? Nossa, que super emocionante. – Ela ainda completou, com cara de paisagem – Isso não explica as marcas e, afinal, o que é você?

–Erika, deixe-o falar, por favor... – eu supliquei, e ela apenas bufou. Suspirando, Mephisto voltou a falar:

–Eu já suspeitava que não confiariam em mim, é lógico. Mas, sim, eu venho com a proposta de um contrato – ele se ajeitou na cadeira, e seus olhos, dessa vez, se tornaram meio... digamos, opaco... é difícil descrever o tom que seus olhos assumiram – Otsuka-san, o que você disse não é totalmente mentira. Sim, eu sou um ser não-humano, e muito menos um gato.

Um grupo de bêbados distante começou a cantar uma serenata para uma donzela que não existia, enquanto alguns caíram no sono. O casal que estava perto da gente se levantou e eles foram em direção ao barman.

–E se eu dissesse pra vocês que, na verdade, tudo o que viveram e vivem até hoje foi feito à base de mudanças e mais mudanças no tempo? – ele nos indagou, encarando-nos, enquanto o tom de seus olhos continuava no mesmo tom – Quero dizer, se não fossem as pessoas que viajaram no tempo, o ‘’presente’’ seria totalmente diferente.

Por alguns segundos, ninguém falou nada. Eu engoli um seco, e quebrei o silêncio novamente:

–...I-Isso quer dizer que... você existe há séculos? Fazendo contratos com pessoas para viajarem no tempo? – Eu perguntei, perplexa. Foi quando Erika interferiu, explodindo:

–Ah, Honoka, não vai me dizer que você acredita nessa bobagem!– Ela gritou, fazendo algumas pessoas olharem para nós, curiosas. Mephisto permaneceu-se calado, sem se sobressaltar, e Erika prosseguiu, dirigindo um olhar raivoso à ele: — Olha, eu não sei quantos copos de cerveja você tomou, mas com certeza fez efeito! Não sei o que você é ou deixa de ser, o que seria Khronos, essas Illusiones que impedem não-sei-o-quê, e esses viajantes do tempo, isso não importa. Apenas fique longe, pois se eu ver você mais uma vez, eu – Ela se levantou, repentinamente, me fazendo levar um susto, pegou sua bolsa e saiu andando raivosa, abrindo caminho em meio às pessoas, irritada. As pessoas nos encaravam com um olhar estranho, e eu duvidava que Erika se lembraria de pagar a conta.

–ERIKA, ESPERE! – Eu gritei, mas quando eu ia me levantar, Mephisto me segurou pelo braço. Deveria ser uma cena um tanto constrangedora, levando em conta que eu estava em público, mas dessa vez quem se enfureceu fui eu.

Eu me virei enfurecida pra ele, e falei:

–Olha, senhor Mephisto, eu sinto muito em desapontá-lo, mas eu não....

–....Mas eu não terminei, Arai-san. – Ele me interrompeu, ainda segurando meu braço.

Eu tinha vontade de sair daquele bar, ir atrás da minha amiga. Mas... eu também queria terminar de ouvir a conversa de Mephisto. Eu queria saber mais sobre esses Viajantes, ou fosse lá o que fossem.

As pessoas ainda olhavam para uma garota de quinze anos, bonita, com provavelmente seu namorado de terno segurando seu braço – ou pelo menos, eles viam dessa forma. Alguns cochichavam entre si, e alguns voltaram a beber novamente. Eu já ia sentando novamente, enquanto ele soltava meu braço, mas uma coisa aconteceu.

Uma coisa um tanto...bizarra.

–Se ela quiser ir, deixe-a ir, então – Disse uma voz atrás de mim, me fazendo levar um sobressalto.

Eu não sabia de quem era essa voz, então me virei para trás.

No começo, por incrível que fosse, achei que era minha mãe. A voz parecia um pouco grossa quando ela falou. Porém, quando eu e Mephisto olhamos, curiosos, percebemos que, a dona da voz era unicamente uma garota pequenina, que parecia ter uns... digamos, sete anos. Mas não era japonesa. Era loira, tinha os cabelos presos em fitinhas rosas, e usava um vestido branco, encarando Mephisto com seus olhos azuis

Era aquela garota que falou sobre os relógios em frente à casa de Bob.

Mas, o que diabos uma menininha estava fazendo em um bar, em plena madrugada?

–Ah, sinto muito, mas... eu gostaria de conversar um pouquinho com Arai-san. – Mephisto respondeu, sorrindo alegremente para a menininha, enquanto eu a encarava de forma estranha, mas ela não pareceu se importar comigo – Logo nós terminaremos, menininha, não estamos fazendo nada de errado, certo, Arai-san?

Alguns adultos olhavam a menininha, talvez desconfiando de mim e de Mephisto. Eu corei,e respondi, gaguejando:

–...A-Ah, s-sim, pois é... – eu sorri amarelo, olhando para ela, ignorando os adultos que me encaravam – ... Onde estão os seus pais?

–E onde está a sua força de vontade? – Eu me surpreendi com o tom da menina. De repente, ela estava me encarando, e a pergunta que ela soltou, repentinamente, fez um certo sentido.

E ninguém falou mais nada. Depois de um tempo de silêncio mortal, enquanto uma coceira do quinto dos infernos infernizava meu braço, a garota se virou e saiu, meio cantarolando. Eu olhei para ela por alguns segundos, em silêncio.

Ele suspirou.

–Bem, acho que agora poderemos continuar nossa conversa, não? – Ele sorriu.No entanto, eu senti um arrepio estranho... era como se eu já tivesse encontrado aquela garota antes, antes mesmo daquele dia. Era uma coisa bizarra, e a pergunta dela rebatia em minha mente.

‘’Onde está a sua força de vontade?”

“Se ela quiser ir embora, deixe-a ir, então”

–Ah, eu sinto muito, mas preciso ir agora. – eu falei repentinamente, me levantando em um sobressalto repentino. Mephisto fez uma cara confusa, mas eu simplesmente fiz uma reverência de leve, e expliquei: — Eu tenho aula amanhã de manhã, preciso dormir cedo. Por favor, eu preciso. Desculpe por qualquer incomodo.

Eu me virei e sai andando, sem me virar uma única vez, ignorando os que olhavam para mim. No entanto, ouvi Mephisto gritar:

–Até mais, Arai-san! Boa-Noite!

Eu saí do bar o mais rápido possível, e me deparei novamente com a rua escura. Não vi nenhuma Erika ou uma loirinha, como eu realmente achei que veria. Procurei ao redor, mas nenhuma delas estava ali. Era algo muito estranho, mas levando em conta o que havia se passado naquele dia, não estava estranhando mais nada, então me virei e rumei para minha casa.

***

Para terminar aquele dia lindo e feito pela Disney com uma chave de ouro blindada com diamantes cheios de purpurina e glitter em volta, o que aconteceu comigo?

Eu encontrei o amor da minha vida?

Eu ganhei na loteria?

Eu ganhei doces eternos de graça?

Não! Eu sonhei, é claro. E, para variar, aquele sonho não era nada normal.

No sonho, eu estava em um local escuro novamente. Mas desse vez, tinha um cenário iluminado à minha frente, e duas pessoas conversavam. Era a sensação de estar assistindo um filme no cinema em 3D, só que mais realista.

Eu não me via, nem via a roupa que usava, mas estava muito frio. As duas pessoas estavam em uma sacada da varanda, de costas para mim, conversando. Eu sabia que a conversa deles era uma coisa importante, mas como eu era tapada, só fui perceber que eu poderia me aproximar deles no sonho alguns minutos depois.

Eu me aproximei, em passos lentos. De repente, entrei na área iluminada da sacada, mas nenhum dos dois pareceu me notar. Era como se eu fosse apena um simples pássaro entrando em um local desconhecido, onde ninguém se importava comigo. Agora, eu estava muito próxima dos dois, e eu já os reconhecia.

–É incrível como noites podem mudar destinos, você não acha? – um rapaz de terno, cabelos pretos, e um porte alto, disse, virado de costas para mim, olhando para baixo, sorrindo – Nesta noite do dia 16 de Maio de 2014, eu acabei de abordar três futuros Viajantes.

–Eu acho que você está contando de mais com a sorte. – uma garotinha de cabelos loiros presos, olhou para ele, com seus olhos azuis cristais, usando um vestido branco bem arrumado de bonito, com efeitos de rosas – Você não tem como saber se, de fato, aqueles jovens irão fazer o contrato com você.

–As evidências são muitas. – O jovem se virou, sorrindo para a garotinha — Eles serão peças muito importantes para que Khronos acorde. Quase tudo já está pronto, o contrato já é certo. E eu estou decidido em levá-los nesse caminho.

–Falas como se tivesse uma certeza absoluta, não é? Eles não disseram ‘’sim’’. Todos o ignoraram. Você ainda vai continuar? – ela tinha um ar sóbrio no rosto, encarando-o – E por que logo eles?

–Ah, é questão de tempo! – ele pegou uma maçã do bolso, e passou a comê-la. Quando engoliu o primeiro pedaço, continuou – Eles tem um destino importante. Talvez sejam eles que abram as portas para o novo mundo. As Illusiones ainda estão em um grande número. O destino me atrai a eles, e principalmente, à Honoka.

–Eu não vou deixar você traçar o destino que quer. – ela respondeu – Eu definitivamente não posso permitir que faça que eles tracem o destino que você escolheu. Isso não vai acontecer, porque eu não vou lhe permitir.

O jovem a encarou com um olhar curioso.

–Você fala como se soubesse de alguma coisa muito maior do que já foi contada. Por um acaso, conheces os Viajantes à fundo? És uma viajante? Nós já nos encontramos antes?

–Provavelmente não. – ela respondeu, secamente – Sou apenas uma garota comum; e você não tem evidências contra mim, certo? Seu pai não me conhece.

–De fato, mas vou conhecê-la melhor, eu espero. – ele sorriu – Você com essa cara de anjo, não engana-me. Tenho certeza que tu sabes mais e não queres falar.

–E você não é exatamente como eu? – ela sorriu um pouco, com um olhar desafiador – Com essas feições belas, escondendo algo maior? Não estamos quites?

Por um momento, uma ventania percorreu o lugar. Mephisto a encarava com uma expressão confundível. Seus olhos azuis mudaram novamente de tom, e ele estava sério.

–Seja quem você for, eu descobrirei. – ele falou – E, se você por acaso for quem eu acho que é, sabes qual será teu destino – ele sorriu – Mas, por enquanto, minha cara amiguinha, vamos assistir animadamente o novo destino dos nossos heróis! Dancemos e festejemos quando eles passarem a defender o que eles acham que é melhor!

–Eu já assisti isso uma vez. – ela respondeu – E não vou assistir novamente. Definitivamente não.

Ω

Notas finais
Sim, eu amo sonhos bizarros e tive que colocar um u.u (outro, na verdade XD) Bom, acho que a partir do próximo capítulo as enrolações diminuirão (e o tamanho dos capítulos também, eu espero XD), e eu vou poder seguir da forma certa... fazer o quê, não se deve apressar uma história G.G Bom, se alguém que tiver lendo isso e quiser discutir (no bom sentido) sobre quem é essa guria, pode comentar aí XD Mas sério gente, comentem. A história tem uma quantia baixa de comentários.. tá certo, está no começo a história, mas desanima :/ de comentários, apenas duas pessoas comentam, que eu conheço (sem ofensas, os comentários são lecaes u.u), então podem comentar também, eu amo críticas construtivas... é, é isso XD Bom, até mais pessoal o/ ~Sayo.