Jessica Chloe - Vitoriosa
10 Visita (In)esperada 2 ou presentes surpresa
Passaram-se duas semanas, uma a mais do que me falaram. Estava pronta para voltar para casa. Os médicos ainda querem saber por que me recuperei tão rápido, mas podem me monitorar em casa. Vi algumas pessoas no hospital falando que era realmente um milagre eu não ter desenvolvido nenhuma sequela após a cirurgia. Achava que isso era uma brincadeira, mas do jeito que falavam... Estou dando graças ao céus.
Mamãe entrega minhas roupas normais e vou até o pequeno banheiro vesti-las.
— Pronta, Jessica? — Mamãe pergunta.
— Sim. — Abro a porta do banheirinho e olho em volta do quarto onde fiquei por tanto tempo. — Eu estou esperando por isso há muito tempo.
Ela sorri e agradece o doutor Augustus. Saímos pelos corredores e antes que eu saísse do prédio, vejo Melissa, uma garota doce que conheci enquanto permaneci aqui. Aproximo-me dela.
— Você já vai, Sica? — Ela pergunta, e percebo que ela está chorando.
— O que foi, Mel? — Pergunto, enxugando uma lágrima dela. – O que aconteceu?
— Meu irmão. Seu quadro piorou. — Ela me fala. Seu irmãozinho, Robert, se não me engano, está com leucemia. — Estou com medo.
Melissa é um ano mais velha que eu, mas ela é tão pequena que parece o contrário. Se ela não estivesse tão desgrenhada, Mel com certeza parecia uma modelo, de tão bonita que é. Lembro-me de quando a vi pela primeira vez. Ela estava buscando o leito do irmão e acabou invadindo meu quarto sem querer. Ela ficou tão errada, mas eu só conseguia sorrir. Minha família, Gwen e Hector me visitavam todo dia, mas havia horas que nenhum deles estavam, e eu ansiava por qualquer contato humano além das pessoas que trabalhavam no hospital.
Mel foi minha salvação. Ela sempre vinha conversar comigo, e não demorou muito para que nos tornássemos amigas.
— Não tenha. Lembre-se do que lhe falei quando nos conhecemos. Não importa o medo que sinta, o que importa é o amor que você sente. – Sorrio para ela. – Isso é o que vai ajudá-lo.
— Eu sei. — Ela assente. – Mas e você? Deve estar bem, já está indo embora!
— Eu estou bem. Muito bem para uma pessoa que morreu na mesa de cirurgia. — Brinco.
Os olhos dela se arregalam.
— C-como assim? Você é u-um f-f-fantasma? — Ela murmura com medo.
— Claro que não, boba! – Rio dela. – Minha pulsação parou por alguns segundos, mas estou aqui. Eu te conto essa história melhor algum dia.
Ela parecia aliviada.
— E agora? Com que vou conversar quando Bob estiver dormindo?
— Você pode me ligar sempre que quiser. — Mais uma vez dou um abraço nela e desejo-a toda a sorte. Sei que o irmão dela vai sair dessa.
Continuo com minha mãe e chegamos no carro. O hospital não fica muito longe de casa, porém estou tão ansiosa para chegar em casa que sinto como se o tempo não passasse. Quando finalmente chegarmos, descemos do carro e mamãe demora um pouco para pegar as chaves. Quando ela finalmente abre a porta, tomo um susto: a maior surpresa da minha vida.
Uma faixa amarela com " Bem-vinda de volta, Sica!" Escrito em vermelho forte. Vejo que papai, Gwen, Hector, Sarah, Jasmine e um garoto bonito que eu não conhecia abraçado com a minha irmã estão me esperando. Entro e sou abraçada por todos. O garoto bonito e estranho se aproximou.
— Prazer em te conhecer, Jessica. — Ele aperta minha mão. — Sou Christopher. Sou da turma da sua irmã.
Inclino-me para ver Lil, que olha para mim, sorrindo. Ah, então esse é o tal garoto. Ele é mais alto que eu, tem os olhos e os cabelos bem escuros, mas algo faz que ele chame atenção. Não é a toa que ele despertou o interesse de Lilian.
— Muito prazer, Christopher. Lilian me falou muito sobre você. — Sorrio.
— Bom saber. — Ele se vira para trás e olha para ela. — Bom, vou arranjar um lugar para me sentar.
Ele sai para a sala de jantar e Lilian se aproxima de mim.
— Minha irmã... esse é o garoto? Ele é bonito, hein?
— Eu sei! — Ela solta um gritinho. – Nós vamos sair amanhã. Nosso primeiro encontro foi muito divertido, não vejo a hora de estar a sós com ele de novo.
— Eu estou feliz por você, Lilian. — Abraço-a.
Ela se afasta e se senta ao lado dele na mesa de jantar. Vejo que Gwen está parada perto da parede, então vou até ela.
— Eu queria ter ido te visitar, mas meus tios são muito sem noção. – Ela começa a dizer, antes mesmo que eu fale qualquer coisa. – Eles adoram largar a filha deles para a gente cuidar.
— Não tem nada, Gwen. – Sorrio. – Só por você estar aqui já é uma maravilha.
Abraço-a e ela olha para o lado. Noto que ela está observando Christopher, mas ele não percebe nossos olhares. Ele está entretido demais numa conversa animada com Lilian.
— Quem é aquele cara lá? – Ela pergunta para mim.
— É o namoradinho da Lil. Bonito, né?
— Namoradinho? Ah, que pena... – Ela dá uma piscadinha para mim. – Só porque eu estava de olho nele...
Rio e ela cai na gargalhada também. Vejo que todos estavam na sala de jantar, então eu e Gwen nos juntamos a eles. Enquanto mamãe e papai estão entretidos demais com as histórias de Jasmine sobre o Egito, Hector se aproxima de mim e me abraça por trás.
— Oi. — Ele fala no meu ouvido, deixando também um beijo no meu pescoço.
— Oi. — Me viro para olhá-lo de frente. Hector estava contente, com um largo sorriso no rosto.
— Tudo bem? — Pergunta, depois de beijar minha bochecha.
— Sim, eu estou bem. E você, meu namorado, está bem? — Pergunto, e ele sorri como resposta.
— Estou mais que bem. Estou feliz por você, minha namorada, está de volta em casa. — Ele é sincero quando fala.
Ele deita sua cabeça em meu ombro, e eu começo a acariciar seus cabelos. Sua respiração está pesada, e por um momento sinto como se o tempo tivesse parado. Deixo-me levar pelo abraço dele, mas Hector interrompe nosso momento cedo demais.
— Eu te amo. – Ele sussurra no meu ouvido, e eu articulo as mesmas palavras, mas sem falar nada.
— Eu senti falta da minha casa. E vocês ainda fizeram essa surpresa para mim! — Olho ao redor, admirando a pequena festa. — É a coisa mais gentil que já fizeram para mim.
— Foi ideia do seu pai. – Ele explica. – Ele me falou e falei com a Gwen, ela que sabe organizar festinhas.
— Obrigada mesmo assim. — Olho para a mesa, e percebo que um bolo de chocolate está em cima dela. — Bolo! E ainda mais de chocolate!
Saio praticamente correndo, e escuto as risadas de Gwen e Hector. Tá, isso é esquisito, mas sou totalmente viciada em bolo de chocolate. Amo, amo, amo, amo! Hector vem logo atrás de mim, se sentando ao meu lado. Mamãe parte o bolo e comemos. Ai, que saudade de comida de verdade...
— Eu não acredito que vou ter que abandonar a comida da mamãe. — Olho para ela, que parece não entender.
— Porque, Sica? — Lilian pergunta.
— O médico falou que quando começar a quimio, terei que evitar laticínios. E bolo tem leite, não?
— Tem. — Mamãe fala. — Mas isso é besteira. Há muitas comidas que eu posso fazer para você ainda.
— Eu sei. — Falo, e volto a comer, para acabar com esse assunto.
Depois que termino de comer, converso com todos sobre meu tempo no hospital. Lembro de Melissa, dela chorando. Espero que ela e o irmão dela estejam bem. De repente, a campainha toca. Olho para todos.
— Chamaram mais alguém? – Pergunto.
— Não. — Todos respondem.
Levanto-me e atendo a porta. Não tenho dimensões do tamanho do meu susto quando vejo Tiffany parada na porta.
— Olá. — Ela não falava de maneira arrogante, e sim cabisbaixa. — Posso entrar?
— Ah... claro. — Falo e ela entra. Hector imediatamente se levanta.
Ela dá dois passos para dentro de casa, mas assim que ela percebe a quantidade de gente aqui dentro, vejo que ela se encolhe.
— Acho que estou interrompendo. – Ela quase sussurra. – Prometo, só quero trocar duas palavras com você.
— Você devia ir embora, Tiffany. — Hector fala, já alterando um pouco seu tom de voz.
— Por favor, eu não quero confusão. — Ela olha para ele e depois para mim. — Eu vim... Vim pedir desculpas a você, Jessica. Eu jamais deveria ter falado e feito tudo que fiz contigo. Me desculpe.
Franzo o cenho. Nunca imaginei que Tiffany fosse capaz de pronunciar aquelas palavras, principalmente para mim. Percebo que as palavras saem de uma maneira dura, mas, de certa forma, verdadeira.
— Nossa... eu jamais esperaria suas desculpas, Tiffany. — Falo, e ela concorda. — Mas eu as aceito.
— Obrigada. Mas quero que fique claro, isso não significa que eu gosto de você. Pelo contrário. — Ela se vira para Hector. — Eu ainda acho que você está fazendo uma burrada, mas eu percebi que não tenho o direito de controlá-lo. Espero que você seja feliz.
Ela dá um pequeno olá para as pessoas que estão na sala e vai embora, sem dizer adeus.
— Quem era ela? — Lilian pergunta.
— Minha ex-namorada. — Hector fala, com o que parece um pouco de raiva.
— Eu não acreditaria que ela viria aqui se eu não tivesse visto com meus próprios olhos. — Falo. — Mas a atitude dela foi nobre, tenho que admitir.
Ele assente e voltamos para a mesa. Depois do bolo, mamãe pegou uns petiscos para nós, para assistimos um filme de comédia romântica da mamãe. Acho que eu sei exatamente por quê: é o filme favorito dela, pois foi esse filme que meus pais assistiram no primeiro encontro. Eles estavam abraçados, e fiquei admirando eles até que Hector se senta ao meu lado, no chão.
— Posso me sentar aqui, não posso?
— Bobo. — Digo, logo depois de dar um beijo. — Vem cá.
Eu o puxo e ele me abraça. Ficamos o filme todo assim, interrompidos somente pela vontade de comer coxinhas de frango e pasteizinhos. Ele beija a minha testa e o filme acaba quase na mesma hora em que os petiscos também.
Todos se despedem de mim, me desejando sorte e me abraçando. Gwen diz que já vai, mas Hector fica.
— Quero te mostrar uma coisa. — Ele me puxa para o sofá, enquanto mamãe e papai estavam na cozinha. Fazendo o quê, não sei. – Olha o que eu comprei para você. — Ele pega uma caixinha do seu bolso. — Não recuse, por favor.
Ele abre a caixinha e uma linda pulseira de ouro está dentro dela. Na pulseira tinha uma pequena plaquinha, com algo escrito nela. Pego-a e leio.
— Para sempre. — Falo, e ele levanta meu queixo, para que eu o olhe. — Isso deve ter sido muito caro...
— Três meses de mesada acumulada. Eu ia comprar um celular novo, mas eu preferi comprar isso. – Ele sorri para mim. – Por favor, fique com ela.
— Fico... é linda. — Eu o beijo. — Muito obrigada.
Ele me abraça e ficamos um bom tempo assim. Ele pega a pulseira e coloca em mim. Fico admirando-a por um tempo, e ele vai até a cozinha beber água. Escuto um barulho e ele dá meia-volta, com os olhos arregalados.
— Acho melhor a gente não entrar na cozinha agora... — Ele fala, um pouco nervoso. Mamãe e papai entram na sala, ela um pouco descabelada, ele com a gola da blusa manchada. Papai me beija e me deseja sorte, depois fala para ela que volta amanhã.
Assim que ele bate a porta, volto-me para minha mãe.
— Mamãe... — Falo, e vejo o sangue subir em seu rosto.
Hector pigarreia. Ele com certeza está segurando uma risada.
— Desculpa, senhora Andersen. Posso lhe chamar assim, não? Apesar de ser o sobrenome do seu ex-marido. — Ele fala, desculpando-se de verdade, mas com um tom de ironia.
— Ai, vocês dois... O que é que tem? — Ela ajeita os cabelos. Depois nota a minha pulseira nova. — Você que deu para ela, Hector?
Meu namorado sorri para mamãe e depois para mim.
— Sim, sim. Comprei para ela.
— É linda. — Ela olha para mim. — Você tem sorte de ter um rapaz tão bom pra você.
Hector se encabula, e dou uma piscadela para ele.
— A senhora também. — Falo, e ela ri alto.
— Bem, tenho que lavar a louça, já que não pude. – Ela diz, andando lentamente para a cozinha. – Estava muito... ocupada.
Hector está olhando para ela, e assim que a perdemos de vista, ele se aproxima da minha orelha.
— Eu percebi. — Hector sussurra no meu ouvido, e eu rio. Ele me beija e se despede de mim. Mas antes...
— Espera. Eu tenho uma coisa para você. — Puxo-o para meu quarto.
Noto que ele abre um sorriso. Como ele é bobo. Espero que ele não esteja pensando besteira...
— O que é meu presente? — Ele fala, esfregando as mãos.
— Isso aqui. — Eu me viro e pego um pequeno pacote. — Acho que você vai gostar.
Ele pega e abre o pacote, tirando um sutiã, o melhor que eu tenho. Não sei de onde eu tirei coragem para fazer isso. Ele olha para mim, surpreso.
— Tenho certeza que ficará melhor em você. — Ele me abraça e me beija, quase levantando minha blusa. – Meus peitos não são tão grandes assim.
Não deixo de rir da piada boba dele.
— Isso é para uma data futura, queridinho. Quero que guarde para mim. — Eu o paro, ajeitando minha blusa. — É só para você ter uma certeza.
— Peraí... você tá me dando isso mesmo?
Sei que estou super envergonhada, mas a pior parte já foi feita.
— Sim. Não quer? — Pergunto, maliciosa.
— Quero. — Ele me beija e vai embora, me deixando absorta nos meus pensamentos.
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