Jennifer Petrovic, entre dois mundos. (HIATUS)
3 Aprendendo um pouco sobre anjos!
Notas iniciais
Acordei ofegante e num movimento bruto me sentei na cama, estava tudo escuro, levei as mãos à cabeça e tentei me lembrar do que tinha acontecido e tudo veio à tona: Sala dos Anjos Maiores. Chamas. Dor. E novamente um desmaio.
–Só sabe fazer isso? –Perguntei a mim mesma em voz alta. –Desmaiar?
–Acho que sim... –Escutei uma voz masculina que vinha do meu lado.
Fiquei assustada, mas lembrei de que a voz era do Nataniel.
“Família de demônios” foi às palavras que vieram em minha mente.
–Como assim? –Perguntei suspirei e continuei. –Como assim “Família de Demônios”?
–Quando eu disse que você não deveria confiar na sua mãe e que ela queria lhe matar, é por que ela, seus irmãos e seu pai não são humanos, são na verdade demônios e como eles não podiam lhe matar antes de completar dezesseis anos, eles esperaram, mas graças a mim... –O garoto limpou a garganta e continuou. –Você está salva.
–Então eu nunca tive nada? –Senti um nó na minha garganta se formar. –Nunca tive uma família? Nunca tive um namorado? Eles apenas queriam minha morte... Fui cercada por demônios a minha vida toda.
Funguei e fiz de tudo para não chorar, não poderia chorar por coisas que nunca tive nessa vida.
–Você sempre teve uma família, nós! Nós somos sua família, esse tempo todo nós a protegemos e a guiamos.
Eu suspirei e fiquei abraçada ao meu corpo, não escutei nada além da minha respiração e do Nataniel.
–Jennifer uma coisa que está incomodando a todos é como você conseguiu ter o poder do amor, é impossível...
–Pela anja do amor? –Perguntei irônica.
–Sim, mas a questão é que ela está morta há 17 anos e você tem 16. –Explicou com a voz rígida.
Fiquei curiosa, era impossível, se ela está morta como existe o amor e como existe eu aqui?
–Depois que ela morreu, os seus poderes passou a cercar o mundo, antes era necessário dela para as pessoas amarem, assim que as pessoas nasciam já possuíam o amor dentro de si por causa dela, mas ela tinha o poder de fazer com que as pessoas se apaixonassem de verdade por alguém, o amor verdadeiro, e depois da sua morte isso acabou, restando apenas a sedução e amor que acaba rápido espalhado pelo mundo, e seus pouquíssimos filhos foram mortos brutalmente pelos demônios quando iam se divertir na terra. –O garoto suspirou limpou a garganta e continuou. –E depois disso os anjos do amor deixaram de existir, até hoje, e a pergunta é... Como você é filha de alguém que está morta?
Ai meu Deus que confusão, era muita informação pra minha cabeça, fiquei processando tudo aquilo só tinha uma razão: Tudo mentira, nunca fui filha de uma anja.
–Então não sou um anjo, que fácil... –Falei me jogando para trás e ficando deitada na cama.
Escutei um suspiro alto do garoto e ele acendeu a luz e comecei a piscar e coçar os olhos.
–Avisa da próxima vez, porra. –Reclamei.
Ele ergueu as sobrancelhas e revirou os olhos.
–Desculpa. –Murmurei cobrindo o rosto.
–É impossível você não ser... –Ele puxou o lençol que me cobria e notou que eu estava apenas de roupa intima.
Meu rosto corou imediatamente e ele também e percebi um grande desconforto quando o garoto virou e ficou de costas imediatamente, eu puxei o lençol e me cobri.
–Pode olhar. –Soprei ainda com vergonha.
–Ah... Bem... –Ele coçou a cabeça e respirou fundo. –É impossível você não ser filha da Meredith...
–Meredith? –Indaguei curiosa.
–O nome dela era Meredith.
Parei de encarar o garoto por alguns segundos e parecia que eu já tinha escutado esse nome há pouco tempo.
–Continuando... –O garoto gesticulou as mãos e cruzou os braços continuando o assunto. –Se você não fosse filha dela não possuía os corações que tem no ombro e nem os corações da coxa.
Levantei o lençol e olhei para minha coxa e lá estavam cinco coraçõezinhos.
–E nenhum dos seus filhos possuiu os corações da perna, apenas ela possuía, já você... –Ele colocou a mão no queixo e me encarou atenciosamente como se estivesse tentando ler minha mente. –Como isso é possível?
Eu apenas o encarei e fiquei totalmente sem palavras, mas quando decidi hesitar e falar algo o garoto se levantou e suspirou como se estivesse tentando aliviar a tensão.
–Descanse, vá dormir um pouco, amanhã você terá um dia duro. –Ele avisou caminhando até a porta e sorrindo amigavelmente.
–Irei tentar... –Murmurei me aconchegando no travesseiro.
–Se não conseguir e ficar ansiosa tem um calmante na primeira gaveta. –Ele apoiou a cabeça na porta e ficou sério. –Acho que você vai precisar.
–Nataniel, uma duvida que esta me matando... –Olhei para o garoto e ele fez um aceno com a cabeça para que eu continuasse. –Todos os anjos já foram humanos?
Ele olhou o chão e ficou disperso por alguns minutos, não falei nada, apenas o encarei e ele trouxe de volta seu olhar para mim com um sorriso nos lábios.
–Não, os anjos maiores e os anjos de classe média sempre foram... Foram... Anjos... É meio difícil explicar o nascimento dos primeiros Anjos Maiores, porquê não existe uma explicação certa, mas os anjos de classe média foram criados assim que cada sentimento ou qualquer coisa desse tipo existiu... –O garoto pigarreou e continuou. –Por exemplo, o amor, ele foi o primeiro a existir.
–E também o primeiro a morrer... De todos os jeitos e até mesmo a anja que o possuía. –Sussurrei em um tom de desdém. – Isso serve para os anjos de lá debaixo?
–Sim, bem eles eram do bem, como os Anjos Maiores, mas algo ruim cresceu dentro deles a ganancia e outras coisas e queriam transformar isso aqui em um inferno. –Ele sorriu por causa da palavra dita. –Ambos os sentidos... Os Anjos Maiores do bem lutaram e conseguiram expulsar todos aqueles que queriam transformar isso aqui em algo ruim, quando foram expulsos os Anjos de classe média começaram chamar os Anjos Expulsos de Anjos Caídos, mas lá são nove tronos, diferente daqui que são apenas quatro, mas apenas três tem destaque e os anjos de classe média de lá são anjos que nasceram deles mesmo, aqui anjos que nem você possuem uma parte mortal e outra... Imortal, mas lá no inferno a maioria é feito por eles mesmos, sabe? Eles têm relação sexual com eles próprios...
–Eles são gays? –Ergui as sobrancelhas e fiz uma cara de nojo só de imaginar um diabo sobre o outro.
–Não. –O garoto gargalhou por alguns segundos e voltou a me encarar. –Nem todos os anjos caídos são homens, tem mulheres, quando eles cansam parceiro de relações, vem a terra e você sabe... Mas enfim, anjos que tem o sangue puro são mais fortes.
Apoiei minha cabeça nas mãos e o olhei atentamente pensando nessa fantástica história sobre anjos.
–Se eu sou filha de uma anja daqui... Por que eles me queriam lá?
–Eles fazem isso, às vezes chegam antes que os anjos protetores e os recrutam levando-os para o mau caminho, para que na guerra estejam mais fortes... Literalmente. – O garoto coçou os olhos e bocejou.
–Que guerra? -Indaguei ainda mais curiosa.
–Depois eu te conto, não é necessário que você saiba disso agora. -Se espreguiçou e bocejou mais uma vez.
–Me desculpa você deve está com sono e eu o prendi aqui.
–Sem problemas. –Ele deu de ombros e os cruzou com um sorriso presente no rosto.
–Bem... Nat, vá dormi e tenha uma boa noite de sono e sonhe com os anjos, depois você me conta mais...
–Certo, vá dormi e se não consegue tome um pouco do calmante, amanhã começará o seu treinamento.
Eu assenti e o garoto apagou as luzes e se retirou do quarto.
Assim que Nat se retirou do quarto uma dúvida me veio na mente: Que tipo de anjo ele é? Aquele que é anjo puro ou não puro? E que guerra é essa? Certamente eu lhe perguntaria isso amanhã.
Me remexi na cama e senti o meu estômago revirar, não era uma boa hora para sair e ir atrás de comida, então procurei relaxar, porém meus amigos, família e namorado vieram a tona. Então não poderia ver mais meus amigos? Ficaria aqui para sempre? Senti um nó se formar na garganta e o olhos imediatamente se encheram de lágrimas. Minha família? Então aqueles que eu me apeguei nunca me amaram, apenas queriam me matar? E o Joseph, oh Deus... Anjos Maiores, seja lá oque for me diga que ele estava enfeitiçado, tudo que vivemos foi uma mentira?
Abracei meu travesseiro e queria acordar e que tudo isso fosse mentira, e que meus pais sejam humanos, meu namorado aquele que conhecia sem ser o do metrô... Quero minha vida de volta.
Lágrimas e mais lágrimas saiam dos meus olhos e não pretendiam cessar tão cedo. Fome. Pensamentos tristes. Eu só precisava dormi, peguei o calmante e tomei um pouco.
Fale com o autor