Jessica Chloe - Vitoriosa
13 Fatalidades
Notas iniciais
Estou me arrumando para sair com Gwen e Hector. Estou feliz por, dessa vez, ter certeza de que não vou ficar com as pernas paralisadas. Encaro-me no espelho e me sinto mais confiante, mais alegre. Não sinto mais tanta vergonha em sair na rua. Claro, ainda tenho que me acostumar com minha careca, além da minha perda de peso que está se tornando bem mais visivel, mas ainda assim me sinto bem. Eu... finalmente acho que recuperei minha autoestima. Mas provavelmente eu nunca tive uma autoestima alta.
Visto uma roupa bonita. Uma que valorize meu corpo. Talvez esse corpete isso atraia a atenção para a minha cintura ao invés da minha cabeça. Ponho uma blusa colada por cima e me sinto uma modelo, apesar de não ter altura. Tá, eu posso estar exagerando nessa coisa de modelo, mas como eu já disse, estou com a autoestima elevada.
Olho para meu lado e vejo Lilian olhando para mim, parecendo um pouco preocupada.
— O que foi, Lil? — Pergunto, me aproximando dela.
Ela morde o próprio lábio, como se não quisesse me dizer o que estava passando em sua mente.
— Eu não sei, Sica. — Ela encolhe os ombros e olha para os lados. — Eu acho que você não deveria ir.
— Por que não, Lilian? — Sorrio e a abraço. — Não vai acontecer nada, o doutor mesmo disse que minha saúde está estável o suficiente...
— Mas Jessica... — Ela se abraça, como se estivesse com frio. — Estou com um péssimo pressentimento. E se você passar mal?
— Não vai acontecer nada. — Repito. Olho para ela, que esboça um pequeno sorriso. — Fique tranquila, irmã. Não vou estar sozinha, se algo acontecer, estarei segura.
Ela me abraça e beija minha bochecha. Ela sai e vai para seu quarto, enquanto eu volto a me arrumar. Ponho um pouco de maquiagem — devia ter pedido para Lil me ajudar — e desço, ao encontro de minha mãe.
— Mãe, acho que devia falar com a Lilian. – Falo, tomando o maior cuidado para que minha irmã não escute. – Ela está se preocupando exageradamente.
— Filha... Eu concordo com ela. Acho que você não devia ir. — Ela fala um pouco triste. – Estou preocupada...
— Mãe! — Exclamo, e ela encolhe os ombros. — Desculpe, mas acho que vocês estão preocupadas por nada. O cinema é logo ali. Já fui para lugares mais longes que esse, e vocês não falaram nada. Alem do mais, vou com mais três pessoas. Nada vai acontecer comigo.
— E Hector pelo menos sabe como chegar no hospital, caso aconteça algo? — Ela pergunta, realmente estressada. – Prefiro que você vá direto para o hospital do que vir aqui em casa, caso aconteça algo de ruim...
— Depois de ir tantas vezes lá, tenho certeza de que ele sabe. — Falo, e ela se acalma um pouco, mas nada que deixe de parecer uma cara de preocupada.
Ela se senta no sofá e esfrega o rosto com as mãos, como se quisesse afastar pensamentos ruins. Sento-me ao lado dela e acaricio seu braço.
— Eu sei que não tem explicação o que eu estou sentindo, mas... intuição de mãe, Jessica. Deveria confiar em mim.
— E você deveria confiar em mim, também. Lembra de quando você me comprou um spray de pimenta, quando fiz quatorze? Eu o levo para todo lugar. — Falo, pegando a latinha da minha bolsa. — E quando você me matriculou em caratê, quando fiz doze? Eu ainda me lembro de todos os golpes, mesmo tendo parado de fazer as aulas. — Ela abaixa os olhos. — Mamãe... Você me preparou para o mundo. E se algo acontecer comigo, meus amigos estarão lá. Hector estará lá.
— Eu sei, meu anjo... Mas preocupação nunca é demais. — Ela me abraça e beija minha bochecha.
Continuo sentada no sofá da sala e ela se levanta para procurar algo para comer. Fico olhando para relógio: Já são quase seis e quarenta. Deus, como eu fico ansiosa... adoraria não ser daquelas pessoas que ficam "Ah, meu Deus, será que ele vem?". Infelizmente eu sou desse jeito.
A campainha toca. Ah, como eu adoro esse som! Atendo a porta e Hector está parado, olhando para mim.
— Acho que você não deveria sair assim, tão bonita. — Ele me abraça. — Assim eu vou ter que fazer uma escolta ao seu redor. Para te proteger dos olhares dos outros.
— Como se alguém fosse olhar para uma careca como eu. — Falo, mas só para provocá-lo. – Sem meu cabelo, me sinto uma criatura esquisita.
— Nunca fale que é esquisita. — Ele me repreende. — Você não entende que você é bonita com ou sem cabelo?
— Não. — Brinco. — Será que você poderia me dizer, para eu entender?
Ele deixa um risinho escapar. Eu só queria ouvir ele dizer.
— Você é linda. Maravilhosa. — Ele fala, sorrindo. Depois se aproxima de mim, encostando seus lábios no meu ouvido. — E gostosa, também. Com todo o respeito, claro. — Ele sussurra, me deixando mais vermelha que um pimentão.
— Você é um bobo. — Sorrio e o beijo. Ele me puxa para mais perto, e ponho minhas mãos ao redor do seu pescoço. Ouço uma buzina.
— Ei, vão demorar mais? Daqui a pouco você vai engolir a cabeça dela, Hector! — Escuto Gwen gritar do carro. Gwen!
— Gwen! — Grito, e ela desce do carro com seu namorado.
Ela corre em minha direção.
— Ai, Sica! — Ela me abraça. — Desculpa eu estar sumida, sem ligar nem nada. É que eu ando muito ocupada... Arranjei um emprego.
— Sério? Nossa, isso é maravilhoso! — Exclamo, realmente feliz por ela. — Onde você está trabalhando?
— Na loja de perfumes da amiga da minha mãe. É bem legal, sabe? Ela sempre fala que eu tenho jeito de vendedora, que consigo convencer a cliente a levar o mais caro, sempre. — Ela sorri e sorrio também. — Já ganhei uma boa grana. Sabe como é, juntando para a faculdade...
— Sei. Acho que devo começar a procurar um também. — Falo, e ela me apresenta seu namorado.
— Esse é o Thomas. Thomas, essa é a minha amiga, Jessica. Ou Sica, o apelido dela.
— Oi. — Ele aperta minha mão. — Como vai?
— Bem. É um prazer conhecê-lo. — Sorrio. Entro de novo em casa e aviso para mamãe que já estamos indo. Ela beija minha testa e, ainda com a cara preocupada, se despede de mim.
— Vá com Deus, meu amorzinho. — Ela fala, ajeitando meu lenço. — E cuide-se.
— Vou sim, mamãe. Estarei de volta às nove, combinado?
— Combinado. — Ela sorri e me deixa ir embora.
Saio de casa, trancando a porta com a minha chave. Eles já estão dentro do carro quando entro nele.
— Ué, o Hector não vai dirigir? — Pergunto. – Pensei que você detestasse dirigir.
— E como detesto! – Ela ri. – Ele ia, mas pediu para que eu dirigisse, pois ele queria ficar mais perto de você. Mas não se preocupe, vou tomar cuidado para não bater em nada. — Gwen sorri, e dá a partida no carro.
— É melhor mesmo não bater em nada, você ainda me deve o dinheiro do concerto da embreagem. — Ele ri, mas logo se volta para mim. — Não queria ficar comigo? — Hector sussurra no meu ouvido, segurando minha mão.
— Claro que quero. Era só curiosidade. — Falo, dando um selinho nele. — Eu gosto de você aqui, perto de mim.
— Eu também gosto de ficar ao seu lado. Muito. — Ele beija meu pescoço e põe sua mão no meu joelho. Lentamente ele a desliza para minha coxa... Ai, Deus...
— Ei, ei, ei! — Gwen nos olha pelo retrovisor interno e fala, rindo. — Esse carro não é motel, não!
Fico vermelhíssima, mais uma vez. Thomas sorri e Hector também fica vermelho. Oh, como é fofo ver ele vermelhinho! Beijo sua bochecha e ele volta ao normal. Continuamos nosso caminho e logo chegamos no cinema. Descemos do carro e seguimos para comprar nossos ingressos. Felizmente não tinha fila, então foi bem rápido. Não prestei atenção no nome do filme, mas era uma comédia romântica. Não faz muito meu estilo, mas consigo aguentar. Andamos até a fila de entrada da sala do cinema e ficamos lá por um tempo.
Olho para os lados e vejo algumas pessoas olhando para nós, ou mais precisamente para mim. Eu decido não ligar. Foda-se o que elas vão pensar, o que importa é o que eu penso, o que meus amigos pensam. Hector passa seu braço por minha cintura, trazendo-me para mais perto dele. Sei que ele notou os olhares também, e acho que ele está tentando me mostrar que ele não vai deixar ninguém nem pensar algo de mim.
Eu sorrio para ele e o convido para um abraço. De repente vejo Tiffany, agarrada com um moreno alto, em outra fila. Ela olha para nós, dá um pequeno sorriso e nos dá as costas, voltando a conversar com o garoto. Olho para Hector, que encolhe os ombros. Bem, que bom que ela esteja ajeitando a própria vida.
Entramos na sala do cinema. Sentamos em umas cadeiras separadas, porque vendem com os lugares marcados. Então, Gwen e Thomas vão para bem longe de nós, e ficamos bem no centro da sala. Sentamos e ficamos comendo um pouco da nossa pipoca. Ele fica olhando para mim, com um sorriso bobo.
— Até que enfim conseguimos sair. — Ele fala, com a boca cheia. Ele engole e continua. — Antes tarde do que nunca.
— Com certeza. — Sorrio, e ele beija minha testa. Eu adoro quando ele faz isso... é tão bonitinho, como se ele quisesse me proteger...
— Quero te fazer uma pergunta. — Ele fica sério. — Você está feliz comigo?
Franzo o cenho com a questão dele. Pensei que não tinha como eu ser mais óbvia em relação ao que sinto.
— Que tipo de pergunta é essa? — Falo.
— Você não me respondeu.
Suspiro, segurando a mão dele com força.
— Mais feliz do que nunca fui, Hector. — Falo, e ele abre um sorriso. — Não entendi por que você perguntou isso.
Ele olha para mim e, apesar da sala estar um pouco escura, posso ver um brilho em seus olhos.
— Não sei. — Ele fala, me parecendo sincero. — Acho que de vez em quando eu fico, sei lá... inseguro.
— Por quê? — Fico com dúvida. — Você, desse jeito, tão bonito e charmoso... inseguro?
— Eu sei, mas... É que você é tão melhor que eu que penso que você pode me largar a qualquer momento. — Ele fala, me deixando com raiva.
Como ele podia pensar algo assim de mim? Será que ele não percebe o quanto ele é importante para mim? O quanto ele me ajudou, junto com minha família e amigos? Ele fica encarando minha expressão de confusão, e depois continua:
— Eu sou meio idiota às vezes. Nunca gostei de estudar muito, costumo andar com gente que não quer saber de nenhuma responsabilidade... Você com certeza merece alguém melhor que nesses quesitos.
— Deixa de ser bocó, Hector! — Bato em seu ombro. — Como você pode ser tão idiota ao ponto de pensar isso? JAMAIS, eu repito, J-A-M-A-I-S eu seria capaz de te deixar. Você me ajudou muito. Você me faz alegre no pior momento da minha vida...
Sinto as lágrimas nos meus olhos quererem descer, mas antes que elas o fizessem, Hector passa as costas da sua mão no meu rosto.
— Não chora. Me desculpa por falar essas coisas... Eu entendi. — Ele fala e me beija, fazendo-me flutuar. Como ele consegue isso? – Esquece o que eu falei, certo? Hoje nós vamos nos divertir.
Ficamos abraçados até o filme começar. Depois eu nem prestei atenção, só ficava olhando para ele, deitando minha cabeça no seu ombro e roubando alguns beijos dele... logo o filme acaba, e não sei nem os nomes dos personagens principais. Espero que Gwen não me pergunte o que achei da história. Saímos e logo nos encontramos com Gwen e Thomas. Ficamos conversando por um tempo, até que algo me chama a atenção...
Um homem, com aqueles casacos de capuz. Ele levanta-o e e cobre praticamente seu rosto todo. Ele mexe em seu cinto, algo um pouco estranho... Meu Deus, não..
— PRO CHÃO, PRO CHÃO! ISSO É UM ASSALTO!
Não. Não é isso que está acontecendo. Olho para os lados e vejo muitas pessoas obedecerem, mas a maioria corre para as saídas. Somos praticamente empurrados para fora, e não consigo mais pensar em nada.
Um disparo. Dois disparos. Três disparos. Quatro, cinco, seis, sete, oito... não consigo mais contar. Não consigo pensar em nada. Não consigo mais escutar se houve outros tiros, por causa dos gritos das pessoas. Procuro Hector. Ele ainda está ao meu lado, e vejo que seu braço está sangrando. Meu Deus... Ele olha para mim, atônito.
Caio no chão, e percebo que minha perna está sangrando. Não sinto dor, talvez por causa da adrenalina. Hector me puxa para cima e solta um grito de dor, mas ainda assim me ajuda a sair de lá. Ele me olha preocupado. Muitos correm para seus carros, mas ficamos lá, escondidos atrás do balcão da bilheteria. Hector fica estancando meu ferimento com um pedaço da manga da blusa dele que ele havia arrancado. Minha boca começa a abrir e um grito terrível tenta sair da minha garganta, mas Hector tapa minha boca com sua mão mais limpa.
— Não grita! — Ele está nervoso. Assim que me acalmo mais, tomo consciência do gosto do meu próprio sangue em meus lábios. — Você está bem?
Era óbvio o ferimento logo abaixo do meu joelho. Mais alguns centímetros para a esquerda e meu osso estaria estilhaçado. A pergunta dele era sobre minha mente. Assinto em silêncio, mas volto-me para o braço dele, que mesmo em menor quantidade, ainda sangrava.
— Tivemos sorte. – Ele fala, suas mãos estão tremendo do que acho ser medo. Ele amarra o pedaço de pano na minha perna e finalmente presta atenção em seu braço ensanguentado. – Fomos atingidos somente de raspão.
Os barulhos de tiro pararam por um tempo, e vejo que Hector está de certa forma mais aliviado. Eu então entendo a proporção de tudo o que está acontecendo.
— Hector... Eu não posso me ferir. Nem um simples corte. — Falo, e ele arregala os olhos. Que merda de quimioterapia!
— Não se preocupe. – Ele aperta minha mão. – Vamos sair dessa.
Escutamos várias sirenes, e quando finalmente tivemos coragem de levantar nossas cabeças acima do nível da bancada, percebemos que várias ambulâncias chegaram, juntamente com algumas viaturas. Os policiais descem e cercam o local, deixando somente alguns paramédicos passarem, protegidos por uma escolta. Alguns dos paramédicos começam a vir na nossa direção e pegam Hector.
— Não! — Ele grita. — Levem-na. Ela faz quimioterapia e precisa de mais cuidados que eu agora.
— Eu não estou me sentindo bem... — Falo, quase desmaiando.
Eles me levam para a ambulância, e a última coisa que vejo antes de desmaiar é Hector sendo levado por outros paramédicos.
—------------------------------------------------------------------------------------
— Ai, Deus... — Acordo, levando minha mão à cabeça. Olho para os lados, e percebo que estou em um hospital. Não aquele onde faço quimioterapia, mas outro, provavelmente no centro da cidade. Um médico loiro de olhos verdes entra no meu quarto.
— Bom dia. — Ele fala. Que ironia, não? — A senhorita é Jessica Chloe Andersen, correto?
— Sou eu. — Falo, e ele anota em uma prancheta. – Como você sabe?
— Encontramos seu documento. – Ele se aproxima e checa as máquinas que me monitoram. – Quando um responsável seu chegar, entregaremos sua identidade. Qual é seu endereço? Nome dos pais? — Ele continua perguntando.
— Rua Belaware, 231. Naomi Stuart e William Andersen. – Digo, mas sinto como se não fosse o suficiente. – Tenho uma irmã. O nome dela é Lilian.
— Sim... – Ele anota tudo. – Telefone fixo?
— 555-2984. — Falo, e Hector vem em minha mente. — Meu namorado! O que aconteceu com ele? Ele está nesse hospital? Ele também está ferido. Onde ele está?
Ele fica em silêncio.
— ONDE ELE ESTÁ?
— Acalme-se, senhorita Andersen. – Ele me pede. – Ele provavelmente está nesse hospital, mas não tenho conhecimento. Você precisa manter a calma.
— MAS EU PRECISO VÊ-LO! — Grito. — VOCÊ NÃO ENTENDE?
— Enfermeira! — Ele exclama e uma senhora entra, me aplicando alguma coisa nas minhas veias.
— SUA LOUCA! EU SOU QUIMIOTERÁPICA! — Grito mais uma vez, mas ela sai sem falar nada. — NÃO PODE SAIR APLICANDO REMÉDIOS ASSIM!
— Isso é um calmante, srta. Andersen. — Quando ele fala, sinto uma leve tontura, uma sonolência... — Você vai dormir por um temp-
Não escuto o resto da frase.
—------------------------------------------------------------------------------------
— Jessica? Ai, meu Deus, eu disse para ficar em casa! — Escuto uma voz chorosa. Minha mãe.
Ela se aproxima de mim assim que percebe que estou acordada e me abraça com cautela.
— Mamãe... Desculpa. – Tento segurar meu choro. – Devia ter ficado em casa.
— Não, filha. Nada disso é culpa sua. — Ela fala, alisando meu rosto. – Temos que dar graças à Deus por você estar boa, por nada ter he acontecido... Só um pequeno machucado, mas nada que minha guerreira não consiga ultrapassar.
Sorrio para ela, mas meu namorado ainda está em minha mente.
— Mamãe, onde está o Hector? — Falo, e ela enxuga algumas lágrimas.
— Ele está bem aqui, na sala ao lado. Ele se recupera bem, e sempre pergunta por você. — Ela fala, e me sinto um pouco aliviada.
Mas uma nova dúvida vem em minha mente: Gwen. Quando entramos na sala do cinema, eu e Hector nos separamos dela e de Thomas, e não nos vimos desde então.
— E Gwen, mamãe? — Pergunto. — Ela também está aqui?
Ela fica em silêncio. Olha para o doutor, e num piscar de olhos desaba no choro. Não, mamãe. Me explique isso.
— Mamãe... Cadê a Gwen?
Ela não consegue falar. Olho para o doutor, que se aproxima de mim.
— Sua amiga... Ela sofreu quatro perfurações. Todas na região do tórax.
Fico imóvel. Ele só pode estar de brincadeira, não é? Ela não levou tiro algum. Ela está bem, em uma cama de hospital. Não está?
— Mas ela passa bem, não é, doutor? — Pergunto. — Vocês fizeram alguma cirurgia, e ela está bem, não está?
Ele fica calado, respira fundo e olha para mim, com lágrimas nos olhos. Sinto um novo terror percorrer em minhas veias, e sei que este é bem pior.
— Duas das perfurações atingiram o coração, srta. Andersen. — Ele fala e faz uma pausa. — Sinto muito, mas a sua amiga faleceu a caminho do hospital.
Fale com o autor