Notas iniciais
"Milujem ťa" é eu te amo em eslovaco

Houve um dia fatídico, com poucas estrelas no céu e muitas coisas a fazer, no qual me prometeram o mundo. Nesse dia, enquanto meu gato miava e o céu chorava, ele me disse que tinha parado de procurar. Que não sentia mais aquela necessidade de encontrar sua metade, a metade que os deuses separaram, porque eu estava bem ali na frente dele.

Nesse dia, eu nunca desejei tanto que algo fosse verdade. Depois de tantas voltas e quedas, era difícil acreditar. Confiar em alguém tinha passado a ser um dos meus maiores desafios. Mas no dia que me prometeram o mundo, meu coração sossegou.

Houve um dia nebuloso, em que a ventania bagunçava meus cabelos e a poeira da cidade se impregnava em meus lábios, no qual me prometeram a eternidade. Nesse dia, mesmo que ambos soubéssemos que o para sempre é a maior das ilusões, ele me disse que tinha um sonho. Um sonho difícil e distante. E que eu estava nele, do início ao fim.

Nesse dia, eu senti as cicatrizes do abandono se fecharem. Eu olhei nos olhos dele e vi ali minha própria eternidade.

Houve um dia incrivelmente frio, em que minhas mãos pareciam congeladas e sair de casa era difícil demais, no qual eu ouvi um “eu te amo” sussurrado e sonolento. Eu senti a respiração dele em meu pescoço, e quando ele olhou pra mim, me viu.

Depois de tanto tempo sendo olhada e nunca realmente vista, eu senti o peso da necessidade de aceitação saindo de cima de mim. No dia em que me enxergaram, a leveza voltou.

Houve uma infinidade de dias em que o mundo parecia escuro e a realidade real demais pra ser enfrentada. Dias em que as coisas bonitas perdiam espaço e a escuridão ganhava força, até ele vir e assustar todos os meus monstros. Dias em que o sorriso não saiu do meu rosto e do meu coração, porque ele fazia isso: alegrava meu interior. E existiram dias, definitivamente os piores, nos quais acreditamos que não haveria mais dia nenhum a ser compartilhado.

O que eu quero mostrar, o propósito disso, é exatamente esse: existiram dias bons e ruins, e às vezes os ruins pareceram mais expressivos e importantes. Porém, não é deles que eu me lembro quando preciso de algo a que me apegar. Quando as coisas estão difíceis e a parte boa demora a chegar, eu me lembro do dia em que ele me prometeu a eternidade, o mundo e o amor. Meu coração se lembra dos dias em que, aos poucos, foi reparado, cuidado e meticulosamente reconstruído. Meu corpo se recorda dos dias e noites em que foi tocado por mãos que não só o sentiam, mas que conheciam e amavam todas suas pequenas e defeituosas partes.

Os deuses nos separaram para que, quando o reencontro acontecesse, pudéssemos valorizar o mundo, a eternidade e o amor que nos faltou por tanto tempo. Para que, quando eu olhe pra ele, veja que nunca mais me faltará nada.

Afinal, ele me deu o mundo, a eternidade e o amor, e isso é muito mais do que eu poderia pedir.