Je t'aime.
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Boa leitura, e desculpem os erros.
"Et que le diable me pardonne toutes mes belles envies."
"E o diabo perdoe todos os meus melhores desejos."
Péché D´envie, Carla Bruni.
O sol castigava a Grécia e o Santuário naquele belo sábado. Era um dia especial! Pois iria fazer uma semana que Camus e Milo começaram — ou ao menos 'tentavam' começar — um relacionamento amoroso.
Isso era complicado, tirando todos os múrmuros e fofocas sobre os dois Cavaleiros, o relacionamento que foi aprovado por Atena estava andando. Não como Milo desejava, talvez.
O Escorpião era quente, agitado, brincalhão. Já Camus era quieto, tímido, reservado.
Milo amava falar, não... Não! Ele não falava, palestrava! Falava sobre a vida, acontecimentos, sentimentos, passado, presente, futuro. Quanto a Camus, ele só queria ficar quieto, ler um bom livro e andar ao lado de Milo sem que o Escorpião lhe agarrasse em público.
E assim estavam levando a vida, com Milo investindo e Camus corando e saindo de perto. Principalmente quando estavam perto de Hyoga. Por mais que Cisne tivesse aceitado o relacionamento um tanto quanto inusitado do mestre, era um tanto quanto vergonhoso quando Milo sem querer deixava escapar algo da intimidade do casal.
O russo ria. Ele sempre ria.
E então o francês corava, buscando uma forma de sair de perto do namorado, ou ao menos de tirá-lo de perto de seu amado pupilo.
Camus caminhava calmamente ao lado de Milo, como de costume. Shura havia falado que cuidaria da casa de Escorpião durante aquele dia, e Hyoga prometeu que guardaria na casa de Aquário enquanto os dois Cavaleiros de Ouro passavam o dia juntos. Passariam no jardim onde deram o primeiro beijo quando ainda eram adolescentes.
Milo falava sem parar, principalmente sobre planos para o futuro dos dois. Camus assentia e dizia "Sim, sim. Tudo bem."
O grego cruzou os braços franzindo os lábios. Como podia ele amar aquele homem frio? Pelos deuses! Só não se sentiu ofendido porquê sabia como Camus era, ele sempre fora assim.
— Deveríamos ter um filho — Soltou de repente.
O Cavaleiro de Gelo engasgou com a própria saliva.
— Desculpe?
— Acha que não podemos ser bons pais? — Escorpião pareceu magoado
— Merde Milo, não faça isso comigo! Você sabe...
— Sei o que? — franziu o cenho fazendo bico, cruzando os braços lentamente.
— Droga, Milo! Somos homens. — Escorpião fez cara de "E?" e Camus suspirou — Não temos tempo para isso, também somos Cavaleiros... E outra, eu seria um péssimo pai.
— Você não criou o Hyoga, Camus?
— Ah Milo, é diferente! — Camus suspirou franzindo o cenho, olhando para as flores ao redor de si. — Ele é meu pupilo, não meu filho. — Falou começando a resmungar coisas em francês do tipo "Milo ficou louco", "Por Atena, ele pensa em loucuras" e "Por que não sou um 'homem normal'?"
Claro que Milo não entendeu merda nenhuma, o que o fez pigarrear.
— Tudo bem, tudo bem! — Escorpião levantou a mão em forma de rendição — Ainda é cedo pra pensar em filhos, desculpe.
Camus respirou mais aliviado. Enquanto a imagem de Milo com um bebê chorão nos braços, sacudindo-o em plena madrugada enquanto ele próprio ia preparar a mamadeira da criança se dissipava na cabeça.
— Não abandonei a idéia, só para constar.
Um pequeno sorriso gracejou aos lábios do homem com longos cabelos ruivo fogo. — É claro que não abandonaria essa idéia tão cedo, ele nunca abandonava suas idéias loucas.
Certamente forçaria Camus adotar uma criança com traços semelhantes ao dos dois algum dia, mas não seria tão cedo.
Milo voltou a tagarelar sobre como queria que o filho dos dois fosse, claro que aquilo era pedir de mais, e certamente amaria qualquer criança que o chamasse de pai.
Escutou algo como "olhos vermelhos como o seu" e "cabelos loiros como o meu". Aquilo o fez lembrar de Hyoga quando era criança.
Talvez por isso amasse tanto o pupilo, amava-o como filho por ele ser tão parecido com Milo e com ele próprio ao mesmo tempo. Cabelos loiros, olhos azuis, sorriso fácil e muito do temperamento de Camus ali.
— Cala a boca, Milo — murmurou o aquariano, fazendo o loiro arregalar os olhos. Mas antes de poder contestar sobre algo, Camus avançou sobre si, o derrubando em meio as flores e beijando sua boca com desejo.
O Cavaleiro gelado nunca fazia isso, nunca o beijava sem estarem entre quatro paredes e uma porta bem trancada.
O aquariano alternava entre beijos na boca do parceiro e beijos em seu rosto, o que fez Milo rir.
— Dá pra se concentrar aqui, não sou muito bom com essa história toda de esquentar as coisas. — Murmurou o francês corando.
— Ah desculpe — falou retribuindo aos beijos, logo depois alterando as posições com Camus por baixo. Ele se sentou sobre a cintura do namorado, apoiando seu peso com a mão direita e acariciando o rosto do aquariano com a esquerda — Temos muito tempo pra trabalhar com sua timidez, Camus. — falou ajeitando o cabelo do parceiro.
Milo era seu melhor pecado.
Seu desejo mais absurdo.
Ele era simplesmente seu.
Sussurrando ele puxou o loiro para si:
— Et que le diable me pardonne toutes mes belles envies.
Notas finais
Ps: Layla e Brucce, amo vcs u-u
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