Je suis France.
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Arthur segurou o cabo da rosa com força.
Os espinhos perfuraram sua pele. Como nação, isso não o afetava. Baixou os olhos verdes para as pequenas gotas que apareciam, tingindo o claro da epiderme, deixando um rastro vermelho para trás.
"Rastro" pensou Arthur dando o sorriso mais amargo que conseguiu.
Havia rastros por todo lugar.
Em suas mãos. Rastros de sangue.
Em Paris. Rastros de morte.
Observou Francis inquieto, pelo canto do olho. A figura estava silenciosa. Parecia uma estátua, traída apenas pelo seu tórax, que se mexia silenciosamente. O loiro finalmente se moveu, no momento em que as luzes da Torre Eiffel se desligaram.
Não conseguia olhá-la.
Não sem suas luzes. Paris, la Lumière, parecia sem qualquer tipo de luz. Tanto em energia quanto em esperança.
— A última vez foi em 1889 — disse Francis, erguendo seu olhar de safira novamente.
— Eu lembro.
Um longo silêncio novamente.
Arthur passou os dedos pela rosa branca, sentindo os espinhos se aprofundarem e saírem.
Mais de 127 mortos. Pelo menos foram o que conseguiram contar. Havia dor nos olhos opacos do francês. Ele podia ver todos os rostos. Pessoas se divertindo em bares. Casais se deliciando com as iguarias em restaurantes.
— Eu não deveria ter feito nada — murmurou Francis.
— Nenhum de nós deveria — disse Arthur.
Se aproximou do francês, depositando a rosa já sem espinhos nas mãos do maior.
— O que eu fiz com eles, Arthur?
O inglês não respondeu. Apenas encarou sustentou o olhar desolado do francês o máximo que podia, apertando as mãos do maior entre as suas. Amaldiçoou a si mesmo pelos pequenos filetes de sangue que manchava Francis, este que parecia não se importar.
O coração de Arthur ficou apertado.
Aqueles "espinhos" ele não poderia retirar.
Fale com o autor