Jigoku Shoujo - Infernal Love

4 Capítulo 4 - O Encantamento e a Namorada


Notas iniciais
Peço desculpa pelo atraso e aqui vai um resumo dos últimos acontecimentos para quem não se lembra:
- Hara Anna, um anjo caído, ameaça arruinar a estadia da Donzela na face da Terra e mandá-la para o Inferno.
- Daichi começa a desconfiar que também Ai esteja a desenvolver sentimentos por Yuuko.
- Hara leva Yuuko para outra dimensão.
- Ai pega numa das rosas que Yuuko pôs na campa de Tsugumi e guarda-a.
Continuando...

Hone Onna voltou, mais uma vez, com notícias de outra missão falhada. E continuavam sem saber como é que Hara Anna fazia os contratos.

- Se não descobrirmos em breve, ficaremos sem casos. – informou Hone Onna olhando para Ai. Sabiam exatamente o que aconteceria se não houvesse mais casos, e não era um resultado agradável para a Donzela.

- A prioridade é descobrir o que é que ela promete aos clientes. – disse Yamawaro que brincava com Kikuri inconsciente – Se soubéssemos, podias regatear.

- Regatear não está no contrato que a Donzela fez com o Senhor do Inferno. – lembrou Wanyudo – Primeiro temos de saber como é que ela sabe onde estivemos.

Ai não se pronunciou. Continuava simplesmente a olhar para o monitor negro. Pela primeira vez, tocou no teclado que Ren tinha instalado. O monitor acendeu-se imediatamente, ligando-se a um motor de busca.

As palavras que ela escreveu eram as esperadas: “Hara Anna”.

Vários tópicos em diversos fóruns apareceram. Ai clicou no que dizia “Linha Direta ao Céu”. A pessoa que tinha escrito descrevia a sua experiência a sua experiência com Hara Anna, comparando-o com Enma Ai.

- Então é isso que ela está a oferecer!? – exclamou Hone Onna depois de ler o artigo por cima do ombro de Ai – No que é que ela está a pensar? Ela tem mesmo permissão para oferecer uma coisa dessas!?

- Se não a pararmos, o caos vai-se instalar entre os mortais. – disse Wanyudo.

- O Ren já foi investigar. – foi a reação serena de Ai, enquanto continuava a ler. “A qualquer hora de qualquer dia, aceda ao site e consiga a sua vingança.”

Curiosa para saber se era realmente verdade, Ai clicou no link que o post fornecia e foi parar a um site completamente branco com uma barrinha azul transparente no meio. “Conceder-te-ei a tua libertação”. Ai olhou com atenção para a frase acima da barra azul onde as pessoas deviam colocar o nome da pessoa de quem se queriam livrar.

Sem olhar outra vez, Ai desligou o monitor, levantou-se e saiu da sala para o jardim de flores vermelhas que sempre lhe acalmava a alma. Silenciosamente, deixou que uma brisa com o aroma doce das flores atingisse o seu corpo.

- Conceder-te-ei a libertação. – murmurou Ai fechando os olhos – A libertação absoluta é…

Hara Anna fitava Yuuko sem dizer nada.

Yuuko estava demasiado ocupado a tentar descobrir como é que eles estavam a flutuar em cima da água. Por isso o silêncio continuava. No final, teve de ser Anna a começar a conversa.

- Matsuda-san, tenho a noção de que conheces a Enma Ai. – disse Hara aproximando-se de Yuuko – Mas, tens a noção do que ela faz às pessoas que conhece?

- A Ai-chan é uma boa pessoa! – reclamou Yuuko – Ela não tem culpa do que a obrigam a fazer!

- A obrigação dela não devia sobrepor-se à sua consciência. – contrapôs Hara – Se ela faz aquele tipo de trabalho de consciência limpa, não é mais do que um monstro que pertence às chamas eternas do Inferno.

- Tu não sabes nada sobre ela! – gritou Yuuko.

- Então…tu sabes? – perguntou Hara, calando Yuuko – Eu posso conceder-te a libertação.

Hara esticou o braço e pousou a mão na face de Yuuko, sorrindo. Mais um pouco e ele seria dela. Hara tinha a certeza que ainda conseguiria usar alguns dos seus poderes. Bastava que ele continuasse a olhá-la nos olhos.

- Tens alguém de quem te queres livrar, não tens? – perguntou Hara, referindo-se a Daichi – Mas o teu coração é demasiado puro para o mandares para o Inferno. Porque é que não deixas que ele seja julgado pela presença divina? Se o fizeres, eu própria garantir-te-ei um passe direto para o paraíso; sem que sejas pelos teus pecados terrestres. Só depois de morreres, é claro.

- Passe direto…

Hara viu os olhos de Yuuko a escurecerem e sorriu. – Agora diz-me, quem é a Enma Ai?

- Monstro. – respondeu Yuuko simplesmente, ajoelhando-se em frente a Hara.

- Lindo menino. – disse Hara fazendo-lhe festinhas no cabelo de Yuuko que permanecia de cabeça baixa. Mas a alegria nos olhos de Hara desapareceu quando o céu passou de azul celestial para vermelho sangue e o mar transformou-se numa massa negra lamacenta. A surpresa foi óbvia quando viu os quatro servos de Ai à sua frente – Como é que entraram aqui!?

- Pensavas que o poder de um anjo caído se podia comparar à Donzela do Inferno? – Ren soltou uma gargalhada – Estás a lisonjear-te demasiado.

- Ai… — Hara olhou para trás e viu Ai que brincava calmamente com Kikuri – Vocês não podem entrar aqui! É sacrilégio!

- Aquela pessoa… — disse Kikuri de uma maneira ofensiva – Ela fez mal ao Yuuko-kun!

- Não é para isso que estamos aqui. – lembrou Ai, acocorando-se para ficar da altura de Kikuri – Se não ter portares bem, voltas para casa.

Yamawaro correu para Kikuri imediatamente, para a impedir de continuar a falar.

- O que a Donzela diz é verdade. – concordou Wanyudo – Estamos aqui para discutir as condições e ofertas do teu contrato com os mortais.

- As minhas condições e ofertas são válidas desde que o humano concorde com elas. – contestou Hara – Não faço mais do que informá-los.

- Não é o que parece. – disse Ren apontando para Yuuko que estava obviamente sob o controlo mental de Hara – Usas sempre esses truques?

- Não. – respondeu Hara levantando a cara de Yuuko até que ele olhasse para ela – Mas o rapaz parecia não querer ver a verdade. Por isso tive que usar outros métodos. Vejam. – pediu ela, apontando de seguida para Ai – Yuuko, quem é ela?

- Mons… — os olhos vazios de Yuuko fixaram os de Ai que o olhava passivamente, mas ele não foi capaz de acabar a palavra, surpreendendo Hara.

- Diz! – ordenou Hara pondo a mão sobre a cabeça de Yuuko. O coração daquele humano não podia ser mais forte do que os poderes dela – Diz o que é que aquele ser é realmente.

- M-Monst…

- Já chega! – interrompeu Hone Onna – Entrega já o rapaz, ou seremos obrigados a envolver o Senhor do Inferno!

Desagradada com a ideia, Hara atirou Yuuko para o chão pantanoso. Se o Senhor do Inferno fosse envolvido, seria obrigada a voltar para a sua jaula. Depois de conseguir escapar há tão pouco tempo, não ia permitir que eles a atirassem para lá novamente.

- Podem tirar-me isto. – disse Hara, referindo-se a Yuuko – Mas não podem impedir-me de continuar a fazer contratos.

Sem dizer mais nada, Hara estendeu as asas brancas, rasgadas e desgastadas, e levantou voo até conseguir perfurar o céu vermelho e aquela realidade, deixando os restantes num beco da cidade de Tóquio.

Wanyudo pegou no rapaz e olhou para Ai.

- Talvez fosse melhor se lhe removêssemos o encanto antes de o levarmos para casa, Donzela. – propôs Wanyudo.

Ai anuiu com a cabeça e começou a caminhar para fora daquele beco.

- Huh, Donzela…? – chamou Hone Onna sem perceber onde é que ela ia.

- Vocês vão indo. – disse Ai virando-se para trás – Eu preciso de ir a um sitio antes.

Hone Onna olhou para Wanyudo que encolheu os braços. Enquanto o grupo de dirigia para casa, Ai desapareceu no meio dos habitantes de Tóquio.

Era quase noite quando Ai chegou ao seu destino.

Tinha prendido o cabelo com uma fita branca e o uniforme preto tinha dado lugar a um branco com as bordas azuis e o lado ao peito da mesma cor. Com meias até aos joelhos e mala preta na mão, Ai parou em frente ao portão de uma casa moderna e ajeitou os óculos antes de tocar à campainha.

Uma senhora com pouco menos de quarenta anos atendeu alguns segundos depois com um sorriso na cara, olhando rapidamente para a rapariga que estava na sua entrada, de cima a baixo.

- Ora, tu és da escola do Yuuko? – perguntou a senhora simpaticamente, reconhecendo o uniforme – Aconteceu alguma coisa?

- Por acaso… — disse Ai, enquanto a senhora saía para abrir o portão – Eu sou a namorada do Yuuko-senpai.

A casa de Yuuko não era muito grande mas era decididamente acolhedora.

Entretanto, a mãe de Yuuko tinha chamado o pai de Yuuko e Ai estava correntemente a ser observada cuidadosamente. Ela sabia que, numa situação daquelas devia sorrir, mas já não o fazia há vários séculos, por isso decidiu desistir da ideia.

- Não és um bocado nova para seres namorada do nosso Yuuko? – perguntou o pai – Sabes, a namorada dele não devia ser mais…desenvolvida?

- Querido! – protestou a mulher, dando-lhe um empurrão – A Ai-chan é muito gira.

- Na verdade, apesar de ter treze anos, ando na mesma turma que o Yuuko-senpai. – explicou Ai.

- Oh, então saltaste alguns anos… — compreendeu o pai.

- Sim. – confirmou Ai – E o Yuuko-senpai ajudou para que eu me sentisse bem-vinda naquela classe. Mesmo que as raparigas mais “desenvolvidas” não me aceitassem.

- E o que é que aconteceu ao Yuuko? – perguntou o pai, retirando a atenção do seu comentário anterior – Porque é que ele não veio com a Ai-chan?

- Na verdade, os meus pais convidaram o Yuuko-senpai para jantar à última da hora, mas ele sentiu-se indisposto. – explicou Ai – Por isso eu vim aqui para vos avisar.

- O Yuuko está bem? – perguntou a mãe imediatamente.

- Está. Foi só cansaço. – respondeu Ai – Mas como não temos telefone na minha casa e o telemóvel do Yuuko-senpai estava sem bateria, eu decidi vir até cá.

- Uma rapariga da tua idade, nas ruas a esta hora? – perguntou o pai, surpreendido.

- Não tem mal. Já estou habituada à escuridão. – Ai levantou-se e fez uma vénia – Peço desculpa, mas tenho que ir.

- Tens a certeza que não queres que eu te leve? – insistiu o pai.

- Não. – recusou Ai – A minha casa fica perto daqui. Mas os meus pais preocupam-se se eu chegar tarde.

- Foi um prazer conhecer-te, Ai-chan. – disse a mãe acompanhando-a até à porta – Por favor, volta sempre. E traz os teus pais da próxima. Seria um prazer conhecê-los.

Depois de mais uma vénia, Ai virou as costas e começou a sua caminhada até casa.

Uma vez que não tinha a boleia de Wanyudo, já era de madrugada quando Ai chegou a casa, ainda com o mesmo uniforme e o mesmo penteado.

- Donzela! – Hone Onna levantou-se – Que tipo de roupa é essa?

Ai ignorou-a e foi sentar-se em frente ao monitor como sempre fazia, sem sequer perguntar pelo estado de Yuuko que se encontrava deitado no chão, no meio da sala.

- A Donzela parece uma cheerleader. – murmurou Ren, levando imediatamente com os olhares dos restantes – É verdade.

- A Ai parece uma cheerleader! – exclamou Kikuri andando de um lado para o outro – A Ai parece uma cheerleader!

- Quieta, miúda! – mandou Wanyudo, agarrando-a pela a cabeça – A Donzela tem muito em que pensar!

- Larga-me careca! – gritou Kikuri.

A comoção continuou até Yuuko se mexer. No mesmo tempo, Ai levantou-se.

- Está na hora de ir. – anunciou Ai depois de o monitor ficar vermelho – Tragam-no também.

O que é que aconteceu com o Matsuda-san? – perguntou a professora, encarando a turma. Yuuko era o único que falatava.

A turma manteve-se em silêncio. Mesmo que soubessem – o que não era o caso – nunca diriam.

- O Yuuko nunca se atrasou. – estranhou a professora – Por isso vou abrir uma exceção e esperar mais um pouco antes de lhe marcar uma falta.

- Isso não é justo! – protestou Daichi.

- Ele é o melhor aluno da turma. – informou a professora, fazendo com que os dentes de Daichi rangessem – E só tu é que pareces ter um problema, Daichi-kun.

- Mas…

Antes de Daichi ter tempo para protestar mais, Yuuko abriu a porta, com Ai a seu lado.

Notas finais
Espero que tenham gostado e peço desculpa pela demora U_U
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.