Jiban End
26 As memórias de Ayumi

A vez de Ayumi finalmente tinha chegado e não havia como escapar.
Yoko jazia desacordada no chão frio enquanto a menina era presa à cadeira e tinha eletrodos colados em sua testa.
- Pois bem, Ayumi Igarashi, agora chegou a sua vez de nos mostrar tudo o que está aí dentro dessa sua cabecinha confusa a respeito de Jiban. – disse Madogarbo, enquanto tocava a cabeça da menina com seu dedo indicador, não muito gentilmente.
Ayumi não respondeu, pois o medo tomava conta dela. Ela só conseguia imaginar a intensidade da dor que Yoko havia sofrido para desmaiar daquele jeito em apenas alguns minutos de exposição ao aparelho dos criminosos. Com ela, certamente não seria muito diferente.
A menina sabia que de nada adiantaria chorar ou implorar, pois isso jamais os comoveria, então só lhe restava ser corajosa como Yoko e encarar o que viria pela frente.
- Pode ligar! – ordenou Jean-Marie.
A ordem foi atendida imediatamente e assim que o dispositivo foi acionado, Ayumi sentiu seu corpo formigar dos pés à cabeça e parecia que algo estava estimulando suas memórias, mas para decepção dos bandidos, nada apareceu na tela. Apenas chuviscos e estática.
- É, parece que ela não estava mentindo desta vez. – precisou admitir Jean-Marie, após a primeira tentativa falhar. – Ela realmente não se lembra de nada, mas acho que um pouco mais de estímulo pode resolver esse probleminha. Aumentar a voltagem!
Dessa vez Ayumi sentiu muito mais do que um simples formigamento. Foi um choque diretamente em seu cérebro. Uma pontada forte em sua cabeça fez com que ela apertasse os olhos de dor, mas dessa vez algo não muito nítido veio em sua mente. Era uma figura masculina. Estava desfocada, mas era um homem, que acenava para ela. Poderia ser Hayakawa, poderia ser seu pai, mas eles tinham certeza de que aquele era Jiban.
- Abra os olhos, Ayumi! – ordenou Madogarbo. – Olhe para a foto de Jiban. Isso vai ajudar a trazer à tona as memórias que queremos. Se você quer que a dor acabe logo, faça o que estou mandando!
A menina abriu os olhos e imediatamente viu a foto que a general de Biolon exibia diante dela. Era aquele androide azulado com quem ela havia se encontrado em algumas ocasiões, mas a menina não conseguia se lembrar de nada. Por mais que todos afirmassem que ela o conhecia e que além de tudo partilhava do segredo de sua real identidade, era difícil de acreditar. Contudo, aquela imagem desfocada que surgiu em sua mente e na tela do monitor, de alguma forma a acalmou. Ela sentiu que tinha uma forte ligação com aquela pessoa de seu passado que finalmente emergia de sua memória. Ela quis se esforçar para lembrar, mas não para colaborar com Biolon, e sim para saber quem era aquela pessoa que a fazia se sentir amada e protegida.
A dor aumentava a cada segundo, até que, de repente, ela sentiu outra pontada ainda mais forte na cabeça e seus olhos se arregalaram. Quando isso aconteceu, a imagem instantaneamente se tornou nítida na tela e ela gritou um nome.
- Titio Naoto!
Todos se surpreenderam. Não poderia ser coincidência. Aquele homem que aparecia sorrindo nas memórias confusas de Ayumi era o mesmo que havia surgido na memória de Yoko.
- Será possível que esse policial idiota seja mesmo o Jiban? – indagou Madogarbo, incrédula.
- Esse homem é o Jiban? – perguntou Marshall a Ayumi, que estava ofegante pelo esforço feito e mantinha a cabeça baixa. Irritada, a mulher foi até ela, apertou seus braços com força e a chacoalhou. – Responda, menina! Esse homem é o Jiban?
Ayumi não respondeu, mas seus olhos diziam tudo. Sim. Aquele homem improvável era Jiban. Poucos instantes depois, a menina desmaiou.
- O que nós sabemos sobre esse homem? – perguntou Jean-Marie.
Cannon realizou uma pesquisa pela imagem no banco de dados da polícia, ao qual eles já tinham conseguido invadir e ter acesso há muito tempo. Em poucos segundos ela já tinha em mãos a ficha completa do policial.
- De acordo com os arquivos da polícia, seu nome é Naoto Tamura. Tem 23 anos e é policial desde os 20. Tornou-se detetive há pouco mais de dois anos e há seis meses foi transferido para a delegacia de Central City, onde atua até o momento. É o parceiro da Yoko Katagiri.
- Seis meses, é? Foi mais ou menos na mesma época em que aquele inseto azul surgiu para nos infernizar, não foi? – observou Jean-Marie, já conseguindo traçar um paralelo entre eles.
- Exatamente, senhor. – confirmou Madogarbo. – Acho que não temos mais dúvidas.
- Finalmente! Finalmente sabemos a identidade do nosso inimigo! Agora que temos essa informação, podemos ir até ele! Levem a menina e a mulher de volta para a cela e preparem-se para atacar a central de polícia! – ordenou Jean-Marie, eufórico.
- Sim senhor, Dr. Jean-Marie! – responderam em uníssono todos os seus subordinados presentes naquela sala.
Seguindo a ordem do líder, as duas foram devolvidas à cela escura e fria, ainda inconscientes, e quase que imediatamente um plano de ataque à central de polícia começou a ser idealizado, porém, o que os vilões não sabiam, era que Jiban também já conhecia a localização do esconderijo de seus inimigos e que também já estava se preparando para o ataque final. Agora dependeria de quem seria mais rápido em colocar o plano em ação.
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