Jiban End
18 Uma estranha calmaria
Apesar de ter passado uma noite não muito confortável em uma cadeira ao lado do leito de Hayakawa, Yoko não pretendia faltar ao trabalho naquela manhã. Ela esperou pela chegada do policial que a renderia na vigília do paciente e depois foi para casa, mas foi apenas para tomar um banho e trocar de roupa. Como já havia sido devidamente medicada no hospital e sua mão agora tinha um curativo feito por verdadeiros profissionais da saúde, ela já quase não sentia mais dores e logo seguiu para a Central de Polícia.
Lá ela encontrou com Seichi, que também honrou seu compromisso com o trabalho, porém apresentava uma aparência péssima. As olheiras profundas, evidenciavam que o chefe não tinha dormido o suficiente durante aquela noite, cuja maior parte havia passado no Centro de Monitoramento de Trânsito. Devido a isso, foi encontrado pelos colegas, diversas vezes durante o dia, cochilando pelos cantos da delegacia.
Embora Seichi não estivesse muito alerta durante o expediente, isso acabou não sendo um grande problema, já que, igualmente a noite anterior, aquele dia também transcorrera de forma estranhamente tranquila. Não houve reportes de ataque de Biolon nem nas ruas, nem no hospital.
Aquela calmaria deixaria qualquer um mais tranquilo, mas os policiais estavam apreensivos. Aquilo não fazia sentido, afinal os inimigos tinham plena consciência de que Jiban estava ferido, tornando aquele, o momento perfeito para eles agirem, mas nada havia acontecido.
Yoko sabia que os inimigos também estavam machucados, mas ela se perguntava se a situação deles era tão séria quanto a de Naoto. Talvez os estragos causados por Bican em Madogarbo, e por Ryu Hayakawa em Marshall e Cannon, fossem maiores do que ela havia imaginado inicialmente e isso lhe trazia um certo alento.
No entanto, como nada suspeito havia acontecido no hospital até aquele momento, os policiais receberam ordens superiores para retirar a segurança de lá, e foram obrigados a cumpri-las, mesmo não concordando com elas.
Apesar de tudo realmente indicar que não havia perigo, Yoko achou melhor dar uma passada por lá depois de encerrar o expediente na delegacia. Desta forma, ela não estaria descumprindo as ordens recebidas, porque faria aquilo fora do seu horário de trabalho.
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As coisas também estavam tranquilas na base secreta de Jiban, por isso, enquanto Naoto repousava e se recuperava, Yanagida aproveitou para começar suas investigações.
- Halley, preciso da sua ajuda. – disse ele, assim que entrou na sala de comando da base secreta.
- Pois não, Sr. Yanagida. Em que eu posso ajudar? – respondeu o robozinho prontamente.
- Eu preciso que você reúna todas as imagens que conseguir dos encontros de Ayumi e Jiban desde aquele dia em que ela foi sequestrada por Biolon e saltou naquela cachoeira. Você consegue fazer isso?
- Isso é fácil. Mas por que o senhor precisa dessas imagens?
- Naoto me disse uma coisa ontem que me deixou curioso e eu acho que ele pode ter razão.
- E o que ele disse, senhor?
- Ele disse que desde aquele dia, Ayumi vem apresentando um comportamento incomum. Parece ter medo dele e sempre foge quando o vê. Ele acha que Biolon pode ter feito alguma coisa com ela e talvez consigamos algumas respostas, analisando as imagens e vendo o que Naoto viu durante esses encontros. Talvez algum detalhe tenha passado desapercebido por ele.
- Entendi. Então é para já! Isso vai ser moleza. – respondeu o robozinho, confiante de suas habilidades. Apesar de Halley ser uma máquina, ele era bem diferente de todas as outras, porque tinha uma personalidade própria. Podemos dizer até que era um pouco temperamental em algumas situações, mas nesse caso, isso fazia com que ele tivesse ainda mais disposto a ajudar a desvendar o mistério.
Imediatamente após receber o pedido de Yanagida, Halley começou a reunir as imagens para que eles pudessem analisá-las, e como ele havia afirmado, aquela não foi mesmo uma tarefa muito complicada. Não demorou muito para que eles confirmassem que Naoto tinha mesmo razão em estranhar o comportamento da menina. Ela realmente parecia arredia em todos os encontros que tiveram, mas algo a mais chamou a atenção de Halley.
- Sr. Yanagida, acho que encontrei alguma coisa. Veja essa imagem do dia do sequestro, pouco antes de Ayumi saltar na cachoeira.
Yanagida assistiu à cena, mas não conseguiu perceber o que poderia ter chamado a atenção do robozinho.
- O que você viu de estranho aí, Halley?
- Veja como Ayumi recua, quando Naoto tenta se aproximar. Preste atenção nas mãos dela. Não parece que ela está tentando esconder a mão direita?
O homem tirou os óculos escuros que insistia em usar mesmo em ambientes fechados e olhou atentamente para a tela.
- É verdade. Ela está assustada e parece que está tentando esconder alguma coisa em sua mão. O que será?
- Acho que a resposta está nas demais imagens, senhor. Veja.
Yanagida finalmente viu sobre o que Halley estava falando. Ele se referia a um anel com uma pedra vermelha nele.
- Esse anel… Eu não me lembro de ter visto a Ayumi usando ele antes. Também não me parece uma joia que uma criança usaria.
- Tem toda razão, senhor. Eu fiz uma busca em todas as fotos e vídeos que temos em arquivo da Ayumi e ela não usava esse anel em nenhuma delas, mas podemos vê-lo claramente em seu dedo em todos os encontros posteriores àquele dia.
- Parece que você encontrou uma coisa interessante, Halley. Acho que esse não é um simples anel, e seja lá qual for o seu propósito, ele foi colocado em seu dedo por alguém de Biolon e isso, com certeza, não é algo que devemos deixar pra lá. Eu sei, que não vai ser uma tarefa fácil, mas veja se consegue fazer uma análise melhor desse anel através dessas imagens. Ele pode ser a causa do comportamento estranho da Ayumi.
- Pode deixar, Sr. Yanagida. Vou ver se consigo descobrir mais alguma coisa.
- Conto com você, Halley.
- Sim, senhor! – obedeceu o robozinho animadamente, disposto a fazer o que fosse possível para cumprir sua missão.
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