Jiban End

20 Reencontros inesperados


A mulher também ficou surpresa ao dar de cara com a menina dentro do quarto, mas se recuperou do choque mais rapidamente do que ela, e antes que Ayumi conseguisse correr, a mulher fechou a porta atrás de si e a segurou pelo braço, impedindo que ela fugisse.

- Me solta! – pediu a menina, assustada.

A mulher não entendeu o motivo do desespero da menina e ficou confusa com sua reação.

- Me deixa ir, por favor! – pediu ela novamente, já recomeçando a chorar.

- O que foi, Ayumi? Você não está me reconhecendo? – perguntou a mulher, ainda sem entender o motivo de todo aquele medo.

- Não. Eu não sei quem é você, moça. Só me deixa ir embora.

- Tudo bem, eu vou te soltar. Mas fica calma, tá bom? Eu não vou te machucar. Eu sou da polícia, olha aqui. – disse a moça, pegando o distintivo do bolso interno de seu blazer e entregando nas mãos da menina, enquanto a soltava devagar, tentando acalmá-la para que ela não fugisse. A dona da bolsa finalmente começou a entender o porquê de todo aquele medo. A menina parecia ter perdido a memória e não reconhecia ninguém. Aquilo explicava muita coisa. – Meu nome é Yoko Katagiri. Eu sou detetive, parceira do Naoto. Você também não se lembra dele?

- Naoto… Não, não sei quem é?

- Mas você já me viu antes, não viu?

- Acho que sim. – respondeu a garotinha, sem muita confiança.

- Nas outras vezes que nos encontramos, havia um rapaz alto comigo. Se lembra? Ele é o Naoto Tamura, o meu parceiro e um grande amigo seu. Ele está muito preocupado com você, Ayumi.

- Ayumi… Esse é mesmo o meu nome?

- Sim. Seu nome é Ayumi Igarashi e a sua família vai ficar muito feliz quando eu te levar para casa.

- E-eu tenho uma família? – perguntou a garotinha, emocionada.

- Mas é claro, minha querida. Os seus pais estão muito preocupados desde o dia em que você desapareceu.

- Eu não consigo me lembrar deles. Eu já tentei, mas minha cabeça dói, toda vez que eu faço isso.

- Fica tranquila, que eu vou te ajudar, tá bom? Senta aqui. Não se preocupa com o Ryu, porque aqui ele vai ter todo o cuidado de que precisa e vai se recuperar. Agora, fala pra mim, qual é a coisa mais antiga de que você consegue se lembrar?

- Mais antiga?… Eu me lembro de ter acordado toda molhada e com frio nas margens de um rio. Minha cabeça doía muito e eu não conseguia me lembrar de nada, nem do meu nome. Eu saí andando sem saber pra onde ir e foi aí que eu conheci o Ryu e ele me ajudou.

- Entendi. Eu não tenho certeza, mas acho que você pode ter perdido a memória. A última vez que nos vimos, você tinha pulado em uma cachoeira. Você deve ter batido a cabeça na queda. Por isso você acordou nas margens do rio.

- Eu pulei em uma cachoeira? Por que eu fiz isso?

- Bom, isso é o que nós viemos tentando entender durante todos esses meses… Mas isso não importa agora. O que importa é que você está aqui. Venha comigo para a Central de Polícia. Lá é mais seguro para você e a gente pode conversar melhor, pode ser?

- Sim. – concordou a menina, já um pouco mais tranquila. A moça não parecia estar mentindo. Ela era mesmo da polícia e o que ela havia dito fazia algum sentido, por isso, ela decidiu que a acompanharia, mas antes quis se despedir de Ryu novamente, porém, para a sua surpresa, quando se voltou para ele outra vez, o rapaz estava com os olhos abertos.

- Ryu! Você acordou! – disse Ayumi, animada com a surpresa.

- Sr. Hayakawa, o senhor está me ouvindo? – perguntou Yoko, também surpresa, mas sem conseguir reação do paciente. Seus olhos estavam abertos, mas seu olhar estava perdido.

- Ryu! – chamou Ayumi novamente e dessa vez, conseguiu uma leve reação.

- A-ayumi. – disse ele, finalmente olhando para a menina, mas foi só o que conseguiu dizer.

Yoko, imediatamente apertou o interruptor ao lado da cama, chamando os médicos. Em questão de segundos, um médico e duas enfermeiras com os rostos parcialmente cobertos por máscaras entraram no quarto, mas estranhamente não foram em direção ao paciente.

- Vocês tinham razão, meninas. – disse o médico, se dirigindo às enfermeiras. – Bem que vocês disseram, que era só esperar, que uma hora ela apareceria.

- Não poderíamos esperar outra coisa, vindo de uma criança boba, como esta. – disse uma das enfermeiras.

A policial e a menina não entenderam aquela conversa estranha entre os recém-chegados, mas assim que as enfermeiras retiraram as máscaras, Yoko compreendeu tudo e puxou imediatamente Ayumi para perto de si. Eram Marshall e Cannon.

- Fique atrás de mim, Ayumi! – disse Yoko.

- O que foi policial cretina, está com medinho? É bom ficar mesmo! Pegue a menina, Camaleonoide!

Assim que Cannon deu a ordem, o médico deixou de ter uma aparência humanoide e se transformou em uma criatura com olhos estranhos nas laterais da cabeça, e cujo corpo mudava de cor conforme ele andava, se adaptado às cores ao seu redor. Rapidamente ele empurrou Yoko para o lado com força, derrubando-a sobre um carrinho de metal que carregava os materiais de enfermagem, fazendo um grande estardalhaço. A policial tentou reagir e sacou a arma, mas mesmo ela sendo uma das melhores atiradoras da polícia, senão a melhor, ela era responsável demais para dispará-la dentro de um hospital. Ela tentou enfrentá-los num combate corpo a corpo, mas era impossível lutar com os três dentro daquele lugar apertado, enquanto tentava proteger Ayumi.

Marshall puxou a menina e segurou seu braço direito com força, enquanto Cannon fazia o mesmo com o esquerdo, imobilizando-a. Yoko continuou tentando enfrentar Camaleonoide, mas não foi páreo para força da criatura. Durante a briga, a policial foi jogada contra a parede e bateu a cabeça. O choque foi tão forte, que ela acabou perdendo a consciência. Ayumi se apavorou ao ver um filete de sangue escorrer pela testa da moça desacordada e ali ela percebeu que tudo estava perdido, pois sozinha, ela jamais conseguiria escapar daqueles três.

- Vamos, Camaleonoide, nossa missão aqui está cumprida. Pegue a mulher. Vamos levá-la também. Acho que o Dr. Jean-Marie vai ficar feliz com o presente. Eu vou adorar ver ela definhando na cela da caverna.

- E o Hayakawa? – perguntou a criatura.

- Deixe ele aí. Nesse estado, ele não pode fazer nada. Além do mais, nosso alvo sempre foi a menina Igarashi. Esse aí, só foi uma pedra temporária em nosso caminho.

A criatura então obedeceu e pegou a policial inconsciente e a colocou, sem muita dificuldade, sobre um dos ombros e saiu andando pelo corredor, enquanto as duas supostas enfermeiras arrastavam a menina, que clamava por socorro.

O barulho da briga havia chamado a atenção de todos que estavam por perto, mas ninguém havia tido coragem suficiente para tentar interferir e eles apenas assistiram a uma mulher e uma criança sendo levadas à força para algum lugar desconhecido.

Do lado de fora, já havia dois carros comandados por soldados mascarados, apenas esperando a saída dos bandidos, que partiram a toda velocidade.

A única coisa que as testemunhas puderam fazer foi chamar a polícia.

Hayakawa, ainda semiconsciente, observou toda aquela cena impotente. Ele queria fazer alguma coisa para ajudar as duas, mas seu corpo não respondia aos seus comandos. A única coisa que conseguiu fazer, foi verter lágrimas pelos cantos de seus olhos e ver Ayumi e a policial sendo levadas. Pouco tempo depois, desmaiou novamente.