Jealously

1 I wish he would see the good in me


Notas iniciais
Bem, eu estava sem nada para fazer, e Drarry meio que aconteceu. É um pouco one-sided, e tem umas implicações de Hinny, mas... ehh. Tentei fazer fluff para dar uma variada.
Boa leitura :)

Draco Malfoy não estava enciumado, e ele tinha certeza disso.

A ideia em si era ridícula. Além de ridícula; era absurda, um escândalo. Um Malfoy com ciúmes de um Potter? Fred e Jorge Weasley ganhariam o prêmio de alunos do ano antes de aquilo acontecer. O que Draco sentia não era ciúme, era pura raiva. Do que, exatamente, ele estava enraivecido, bem, essa parte era um pouco mais difícil de descobrir.

Ele só sabia que, quando Potter passava, rindo e conversando com a traidora de sangue Wesley, uma onda inexplicável de cólera inundava a mente do sonserino. Seu sangue pulsava nos ouvidos, seu rosto ficava rubro de ódio, e todos os seus instintos gritavam para ele amaldiçoar o primeiro alguém que cruzasse seu caminho. Preferencialmente Gina Weasley.

Mas não havia nada para se preocupar, porque aquela era uma simples, boba e passageira crise de irritação, que, pela primeiríssima e (esperançosamente) última vez não era direcionada a Potter, e sim a sua amiguinha Weasley. Nada de ciúmes. O que havia em Potter para enciumar-se de qualquer maneira?

Uma extensa lista de coisas, respondeu sua consciência amargamente.

Chacoalhando a cabeça, como se aquilo fosse afastar aqueles estúpidos pensamentos, o garoto tentou redirecionar sua atenção de volta para seu amigo, Baise Zabini, que tagarelava sem cessar sobre algo que Draco esperava não ser importante, pois o loiro não escutara uma única palavra.

— Aham – fez Draco, maneando a cabeça distraidamente, seu olhar vagando pelo Salão Principal, caminhando de modo inconsciente na direção da mesa da Grifinória, do outro lado do aposento.

Lá, rindo levianamente de alguma coisa dita por Rony Weasley, estava Harry Potter (o garoto por quem Draco certamente não sentia ciúmes). Os olhos verdes aperolados mantinham um brilho constante por trás da lente dos óculos de grau, e seu rosto, fino e pálido, era iluminado por um pequeno e genuíno sorrisinho. Seus cabelos cor da noite despontavam para todos os cantos do salão de um jeito charmoso e desleixado, combinando com o suéter amarrotado e a blusa para fora da calça.

Olhando para o próprio uniforme perfeitamente alinhado, Draco relembrou a si mesmo o quão diferente ele e Potter eram, como eles nunca dariam certo. Não que aquilo importasse.

Mirou novamente os olhos azuis na direção de Potter, e forçou-se a encarar a mal amarrada gravata da Grifinória no peito do garoto, orgulhosamente expondo as cores da Casa dos leões, e depois olhou para a própria gravata, que mostrava o verde e prata característicos da Sonserina. Pela primeira vez em toda a vida, o Malfoy desejou que as cores estampadas em seu uniforme fossem diferentes.

Repentinamente abatido por uma onda de tristeza, Draco levantou-se e seguiu para as portas do Salão Principal, deixando para trás uma intocada refeição e um Blaise Zabini bastante irritadiço.

Ele caminhou até parar sozinho em um corredor deserto. Encostando na gelada parede de pedra, Draco deslizou até alcançar o chão. Apoiou a cabeça nos joelhos, fechando os olhos, sentindo-se miserável. Por um errôneo, imperdoável momento, Draco desejou com todas as suas forças que Potter o visse com o mesmo olhar que via Weasley, Granger, Longbotton, ou até mesmo a maluca menina Lovegood. Ele desejou que Potter pudesse gostar dele, enxergar o bem nele.

Mas, se nem você pode fazer isso, como espera que Potter faça?, rebateu sua consciência.

— Aquele idiota acha o bem em todo mundo – murmurou Draco em resposta, tentando ignorar o fato de que ele estava conversando com sua própria consciência. – Menos em mim, aparentemente.

Mas o que você esperava?, perguntou a consciência, Tratando o garoto como lixo desde o primeiro dia de escola... Esperava que ele te amasse? Você não é alguém fácil de amar.

Draco deixou escapar um grunhido de frustação, esfregando nervosamente os cabelos platinados.

— Não é isso, é só que-

— Falando sozinho, Malfoy?

O sonserino berrou mais do que uma criança assustada, caindo de costas no chão duro, e, em menos de três segundos, perdendo toda a sua dignidade. Estivera tão imerso em sua conversa consigo mesmo que nem mesmo ouvira os passos de alguém aproximando-se no corredor.

Erguendo os olhos, que estavam arregalados devido ao susto, Draco encontrou a feição divertida de Potter, cujo canto da boca tremia, como se ele estivesse contendo o riso.

— O que você está fazendo aqui, Potter? – indagou Draco, tentando deixar a voz ríspida, embora sua face estivesse em chamas.

Potter apontou um dedo para o alçapão que o sonserino não havia percebido que estava acima dele.

— Esqueci algo na sala de Astronomia ontem a noite.

— Ah.

Estabeleceu-se um silêncio incômodo entre os dois. Aquele era o tempo mais longo que eles passaram na presença um do outro sem nenhum xingamento. Olhando para Potter, Draco sentiu uma urgente necessidade de levantar-se, pois não aguentava mais não ser dez centímetros mais baixo que o garoto. Ele pôs-se de pé tão rápido que uma tontura logo o atingiu, e ele teria estabacado-se no chão se não fosse pelos firmes braços de Potter, que o seguraram antes que isso acontecesse.

— Que droga, Malfoy! Você está bem?

Estando agora mais baixo que Potter, Draco olhou para cima, apenas para encontrar um par de olhos verdes recheados de preocupação. Harry Potter estava reocupado com ele, Draco Malfoy. De repente, o sonserino sentiu uma repentina vontade de sair dançando e comemorando, sorrindo e distribuindo galeões por aí.

— Malfoy? Você está me ouvindo? Eu devo chamar Madame Pomfrei?

Então, Draco finalmente percebeu que Potter ainda o segurava, e tratou de afastar-se dele, com o rosto refletindo a cor da Grifinória. Pigarreando, ele adicionou:

— Eu estou bem.

— Tem certeza?

— Aham.

— Tudo bem, então. Eu... Eu tenho que ir buscar minhas coisas – disse Potter, como se devesse uma explicação a Malfoy para onde ele estava indo.

— Faça o que quiser – replicou Draco, mas uma inusitada decepção tomou conta de seu peito.

Potter acenou com a cabeça, preparando-se para puxar o alçapão. Ele já desaparecia pela escada, quando, hesitante, Draco chamou:

— Potter?

A cabeça do Grifinório chicoteou na direção de Draco.

— Obrigado. Por, sabe... Me segurar, e tudo mais.

Um amplo sorriso surgiu no rosto de Potter, e aquilo valeu cada pedaço de orgulho que Draco acabara de destruir ao agradecer a um grifinorio.

— Por nada, Malfoy – respondeu ele, olhando um pouco satisfeito para Draco. – Te vejo por aí, suponho.

— É – concordou Malfoy, sua voz falhando. – Nos vemos por aí.

Talvez Potter veja mesmo bem em todo mundo.

Notas finais
Comentem :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!