Je t'aime
1 Para sempre tua
Aos dezoito anos, Emily Parker era como qualquer outra garota de sua idade. Tinha sonhos, planos para a faculdade, noites de cinema com as amigas e aquele crush secreto no garoto da turma de biologia. Sua vida era comum, tranquila, até que um cansaço inexplicável e manchas roxas em seus braços a levaram ao médico.
A sala de espera do hospital era fria, impessoal. Sua mãe segurava sua mão com força, enquanto seu pai, sempre o mais racional, lia uma revista sem realmente prestar atenção nas páginas. Quando o médico finalmente chamou seu nome, Emily já sabia, no fundo do coração, que algo estava errado.
— *"Leucemia mieloide aguda."*
As palavras pareciam ecoar em câmera lenta. O médico continuou falando sobre tratamentos, chances de sobrevivência, quimioterapia, mas tudo que Emily conseguia pensar era: *"Eu vou morrer."*
— *"Se começarmos o tratamento imediatamente, há uma chance."* O médico olhou para ela com um misto de pena e profissionalismo. *"Mas será intensivo. Você vai ficar fraca, perder o cabelo, passar muito tempo no hospital."*
Emily olhou para os pais, viu o desespero nos olhos da mãe, a impotência no rosto do pai. Mas ela não queria isso. Não queria passar seus últimos meses definhando em uma cama de hospital, sem conseguir sequer levantar da fraqueza.
Naquela noite, deitada em seu quarto, ela fez uma lista em um caderno:
**Coisas que eu quero fazer antes de morrer:**
1. Conhecer Paris.
2. Beijar alguém no topo da Torre Eiffel.
3. Encontrar um amor verdadeiro.
Ela sorriu, amargo. *"Pelo menos posso tentar realizar um desses."*
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Seus pais relutaram, mas no fim, aceitaram. Se era o último desejo da filha, quem eram eles para negar?
O aeroporto estava cheio de pessoas indo e vindo, vidas seguindo em frente enquanto a dela estava prestes a parar. Sua mãe a abraçou com força, como se pudesse protegê-la de tudo com aquele gesto.
— *"Eu te amo."* Ela sussurrou, e Emily sentiu as lágrimas quentes no seu ombro.
— *"Eu também, mãe."*
Ela se afastou antes que sua própria coragem fraquejasse. Não queria chorar. Não queria ver seus pais sofrendo. Se ia morrer, faria isso longe deles, para não vê-los se despedindo aos poucos.
Paris era tudo que ela imaginara e mais. As ruas de paralelepípedo, o cheiro de café e croissants frescos, o rio Sena refletindo as luzes da cidade. Era… mágico.
Foi no segundo dia, em frente à Torre Eiffel, que ela o viu.
— *"Precisa de ajuda?"*
Ele tinha um sorriso fácil, cabelo castanho bagunçado e olhos que pareciam guardar histórias.
— *"Sim, na verdade… como eu chego ao topo?"*
Ele riu, um som caloroso.
— *"Posso te levar."*
E assim, sem saber, Emily deu o primeiro passo em direção ao amor que mudaria seus últimos dias.
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Remy era americano, mas vivia em Paris há anos. Filho de um diplomata, ele tinha aquele ar sofisticado misturado com uma simplicidade cativante. Enquanto subiam de elevador até o topo da Torre Eiffel, ele contou sobre sua paixão por música clássica, sobre como fugiu da faculdade de direito para se tornar um pianista, sobre seus pais que nunca entenderam suas escolhas.
— *"E você?"* Ele perguntou. *"O que uma garota como você está fazendo sozinha em Paris?"*
Emily hesitou. *"Apenas… realizando um sonho."*
No topo, a vista era deslumbrante. Paris se estendia abaixo deles, um mar de luzes e possibilidades. E então, ele se virou para ela, seus olhos escuros refletindo o brilho da cidade.
— *"Você é realmente linda."*
Ela riu, nervosa. *"Diz isso para todas as turistas?"*
— *"Não."* Ele se aproximou, sua voz um sussurro. *"Na verdade, nunca disse isso para ninguém."*
E então, ele a beijou.
Foi seu primeiro beijo. Foi doce, intenso, cheio de promessas que ela sabia que nunca poderiam ser cumpridas.
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Nos dias seguintes, eles ficaram inseparáveis. Remy a levou a cafés escondidos, a pequenas livrarias à beira do rio, a um concerto de piano em uma igreja antiga. Ele não sabia da sua doença, e Emily se agarrou àquela ilusão, àquela felicidade fugaz.
Mas na última noite, quando ele a levou de volta ao hotel, ela não conseguiu mais mentir.
— *"Eu vou embora amanhã."*
Ele parou, seus olhos escuros buscando os dela. *"Por que você está fugindo de mim?"*
— *"Não estou fugindo!"*
— *"Então o que é?"*
Ela engoliou as lágrimas. *"Eu não posso me apaixonar, Remy."*
— *"Por quê?"*
— *"Porque eu estou morrendo!"*
As palavras saíram como um grito, um segredo que ela não queria contar.
Ele ficou em silêncio por um momento, e então, sem dizer nada, a puxou para perto. Seus lábios encontraram os dela com uma urgência que fez seu coração doer.
— *"Eu já estou apaixonado."* Ele sussurrou.
E naquela noite, enquanto Paris dormia lá fora, Emily se entregou ao amor que sabia que não duraria.
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Ela fugiu na manhã seguinte, deixando apenas um bilhete.
*"Remy, eu te amo. Mas não posso te fazer sofrer. Obrigada por me mostrar o que é o amor verdadeiro. — Emily."*
Voltou para casa, começou o tratamento, mas seu corpo já estava fraco demais.
Até que, em um dia chuvoso, ela acordou no hospital e ele estava lá.
— *"Como…?"*
— *"Seu pai me encontrou."* Ele segurou sua mão. *"Eu não vou deixar você ir sozinha."*
E nos meses seguintes, ele cumpriu sua promessa. Casaram-se em uma cerimônia simples, viveram cada dia como se fosse o último.
Até que, em uma manhã silenciosa, Emily não acordou.
No velório, Remy leu a carta que ela deixou para ele, suas últimas palavras de amor e despedida.
E então, ele sorriu, porque sabia que, em algum lugar entre as estrelas, ela ainda o amava.
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