Jean & Zant
1 Pactos
Notas iniciais
O entardecer chegava naquela pequena cidade no sul da França e o pintor pegava suas pinturas da barraca e as colocava em sua bicicleta. Estava cansado então se apressou e logo havia terminado de pegar tudo. Montou em sua bicicleta e foi pedalando até chegar a sua humilde casa. Abriu a porta e se deparou com uma carta e seu jornal deixado ali pela manhã. Ele pôs água para ferver e sentou em seu sofá para ver o conteúdo da carta.
“ Caro Zant L´Cleur Dubois.
Informo-lhe que minha cliente Ana Marie Chevalier não esta contente com o valor atual de sua pensão. Será marcado um novo julgamento para discussão do aumento ou não do valor da quantia paga mensalmente.
Atenciosamente
Vincent Fournier”
—Que absurdo! – Gritou em raiva o pintor.
—Ela já ganha uma boa quantia para que quer mais?! –Relutou o pintor com sua voz ecoando em sua pequena casa.
Zant havia sido casado com Ana Marie, mas infelizmente seu relacionamento não deu certo e acabara em divorcio e Ana Marie era dependente do dinheiro de Zant, então ao termino do relacionamento pediu uma pensão para ele. Zant desligou o fogo da água em quanto segurava aconteceu um tremor e a água caiu em seu braço “DROGA” gritou ele.
Depois que a dor diminuiu parou pra pensar o que tinha causado aquele tremor, olhou para fora da janela de sua casa e viu vários aviões e tanques de guerra no centro da cidade matando qualquer coisa que se mexesse. Aquela visão deixou Zant tremulo e como seu único instinto decidiu fugir. Pegou sua bicicleta e saiu pedalando na direção contrária das tropas.
Embora seus esforços fossem bravos, logo eles já estavam perto de Zant ele olhou em volta e viu uma antiga biblioteca abandonada e quebrou a janela e entrou nela, machucando suas mãos e fazendo um ferimento em sua testa no processo. Zant se escondeu entre uma estante e outra. E já previa seu fim quando ouviu uma estranha voz ecoar na biblioteca. “O livro...” O pintor achou que estava ouvindo coisas devido ao seu estado emocional, porém a voz voltou a ecoar “Pegue o livro vermelho... Ele irá o salvar!”.
O pintor sem ter outra opção começou a buscar o livro vermelho de que a voz falava olhou de estante em estante o mais rápido que podia até que o encontrou o colocou no chão e uma estranha brisa entrou pela biblioteca e abriu o livro em uma página especifica. A página falava sobre um portal para uma dimensão governada por demônios e criaturas malignas. Zant achou que estava ficando louco, mas abandonou toda sua sensatez de lado e decidiu abrir o portal.
O livro pedia que um círculo de sangue, com vários símbolos que ele não reconhecia fosse feito no chão. Zant empurrou alguns objetos para abrir espaço e usou o sangue do ferimento de suas mãos e desenhou o circulo exatamente como livro pedia e em seguida recitou as palavras que o livro mandava “Quod malum transcendit crux mundorum daemones et homines. Et polluisti terram in chaos incidunt in hominibus , et aperta ianua , per imperitos manus”.
O sangue se espalhou por dentro do círculo e foi ficando cada vez mais escuro até que o círculo se tornasse totalmente negro e de repente um flash negro ocorreu e quando Zant retornou a olhar o círculo havia se tornado uma escada espiral que ele rapidamente desceu. Logo após descer a entrada se fechou e ele continuava a descer pelas espirais até que se deparou com uma porta cinza com vários rostos parecendo estar em prantos.
Ele abriu a porta e a visão que teve o chocou aquele lugar parecia muito com as imagens que descreviam do inferno vários demônios, seres de sombras e seres que ele não sabia o que era. Coisas pegando fogo, miséria. O desespero era presente naquele lugar. Zant não entendia como aquele lugar poderia o salvar, já que o que acontecia ali era tão pior quanto o que estava acontecendo em sua própria dimensão.
A voz voltou a falar “Siga até o castelo e leve o livro”. “Que castelo?” questionou a si mesmo, até que olhou ao horizonte e observou o castelo e presumiu que duas horas de caminhada devido à distância, porém não ia desistir já que já havia chegado ali. Começou a caminhar em direção ao castelo, aquele lugar era traiçoeiro evitou até olhar os demônios em seus olhos e sempre ficar alerta a caminhada foi exaustiva devido ao calor daquele lugar, mas logo chegou ao castelo.
O castelo era feito de uma rocha incrivelmente negra, obsidiana talvez, e possuía grandes portões que pareciam indestrutíveis que ao se aproximar abriram sozinhos para Zant entrar. Quando entrou viu um enorme salão com uma escada em seu centro que deveria levar a um lugar importante. “Mais escadas...” reclamou enquanto subia. Ao chegar em seu final Zant se deparou com uma mulher demônio de bela aparência sentada em um trono.
—Olá Zant... –Disse a demônio.
—Como sabe meu nome?
—Eu sei de muitas coisas... –Disse dando um sorriso e uma risada em seguida. Trouxe o livro?
—Trouxe sim, porém...
—Porém... O que? –Disse levantando a sobrancelha.
—Eu quero algo em troca passei por muita coisa para simplesmente entregar o livro a você.
—Ah claro, salvar de sua morte não foi suficiente, não? Pois bem irei lhe conceder um desejo em troca do livro.
—Como posso saber que você vai honrar o acordo?
—Acredite meu amor você já estaria morto se eu quisesse. –Disse enquanto ria de forma peculiar.
Naquele ponto Zant já não tinha mais o que fazer iria sair no lucro fazendo o trato com a demônio. E pensou fortemente no que ia querer.
—Já pensou lindo? –Perguntou ela.
—Não me chame de lindo, porém já pensei. Eu quero ser imortal.
—De fato uma sábia escolha. Temos um trato?
A demônio pulou do trono e estendeu sua mão a Zant e o mesmo apertou a mão dela selando o acordo. Zant entregou o livro e logo ela fez um símbolo de magia negra no chão, Zant começou a flutuar e ficou um pouco aflito em relação a tudo aquilo. Vários símbolos apareceram e de repente Zant começou a descer.
—Então... Eu sou imortal?
—É sim! –Disse a demônio não conseguindo parar de rir.
—O que... Do que você está rind...
Zant olhou para seus braços e viu que estavam totalmente negros, olhou para todo o seu corpo e viu que estava totalmente preto e cinza.
—O –o que você fez comigo?!
—Você queria ser imortal? Você é imortal só que você não disse se queria ser imortal como humano! Isso vai ser para você aprender a não abusar de quem salva sua vida.
—Sua megera! Você me paga!
Zant avançou em Landior e a mesma criou uma bola de luz ele tentou agarra-la, porém foi ficando cada vez mais fraco diante da luz e caiu no chão impotente.
—O que você fez? –Disse baixo com certa dificuldade.
—Oh seu bobinho você agora é um ser das sombras a luz te mataria em situações normais, mas como você é imortal agora isso não é possível, uma pena você ter tentado me matar. Achei você bonitinho. Com o livro eu destruirei seu mundo e o mundo dos anjos. Bem até nunca mais!
Ela abriu um portal e jogou o corpo fraco de Zant dentro dele, ao sair do outro lado do portal Zant se viu em um deserto, porém sabia que ainda estava na dimensão dos demônios, pois avistou alguns demônios. Estava um pouco desnorteado, porém logo retomou a consciência e parou pra pensar como seria dali para frente. “Com o livro vou destruir seu mundo” aquelas palavras ecoaram por sua cabeça por algum tempo. Zant naquele momento decidiu que iria recuperar sua forma humana a qualquer custo.
Ele vagou pela dimensão dos demônios por longos anos, já tinha perdido a conta mais sabia que eram mais de 900. Durante esse tempo ele encontrou o Reino das Sombras, um reino composto inteiramente por seres das sombras. Ele destronou o Rei, aliado de Landior e fez o Reino inimigo da tirania dela. Porém nunca travou uma guerra. Os seres das sombras são hábeis com a magia negra, porém são incrivelmente fracos contra a luz por isso são pouco temidos. Ele governou aquele reino até que não viu que ficando ali não iria recuperar seu corpo então voltou a vagar sozinho. Carregando o título de “Rei das Sombras” e lendas começaram a surgir em seu nome.
Durante sua jornada ele olhou ao horizonte e viu um rio de lava e decidiu seguir seu curso. Enquanto seguia seu curso ele encontrou um jovem demônio queimando páginas de um livro no Rio e Zant reconheceu o livro de cara. Era o livro que havia dado em troca de sua imortalidade. Ele se aproximou do demônio já com um sorriso em seu rosto.
—Hey garoto, onde conseguiu esse livro?
—O-o rei das sombras... Você é só uma lenda... Não me machuque! –Disse com medo enquanto botava o livro em seu rosto tentando usá-lo como escudo.
—Não se preocupe não irei machuca-lo. Seja o que for que tenha ouvido de mim saiba que é mentira, mas vou fazer a pergunta de novo. Onde conseguiu esse livro?
—A rainha pediu para jogar fora. Disse que não havia mais utilidade já que já havia memorizado cada palavra no livro e me pediu para queima-lo.
—Pode me dar?
—An? Ta bom né... –Disse entregando o livro.
Zant abriu um sorriso ao pegar o livro, porém o sorriso logo se desfez ao ver que a maioria das páginas já havia sido rasgada e queimadas pelo demônio. Sobraram algumas poucas páginas porém uma lhe chamou a atenção e decidiu fazer um trato com o demônio.
—Garoto, você deseja algo?
—Eu... Estou procurando meus pais, por quê?
—Eu posso lhe ajudar, porém você tem que me ajudar a atravessar o portal para a dimensão dos demônios. O portal que a Rainha abriu em seu castelo.
—Acho que tudo bem... Se for para achar meus pais eu faço.
—Temos um acordo. Alias meu nome é Zant L´Cleur Dubois, e qual seu nome? –Disse estendendo sua mão.
—Meu nome é Jean. Jean Ynomed. –Disse apertando a mão de Zant.
Notas finais
Obrigado por ler.
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