Jessica Thompson - Anos dos Marotos
3 Capítulo 3
Capítulo 3
Pelo resto do verão Jessica manteve-se ocupada, além de se dedicar à diversas atividades com o Will ela também fazia questão de visitar todos os familiares antes de passar o ano fora. Ela os veria nos intervalos para festas de fim de ano e provavelmente na Páscoa, mesmo assim era sempre difícil se despedir de todos por mais uma temporada. Sempre foram unidos e Jessica admitia que sentia falta da bagunça que faziam quando estavam reunidos. A família de Jessica não sabia que ela estudava em Hogwarts, muito menos que ela tinha habilidades especiais, com exceção dos avós. Ela tinha medo de como reagiriam e mesmo achando que não se importariam, ela simplesmente não queria arriscar.
O ritual de partida era um momento que ela respeitava e amava. Um dia antes de partir ela ficava só em casa. Logo pela manhã ela se dedicava a empacotar as coisas que levaria para escola no baú de viagem surrado, nunca teve coragem de trocar o baú que usou desde o primeiro ano. Will sempre era prestativo, ajudando-a juntar e organizar tudo, sentia-se grata por isso.
O baú foi fechado definitivamente no meio da tarde, isso deixou um tempo extra para aproveitar com os pais e irmão. O pai tinha voltado para almoçar e resolveu ficar em casa o resto do dia, tornando-o ainda mais especial. Na sala a sra. Thompson tirou do armário um DVD com vídeos caseiros da família. Jessica tentou protestar, odiava ver sua versão mais nova na televisão, mas de nada adiantou. A televisão foi ligada e lá estava ela, fazendo suas peraltices, tinha até alguns trechos com ela fazendo mágica, claro que não sabiam exatamente o que era na época, só tinham certeza que a menininha deles era especial. Riram muito juntos e Jessica até chorou um pouco em um trecho em que a mãe flagrou-a dormindo na cadeira de balanço do lado do bercinho de Will que balançava sem que ninguém desse impulso.
Uma coruja passou voando pela janela aberta da sala, surpreendendo todos. Depositou uma carta no colo de Jessica e sem pousar em nada saiu com agilidade pelo mesmo lugar que entrara. Jessica olhou desconfiada, não tinha remetente, nenhum nome, nem endereço e ela sabia que não era um envelope de Hogwarts. Debateu seriamente se deveria abrir.
― Vai em frente, não vai abrir? ― perguntou sr. Thompson um pouco curioso.
― Pode ser perigoso, não sei quem enviou ― ela explicou, examinando o envelope de perto. ― Pode ter algum feitiço ou maldição.
― Querida, você tem algum inimigo que não estamos sabendo? ― brincou sra. Thompson; Jessica detectou o tom de sarcasmo em sua voz.
― Verdade, não tem por que ser perigoso, ninguém tem motivo para querer te machucar, pode abrir ― disse Will soando tão curioso quanto o pai.
Ainda suspeitando ela tirou a varinha do cós da calça. ― Finite ― proferiu. ― Finite Incantatem ― quando nada aconteceu ela tentou se convencer que era seguro, ainda estava um pouco nervosa enquanto abria o envelope. A família tinha razão, não era nada perigoso, era só um pedaço de papel pergaminho com algo escrito nele.
Antes de ler o recado ela verificou se tinha assinatura e não encontrou nada. ― Não está assinado, quem será que enviou?
― Bem, pode ajudar se você ler a carta ― disse sr. Thompson rindo.
Jessica começou a ler e não pôde acreditar no que via, ela continuava repetindo em sua mente: “isso tem que ser uma piada”. Quando terminou, seu rosto estava corado, era uma declaração amorosa, ela tinha um admirador secreto e ficou confusa com a revelação.
― Então, o que é? ― perguntou sr. Thompson.
― Ah, nada demais ― mas Jessica nunca foi boa em contar mentiras.
― Posso ler? ― ele perguntou.
Jessica simplesmente deu o papel para ele, achou que seria besteira tentar esconder deles, ainda mais porque achava que era algum tipo de brincadeira sem graça. Julgou impossível alguém gostar dela secretamente. O pai começou a ler em voz alta para a mãe e o irmão escutarem junto.
Querida Jessica,
Eu decidi escrever essa carta para dizer que pensei muito em você nesse verão. Pensei que, como esse será nosso último ano juntos em Hogwarts, acho que é a hora certa de dizer que realmente gosto de você. Sempre gostei, desde o primeiro, mas nunca tive coragem de revelar meus sentimentos e ainda tenho muito receio, tenho impressão que me rejeitaria. Por esse motivo não vou revelar minha identidade ainda, mas prometo que direi em breve. Tenho planos de fazer seu último ano em Hogwarts muito especial. Espero que você entenda que não posso falar muito sobre mim no momento, mas em breve direi. Também não tenho medo de admitir que gostaria de passar o resto da vida ao seu lado, se você me aceitar e permitir.
Seu em breve
Por alguns segundos, que pareceram horas, ninguém disse nada. Os pensamentos de Jessica estavam rodopiando em sua mente e realmente queria que os pais dissessem algo.
― Então? Vocês não acham que isso é verídico, certo? Digo, tem que ser uma piada ― ela disse um pouco frustrada quebrando o silêncio.
― Por que acharia que é uma piada? Parece que alguém pensou bastante antes de escrever isso. Alguma ideia de quem seja? ― perguntou a mãe, ela estava com a carta nas mãos e relendo.
― Não, sinceramente, alguém gosta de mim desde o primeiro ano? É a coisa mais absurda que já ouvi falar. Não faz nenhum sentido ― ela disse um pouco alto demais.
― Não sei, acho que deveria levar um pouco a sério ― disse o pai vagamente. ― Não tem nada nesse bilhete que me leve a pensar que possa ser brincadeira. Acho que são os sentimentos reais de alguém.
― Pode até estar certo, mas não desconsidero uma brincadeira de mau-gosto. Tenho dezessete anos e não doze, não acha isso um pouco infantil? Provavelmente foi o Tiago que enviou só para me amolar de novo, ele ama fazer isso, sempre encontra uma maneira de chatear eu e a Lily. Aposto que ela também recebeu uma carta dessas. ― Jessica levantou e pegou a carta que a mãe havia deixado em cima da mesa de centro. ― Vou para meu quarto descansar um pouco, pode me avisar quando a janta estiver pronta?
Ela entrou no quarto e fechou a porta, sozinha com seus pensamentos. Não pode ser, não posso ter um admirador secreto, eu não quero um namorado. Jessica sempre pensou em Hogwarts como o lugar onde ia para obter uma boa educação acadêmica, aprender tudo o que podia era seu único objetivo, ela não queria nenhuma distração. Ela pensou em ligar para Lily, mas desistiu, sabia que a amiga deixava tudo para última hora e provavelmente estava ocupada empacotando as coisas para a viagem.
Passou um tempo analisando a carta, o papel estava um pouco surrado e a letra estava irregular, a intensidade da tinta diferente em alguns pontos. Ficou imaginando se alguém realmente tinha escrito isso, escolhendo as palavras com cuidado. Será que tinha sido difícil? Passou o dedo em cima de cada letra, notando que em algumas partes a ponta da pena tinha quase perfurado o pergaminho. Cada vez que relia, as palavras pareciam mais e mais reais, até que chegou ao ponto de não poder mais duvidar da veracidade da declaração.
Isso fez com que ela ponderasse sobre sua postura na escola. O foco dela era completamente direcionado aos estudos, sabia que muitas meninas cochichavam pelas costas dela e da Lily, eram consideradas um pouco arrogantes por serem tão reservadas e focadas. Não seria impossível que esse tipo de comportamento impedisse a aproximação de algum pretendente. Não era à toa que nunca tivesse tido uma paquera na escola, somente quando estava em casa para as férias de verão.
Com uma ideia em mente, ela sentou na penteadeira, abriu o diário e pegou uma caneta. Fitou por alguns momentos seu reflexo no espelho e começou a escrever nomes:
Severus Snape
Remo Lupin
Pensou mais um pouco e escreveu:
Alguém que não conheço.
Esses foram os únicos nomes que conseguiu pensar. Severus sempre sentava com ela e Lily em Poções e estudavam juntos na biblioteca com frequência, ela nunca entendeu o motivo dele ser tão legal com ela, sabia que ele não era fã de nascidos-trouxas. O Remo sempre foi extremante tímido quando ela estava por perto e por algum motivo ele se ausentava das aulas com frequência, rumores diziam que ele tinha algum tipo de doença incurável, isso poderia explicar o receio de ser rejeitado. E alguém que ela não conhecia fazia sentido também, se ele realmente fosse tímido talvez não tenha se apresentado, poderia ser alguém de outra casa que ela tivesse pouco contato.
Quando a mãe chamou para jantar ela desceu, mas não falou muito durante a refeição. Os pais não pressionaram, pois pareciam notar que ela estava pensativa. Terminou de comer e voltou para o quarto, colocou um pijama e foi dormir. No dia seguinte estaria em Hogwarts, mas toda a empolgação tinha esvaecido. Não sabia mais o que esperar e o incerto tinha criado um enorme buraco em seu estômago.
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