Jibbs Como Músicas
5 Made You Look - Meghan Trainor
Notas iniciais
Não era de hoje que pelos corredores do NCIS alguém comentava a mesma coisa. Sussurros aqui e ali, que viravam palavras sem dono quando eu aparecia.
Nunca soube quem começou com a história, ou talvez tenha sido DiNozzo, mas a verdade era que todo o prédio já sabia.
Era eu pisar no mezanino que dava acesso ao MTAC e ele olhava para cima.
Logo que eu voltei creditei essa “coincidência” à soma de meus saltos e seus ouvidos bem treinados.
Contudo, numa tarde fria de inverno, quando o amontoado de neve nas ruas pela manhã me obrigou a usar uma bota sem salto, eu percebi que realmente a Regra #39 sempre fez sentido, não era coincidência que ele olhasse para cima quando eu aparecia.
Era obsessão.
E DiNozzo estava certo.
Um tanto surpreendida por essa constatação de que, mesmo depois de tantos anos, eu ainda fazia Jethro me olhar, decidi por pegar um ar... contudo, a sorte não estava ao meu favor, quando, ao invés de fazer uma viagem até a saída da garagem de provas sem interrupções, me vi cercada por Abby e Ziva.
Não era culpa delas que o elevador parou no andar e abriu as portas quando elas comentavam simplesmente o mesmo fato que enchia a minha mente.
Que Jethro faltava pouco ter um torcicolo todas as vezes que eu aparecia.
— Até vocês! – Falei exasperada quando elas, surpresas, olharam para dentro do elevador.
— JENNY?! – Abby se esgoelou.
— Diretora... nós... é... – Ziva tentava encontrar palavras para a fofoca que ambas trocavam.
— Vão entrar? – Perguntei tentando cortar o assunto.
As duas pularam para dentro da caixa de metal e me olharam sem graça. E quando Abby tomou fôlego para despejar as suas dez mil palavras por segundo, pedi:
— Por favor, Abby. Não.
— Mas nós não estamos mentindo. – Ela completou mesmo assim.
Olhei para a Cientista Forense e ela deu de ombros.
— Eu já vi! – Ela clamou.
— Sim. E eu vejo todos os dias. – Ziva confirmou.
— Não sabia que você vinha dando ouvidos ao que Tony fala. – Murmurei entre dentes.
A israelense me olhou um tanto ultrajada.
— E se nós fizéssemos um teste?! – Abby interrompeu a conversa.
Tanto eu, quanto Ziva olhamos na sua direção.
— Sim. Podemos testar as reações do Gibbs. Ver se é só coincidência que ele cisme de alongar o pescoço quando você está no mezanino, ou se ele realmente faz isso para te ver.
— Eu acho uma boa ideia! – Ziva concordou quando caminhamos para fora do elevador e para dentro da garagem de provas.
Demos alguns passos e paramos perto da última cena de crime que Abby reconstituía.
— Não. – Falei firme e fui em direção ao portão da garagem, querendo e precisando de um tempo à sós.
— Se você estivesse certa de que é coincidência, Jenny, você não estaria usando a garagem de provas para sair do prédio, teria descido a escada e atravessado a sala do esquadrão. – Ziva falou em hebraico.
Virei-me na direção da oficial do Mossad, encarando-a, não como minha amiga, mas como a sua superiora.
— Não se atreva.
— Você mesma me disse quando estávamos no Cairo. Eu só estou te falando as verdades que você não quer aceitar!
— Gente, por favor, em inglês. Eu não sei o que vocês estão falando! – Abby chamou a nossa atenção.
Suspirei frustrada. Não tinha como enganar Ziva, não quando ela sabia demais e ainda estava diariamente vendo tudo de camarote.
— E qual é o plano de vocês? – Perguntei cansada.
Abby ia começar a pular...
— Explique de forma calma e devagar, Abby e, o mais importante, Jethro não pode nem sonhar.
E Abby passou a discorrer sobre o que ela achava que era o plano do século. Meia hora depois, eu voltei para a minha sala. Ziva tinha subido um pouco antes, só para testar algo e, quando teve certeza de que Jethro estava concentrado no último relatório de DiNozzo, me mandou uma mensagem dizendo ser seguro subir.
Abby me acompanhou até certo andar, depois voltou para seu laboratório e eu parti para o quarto andar.
A caixinha de metal foi parando de andar em andar e quando finalmente cheguei aonde queria, estava sozinha. Respirei fundo e coloquei um pé para fora. Não tinha como Jethro escutar a minha passada, não quando a sala do esquadrão estava tão barulhenta e quando eu não estava usando saltos.
Com a cabeça erguida, saí do elevador e caminhei diretamente para a minha sala, não parei no guarda-corpo do mezanino e não olhei diretamente para a área da MCRT, porém, pela minha visão periférica notei.
Era quase automático. Quase como se ele pressentisse a minha presença.
Assim que fiquei visível para todo o terceiro andar, ele levantou a cabeça e não deixou de me seguir com os olhos nem quando eu já estava fora de seu alcance.
Definitivamente as fofocas eram reais.
Agora, já que ele foi capaz de ser tão descuidado, era hora de pagar por isso.
Chegou a hora do acerto de contas.
Era hora de colocar o plano de Abby para funcionar.
"I could have my Gucci on
I could wear my Louis Vuitton
But even with nothin' on
Bet I made you look (I made you look)"
Nos dias que se seguiram a esta descoberta, revirei meu guarda-roupas atrás das peças certas. Já que o intuito era realmente fazê-lo olhar (e lá no fundo, saber o que ele tanto queria com isso) resolvi que chamaria um pouquinho de atenção. Nada demais, mas na medida certa.
O terninho virou uma saia e blusa, acompanhados dos saltos certos.
Em outro dia, um sobretudo vermelho.
Passei a entrar pela sala dos agentes e subir as escadas. Nada que fosse novidade, novidade era ver Jethro, até esquecer o que ele tinha que falar com os agentes.
Duas semanas depois de iniciado o plano, decidi que pararia por um tempo. Que deixaria a ideia esfriar. Abby não concordou, ela vinha acompanhando religiosamente o desenrolar de tudo isso. Asism como Ziva.
E, uma vez que não aparecia mais, Jethro apareceu na minha sala. Sem motivos aparentes. E daquele jeito de sempre.
— Será que um dia você irá tratar a minha porta como uma porta, Jethro? Ou serei obrigada a te ensinar boas maneiras? – Perguntei do fundo da sala, onde estava sentada evitando a claridade das enormes janelas que ficam atrás de minha mesa, enquanto lia um arquivo de uma operação no Golfo Pérsico.
Vi quando ele procurou por mim, depois de não me ver no meu lugar habitual e quando me achou, parou onde estava, para me observar.
— A que devo a visita barulhenta? – Perguntei por fim e me levantei do sofá, indo na direção de minha mesa. E, como Abby bem havia dito, ele me seguiu com os olhos. – Jethro? Você me ouviu? – Perguntei parada na sua frente.
Ele demorou para voltar a si e depois soltou a mais estranha das questões:
— Está tudo bem com você, Jen?
Pega de surpresa, dei um passo para trás.
— Sim. Por que não estaria? – Desdenhei da questão e voltei a atenção para minha mesa onde coloquei o arquivo.
— Você não vai mais na sala do esquadrão. – Ele comentou.
Sentei em minha cadeira e observei Jethro atentamente.
— E desde quando a agenda da Diretora do NCIS é motivo de curiosidade dos agentes? – Perguntei em tom profissional. – Mas, para seu conhecimento, estou cheia de compromissos. Porém, tenho o estranho pressentimento de que quando eu aparecer por lá, você será o primeiro a saber.
Ele, pego de surpresa pela minha resposta, apenas deu um meio sorriso e meneou a cabeça em resposta, saindo da minha sala dizendo:
— Tem razão, Madame Diretora.
O brilho no olhar dele me remeteu à Paris e foi aqui que eu decidi que não iria facilitar a vida dele.
— Ou você diz o que realmente cada um desses olhares significam, Jethro, ou você vai parar no médico. – Murmurei quando ele bateu a porta ao sair.
"I'll make you double take soon as I walk away
Call up your chiropractor just in case your neck break
Ooh, tell me what you, what you, what you gon' do, ooh
'Cause I'm 'bout to make a scene, double up that sunscreen
I'm 'bout to turn the heat up, gonna make your glasses steam
Ooh, tell me what you, what you, what you gon' do, ooh"
E foi dito e feito. Só que dessa vez, não tive dó nem piedade e nem medo das fofocas que iriam se espalhar pelos corredores.
Entre todas as peças de grifes famosas que eu tinha em meu closet, foram várias que usei pelos dias seguintes, Gucci, Louis Vuitton, Chanel, pegue saltos um pouco mais altos, assim que o tempo permitiu é claro, e, como se eu não tivesse querendo causar um torcicolo em alguém, caminhava pelo corredor, subia as escadas e atravessava o mezanino com a cabeça erguida e com passadas elegantes.
Um dia, Jethro estava conversando com um familiar da última vítima do caso em aberto, eu estava simplesmente passando, saindo do MTAC para minha sala, celular no ouvido e carregando as pastas com documentos importantes, não estava nem pensando no que a minha escolha de roupa da madrugada, pois eu estava presa nessa operação desde as três da manhã, iria causar, porém, até mesmo em minha distração pude ver.
Ele estava perto do elevador, já guiando a testemunha para a saída, e foi eu pisar no mezanino, e ele levantou o olhar na minha direção e, logo em seguida, baixou-o, não querendo ser pego na indiscrição, porém, rapidamente ele tornou a me olhar, se perdendo, por alguns segundos em uma lembrança que eu não sabia qual era. Precisou que a pessoa que estava ao seu lado lhe chamasse mais de uma vez para que a sua atenção se voltasse a ela e ao que ele explicava.
Se eu, que não prestava atenção direta em Jethro tinha percebido... imaginei o que os demais agente não teriam visto.
Em negação, balancei minha cabeça e segui para meu escritório, mas, com uma vozinha me incomodando no fundo de minha mente...
O que ele tinha visto que o tinha deixado tão desorientado?
A resposta veio somente depois do expediente, como de costume, gostava de ficar até mais tarde para resolver os problemas e ler o relatórios, sem a constante de ligações e reuniões e sem Cynthia me interrompendo a cada minuto, era o horário em que meu trabalho conseguia fluir melhor.
Achava até que estava sozinha no prédio, quando, sem aviso, a porta de minha sala se abre com um baque.
Dei um suspiro, pois sabia quem era.
— Boa noite, Jethro. Fazendo hora extra? – Perguntei sem olhá-lo.
Para meu espanto, ele não comentou nada, apenas passou em frente à minha mesa e foi até o fundo, colocando duas sacolas de papel em cima da mesinha de centro e se sentando em um dos sofás.
Curiosa, levantei minha cabeça e observei o que ele fazia...
— E o que é isso tudo? – Questionei e me levantei, parando de braços cruzados na sua frente, vendo-o servir um prato.
— Um homem não pode levar a sua parceira para jantar? – Ele devolveu a pergunta.
— Todas as vezes em que você é gentil assim comigo eu sei que no outro dia terei que enfrentar imprensa, SecNav e outras agências, o que você aprontou dessa vez?
E foi quando ele levantou a cabeça e me encarou, seus olhos escaneando meu corpo, parando, por fim em meu rosto.
— Não aprontei nada, Jen. Só achei que você merecia esse jantar.
Estreitei meus olhos em sua direção, não confiando no que ele falava.
Porém, ele continuou.
— Sua escolha de roupa me deu essa ideia.
Tombei minha cabeça, agora ainda mais intrigada com a visita e o jantar.
— Fez-me voltar à Paris. Você usava esse suéter no jantar que te levei naquele bistrô aos pés da Torre Eiffel.
E foi quanto entendi porque ele me olhou e teve que me checar novamente, sem querer, ao sair apressada de casa, acabei escolhendo a mesma combinação de saia e blusa que usara naquele fim de tarde.
Não foi intencional, não dessa vez, mas surtiu talvez mais efeito do que todas aquelas roupas de grife que usei nas ultimas semanas.
Quando acabamos de jantar, acreditei que ele falaria mais alguma coisa, mas Jethro simplesmente me aconselhou a ir para casa, era tarde e ele sabia que eu não renderia muito mais nesse dia.
Tentei argumentar o contrário, dizendo que eu não era mais a mesma, que aguentaria mais uma par de horas trabalhando, e tudo o que ele fez foi parar na minha frente, me encarar e soltar um sonoro “não”. Esperando-me, logo em seguida, na porta de meu escritório até que eu juntasse minhas coisas.
Ele me acompanhou até meu carro, e ainda fez questão de abrir a porta para que eu entrasse, contudo, eu deveria saber melhor, pois o bastardo não me deu espaço suficiente para que eu entrasse normalmente, não, ele ficou parado bem próximo à porta, fazendo com que eu me espremesse entre ele e a lateral para conseguir colocar uma perna dentro do automóvel.
Com o movimento, minha saia subiu um pouco, revelando mais de minha perna, Jethro, como era de se esperar, olhou, e ficou olhando enquanto eu me espremia e escorregava para dentro do carro.
— Boa noite, Diretora. – Ele falou com um tom de voz profissional, porém seus olhos me fitavam e eu vi que ele fez exatamente o que ele queria.
— Boa noite, Agente Gibbs. – Mantive o tom profissional, mas fiz questão de puxar a porta com força e acerta-ló com ela. Antes que o carro arrancasse, vi que ele esfregava o bíceps e sorria ao caminhar para o próprio carro. – Bastardo! – Murmurei entre dentes. – Isso vai ter pagamento, ah vai.
E, logo no dia seguinte, eu cumpri a minha promessa, dessa vez sabendo exatamente o que vestir para atrair a atenção dele.
Eu me vesti exatamente como na primeira vez em que nos vimos. Se um simples suéter causou todo aquele apagão momentâneo nele, essa roupa aqui vai mandá-lo para o massagista.
A saia combinando com o salto preto, alto e a camisa verde esmeralda era somente um recado, um recado nada sutil que o que eu entendi muito bem o que ele fez na noite anterior.
Não entrei pelo terceiro andar, dessa vez fiz meu caminho até o quarto andar e quando pisei fora do elevador, fiz questão que o salto batesse com um pouco mais de força, fazendo barulho e atraindo olhares. Os agentes que passavam por ali, apressaram o passo, me dando passagem, e, quando lancei minha melhor encarada para o andar de baixo, vi que muitos desviaram suas miradas, ao invés de me encararem de volta e, também reparei que Jethro estava de costas para o quarto andar, porém, bastou que ele ouvisse o clicar so salto, que levantou seus olhos para me ver, e continuou a me olhar, tendo que virar todo o pescoço para me acompanhar até quase à porta da sala de Cynthia.
Horas mais tarde, Abby e Ziva apareceram em minha sala, as duas sem conseguir conter a risada quando fecharam a porta.
— Até onde sei, Cynthia ainda está lá fora para, além de manter minha agenda organizada, avisar aos visitantes que eu estou além de ocupada.
Abby, sem se conter, apenas me mostrou a tela de seu celular.
— E isso seria? – Indaguei e peguei o aparelho.
— Veja por si mesma. – Ziva disse e as duas se encararam e continuaram a sorrir.
Na tela do celular estava apenas uma foto, Jethro, com uma bolsa de gelo no pescoço parecendo estar com dor.
— Vocês tiveram um caso hoje e Jethro apanhou de alguém? – Perguntei um tanto preocupada.
— Sem casos hoje, Jenny. – Abby respondeu.
— Esse foi o resultado de ele ficar te lavando... não, molhando... não..
— Secando. – Abby atalhou a resposta que Ziva não encontrava.
— Secando?
— Sim. Depois da sua entrada pela manhã, ele ficou te acompanhando até que o pescoço dele deu um sonoro estalo. Foi tão alto que todo o andar ouviu... e ele, tentando disfarçar, se sentou, mas não conseguiu ficar ali por muito tempo. – Ziva resumiu o que eu não havia visto.
— E, depois que ele foi procurar por Ducky, atrás de um remédio, está andando para cima e para baixo com uma bolsa de gelo desde então. – Abby continuou. – Como dissemos meses atrás, Jenny, ele não consegue tirar os olhos de você.
— Bem-feito. – Falei simplesmente e as duas se espantaram.
— Podemos saber o motivo?
— Claro, Ziva, hoje eu fiz de propósito, porque aquele bastardo lá embaixo, aprontou uma comigo ontem à noite. E eu espero que o pescoço dele doa por muito tempo e muito.
As duas se encararam, vi que elas tinham mil e uma perguntas para serem feitas, porém, foram sensatas e decidiram apenas se conformarem com o que tinham.
— Bem, agora que você já sabe da novidade... – Abby começou. – Vamos voltar ao trabalho, antes que o Gibbs nos pegue aqui. — Elas se levantaram e foram embora, agora não mais rindo, mas conjecturando o que foi que Jethro havia feito para que eu o castigasse desse jeito.
Se elas queriam os motivos para o que eu disse, eu simplesmente queria saber o porquê Jethro fazia isso com ele e comigo e nunca abria a boca para finalmente se explicar.
Eu estava farta de joguinhos e não sabia se eu o confrontava fazendo uma cena, ou somente o fazia sofrer ainda mais.
"When I do my walk, walk (oh)
I can guarantee your jaw will drop, drop (oh)
'Cause they don't make a lot of what I got, got (ah, ah)
Ladies if you feel me, this your bop, bop (bop-bop-bop)"
Como era de se esperar, eu não venderia fácil a derrota, por mais curiosa e cansada que eu estivesse de não saber o que todos aqueles olhares poderiam significar, além do óbvio, que era Jethro gostar de me olhar.
Assim, decidi continuar com o jogo, decidi que o faria sofrer até o limite, ou ele abria o jogo, ou eu o forçaria a fazer isso. De um jeito ou de outro.
Os meses se passaram, Jethro não cedeu um milímetro, mas continuou com suas encaradas. Nem mesmo DiNozzo escapou de sua quase ira, quando eu o escolhi para ser meu segurança, junto com Ziva, para um evento onde o Presidente estaria.
Escolhi os dois, não porque preferia Tony e suas milhares de referências de filmes, ou Ziva e sua falta de tato quando se tratava de afastar as pessoas. Eu escolhi os dois porque seria mais fácil lidar com os problemas já citados, do que com Jethro e seus olhares e sua possessividade sem razão.
E, quando nesse evento acabou por despencar um cadáver quase na minha cabeça e o NCIS foi o responsável pela cena do crime, Jethro não perdoou ninguém, sobrou tapa para Deus e mundo, fiquei até com pena de DiNozzo que, em um rompante de sinceridade ao comentar que eu, mesmo com um par de saltos altos, conseguia analisar uma cena de crime melhor do que o Novato, acabou por olhar para meus pés, Jethro, claro, não gostou e bateu com tanta força na cabeça do agente, que o barulho ecoou no ambiente, sobrando para que eu controlasse tanto a língua de Tony, quanto as reações de Jethro, lembrando-os onde estávamos e quem estava ali.
E, para aqueles em quem Jethro não poderia bater, suas encaradas eram mortais, bastasse que alguém chegasse perto de mim e ele já aparecia vindo Deus sabe de onde.
Com o caso resolvido, ele apareceu na minha sala para entregar os relatórios, como já estava indo para casa, agradeci, porém, ele não se afastou de minha mesa.
— Mais alguma coisa? – Perguntei parando em sua frente para vestir meu casaco.
Ele fez um som de desgosto quanto encarou meus pés.
— Essas coisas quase te mataram hoje, Jen.
— Não, Jethro, um fuzileiro quase me matou hoje. E, pela milésima vez, pare de implicar com meus saltos. – Falei exasperada e parti para a porta. E não vi, mas senti o seu olhar em mim. – E pare de ficar me olhando! – Sibilei da antessala e pude escutar o som de uma mandíbula se fechando, homens, sempre tão previsíveis.
Não tenho certeza, mas creio que ele murmurou qualquer coisa mais ou menos assim: “Como se você não estivesse fazendo de tudo para que eu olhasse!”
Não sou eu que estou fazendo algo, Jethro, é você que não resiste ao simples fato de me ver andando na sua frente! Não é minha culpa se a sua cabeça nunca deixou aquele quarto de Marselha!
Um mês se passou e um convite inesperado apareceu em minha mesa. Simplesmente estava sendo convidada para o jantar anual da Casa Branca.
Não que isso fosse um convite... não se diz não ao presidente. E, no meu caso, era mais uma obrigação ir do que apenas uma cortesia.
Observei a data e chequei a minha própria agenda, claro que seria no fim de uma semana movimentada, era óbvio isso.
E, entre compromissos, reuniões, conversas para tentar acalmar as demais agências da completa falta de tato de Gibbs, o tal do jantar chegou e, como o meu dia foi tumultuado ao nível de que não tive a chance nem de almoçar, entre uma reunião e outra, tive que pedir à Cynthia que fosse na minha casa e pegasse as minhas coisas, pois não teria tempo hábil de ir em casa e chegar em um horário decente na Casa Branca se me arrumasse lá.
Assim, quando SecNav finalmente encerrou a última reunião do dia, corri para me arrumar. Maquiagem, cabelo, vestido, joias, sapato, perfume. Por um breve segundo pensei que na última vez em que estive nesse jantar, Jethro foi pego em uma emboscada, atingido por uma explosão, tinha perdido a memória se aposentado temporariamente do NCIS.
Afastei o pensamento e acabei de me arrumar, escondendo uma faca em um local onde não havia revista que a encontrasse, afinal, sempre é bom seguir algumas regras.
Conferi o horário em meu relógio de pulso, estava em cima da hora. Chamei por Melvin e pedi que ele me esperasse na portaria principal, por ser mais fácil do que ter que manobrar o carro na garagem de provas.
Encerrando a ligação, parti para o mezanino, e comecei descer apressada os degraus, somente segurando a barra de meu vestido para que eu não caísse escada abaixo.
Como eu esperava, o terceiro andar estava vazio e meus saltos ecoaram alto no local enquanto eu cruzava o corredor em frente às janelas. Assim que parei em frente ao elevador, dei um passo para trás e notei que não estava sozinha.
Com uma expressão de espanto e com a boca um tanto aberta, Jethro estava parado perto da mesa de Ziva e me olhava da cabeça aos pés. Depois, sacudiu a cabeça e veio caminhando até parar do meu lado.
Estranhei não o movimento, mas a roupa que ele usava, um smoking completo que lhe caia perfeitamente, destacando os ombros largos e os olhos azuis. E, para essa escolha de roupa, levantei uma sobrancelha, como que o questionando o motivo de estar tão bem vestido, porém mantive minha opinião para mim.
Jethro tornou a olhar para minha roupa e, dessa vez, parou olhando meu rosto, não sei o motivo, mas senti a ponte de meu nariz esquentando.
— Vestido bonito. – Foi tudo o que ele disse.
— Obrigada. Você também não está nada mal. – Respondi quando ele me deu passagem para entrar no elevador na sua frente.
Vi, quando me virei que ele tinha um sorriso de lado estampando suas feições. E isso me deixou ainda mais curiosa, me fazendo morder o lábio para não perguntar nada.
Nossa viagem foi silenciosa, Jethro, de tempos em tempos lançava olhares para mim e eu me controlei para não perguntar onde ele iria vestido tão elegantemente.
Como havia pedido, Melvin me esperava logo na porta, assim, despedi-me de Jethro, desejando uma boa noite e parti para o carro que já estava com a porta traseira aberta.
Para meu total espanto, ele me seguiu para dentro do carro.
— E o que.. – Parei encarando os olhos azuis que me fitavam divertidos.
— Não achou que você iria desacompanhada até esse jantar, achou, Jen? – Ele perguntou de forma baixa, aproveitando que Melvin ainda não assumira o volante.
— Minha companhia seria o Ducky, mas ele não pode ir.
— Eu pedi que ele não fosse. – Foi a resposta que ele me deu.
— Como?
— Vamos deixar de joguinhos, Jen. Você sabe o que eu estou falando. – Ele falou baixo perto de minha orelha.
Afastei minha cabeça de perto da dele assim que Melvin abriu a porta do motorista, porém, ainda tentava fazer o meu cérebro processar a informação que eu havia acabado de receber.
Durante a noite eu não tive tempo para perguntar a Jethro o que ele realmente queria dizer com aquela frase, foram encontros com conhecidos, apresentações, cumprimentos e, quando precisei de um ar e fui para o jardim para respirar um pouco, foi que pude perguntar o que vinha me perturbando a noite toda.
— Será que você poderia me esclarecer uma coisa? – Quebrei o silêncio que pairava entre nós enquanto Jethro observava os arredores, procurando por possíveis e inexistentes ameaças.
Como de praxe, ele não me respondeu, apemas meneou a cabeça para que eu continuasse.
— Por que você pediu a Ducky para não vir? Por que você veio? Você não gosta disso! – Apontei meu dedo para o local e para nossas roupas.
— Achei que você fosse gostar da roupa. Já que nos últimos meses desfilou marcas famosas pelos corredores do NCIS.
— E desde quando você reconhece roupa de grife, Jethro?
— Desde que Abby e Ziva ficam fazendo apostas sobre qual será a próxima marca que você vai escolher. Posso não reconhecer as roupas, Jen, mas reconheço os nomes. Você sempre ficou fascinada pelas vitrines dessas lojas enquanto estávamos em Paris.
— E?
Ele tornou a me encarar.
— Continue. Você não está aqui somente porque as suas filhas adotivas estavam fazendo apostas sobre as minhas roupas.
Ele deu um sorriso para como eu denominei a dupla.
— Não, estou aqui para resolvermos um assunto.
— Que assunto?
— Nós. — Ele disse simplesmente.
E eu me engasguei.
— Não há um nós, Jethro. – Falei firme.
— Então por que você ficou me testando por todos estes meses, Jen? Por que ficar desfilando na minha frente com as suas roupas chiques e seus saltos altos se não há um nós?
— Por que você fica me olhando? Por que cada vez que eu piso no mezanino do quarto andar, você tem que me procurar com o olhar? Por que você me segue por todo o prédio, Jethro?
— Para manter o olho no que me interessa.
— Eu não sou um objeto em exposição para que você possa ficar admirando. – Levantei-me do banco onde estava sentada e cheguei perto dele, fuzilando-o com o olhar, revoltada que ele pudesse pensar em me reduzir a algo bonito que ele pudesse ficar olhando.
— Não. Não é, Jen. É só a mulher que eu percebi que não posso viver longe, e, uma vez que você não me deixa chegar perto, pelo menos posso saber se tudo está bem com você apenas te observando.
Dei um passo para trás, pega de surpresa.
— Viver sem?
— Eu te disse, quatro anos atrás, eu senti a sua falta, Jen. Eu sinto a sua falta.
Meu cérebro demorou um pouco para processar a última fala de Jethro. E, depois de alguns segundos, percebi que tudo o que aconteceu nos últimos meses, que tudo o que eu fiz, acabou por dar resultado.
Ele finalmente tinha cedido.
Tinha falado o motivo de não tirar os olhos de mim.
E eu não sabia o que fazer com isso.
Porque... simplesmente, para mim, isso não era real.
— Jen... não foram estes sinais que você me passou?
Eu tinha passado sinais?
Sim, eu tinha. Como tinha! Mas o que eu queria além da confissão de Jethro?
E, lá no fundo eu sabia o que eu queria. Que ele se decidisse. Que ele ou acabasse com toda a esperança que eu tinha ou que a alimentasse ao ponto de que algo como Paris, porém muito mais real, pudesse acontecer novamente.
— Eu... acho... não. Eu... – Jurava que teria uma retórica perfeita para esse momento, mas eu não consegui formular uma frase coerente. A única reação foi mais por impulso do que qualquer outra coisa. Eu simplesmente passei minha mão por trás do pescoço de Jethro e o trouxe na minha direção. E, diferentemente da última vez em que nos beijamos, dessa vez eu não precisei ficar na ponta dos pés para alcançá-lo e desfrutar do momento.
Ele queria uma resposta, não queria? Acho que não havia uma melhor do que essa.
— Essa resposta está boa o suficiente para você? – Perguntei quando colamos nossas testas.
— Muito mais clara do que seus desfiles diários na minha frente.
Tive que rir.
— Vai me dizer que não gostou...
— Eu fiquei com um torcicolo por dias...
— Ninguém mandou ficar babando na diretora. – Dei de ombros.
— A Madame Diretora não faria aquilo. Essa ideia é algo da cabeça da Jen. Porque ela já fez isso uma vez.
— Então agora você acha que eu tenho multi personalidades? – Perguntei ainda encarando os olhos azuis que eu tanto amava.
— A única que me interessa está bem na minha frente agora. – Ele falou e me deu outro beijo.
E, algumas horas mais tarde, depois que eu segui todo o protocolo de cumprimentos e conversas polidas, nossa noite terminou com um lembrete do tanto que sentíamos falta um do outro, trouxemos, dez anos depois, Paris para Georgetown. Foi como se nada tivesse mudado, quando quase tudo era diferente.
"I could have my Gucci on (Gucci on)
I could wear my Louis Vuitton
But even with nothin' on
Bet I made you look (I made you look)
Yeah, I look good in my Versace dress (take it off)
But I'm hotter when my morning hair's a mess
'Cause even with my hoodie on
Bet I made you look (I made you look)
Mhm-hm-hm"
Para minha sorte, a manhã seguinte não era de trabalho, hoje era um dos raros sábados em que eu poderia ficar em casa e pensar. Pensar se tudo o que aconteceu naquele jardim da Casa Branca era verdade.
Remexi na cama, tentando tampar o rosto, querendo que o sonho ou o que quer que tivesse sido aquilo, permanecesse por mais um pouco. E, ao fazer isso, uma mão me impediu.
— Está acordada agora?
— Jethro?
— Quem mais seria, Jen?
Apoie-me em um cotovelo e observei, ainda um tanto sonolenta, o homem deitado do meu lado. E, uma sensação agridoce cresceu em meu peito. Ele era tudo o que eu queria, mas são sabia se isso era o que ele queria ou, pior, temia, que tudo fosse tão passageiro quanto um dia de chuva.
— Normalmente é você quem fala entre nós dois, Jen... o que aconteceu?
— Nada. – Obriguei-me a voltar ao presente.
Porém, Jethro me conhecia bem demais, talvez melhor do que eu mesma me conhecia e tirou as minhas dúvidas com uma só frase:
— Como eu te falei durante a noite, Jen, dessa vez nós vamos dar certo.
Levantei uma sobrancelha descrente para o que ele falara.
— Somente confie em mim. – Ele me garantiu e me puxou de encontro ao seu peito.
E, foi o que eu fiz. Pulei de cabeça nessa promessa, confiando cegamente em suas palavras.
Quando, enfim, nos levantamos, olhei para meu vestido descartado de qualquer jeito no chão do meu quarto. Agachei-me para pegá-lo e notei que o zíper estava estourado.
— Jethro! Você tem noção quanto vai me custar o conserto desse vestido? Isso é um Versace!
— Para mim é só um vestido, Jen. E você não precisa de nenhuma roupa de grife para ficar bonita. – Ele falou simplesmente e saiu do quarto, muito provavelmente atrás do primeiro copo de café do dia.
Encarei a etiqueta do vestido e me lembrei de como eu estava produzida há apenas algumas horas e, depois o espelho do banheiro, já que de onde estava eu tinha uma visão completa de como eu me apresentava nesta manhã.
Era um contraste e tanto.
Meu cabelo estava uma bagunça, por conta do penteado e de nossa after party, e tudo o que eu consegui achar para vestir nesse momento era um moletom velho, que, ironicamente ou não, pertenceu a Jethro. Coloquei o moletom e não me importei muito com nada, a não ser tentar amansar o meu cabelo e prendê-lo em um coque mal feito.
Na minha cabeça esse momento era como a história da Ciderela. Da bela dama em um vestido deslumbrante de festa para uma mulher comum, vestida confortavelmente.
Desci a escada de casa sentindo o cheiro de café fresco, como eu previra, a cozinha era a primeira parada de Jethro.
Como estava descalça, não fiz barulho ao aproximar do cômodo, mas, como que provando a minha teoria de meses, Jethro soube imediatamente que eu estava ali, pois se virou e, após de escorar no balcão, me olhou da cabeça aos pés, como ele vinha fazendo desde que eu reaparecera em sua vida.
— Você pode achar que não, mas realmente não precisa de todas aquelas roupas caras que você tem e cisma de usar.
— Não? – Perguntei sarcasticamente.
— Não. Basta ficar assim, que está muito bom.
— Não posso trabalhar assim, Jethro! – Abri os braços em ultraje.
— Mas quem está falando em trabalho aqui, Jen? Estou falando que você não precisa de nada para me fazer te olhar. Nada mesmo. – Ele deu um sorriso de lado e eu entendi o duplo sentido ali.
— Vou fingir que acredito em você... – Comentei casualmente passando na frente dele. – E cuidado com o pescoço. Você não é tão novinho assim e um torcicolo deve levar dias para passar.
— Só pensando aqui, prefiro você nesse moletom do que naquele vestido impossível de tirar, Jen. Só isso.
Balancei minha cabeça em negativa, somente Jethro para preferir um moletom velho a um vestido de gala...
E, talvez seja por isso que eu amava tanto esse homem.
"And once you get a taste (woo), you'll never be the same
This ain't that ordinary, this that 14 karat cake
Ooh, tell me what you, what you, what you gon' do, ooh (what you gon' do, ooh, ooh)
When I do my walk, walk (oh)
I can guarantee your jaw will drop, drop (oh) (I guarantee your jaw will drop, drop)
'Cause they don't make a lot of what I got, got (ah, ah)
Ladies if you feel me, this your bop, bop (bop-bop-bop)"
E, como se tivéssemos trazido á tona uma memória antiga, como se apenas tivéssemos que falar as palavras certas, nosso relacionamento deu certo, ou pelo menos, dessa vez poderíamos chamar de relacionamento o que tínhamos.
Não contamos para ninguém, até porque, não precisava. E, mesmo após confirmarmos que era isso o que queríamos, os olhares de Jethro não pararam.
Às vezes eu notava, outras não. Contudo, agora não me matavam de curiosidade, era apenas Jethro sendo Jethro. e, quase sempre eu era obrigada a segurar o sorriso que queria ornar minas feições quando eu sentia seu olhar sobre mim.
E, com a continuidade dos olhares, claro, as fofocas continuaram, porém, agora com uma pimenta a mais.
Um dos fofoqueiros ouviu de um amigo, que ouviu de um primo, que era casado com uma moça que estava trabalhando na Casa Branca na noite do jantar, que eu não sai de lá sozinha. Eles não sabiam quem era o meu namorado, mas sabiam que eu tinha um.
— E o Agente Gibbs continua a olhar para ela... será que ele não sabe? – Ouvi sem querer em uma tarde.
E, querendo brincar com Jethro, guardei essa informação.
Claro que essa fofoca voou pelo prédio, sussurros e apostas foram feitas. Quem era o meu namorado? Era um político? Um empreiteiro? Um lobista? Alguém das Forças Armadas?
E, também tinha outra aposta muito mais interessante:
Como o Gibbs iria reagir quando visse o sujeito no prédio?
Eu tinha que me controlar muito para não rir dessas ideias sem fundamento, e, em uma tarde em que DiNozzo estava incontrolável, acabei por cruzar com Jethro no mezanino.
— Seu filho mais velho está querendo saber qual será a sua reação ao conhecer o meu namorado... – Falei para ele, sem perder o ar profissional. Nós dois nos escoramos no guarda corpo e observávamos a sala abaixo de nós, fingindo muito bem que conversávamos sobre um caso e não sobre nós.
Jethro apenas tomou um gole de café e me respondeu assim:
— A minha eu não sei. Mas a dele vai ser um desmaio quando descobrir a verdade.
— Estão te colocando como um coitado nessa história. Como se eu tivesse partido, estraçalhado o seu coração. — Continuei.
— Só que você não fez isso... – Ele murmurou.
— Não, mas eles não sabem.
— E tem algo mais que eles ainda querem saber?
Contive meu sorriso.
— Pode apostar que sim. Querem saber por que, mesmo eu estando comprometida, você continua a me olhar? – Comentei casualmente e levantei uma sobrancelha na sua direção.
— Porque você intoxicou o meu sistema, Jen. Agora é impossível que eu continue a viver de outra forma a não ser essa que sei viver.
— Lisonjeira a sua resposta.
— Mas? – Ele tentou.
— Não tem um mas, Jethro!
Ele não comprou a minha resposta, e continuou:
— Você é especial, Jen. A essa altura, já deveria saber disso. – Ele apontou com a cabeça para o anel em meu dedo.
Levantei minha mão e deixei que a luz refletisse na bela safira que ornava meu anelar.
— É, eu sei. E espero que você também saiba que especial para mim.
Foi a vez dele de dar um sorriso de lado e, ao passar atrás de mim, ele só falou:
— Eu sou o único que conseguiria ouvir um “sim” vindo de você, Jen. Ninguém mais conseguiria.
Isso era verdade, somente Jethro seria capaz de me convencer a aceitar uma proposta de casamento.
— Não se sinta tão especial assim... Ninguém mais tentou para saber a resposta.
Ele tornou a se escorar no guarda-corpo, dessa vez de costas para a sala do esquadrão e de frente para mim.
— E você deixaria alguém tentar, Jennifer Shepard? Deixaria? A feminista independente que existe dentro de você deixaria?
Respirei fundo e somente encarei os olhos tão azuis quanto a pedra em meu dedo.
— Não, porque essa feminista aqui tem um árduo trabalho nessa vida, que é mudar a cabeça desse chauvinista que está na frente dela. Tirá-lo da idade da pedra e trazê-lo para o século XXI.
— Então foi por isso que você se aceitou se casar comigo? – Ele perguntou escondendo o sorriso.
— Mas é claro. Vou te trazer para o futuro, Jethro. Essa é a minha missão! – Brinquei com ele. – Agora tenho que ir. Tenha um bom trabalho. – Virei-me na direção do MTAC, roubando seu copo de café, e ele ficou ali, parado me olhando.
— E, admita de uma vez por todas, Jethro, você não consegue desviar os olhos de mim.
— Não se fazem muitas como você, Jen.
— Eu sempre soube que era uma peça rara, Jethro. Obrigada por confirmar isso. – Deixe-o ali, sabendo muito bem que quando eu ressurgisse do MTAC, ele estaria lá embaixo, somente esperando que eu aparecesse para me observar, para garantir que dessa vez eu não sairia correndo como fiz há dez anos.
Porque, dessa vez, nós daríamos certos. Disso eu tinha certeza.
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