Jennifer Petrovic, entre dois mundos. (HIATUS)
1 Uma noite divertida na estação de metrô.
Notas iniciais

Olhei ao redor da rua que estava completamente deserta, apressei os passos, por mais que eu já tenha percorrido aquele caminho por vários anos, eu sentia medo de passar por aquela rua mal iluminada e com bêbados em algumas esquinas gritando, praguejando ou até mesmo loucos recitando versículos da bíblia e falando que quem pecar vai para o inferno.
Já se passava das 22h00, assim que avistei a entrada do metrô, apressei meus passos, chegando finalmente em um lugar seguro entre aspas, desci as escadas correndo e acabei pisando no meu cadarço e rolei escada abaixo, fiquei com vergonha, pois todas as pessoas iriam rir ou me olhar de um jeito feio, e as bondosas procurariam ajudar, mas tinha um problema: NÃO. POSSUÍA. NINGUÉM. ALI.
Fiquei assustada, mas notei a mulher das passagens, ela parecia dispersa, nem tinha notado minha presença, caminhei até a sua direção para comprar o meu ticket, mas ela me olhou com um olhar morto e um sorriso aberto nos lábios.
– Boa Noite! – Desejei sorrindo e acenando. – Uma passagem, por favor!
Estendi o dinheiro e ela ainda continuou na mesma posição, insistir e fiquei me achando uma retardada por ficar falando com uma mulher que me ignorava friamente com um sorriso no rosto, suspirei e revirei os olhos e escutei a catraca apitar e no visor tinha escrito: Passe.
– Moça, mas eu nem paguei!
Ela continuou a me encarar e eu bufei irritada. AMO SER IGNORADA. Passei pela catraca, e pensei em retirar meu casaco, mas curiosamente estava frio, subi o zíper e me abracei, meus dentes começaram a trincar e praguejei irritada.
Caminhei por alguns metros e a estação estava realmente vazia, mas senti a o chão tremer, oque era estranho, mas poderia ser o meu transporte para casa.
Continuei abraçada e soltei meus longos cabelos pretos, para me aquecer um pouco mais. Comecei a sussurrar várias palavras, já que o medo estava tomando conta de mim.
Para minha sorte enquanto eu morria de frio e sussurrava várias palavras, um rapaz de estatura alta — que me parecia bem familiar -, face jovial, olhos azuis como a tempestade um sorriso misterioso nos lábios e estava usando um terno preto.
– Boa Noite, Jennifer... Jennifer Petrovic! – O rapaz acenou e continuou caminhando em minha direção.
– Oi m-m-moço que sabe o meu nome... – Gaguejei assustada, como diabos esse rapaz sabia o meu nome. –Como é que você sabe o meu nome?
– Tu sabes que dia é hoje? – O rapaz perguntou olhando o relógio.
Certo, um cara desconhecido que me parece bem familiar, aparece assim do nada, vestido de terno preto me pergunta que DIA É HOJE??! Que dia estranho maluco!!!
– Hoje é... – Antes que eu terminasse de falar, escutei meu celular tocar...
“I'm a Barbie Girl in a Barbie World…”
Senti meu tosto corar… QUEM DIABOS COLOCOU ESSE TOQUE NO MEU CELULAR?… “Life in plastic, it's fantastic...” Antes que aquele toque escroto continuasse, atendi o celular sem olhar quem era...
– Alô? – Falei curiosa.
“Oi amor! Esta tudo bem, com você?”
– Joseph? Joseph amor, é você? – Perguntei curiosa, por que ele estava-me ligando a essa hora. – Qual a razão de está me ligando essa hora?
– Desliga! DESLIGA! – Gritou o rapaz e eu fiquei sem reação, ele puxou meu telefone e o jogou nos trilhos.
– VOCÊ, É LOUCO SATANÁS? – Gritei enfurecida.
– Ele não é confiável... – O rapaz avisou se aproximando de mim e olhando ao redor. – E esse toque é horrível.
– OQUE? – Gritei apontando o dedo na cara do garoto. – VOCÊ, TÁ DIZENDO QUE MEU NAMORADO NÃO É CONFIÁVEL? EU, O CONHEÇO, E VOCÊ QUEBROU MEU CELULAR! – Aos meios dos gritos comecei a chorar. – Meu celularzinho e não fui eu que coloquei o toque.
– GAROTA DÁ PRA PARAR COM ISSO? – O garoto retrucou, e a sua voz doce, ficou um pouco grossa e áspera, e me deixou completamente assustada.
Cruzei os braços e o garoto se afastou de mim e ficou olhando ao redor, parecia desconfiado, semicerrou os olhos e ficou olhando para os trilhos.
– 14... Hoje é dia 14...
Ele olhou para mim espantado e sorriu para mim.
– Hoje é 15... Já se passa da meia-noite. Parabéns Jennifer!
MINHA NOSSA SENHORA! MINHA MÃE VAI ME MATAR! Olha que legal, ele sabe a data do meu aniversário.
–Sua mãe quer te matar, mas não vai ser por causa disso... – O garoto falou como se estivesse lendo minha mente. – Ela não é confiável.
–Então todo mundo que eu convivo não é confiável? – Gargalhei falsa. – Meu professor de história também não?
– O de história é a de geografia que não é...
– Você é louco, como é que você me conhe...
Minhas palavras foram cortadas por uma explosão nos trilhos, soltei um grito assustada e o garoto me abraçou como se estivesse-me protegendo.
– Calma, vai ficar tudo bem! – Ele avisou olhando para os trilhos, mas sua expressão estava normal, como se uma explosão nos trilhos fosse normal.
Me soltei do abraço e olhei para os trilhos e vi cincos coisinhas verdes que batiam no meu joelho, com os cabelos vermelhos, olhos esbugalhados, os pés enormes, mãos pequenas, uma boca maior que a cara deles e nas mãos cada um carregava uma espada enorme.
– O que diabos é isso? – Perguntei assustada.
– Uma espécie de diabo menor. – Disse o garoto com um tom baixo, puxando uma espada de algum lugar do seu bolso, ela parecia ser banhada de ouro e eu conseguia ver o meu reflexo nela.
– Pessoas não confiáveis. Garoto estranho familiar que sabe meu nome. Explosão. DIABOS. DIABOS MENORES. – Fiquei atordoada e comecei a me beliscar. – Acorda! Acorda! Acorda!
Comecei a me afastar, andando de costas para a saída e pisei no cadarço novamente e cair, e vi aquela cena de luta, o garoto de terno preto correu em direção dos demônios e decepou a cabeça de um, fique horrorizada com aquela cena, e o pior de tudo a cabeça do diabo começou a desenvolver pernas e correu em minha direção, fiquei mais assustada que estava e o máximo que eu pude fazer foi gritar.
Soltei um grito de horror e me levantei e quando o diabo veio em minha direção e pulou em minha perna que comecei a balançar, assim que levei uma mordida gritei de dor e o chutei, eu sabia que não poderia depender do garoto desconhecido, já que ele estava lutando com quatro diabos, que se regenerava.
Saí pulando que nem um saci e peguei um pedaço de ferro enferrujado que estava no chão alguns metros de distância, e bati no diabo que corria em minha direção.
– MORRE. SATANÁS. QUE JESUS. LEVE. ESSA. ALMA. AO INFERNO. – Gritei pausadamente e a cada palavra eu batia mais forte no diabo, que ficou totalmente esmagado, com uma gosma verde saindo de dentro de si, e como eu sou sortuda, aquela gosma voou em mim, mas eu estava viva.
Olhei para o garoto que me fitava com um olhar divertido e em seguida soltou um sorriso engraçado, mas ao mesmo tempo rígido e formal.
–Jennifer Petrovic, a matadora de demônios! – Falei divertida, mas em seguida caí na real jogando o ferro no chão. –O que aconteceu aqui?
– Jennifer, você corre perigo, precisa ir comigo, quando um anjo completa 16 anos, ele está em apuros.
– Obrigada! – Agradeci o elogio sem graça. – Mas por quê?
– Jennifer, você não está entendendo, você é um anjo de verdade e precisa ir comigo.
– Demônios. Anjos. Você é quem? Deus? – Perguntei sarcástica.
– Não, sou um anjo protetor.
– Anjos não se vestem assim, e não usam esses tipos de coisas... – Revirei os olhos e continuei. – Anjos vestem um vestido branco, tem cabelos loiros encaracolados e tocam harpa na entrada do céu.
O garoto começou a gargalhar, que me deixou completamente sem graça, mas sua gargalhada se desfez e uma expressão de desapontamento se formou em seu rosto.
– Você está pensando que nem uma humana, que feio!
– Eu sou uma...
– Não, você não é! E precisa ir comigo! – Um tom autoritário se formou e me deixou com medo, e quando eu ia assenti, mas escutei umas palmas.
– Parabéns, você agora já sabe o que é! – Voz familiar.
Quando olhei para trás lá estava o Joseph, com roupas que eu nunca imaginaria ele usando, uma calça preta colada, usava apenas uma jaqueta desabotoada, o cabelo loiro estava completamente bagunçado e usava um coturno preto.
– Por que você está vestido desse jeito?
– Jen, eu não sou o filhinho de papai que você pensa... – Ele caminhou em minha direção e senti uma sensação de mal estar. – Quanto tempo, eu tive que fingir ser um idiota filhinho de papai para ficar ao seu lado.
– Que história é essa? – Perguntei confusa e atordoada, e sem aguentar ficar em pé me sentei no chão.
–Acredite ou não, o que esse garoto ai disse... – Percebi um tom enojado nas palavras do Joseph. – É verdade... Não é irmãozinho?
– Cala essa boca, idiota! – Ordenou o garoto.
– Irmão? -Perguntei curiosa.
– Longa história, mas ele fica meio irritadinho, vamos irritar ele depois.
O desconhecido cortou o Joseph com um olhar severo que o fez rir sarcástico, em seguida o garoto se aproximou de mim e me olhou horrorizado.
– Quando isso aconteceu? – Perguntou o garoto apontando para minha perna.
– Um dos diabos... – Tossi e uma vontade de vomitar tomou conta de mim. – Me mordeu, mas eu vou ficar bem.
O moreno me olhou preocupado, mas sorriu como se estivesse dando conforto.
– Jennifer, venha comigo! – Ordenou Joseph com uma voz doce e se aproximou.
– Eu não estou bem... Isso é um sonho... Não tem como...
– Jennifer, você precisa escolher, ou ele ou eu... – Joseph acariciou meu rosto e sorriu.
– Jennifer em todos esses anos, ele só namorou com você para lhe levar ao lado do mal, olhe para ele, era esse o garoto que você namorava? – O rapaz me perguntou me deixando duvidosa, em todos esses anos eu nunca vira o Joseph assim, ele estava arrogante e com roupas que não são do seu costume.
– Vai me trocar Jen? Vai-me trocar por um desconhecido? – Meu namorado me olhou com uma cara de cachorro pidão e colocou sua outra mão em meu rosto.
– Jennifer, eu te disse ele não é confiável...
Antes que eu dissesse algo Joseph me puxou para um beijo longo e demorado, enquanto eu acariciava seus cabelos, ele fazia com que eu me envolvesse mais ainda em seu beijo.
Assim que me afastei, notei que o anjo estava desconfortável e coçava a nuca.
“Escolha aquele que lhe protegeu... Escolha o protetor, você estará em boas mãos!” Fiquei confusa com a voz doce da mulher que cercou meus pensamentos e mesmo o Joseph sendo meu namorado, naquele momento ele não era o meu namorado e sim um garoto qualquer, PORÉM a dúvida tomou conta de mim, o meu namorado me beijou e eu não sabia ao certo em quem confiar, de um lado estava um garoto que acabei de conhecer e do outro um garoto que era... é... meu namorado... Suspirei e fiquei totalmente confusa, minha cabeça queria explodir de todas as maneiras possíveis.
–Rápido... -Falou Joseph apressado puxando minha mão num solavanco. -Temos que ir.
Antes que eu me levantasse e acompanhasse o Joseph, com um movimento brusco retirei a minha mão da sua e comecei a chorar por causa da dúvida que me consumia loucamente.
–Esperarei o tempo que for... -Resmungou o desconhecido olhando para o meu namorado com um tom de deboche. -Mas faça a escolha certa. -O garoto sentou-se ao meu lado e acariciou meus cabelos.
Quando hesitei em falar algo, vi o Joseph cerrar os punhos e rapidamente tentou um soco bem no meio da cara do anjo, mas o anjo foi rápido e Joseph atingiu o ombro.
–PARE JOSEPH! -Ordenei no meio das lágrimas.
–Quer saber de uma coisa? Perdi a paciência... -O garoto veio em minha direção com um olhar de fúria e segurou minha mão com uma força impressionante e me arrastou.
–PARA! -Berrei assustada.
O anjo correu na direção de Joseph e o empurrou, mas nem pensou em revidar o soco.
–Deixe a garota tomar sua própria decisão. -Ele me encarou bastante severo e cruzou os braços. -Acho que ela já possui sua decisão depois de tudo que aconteceu aqui.
Joseph bufou e largou meu braço fazendo com que eu caísse no chão.
Não... Eu não queria acreditar, esse não era o meu namorado, comecei a chorar, e o encarei aflita e com medo. Ele me olhou carinhoso e se aproximou e quando hesitou em falar algo, eu já estava com a minha decisão formada.
– Eu escolho você... – Murmurinhei olhando para o desconhecido.
– Você irá se arrepender... – Rosnou Joseph, me empurrando violentamente para trás e levantou irritado. – Jennifer Petrovic, seus dias não serão mais os mesmos.
Joseph saiu correndo e pulou no buraco em que os demônios tinham saído e logo em seguida o buraco foi junto se fechando rapidamente.
– Precisamos ir! – O garoto me ajudou a se levantar, e me segurou no colo.
– Espero ter feito à escolha certa... – Sussurrei e os meus olhos foram se fechando por completo.
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