Notas iniciais
Desculpem a demora, mas eu já falei que minha internet está uma droga, né? Tenho que vir na casa da minha tia, que não é muito perto da minha, para poder atualizar. Desculpa qualquer coisa! Ah, e eu sinto falta de leitores novos! Será que vocês, minhas leitoras assíduas, poderiam divulgar minha fic para os leitores de vocês? ;)

Descendo a escada acoplada ao avião, começo a perceber que Nova Iorque não é tão diferente assim como eu imaginava que seria de Seattle. É só uma cidade normal, só que bem maior que as outras e com um ar diferente... Como se ela me atraísse ainda mais. Missi fica olhando pra mim enquanto descemos.

— E aí, Sica? – Ela sorri para mim. Missi parecia mais animada que eu, de certa forma. – Como é estar em um novo ambiente?

— Até agora está tão frio quanto em Seattle. — Falo, pegando um gorro que eu trazia na minha bagagem de mão. — Onde você mora? Quer dizer, onde fica o apartamento?

— Manhattan. — Ela fala em uma naturalidade incrível.

— Manhattan? – Repito, deixando meu espanto aparecer. – Só no condado mais chique daqui?

— É. — Ela responde, com um sorriso sarcástico. — Mas não se preocupe, se você quiser nós temos um pequeno apartamento no Brooklyn.

— Não! Entre o Brooklyn e Manhattan, fico com a segunda opção. Não que eu não queira conhecer o Brooklyn. – Dou um suspiro. – Quero conhecer todos os bairros!

Ela ri da minha cara de nervosismo. Sabe, essa com certeza vai ser minha única oportunidade de morar em um lugar tão chique. O Brooklyn não é, digamos assim, tão "privilegiado". Longe de mim ser preconceituosa!

É incrível o fato de que conseguimos achar um táxi em menos de uma hora. Ela fala o endereço, Quinta Avenida. Meu Deus... Nós vamos morar lá? É um lugar incrivelmente chique. O taxista me lembra muito alguém...

— Me desculpe, mas de onde o senhor é? – Pergunto suavemente. – É que suas feições são diferentes, e seu sotaque também...

— Eu vim de Cairo, no Egito. — Ele fala. — Por quê?

— Por nada. Eu conheço uma garota lá em Seattle que ela também é de lá. Eu achei vocês com feições parecidas.

Ele olha pra mim pelo retrovisor do carro. Seus olhos pareciam curiosos.

— Por acaso... por acaso o nome dela é Jasmine?

— É. — Respondo. — O senhor é parente dela?

— Eu sou o pai dela. — Ele fala, para a minha surpresa. — Não a vejo há meses... Trabalho aqui para mandar um pouco de dinheiro para ela e sua mãe. A mãe dela têm muito mais condições de cuidar dela, então ela vive lá.

— Nossa! — É a única coisa que exclamo. – Ah, realmente ela falou que o senhor trabalhava nessa cidade...

— Como ela está? – Ele parecia ansioso por conhecer alguém que conviveu com sua filha por mais tempo.

— Bem, até a última vez que a vi. – Respondo. – Ela tirava notas bem altas na escola que estudávamos.

— Isso é bom. Muito bom mesmo. — É tudo que ele fala.

Assim que chegamos na Ilha de Manhattan, avistamos o enorme prédio em que vamos morar. Pagamos o homem e descemos até o saguão. É um prédio enorme, cheio de gente chique. Missi vai até o balcão. Eu a acompanho.

— Boa tarde, meu nome é Melissa Scott Harvey. Meus pais, Christine e Hank Harvey, é dona do apartamento 327. Ela comunicou minha chegada, certo?

— Sim, senhorita Harvey. Estamos felizes por poder atender a herdeira da Harvey-Hudson. – A atendente simpática diz. Ela parecia surpresa, e pela maneira que ela tratou Missi, acho que ela está surpresa em ver a filha de empresários tão importantes. – Tudo está preparado para acomodar a senhorita e sua acompanhante.

— Obrigada. — Ela fala, depois se dirigindo para mim. — Vamos?

Um homem que devia trabalhar no prédio pega nossas malas, levando-as para o elevador dos funcionários. Missi e eu vamos para o elevador dos moradores. Ela digita o nosso andar e rapidamente chegamos em nosso apartamento. Depois de alguns segundos o homem chega.

— Tudo aqui, senhorita Harvey. — Ele nos entrega as malas. — E senhorita...

— Andersen. Jessica Andersen.

Ele sorri e Missi lhe paga quinze pratas. Eu achei pouco, após analisar o peso de cada mala que ele trouxe, mas pela cara que fez... Parecia que não ganhava tantas gorjetas assim. Ele entrega um cartão, que provavelmente é a nossa chave, e vai embora.

— Pronta?

— Sim. — Respondo.

Ela passa o cartão na porta e ela destrava. Empurro-a gentilmente. Quando ela abre, vejo o quão é incrível minha nova casa.

A sala têm umas das paredes feita de vidro, com uma visão incrível de Manhattan e o início de Long Island. Vejo o quanto nós estamos perto da praia, o que é algo bom. A sala é enorme, com móveis de luxo e decoração da moda. Ela coloca nossas malas no sofá de couro azul e me leva para conhecer o apartamento.

— Eu nunca morei aqui, mas já passei algum tempinho de férias com minha família. – Missi está muito animada. – Bem, aqui está a cozinha. Espero que saiba cozinhar, por que eu sou um desastre! Ainda bem que a gente mora a poucos passos de um restaurante japonês. Gosta de sushi?

— Sim... — Falo, boquiaberta com a cozinha. Todos os eletrodomésticos cromados, bancadas de mármore e móveis de madeira de lei. Ela continua nosso tour pela casa. Sim, casa, porque aqui é tão grande que esqueço que estamos em um apartamento.

Os quartos são os cômodos por quais estou mais ansiosa, principalmente o que será o meu. Se for tão bonito quanto o resto da casa... Ela me mostra o dela que, obviamente, é o maior da casa. Tem paredes de cores claras, lençóis bege e e branco, decoração na moda e com uma aparência aconchegante. Quero que o meu tenha pelo menos metade do conforto que o dela tem.

— Curiosa? — Ela me pregunta, com a mão na maçaneta da porta do meu quarto.

— Com certeza! — Exclamo, e ela sorri. Ela lentamente abre a porta, e meu Deus...

Um quarto bem maior que o meu em Seattle, e olha que não era pequeno não! Cortinas roxas e paredes azul claro, minhas cores preferidas. Coincidência? Não sei, e também não vou perguntar. Corro para a janela, abro as cortinas e vejo a linda paisagem urbana que tenho só para mim, em contraste com o verde do Central Park, que é praticamente nosso vizinho. Acho que, se tivesse um freezer, meu quarto viraria minha casa sem hesitação.

— Esse bairro é lindo, não? Upper East Side... — Ela suspira. — Sabia que é um dos locais mais caros de se viver em todo os Estados Unidos?

— Não. — Olho para ela. — Seus pais são muito ricos, não é?

— Multimilionários. — Ela fala com um rancor enorme. — Mas não gosto disso. Desde pequena fui criada por empregados, e a única pessoa que me fazia sorrir era o Bob. — Ela fala, lembrando-se do irmãozinho.

— Mel... Eu lembro que foi assim que eu te chamei quando nos conhecemos.

— Por favor, não me chame assim. Eu fiquei tão grata por você começar a me chamar de Missi. Mel me lembra muito meu irmão. Era assim que ele me chamava.

Suspiro. Então era por isso que ela não queria que eu continuasse chamando-a pelo antigo apelido. Seu irmãozinho...

— É uma dor enorme, não é?

— Sim, é inimaginável. — Ela volta a olhar para a janela. olhos cheios d'água. — Você tem sorte de ter se curado. Sua irmã iria sofrer muito.

Lilian... Mamãe e papai! Deus, eu preciso ligar para eles... Pego meu celular e dico o número.

— Jessica? – Mamãe atende num piscar de olhos. – Está tudo bem?

— Sim, acabei de chegar. — Minto. Tudo o que eu não quero é dar preocupações para ela. — Como está aí?

— Sua irmã já está me perguntando quando vamos te visitar. — Ela ri do outro lado da linha. — Eu também estou morrendo de saudades, assim como seu pai.

— Eu estou sentindo saudades também. Mas aqui é tão lindo... Vocês irão adorar!

— Bom, que bom que você chegou bem e que está gostando. Comporte-se. — Ela suspira. — Eu te amo.

— Tá certo, mãezinha. Também te amo.

Desligo. Olho para Missi, que parecia ainda mais triste.

— Queria poder ligar para minha mãe, mas ela já me mandou uma mensagem dizendo que está em reunião. — Ela olha para o celular. — Estou por conta própria, pelo visto.

— Não comigo aqui. Pode contar com a Sica para o que quiser, Missi. — Sorrio e ela me abraça, um abraço tão apertado que chega a doer.

— Por quê nós não vamos para Long Island? — Ela sugere. — Cooper's Beach parece legal, apesar de estar um pouco frio. Quero passear muito!

— Tudo bem, se é o que quer!

Descemos e pegamos um ônibus que nos leva até a principal entrada do metrô. Acho que ela queria sentir como é a vida de um novaiorquino, sei lá. Descemos na entrado do metrô subterrâneo. Pegamos uma linha e sentamos no banco.

Missi é totalmente solta, sem arredios ou medos. Ela é praticamente dona da vida dela, e isso eu admiro, apesar de parecer um pouco triste. Minha amiga precisou se virar sozinha, já que não tinha outro apoio dos pais que não fosse o financeiro... Ela é linda, com seus cabelos longos e escuros, pele branda e ainda mais com as incríveis roupas de marca que ela usa. É, eu estou me sentindo meio apagadinha ao lado dela, apesar de estar vestindo minhas melhores roupas.

Depois de alguns minutos nós chegamos em nosso destino. Apesar de frio, a praia é linda. Alguns casais estão na areia, pais com crianças aproveitando a falta de Sol e pessoas fazendo atividades físicas. É quase como um local de descanso. Vamos até um quiosque e pedimos água de coco. Sorrio para Missi, que parece encantada com a praia.

— Nunca tinha vindo aqui?

— Não. — Ela sorri. — Eu mal saía daquele apartamento. Ei, está me dando uma vontade de pular naquela água.

— Tá maluca? Deve estar a pelo menos uns dez graus! — Brinco. — E além do mais, você não é louca de ir com essa roupa. Vai estragar.

— E daí? Esqueci o biquíni no apartamento. E essa roupa não vai fazer falta. — Ela fala, já correndo para o mar. – Tudo bem se não quiser ir.

Ela me entrega seu celular e sai em direção ao mar, pulando feito uma criança. Sério, as únicas pessoas que estão na água são ela e os surfistas, que usam aquelas roupas especias de frio. Mas ela não... Eu não acredito que ela está de Channel no mar.

Depois que eu a faço desistir de pegar uma pneumonia, uma simpática senhora de cabelos verdes empresta uma toalha para ela. Depois que ela se seca, vamos para o metrô novamente.

— Que tal irmos ao Central Park? — Ela fala, sendo interrompida por um espirro. — Vamos no zoológico. Quero ver se os Pinguins de Madagascar estão realmente lá.

— Sério, Missi? — Olho para ela com dúvida. — Ai, não foi bom você ter ido se banhar lá. Já está tendo alucinações febris! Vamos para casa, tomar um banho quente.

Ela faz bico, mas concorda. Quando chegamos no prédio, ela quase esbarra em um homem, que é muito bonito por sinal.

— Desculpe-a, ela está meio tonta. — Falo por ela. — Mal chegou de viagem e já pegou um resfriado.

Assim que termino de falar, ela solta um espirro.

— Tudo bem. — O moreno de olhos castanhos fala. — Meu nome é Jack. E o de vocês?

— Eu sou Melissa, ou Missi. — Missi retoma os sentidos. Acho que o charme de Jack a fez acordar. — Essa é a minha amiga Jessica.

— Ou Sica. — Falo.

Ele sorri para nós.

— Vocês moram aqui? – Jack parecia curioso. Ele segurou seu bloco de notas com mais firmeza. – Ou estão em temporada?

— Sim. — Respondemos em uníssono. — E você?

— Não, só fazendo uma reportagem para- — Missi espirra. Ele dá um sorriso em consideração. — Para o jornal onde eu trabalho. Estou falando sobre como o custo de vida de Manhattan está se elevando a cada dia.

— Sica, ele trabalha no jornal. Você não uqer trabalhar em jornal, também? — Missi fala, prendendo outro espirro.

— Sim, como fotógrafa. — Olho para Jack. — Mas eu nem comecei a faculdade ainda...

— Mas você pode arranjar um emprego como estagiária. — Ele sorri para mim e pega algo do seu bolso da camisa, agora encharcada d'água por causa do esbarro de Missi. — Toma, esse é o cartão do jornal. Ele é pequeno ainda, mas vai crescer. E é uma ótima maneira de ter algo no currículo.

Sorrio, olhando diretamente para o papelzinho.

— Você pode falar com meu chefe, o senhor Harrison. Ele é meio ranzinza, mas é gente boa. Mas ligue pra lá antes, ele não recebe ninguém sem marcar hora, ainda mais para entrevistas de emprego.

— Nossa, muito obrigada mesmo. — Sorrio. Ele sorri de volta e se despede de nós.

Subimos para nosso apartamento e vamos direto para o banheiro.

— Tira a roupa, que eu preparo a banheira. — Falo, mas ela continua olhando para mim. — Deus, nem na minha irmã eu dei banho, agora eu arranjei uma bebê pra cuidar.

— Obrigada por me oferecer um banho. Eu estou cansada demais para me ensaboar sozinha. — Ela fala calmamente, tirando sua roupa e entrando na banheira. Missi é tão solta que nem se importa de que eu a veja nua, mas eu com certeza fico encabulada. Fico de costas para ela. – Pelo amor de Deus, Sica, se fosse para alguém ficar com vergonha, seria eu. Não precisa ficar vermelha desse jeito.

— Ok! – Volto-me para ela. – Acho que, agora que estou numa cidade tão moderna, tenho que ficar moderninha também.

Ela começa a rir do meu jeito, e logo começa a conversar sobre um monte de coisas.

— Aquele cara foi legal em te dar o cartão do jornal. – Ela diz, enquanto eu pego o sabonete dela. Missi dá outro espirro. – Na maioria das vezes eles são egoístas, por que não querem perder o emprego.

— Mas eu não vou roubar o emprego dele, Missi. Ele é jornalista, eu quero ser fotógrafa. — Falo. — São duas coisas diferentes.

— Uhum. — Ela se deita ainda mais na banheira. — Mesmo assim, foi legal.

De repente, ela começa a rir ainda mais que antes.

— O que foi, maluca? — Falo, sem entender nada. – Começou a ver anões no teto?

— Eu estou um pouco doente, Sica. Não estou drogada. – Ela desconversa, mas quando faço uma cara feia, ela desiste e diz: – Esse Jack era bem bonitinho, hein?

— Ele é bonito mesmo. — Digo, e ela fecha os olhos.

Ficamos num silêncio esquisito. Acho que Missi queria que eu falasse mais alguma coisa.

— Ele é bonito, e...?

— Nada, só que eu achei ele bonito.

Ela subitamente abre os olhos, olhando diretamente para mim.

— Se você encontrar ele de novo, o que vai acontecer, já que irá no emprego dele, você o pegaria?

Minha vermelhidão surgiu de novo em meu rosto.

— Eu nem conheço ele, Melissa. – Solto minha risada nervosa. – Sem falar que eu não estou a fim de me envolver com ninguém. Quero aproveitar meu tempo aqui em Nova Iorque para mim mesma.

Ela continua se ensaboando, como se pensasse em algo. Apoio-me na bancada de mármore e fico me olhando no espelho.

— Mas você ainda não me disse por que estava rindo. – Volto o assunto.

— É que eu acho que ele estava olhando bem interessado para você.

Ela se levanta da banheira e jogo a toalha, que estava nas minhas mãos, em cima dela.

— Qual é o seu problema, hein? Claro, por que qualquer pessoa fica muito gata quando fica segurando uma maluca que não parava de espirrar, e que tinha acabado de esbarrar na dita cuja.

— Ei, cadê o respeito aos mais velhos? — Ela brinca, saindo da banheira. — Tá, eu posso estar exagerando, mas ele realmente ficou olhando pra você. Bastante.

— Eu não percebi isso. – Sou sincera. – Ele parece ser um cara legal, mas sei lá. Eu não estou me preocupando com isso. Não quero sair com ninguém.

— Bom, se essa é sua escolha, tudo bem.

Sorrio, e decido tomar um banho também. Vou na sala e pego minhas malas, levando-as direto para meu quarto. Pego minha toalha e decido tomar uma ducha rápida. Quando saio, visto uma roupa simples, por que não vou sair de casa hoje.

Vou para a sala, onde vejo Missi tomando um remédio.

— Tenho sempre remédio para resfriado. — Ela explica. – Eu fico doente rápido demais.

— Eu já percebi. — Sorrio e me sento ao lado dela, de frente para a enorme janela que dava direto para a Quinta Avenida.

Sorrio, porque sei que hoje é o primeiro passo para minha nova vida.

Notas finais
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