Jeito Gintoki de Juntar Casais Teimosos.
1 One-Shot
Kagura estava sentada no sofá do Yourozuya, seus olhos focavam o samurai de cabelos prateados dormindo com uma Jump cobrindo o rosto. Os olhos dela o focavam, mas ela na verdade não o via, pois sua mente estava longe, desfocada, e a única coisa que ela conseguia se concentrar era na imagem de um certo policial idiota com cabelos cor de areia.
Kagura estava desconectada de seu corpo, ela estava confusa e preocupada. Ainda era inocente e infantil, mas sabia o que era a cultura do amor. Via novelas, lia a Jump de Gintoki antes dele jogá-las fora, observava seus companheiros. O amor fanático de Shinpachi com sua ídola Otsuu-chan, o amor elegante e discreto de Gintoki e Tsukuyo, o amor exagerado de Kondo e Otae, o amor tranquilo de Katsura e Ikematsu e o amor sofrido e sincero de Hijikata e Mitsuba...
"Qual o tipo de amor seria o meu e o do Sádico?"
As bochechas de Kagura ficavam rubras enquanto pensava neles como um casal, um sorriso fino aparecia no rosto dela.
Ela não sabia dizer quando percebeu que o amava, mas simplesmente sabia que era isso: Amor.
Quando ele a xingava e batia nela, sentia um ódio muito grande. Uma veia saltou em sua testa enquanto pensava isso.
Mas quando ele dizia coisas idiotas como "só eu posso bater nessa garota" ou "você feriu o coração desse policial" e quando ele a toca de forma tão leve e cuidadosa quando ela está ferida, a fazia sentir um frio na barriga e o coração bater contra o seu peito.
Colocou a mão na boca tentando suprimir uma risada e ficando ainda mais vermelha. Soltou um suspiro apaixonado e seus lábios formaram as palavras "seu sádico idiota", mas sem soltar nenhum som.
Ela não sabe quantas horas ficou devaniando sobre o seu policial favorito e nem tinha ciência que fazia caretas enquanto pensava em todas essas coisas, menos ainda percebia o brilho vindo do meio das páginas acinzentadas da revista em quadrinhos.
Gintoki de repente se levanta assustando a garota fazendo a mente dela voltar para o Yorozuya, o homem tinha um pequeno sorriso compreensivo no rosto, que Kagura não entendeu.
– Gin-chan, acordou disposto? Isso é raro.
– Oe, vamos dar uma volta.
Kagura estranhou o convite repentino do Shiroyasha.
– Assim de repente? E o Patsuan?
– Sei lá dele. Vem, vamos logo.
Pegou no braço da yato e a puxou já pegando o guarda-chuva da mesma e a levando para um passeio.
Na rua Gintoki andava despreocupado enquanto Kagura apoiava o guarda-chuva no ombro sem entender nada.
– Para onde estamos indo Gin-chan?
– Se eu dissesse esse passeio não teria graça nenhuma.
– É mesmo? Então me diga quando essa tal "graça" vai começar por que ainda não vi nenhuma.
– Pare de ser mal-educada garota!
– Se eu sou mal-educada a culpa é sua!
– Não vem colocar as responsabildades da sua criação em cima de mim não, vai reclamar com aquele velho careca.
Kagura cutuca o nariz com o dedo e logo o limpa no kimono branco de Gintoki.
– A culpa é sua sim.
Gintoki ia brigar com ela, mas ela parou percebendo aonde haviam chegado. Estavam no parque, várias crianças brincavam, mas o elemento que fazia aquele parque especial não estava ali.
– Vem, vamos sentar Kagura.
– Por que me trouxe aqui? — Perguntou sentando em um banco ao lado dele.
Gintoki pensou um pouco e depois de um minuto em silêncio ele solta.
– Você fica muito fofa quando está envergonhada.
Aquilo pegou Kagura de surpresa e não pôde impedir que o sangue corresse por suas bochechas.
Gintoki começa a rir e coloca a mão na cabeça dela fazendo um cafuné.
– Viu! É disso que estou falando.
Kagura ainda envergonhada e um pouco brava por ele estar fazendo ela passar por isso abaixa a cabeça e a encosta no ombro dele. Ela apóia seu corpo ao lado do dele para descansar e ele a abraça pelo ombro deixando-a mais confortável.
Aquele lugar, o barulho, o aroma, tudo a fazia lembrar de Sougo, o que a fazia soltar vários suspiros, que não passavam desapercebidos pelo samurai Prateado.
– Sabe Kagura — Começou ele a apertando mais contra si num gesto de proteção — Os relacionamentos que temos com as pessoas são interessantes...
– Como assim?
– Bem, as vezes para matar a saudade de alguém, só basta um olhar, um sorriso, um gesto. Uma saída para beber, uma volta no parque... Mas para alguns tipos de pessoas, só isso não basta, precisamos da atenção e do afeto delas. E as vezes só nos sentimos satisfeitos com um toque, um afago... Uma demonstração de afeto.
A conversa do homem estava confundido a pequena Yato.
– Mas Gin-chan... Você estava com saudade de mim? Eu fico no Yorozuya com você direto...
Ele solta uma risada baixa.
– Eu não estava com saudades, mas você estava com saudades de alguém não é?
Kagura sente um frio preencher sua barriga, aquele desgraçado era mais perceptivo do que imaginava. O rosto dela começou a esquentar bastante e ela não respondeu. Mas Gintoki não precisava da resposta.
– Isso é normal, não precisa ter vergonha de ter esses sentimentos.
– Você sente essas coisas quando fica muito tempo sem ver a Tsuyuko-San?
Kagura levanta o rosto achando que havia pego no ponto fraco do samurai, mas ele apenas sorri olhando para ela.
– Sim. As vezes me dá uma loucura e saio do nada a qualquer hora só para vê-la.
Kagura fica desconcertada com a resposta.
– E... Ela te dá o afeto que você precisa?
– Eu tenho sorte por ela sentir saudades minhas também. — Ele diz com um grande e feliz sorriso no rosto.
O que deixou Kagura desconfortável, esse era um ponto delicado para ela, não sabia se Sougo também sentia por ela o que ela sentia por ele, ele podia estar apenas brincando com ela e a odiasse de verdade. Essa dúvida esmagava o coração da pequena e fofa Yato.
– Ora, ora. Reunião de família no parque?
A voz lhe atingiu como uma bofetada. Kagura estava em um momento frágil e íntimo com Gintoki, a última pessoa que ela queria que os visse fosse aquele Sádico maldito.
Seu corpo se meche sozinho e quando percebe já está gritando e apontando o guarda-chuva para ele.
– O que isso te interessa seu Sádico maldito?
Ela não conseguia, ela precisava chamar a atenção dele de algum jeito, e o único jeito que conhecia era ameaçando a vida dele.
– Não interessa em nada na verdade — disse ele entediado — Mas é a obrigação de um policial cuidar para que coisas indecentes não aconteçam ao ar livre.
Aquele comentário irritou e magoou a Kagura.
– Só essa mente de retardado pensaria que faríamos algo assim!
– Oe oe — Gintoki chega acalmando os ânimos — Pare de amolar a Kagura Souichirou-kun...
– Sougo desu.
– Eu preciso de um favor seu, venha ao Yorozuya conosco por favor.
Nenhum dos dois entendeu o que Gintoki queria com Sougo, mas eles não discutiram e apenas o seguiram. É claro, com um provocando o outro, se batendo e cuspindo.
Quando chegam no Yorozuya ao invés de subir, Gintoki passa por debaixo da escada e abre uma porta discreta que havia ali embaixo, Kagura nunca havia reparado nela.
– Venham aqui os dois por favor.
Ambos atendem ao chamado curiosos querendo saber o que havia naquele quartinho. Quando se aproximam Gintoki simplesmente os empurram para dentro e tranca aquela porta.
– Agora façam o favor de matar a saudade um do outro.
Gintoki sobe a escada despreocupado ainda escutando os protestos e xingamentos dos dois.
Ambos chutavam aquela porta com força, mas por mais que parecesse velha, aquela porta era bem resistente.
Kagura suspira e se senta em um canto do quarto apertado.
– Oe, China, vai desistir assim?
– Quando o Gintoki quer algo não há nada que o impeça de fazer. O Jeito é sentar e esperar ele ter o bom senso de nos tirar daqui.
– Mas... O que ele quer?
– Nos trancar aqui.
– Por que?
– E eu faço ideia seu ladrão de impostos mau caráter? — ela responde irritada.
Estava muito perto dele, ela queria tocá-lo e abraçá-lo, mas não podia, aquele quarto maldito só fazia suas necessidades aumentarem e aquilo só a deixava mais irritada.
– Poxa, mas que babaca. Eu tenho responsabilidades, o Kondo-san e o Hijibaka vão me matar.
Sougo se senta ao lado de Kagura soltando um suspiro também. O quarto era bem apertado, então eles estavam se tocando.
– Não fale assim dele...
– Defendendo o papai China?
– Cala a boca! Ele não é meu pai!
Sougo se cala. O que Danna era para ela afinal?
Eles ficam o que parecem ser horas em silêncio apenas sentados.
Kagura pensa na conversa que teve com Gintoki e sobre tudo o que ele havia falado para ela.
– Sougo-kun?
Ele surpreendê-se por ouvi-la o chamar pelo nome.
– O que?
– Você... Sente saudades de alguém? Não simples saudades, mas necessidade de estar com essa pessoa... Tocá-la e... Abraçá-la. — A Yato estava morrendo de vergonha, mas se forçava a falar.
A mente de Sougo se voltou imediatamente para sua irmã.
– Sim, eu tenho. Mas nunca conseguirei matar essa saudade.
Kagura sente que entrou em um terreno complicado, mas parecia que agora que estava ali, sem ter para onde fugir, sentia a coragem para continuar.
– Mitsuba-dono?
Sougo se assustou por ela saber. Mas lembrou que Gintoki estivera ao lado deles por todo o processo, era natural que ele tivesse contado para ela.
– Sim.
– Eu sinto muito.
Sougo não responde. Apenas coloca a mão na cabeça da Yato e faz um carinho leve nos cabelos dela, puxando-a para perto de si para continuar a afagá-la.
Era completamente diferente. Aquele carinho que ela recebia agora de Sougo era completamente diferente do carinho que recebera de Gintoki mais cedo. Ela não conseguia explicar, mas era completamente diferente.
– Sougo-kun?
– Hum?
– Você está me tocando... E me abraçando...
Ele havia percebido o que estava fazendo, mas foi automático, quando viu já havia puxado a menina para perto de si e não queria parar. Gostava da sensação dos seus dedos roçando os finos cabelos ruivos. Gostava da sensação de sentir calor do corpo dela sem se preocupar, sem precisar chamar a atenção dela com brigas e xingamentos.
– Você quer que eu pare?
– Não é isso... Mas... — Ela sente o rosto esquentar mais — Você tem saudades de mim?
Ele pensa.
– Não sei bem se é saudade...
– Como assim?
– Eu sinto... — Ele sai da posição que estava e se coloca de frente para a garota — Uma necessidade enorme de você Kagura.
Kagura não entendeu o que ele quis dizer, mas achou que ele estava zoando a sua cara. Ela fica extremamente desconcertada e brava. Então dá um chute no queixo dele.
– Seu Sádico Idiota e babaca!
Ele segura o queixo machucado com as duas mãos.
– Você esta maluca sua descontrolada? — grita ele irritadíssimo.
– Você que é um filho da puta desgraçado!
– E você...!
Ele vai pra cima dela segurando as duas mãos dela contra a parede e prensando o seu corpo contra o dela.
– Você! — Ele ainda estava muito irritado — É uma idiota retardada!
– Me solta seu Sádigo ladrão.
– Vou te soltar se eu quiser sua Chinesa burra!
A cada xingamento eles aproximavam mais seus rostos.
– Quer saber? — disse o sádico — Você é a menina mais desprezível que eu já conheci!
– E você...
Kagura não conseguiu terminar pois Sougo a pegou desprevenida com um beijo. Nem deu tempo dela processar o que estava acontecendo quando sente a língua dele passando por cima da sua provocante.
Ela não resiste ao sentir as mãos dele frouxas sobre seus pulsos e o abraça pelo pescoço, deixando o beijo mais intenso. Eles se beijavam com urgência, paixão, pressa. Como se tivessem esperado por aquilo por muito tempo.
Ele colava mais o seu corpo ao dela, as mãos dele passeavam agora pela cintura dela por baixo da blusa.
O toque da pele dele na sua barriga era como uma descarga elétrica. Parecia que os dedos dele deixavam um rastro de fogo por onde passavam.
Ele interrompe o beijo para descer sua boca ao pescoço da Yato. Ele beija o local e dá uma pequena lambida.
Kagura geme no ouvido dele o deixando excitado. Ele querendo ouvir mais, dá uma mordida leve e começa a chupar o pescoço dela.
Ela solta gemidos fracos e baixos. Para parar de gemer ela dá uma leve mordida na orelha dele. Sougo se arrepia e fica ainda mais excitado.
Ele volta para a boca dela e eles continuam se beijando até cansarem.
–*-
Sougo deita de costas para a parede apoiando em seu colo o corpo da menina que o abraçava pela cintura. Eles estavam cansados, então ela acabou adormecendo em seu colo enquanto ele fazia carinho em sua cabeça. Ela era estonteantemente linda dormindo, podia ficar observando-a pela eternidade sem se cansar por um segundo de olhá-la.
No entanto o sono é traiçoeiro e Sougo nem percebeu quando adormeceu abraçado com sua China.
–*-
Gintoki abre a porta e um sorriso debochado aparece quando vê a cenas dos dois adolescentes abraçados. Ele não perde tempo e tira uma foto deles.
Mas o mais importante foi ver o sorriso sincero e feliz de sua garotinha.
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