Jessica Chloe - Vitoriosa
32 Meu maior pesadelo
Notas iniciais
— Sabe, você está mesmo diferente desde que te vi em Seattle. — Hector enrola um cacho do meu cabelo em seu dedo indicador. — Está muito mais bonita.
— Como você é exagerado! — Não consigo deixar de rir. Deito-me de lado para olhá-lo melhor. — De nós dois, você é quem mudou mais na aparência.
— Bom, da última vez que te vi você não tinha nem cabelo.
Faço uma careta para ele, que sorri. Hector me puxa para mais perto dele, me abraçando. Se dependesse de mim, eu nunca mais sairia da cama onde estamos agora, pois quero ficar deitada e agarrada à ele para sempre. Ainda me sinto nas nuvens. Hector está aqui comigo. Ele estava em mim. Não pensei que poderia ficar tão feliz, tão absorta quanto agora. Como tudo isso aconteceu? Eu estava somente disposta a tomar um cappuccino, mas eu o encontrei e tudo virou de cabeça pra baixo... Só de vê-lo novamente meu coração se inundou de felicidade.
— O quanto eu mudei?
— Seu cabelo está mais curto. Você está mais alto, mais forte... — Sorrio, apertando de leve o braço dele, que deixa um leve risinho escapar também. — Sem falar na cicatriz perto do seu olho. Como você a conseguiu?
— Numa briga de bar que nem era minha. — Ele se aninha um pouco mais perto de mim e acaricia as minhas costas com a ponta de seus dedos. — Não me orgulho muito disso.
A respiração dele está pesada, seus olhos me encaram com suavidade e carinho. Estico-me um pouco para conseguir dar um selinho nele, que acaba me segurando e prolongando o beijo. Antes mesmo que eu pudesse retribuir, ele o interrompe e deixa um bocejo escapar.
— Eu não quero dormir. — Ele reclama, mas seus olhos já estavam fechados. — Quero passar o resto da noite assim, conversando e beijando e...
— Não vai acabar, bobo. — Digo, depois de calá-lo com um selinho. — Eu estarei aqui de manhã. Espero que você também esteja.
As mãos dele ainda estão arranhando com gentileza minhas costas.
— Eu te amo. — Ele repete pela milionésima vez na noite. — Não quero te deixar nunca mais, e nem vou. Eu prometo, estarei aqui. Sempre.
— Eu também te amo. — Enterro minha cabeça no colo dele, beijando seu peitoral de leve. Antes que ele adormeça, sussurro: — E eu também não vou te deixar.
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Acordo de meu cochilo e o vejo. Não foi um sonho, ainda bem. Oh, que bonitinho, ele está babando. Pode parecer estranho, ou até mesmo nojento, mas ele está lindo, pelo menos para mim. Lentamente me levanto, tomando cuidado para não acordá-lo. Olho pela janela; ainda está de noite. Está tão quente... Bem, acho que um banho é a melhor coisa agora.
Entro na banheira cheia d'água. Deus... Agora nós nos tornamos ainda mais íntimos do que já éramos. É como se eu ainda pudesse senti-lo em mim, como se tivéssemos juntos e não pudéssemos mais nos separar. Nós criamos um laço. Ele sentiu a minha falta. Eu, admito, senti a dele. Ele me ama. Eu o amo. Isso é o que importa, não?
Saio do meu banho e visto uma camisa velha que uso como pijama de vez em quando. Hector ainda está dormindo, mas escuto ele balbuciar alguma coisa ininteligível. Vou até a cozinha e pego um copo d'água. Vejo meu celular em cima do balcão. Ai, como eu queria falar com mamãe... Mas são, de acordo com o relógio da cozinha, três e meia. Já é meia-noite em Seattle, e mamãe dorme cedo. Não custa nada arriscar.
— Alô? — Papai atende o telefone com uma voz sonolenta.
— Oi, pai! É a Sica! — Sorrio.
— Filhotinha, como você vai aí? — Ele pergunta. — Não é hora de dormir não?
— É sim, mas é que eu queria muito falar com mamãe. — Respondo.
— Ela já foi dormir, anjo.
— Eu já imaginava, mas será que o senhor podia acordá-la? É que eu prometi a mim mesma que ela ia ser a primeira a saber.
— A saber o quê? — Ele pergunta.
— Pai! É sério! — Rio e escuto-o andar. Depois de um tempinho, ela atende. — Mãe? É a Sica.
— Oi, Jessica... — Ela boceja. — O que foi, minha flor? Está tudo bem aí?
— Sim... Mamãe, você não vai acreditar. — Dou um leve suspiro. — Eu encontrei Hector aqui.
Escuto um murmurar, mas não entendo.
— Mas o que ele está fazendo aí em Nova Iorque?
— Ele veio fazer faculdade também. — Explico. — Mas não é isso que quero falar.
— Então me diga logo o que aconteceu... Vocês conversaram?
— Sim. Bem, mais que isso.
— Vocês se acertaram? Estão juntos?
— Acho que sim... — Suspiro. É melhor não fazer rodeios. — A gente transou.
— O quê? — Ela parece engasgar com a própria saliva. Escuto-a pedir para papai trazer um copo com água pra ela. — Isso é sério?
Dou uma leve risada.
— É, mãe! Não ia brincar com isso.
— E como isso aconteceu?
— Bem, eu o encontrei no Starbucks. A gente conversou um pouco, ele pediu para me acompanhar até o apartamento. Mãe, ele me pediu perdão. Ele está tão arrependido por ter ido embora de Seattle... Eu o perdoei. E depois disso, bem... Aconteceu. — Suspiro. — Eu o amo.
— Isso é incrível, filhinha... Melhor com alguém que você ama do que com um desconhecido. Mas ele lhe tratou bem? Você está feliz com sua decisão? E, não menos importante, vocês usaram camisinha?
Escuto papai gritar "O QUÊ?" do outro lado. Caio na risada e mamãe também.
— Sim, mãezinha, usamos. Ele me tratou como uma princesa, se preocupou comigo... — Minhas bochechas estão ardendo de vergonha. Não pensei que conseguiria dizer isso tudo para ela, mas acho que por eu estar falando pelo telefone, tenho mais coragem. — Eu estou muito feliz.
Posso não vê-la, mas sei que ela está sorrindo.
— Que bom. Eu estou feliz que você tenha me contado.
— Eu te prometi, você seria a primeira a saber quando eu estaria pronta. — Digo para ela. — Não falei antes porque, enfim, nem eu estava esperando por isso.
— Eu sei, meu amor — Ela fala, e escuto seu bocejar. — Bem, já é bem tarde...
— Já entendi. — Sorrio. — Eu vou dormir agora.
— E eu vou acalmar seu pai! — Ela sorri. — Até mais, filhinha.
— Até. — Desligo o telefone.
Volto para o quarto. Hector não moveu nem um músculo. De repente, escuto um barulhinho que logo cessa, vindo do chão.Olho para nossas roupas e vejo que seu celular está vibrando. Pego-o do bolso de sua calça e vejo que há uma nova mensagem. Gosto de ter privacidade e respeito a dos outros, mas não há problema se eu olhar, não?
Drew, por quê você não atende minhas ligações? Bem, não importa... Eu queria te avisar que eu consegui as reservas do restaurante daqui a quinze dias. Ai meu Deus, imagina a cara dos meus pais quando você me pedir oficialmente em noivado? Eles vão surtar! — principalmente papai. Bem, assim que ler isso me liga, tá? Beijo, te amo. — Susan.
O... o que eu acabei de ler?
— Hector! HECTOR! — Grito, sem conseguir me mover.
Ele se levanta subitamente, coberto somente pelo lençol.
— O que foi, Sica? — Ele me olha, mas eu não consigo encará-lo.
Estou trêmula. De repente o celular cai de minhas mãos. Ele o pega e, enquanto lê as mensagens, caio sentada na cama. Deus... O que eu fiz para merecer isso? Ele tem namorada... E vai pedir sua mão para os pais dela. E eu aqui feito uma boba pensando que ele me ama...
— Sica... Eu posso te explicar.
— EXPLICAR O QUÊ? QUE VOCÊ VAI FICAR NOIVO DE OUTRA MULHER?
— Calma, Jessica. — Ele me pede. — Por favor, me escuta...
— Calma? Como eu posso ter calma, seu cretino, idiota e estúpido! — Falo, mas ele tenta me conter.
— Sica... Eu a conheci em Los Angeles. Ela era só minha amiga, eu nunca quis nada com ela. Só que ela me ajudou muito quando eu enfrentei os problemas com a bebida e tudo mais... Ela me deu muita força. E depois de um tempo eu me afeiçoei a ela, e ela se apaixonou por mim.
Deus, eu não quero escutar nenhuma palavra que venha a sair da boca dele. Como ele pôde...
— Você... Você é um insensível. E eu me deixando enganar aqui...
— Sica, eu jamais imaginei que iria te encontrar de novo, e mesmo que encontrasse, jamais pensaria que todos os meus sentimentos por você voltariam dessa maneira, tão forte. — Ele está desesperado. — Eu não menti. Eu te amo, eu te amo!
— Eu não acredito em você. — Falo, fungando meu nariz e enxugando as lágrimas que descem aos montes pelo meu rosto.
— Por favor... — Ele também está chorando. — Sica...
— Por quê não me disse? — Grito sem me importar. — Não me disse que estava com alguém?
Ele fica calado. Tanto ele quanto eu sabemos que não há resposta para isso.
— Como você pode ter feito isso? Hector... Você não podia ter feito isso, jamais. Você está comprometido. Você sabe o quão sério é um noivado?
— Eu não a amo. — Ele sussurra. — Devo minha recuperação a ela, mas eu não a amo. Nunca amei.
— E por quê a pediu em noivado? — Olho para ele indignada.
— Porque eu achava que a amava. Depois que me mudei para lá, não pensava que eu ia conseguir te esquecer. Ela estava lá para me ajudar. – Ele balbucia. — Mas eu fui um tolo, Sica. Eu já falei pra você. Só há uma pessoa que eu amo.
— Ela. Você ama essa tal de Susan! — Desvio o meu olhar do dele. — Não é a toa que vai se casar com ela!
— NÃO! — Ele me segura pelos pulsos. — Será que não entende que eu amo você?
Nego com a cabeça. Eu nunca vou entender.
— Você veio na minha casa, dizendo que me ama, transa comigo; e tudo isso sem me dizer que você tem uma namorada. Uma quase noiva, Hector! — Digo, as palavras saem com um peso enorme. — Como você quer que eu entenda isso?
— Eu errei. — Ele engole em seco. — Sica...
— Não tem Sica, Hector! — Seco mais lágrimas, e uma risada sarcástica começa a surgir em meus lábios. — E eu não posso nem reclamar... A amante da história sou eu!
Ele parecia chocado com minhas palavras.
— Você não é a amante, você é o amor da minha vida.
— O amor da vida de alguém é aquela pessoa que você quer passar o resto da vida com. — Fungo o nariz. — E você já fez sua escolha, e não sou eu.
Ele fica, mais uma vez, calado. Como eu detesto isso!
— E você disse que não me esqueceu esse tempo todo. — Olho para o teto, as lágrimas ainda assim escorrem. — É claro que esqueceu!
— PARA, JESSICA!
— VAI EMBORA! — Grito. — Vai embora daqui e não volta mais! Esquece que eu moro aqui, esquece que eu estou em Nova Iorque, esquece que você me encontrou, esquece que eu estou viva! — O empurro para fora do quarto.
— Eu estou nu! — Ele grita, e então me lembro que ele está mesmo.
— Pois se vista antes que eu te jogue por essa janela!
Ele me obedece. Eu estou parecendo uma louca, chorando e gritando. Ele não merece uma lágrima minha... Mas a tonta aqui... Quando ele está vestido novamente, volto a empurra-lo para fora do apartamento. Antes que eu feche a porta, ele coloca o pé entre.
— E... e como fica o que aconteceu hoje?
— Esqueça. É o que eu vou fazer, esquecer. Finja que isso jamais aconteceu. — Olho para ele, chorando por que ele tocou nesse assunto. — Nunca devia ter acontecido.
— Eu não posso esquecer, Jessica. — Ele franze os lábios. — Não vou conseguir esquecer essa noite. Não vou conseguir esquecer você.
— Sinto muito, então. — Ironizo. — mas é o único jeito.
— Sica- Fecho a porta antes que ele continue.
Como... Como tudo mudou tão de repente? Eu estava tão feliz... Eu não acredito, estava tudo tão bem... Mas tão mal ao mesmo tempo! É como se ele tivesse me usado, transando comigo sem sentir nada por mim. Ele não sente, é impossível que ele sinta. E ele chegou aqui, dizendo que eu não saía da cabeça dele... MENTIRA! Ele já estava com outra! Mentiroso do caralho...
Pego o telefone sem fio e disco o número do celular da Missi. Eu não quero ficar sozinha.
— Alô? — Ela fala com uma voz sonolenta e baixa.
— Missi... Vem pra casa, por favor... — Não consigo conter as lágrimas.
— O que houve, Sica? — Ela fala mais alto — Aconteceu alguma coisa? Um assalto? Entraram no prédio? Não me diga que você viu fantasmas, pelo amor de Deus!
— Não é nada disso... Só vem, por favor.
— Tá certo. — Ouço-a acordar Jack, e pede para ele a trazer de volta. — Eu já estou indo.
— Tudo bem.
Desligo. Tudo o que eu posso fazer agora é esperar... e chorar. Depois de uns trinta minutos eles chegam.
— O que foi, Sica? — Vejo Missi entrar, acompanhada de Jack.
— O Hector... — Olho para ela. — Ele veio aqui.
— O que aconteceu? — Ela pergunta.
Não respondo. Não vou falar sobre isso na frente do Jack.
— Onde fica o banheiro? — Parece que ele entendeu.
— Fica pra lá, no fim do corredor. — Missi responde. — Agora me diz, o que aconteceu.
— O encontrei no Starbucks. Ele me acompanhou até aqui... Ele me pediu desculpas por tudo que fez... A gente transou.
— Que incrível, Jessica! Por que você está chorando então?
— Por que eu descobri que ele está praticamente noivo de uma tal de Susan! — Quase grito.
Explico para ela, que fica de olhos arregalados.
— Ele está quase noivo de uma garota e ainda tem coragem de vir aqui, te seduzir e fazer sexo contigo? Ele é um canalha!
— Como eu pude confiar nele?
Jack volta para a sala. Missi diz que vai ficar, e ele a abraça. Do nada ele me abraça, também.
— Eu não sei o que está acontecendo, mas eu sei que foi por causa de um cara. — Ele olha para mim. — Manda ele se foder, tudo bem? Não admito que alguém faça a Peter Parker mais corajosa que conheço chorar.
— Tudo bem. — Falo, forçando um sorriso para meu amigo. — Obrigada.
Ele se volta para Missi e a beija. Ver aquela cena me faz querer morrer. Eles são tão fofos juntos... Ele vai embora. Missi se senta ao meu lado.
— Eu não acredito no que ele fez contigo...
— E eu? — Olho para ela. — Estava tudo tão incrível...
— Foi bom, pelo menos? — Ela me pergunta. Sei que ela estava tentando me fazer ignorar as coisas ruins que aconteceram, mas ainda assim... — Não precisa me contar, se não quiser.
— Foi muito bom, Melissa. Claro que foi um pouco desconfortável e doloroso, eu estava bem nervosa, mas ele foi tão gentil e carinhoso e romântico... — Fecho os olhos. Lembrar de como ele me tratou bem está me deixando com ódio. — Ele me satisfez por completo, mas do mesmo jeito que ele me levou às nuvens ele também me levou para o quinto dos infernos!
Ela me abraça.
— Eu vou preparar um suco de maracujá para você, e depois a gente vai dormir, sim?
— Tá, mas nem morta eu volto pro meu quarto.
— Tudo bem, você pode dormir comigo. — Ela se levanta do sofá e vai até a cozinha. Ouço-a preparar o suco, totalmente calada. — Pega.
Tomo um gole, e percebo que o suco está com um gosto diferente.
— O que você colocou aqui? — Pergunto.
— Um calmante. Você está mais pálida do que o usual, e está muito trêmula. — Ela me ajuda a levantar. — Anda, vamos para o quarto.
Ela me leva até sua cama. Deito-me, e ela troca de roupa. Esforço-me muito para parecer interessada na conversa dela sobre o trânsito do apartamento de Jack até aqui, apesar de saber que isso pode me distrair um pouco.
— Como foi seu encontro?
— Ótimo. — Ela sorri. — Ele é muito bom.
Vejo que minha amiga está muito feliz.
— Ele é legal, mesmo. Só acho que ele se submete demais ao nosso chefe, mas fora isso, ele é muito decidido. — Concordo.
Para minha surpresa, ela solta um risinho.
— Eu estou falando que ele é bom de cama, Jessica! — Ela ri do meu comentário bobo. — E não da vida trabalhista dele!
— Ah, tá... — Fico vermelha.
— Pelo menos 16 centímetros. — Ela fala tão naturalmente.
Ela começa a rir escandalosamente, e é bem provável que seja pela cara que estou fazendo agora. Que vergonha!
— Por que você falou isso? Agora eu não vou conseguir olhar pra ele sem lembrar disso! — Grito, jogando um travesseiro nela.
— E o Hector? — Ela pergunta. — Claro, se você não quer responder, tudo bem.
Acho que o remédio começou a fazer efeito, pois me sinto um pouco menos desinibida.
— Bem... Acho que uns 17? Ou 16. Ou 18. — Cubro minhas bochechas rosadas. — Sabe, eu nunca medi outros pênis na minha vida para ter algum parâmetro.
— 18! — Ela grita. — Ai, Deus, ele é um canalha, mas é bem dotado!
Ela continua falando, mas eu durmo antes que ela termine a frase seguinte.
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