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17 Capítulo 16
Notas iniciais
Pov. Narradora
Bianca se sentia pressionada, afinal todo mundo parou e ficou olhando para ela esperando a resposta que a mesma daria para Pedro.
— Não, eu não sei de quem é. — Mentiu.
— Mentira! Eu me lembro sim. Você falou que sabia de quem era.
— Eu não sou mentirosa. — Respondeu irritada. — Você que não lembra certo das coisas. Eu me lembro muito bem que disso que sabia de quem não era.
— Acho que eu tô confuso. — Disse João.
— Eu sabia que não era de alguma das meninas porque compramos as máscaras todas juntas e nos arrumamos no meu quarto e da K. — Ela disse e Pedro cerrou os olhos para ela. — Para de me olhar assim, eu estou falando sério.
— É cara, eu vou ficar com ciúmes desse jeito. — Brincou João.
— Da Bianca ou do Pedro. — Duca foi irônico.
— Você ainda está aqui? — João revirou os olhos.
— Pê, como você está se sentindo? — Karina se pronunciou pela primeira vez. — Lembrou de mais alguma coisa?
— Não, só isso mesmo. — Pareceu desapontado.
— Mas isso já é um grande avanço! Agora as coisas vão começar a vim e quando você ver vai tudo parecer que foi um sonho. — Bianca foi otimista, e Pedro sorriu fraco.
— Será que não é melhor ele ir para o hospital, não sei. A dor que ele sentiu na cabeça pode ser algo mais sério. — Opinou Duca.
— É, eu também acho. — Karina concordou. — Vem, me ajudem a pegar ele pra levar pra casa e falar com a mãe dele.
É assim Duca e João serviram de suporte para o guitarrista, sempre disputando, indiretamente, pelo caminho quem conseguia levar mais o garoto. Karina ficou fechando a academia e Bianca esperou pela irmã.
Como já estava ficando tarde a Perfeitão estava com as portas abaixadas, mas a luz de dentro do estabelecimento ainda estava ligada.
— Obrigada pela mãozinha meninos. — Delma os recebeu na porta. — Podem jogar ele em qualquer canto aí. — Brincou ela.
— Isso mãe, me trata como trapo mesmo. — Pedro se fingiu de ofendido.
— Então... Tia Delma, é que aconteceu uma coisa com o Pedro. — João disse coçando a nuca.
— O que? — Ela ficou séria. — Fala logo criatura! Meu filho você está bem? — Correu até o garoto passando a mão em seus cabelos.
— Eu tô bem mão, não se preocupa. — Beijou a mão dela. — É só que eu me lembrei de uma coisa.
— Sério? A meu menino que sabia que você ia ficar bom. — Estava com os olhos marejados, mas percebeu a expressão séria no rosto dos garotos. — O que foi? Fala filho.
— É que na hora que veio as lembranças eu senti uma dor de cabeça muito forte e minha visão ficou toda escura, parecia que eu ia dessa pra melhor naquela hora.
— Ah meu Deus. A gente precisa te levar no médico agora. — Passou a mão na testa dele desesperada. — Não está com febre. Mas pode ter acontecido alguma coisa aí dentro.
— Vamos combinar que dentro da cabeça dele não tem nada mesmo então... — Disse João.
— João! — Bianca que entrava no local repreendeu-o.
— Mãe, tá tarde a senhora não vai conseguir fazer muita coisa agora. Eu estou com sono, quero tomar um banho e dormir. Não estou sentindo nada agora, então vamos descansar e amanhã eu deixo que a senhora me leve no médico. — Suplicou Pedro.
— Tem certeza meu filho?
— Sim, senhora Delma.
— Então acho que a gente deve ir pra casa, deixar o Pedro descansar, né? — Bianca se despediu e foi para a porta.
— Delma, se alguma coisa acontecer me manda mensagem, por favor. — Karina pediu.
— Olha só, ela sabe pedir por favor. — Pedro disse de onde estava sentado.
— Eu não vou falar nada. — A garota disse para si mesma com o punho serrado enquanto saia atrás da irmã.
Duca seguiu para sua casa e o restante foi em direção ao sobrado da família Duarte.
======== No dia seguinte ========
Dandara havia acabado de acordar e sentiu o cheiro de café invadindo o quarto, depois que descobriu da gravidez estava dormindo mais que o normal. Suspirou com esse pensamento, afinal estava apenas de 4 meses, ainda tinha chão pela frente e já tinha até esquecido como era ser mãe de um bebê, já que seu filho João crescerá tão rápido segundo as concepções dela.
Dirigiu-se a cozinha se sentindo nostálgica e leve. O sol da manhã de sábado invadia os pequenos cômodos da casa dando um ar natural. No meio do caminho começou a escutar uma movimentação e antes que pudesse sequer adentrar completamente o cômodo foi surpreendida por uma torrada passando próximo dela, quase a acertando.
A cena não podia ser mais cômica; Gael e João discutiam um com o outro sobre as posições das coisas dispostas na mesa, um mudava a jarra de suco de lugar e o outro ia lá e trocava novamente, o outro trocava a cesta de pães enquanto o outro puxava novamente para o lugar que estava antes. Karina segurava um garfo que espetava um ovo frito de um lado, enquanto Cobra espetava o outro lado, parecia que estavam no meio de um luta no ringue. Bianca desviava das coisas que voavam pela mesa e tentava, sem sucesso, pegar um pão na cesta que Gael e Joao puxavam para lá e para cá, enquanto tentava discutir em meio à algazarra.
Dandara ficou pensando se valeria mesmo a pena tentar se sentar naquela mesa e tomar seu café ou se seria melhor fingir que nunca tinha estão ali e voltar para o quarto para deitar em sua cama confortável. Revirou os olhos, pois sabia que era a única que tinha mais juízo naquela família e por isso precisava estabelecer ordem.
— Ei, ei. — Tentou uma vez, mas sem sucesso. — YOOOOH. — Todos pararam na posição que estavam e olharam para ela. — Que isso gente? Vim para em um zoológico e ninguém me avisou? Olha essa sujeira. — Apontou para a mesa e para o chão. — Até você Gael? Achei que eu tinha me casado com um homem, adulto, maduro. — Repreendeu-o. — Você Cobra, um rapaz casado, adulto também. — Ele sorriu amarelo para ela. — João, meu filho. Cadê a educação que eu te dei?
— Está aqui! Estou lutando pelo que eu acredito, como a senhora me ensinou.
— Eu não vou nem responder nada. — Fuzilou ele com o olhar. — Vocês, moças educadas, meninas maduras também. Será que eu vou ter que tratar você igual um quartel?
— Desculpa, Dandara, amor. É que essas crianças são sem disciplina, estava tentado... é... resolver, para tomarmos um café em paz, em família. Mas você sabe como eles são.
— Sei. Sei como você é também. — Ele abaixou a cabeça. — Daqui a pouco vai chegar mais um na casa, e vocês não vão conseguir competir com ele com ele não viu. Se continuar essa algazarra aqui, quem vai tomar conta dele são vocês, estou só avisando. — Foi em direção ao fogão. — João e Gael deixem as coisas exatamente ai onde elas estão, ninguém mexe mais em um talher dessa mesa. — Disse autoritária.
— Exatamente aonde eu queria. — João disse olhando para a cesta de pão e jarra de suco no ponto da mesa que ele queria colocar. — Toma Gael!
— Joaão... — Dandara o repreendeu. — Cobra e Karina, tem mais ovos aqui na geladeira, tem um frigideira, temos a manteiga também e vocês tem duas mão cada um. Anda! — Ela colocou as coisas que precisavam em cima da pia e do fogão e apontou para que eles se levantassem e fosse fazer seus próprios ovos.
— Saco. — Karina esbravejou antes de se levantar sendo seguida pelo irmão.
— Bianca, minha flor, vamos deixar os aparelhos de lado, pelo menos na hora das refeições? — Disse para a enteada que parou de prestar atenção na confusão e mexia em seu celular. — Podemos tomar café em paz agora? Como uma família normal?
— Acho que normal é querer demais né? No máximo... é, só uma família desestruturada mesmo. — João como sempre zombando.
— Calado! — Disse Dandara.
Karina e Cobra estavam terminando de fritar os ovos quando um som de seu celular recebendo mensagem fez com que a garota largasse a espátula e fosse até a sala em busca do aparelho.
de Delma:
Karina, minha querida. Bom dia! Voltamos agora do hospital, está tudo bem com o Pedro, o médico disse que provavelmente a mente dele precisa fazer muito esforço na hora que as lembranças voltam e a dor acaba sendo com uma enxaqueca.
Hoje é sábado, aproveite o dia, eu ficarei com ele. Beijos.
— O que foi K? É sobre o Pedro? — Bianca foi até ela.
— O Pedrinho está bem? O que o médico disse? — Dandara também foi.
— É sim, a Delma disse que ele está bem. — Ela passou o celular para que os outros pudessem ler.
— Coitado do meu amigo, vai ficar em cárcere privado em pleno sábado. Não é o tipo de programa que ele gostava não. — Disse João após entregar o celular de volta para Karina.
— Para o Pedro deve ser uma tortura mesmo, aquele maluco não consegue ficar parado. — Karina nem percebeu, mas estava sorrindo de lado, como acontecia desde criança sempre que pensava no garoto.
— Isso me lembrou de uma coisa. — Dandara sorriu travessa. — Quando vocês eram pequenos e se reuniam para assistir filme no sábado. Mas era uma briga sem fim, quase a terceira Guerra Mundial.
— Eu me lembro, era o dia inteiro só para escolher o filme, e no fim todo mundo dormia um em cima do outro e a gente tinha que ficar levando vocês no colo pra casa. — Gael complementou as lembranças juntamente com a esposa.
— Lembra no dia que a gente encontrou eles dormindo no meio de um filme, ai a Bianca tinha desaparecido, você ficou louco atrás dela e quando fomos ver, ela estava dormindo dentro da portinha da estante com um monte de pipoca na boca.
— Sim, ela tinha se escondido pra comer pipoca sozinha, porque os outros sem comiam tudo e deixavam ela sem. — Gael ria com as lembranças.
— Coitada de mim, seus egoístas. — Ela olhou para os irmãos fingindo estar pasma.
— Fora a Karina e o Pedro que sempre estavam disputando, por tudo, um sempre queria ser melhor que o outro. Mas quando começava o filme eles iam se chegando, se chegando até se escorarem e dormirem um em cima do outro. — Gael revirou os olhos ainda rindo deixando a filha vermelha.
— Olha, vocês são novos, mas tem muita história para contar. — Completou a mãe de João.
— Sabe que isso me deu uma ideia. — Começou Bianca. — Porque a gente não vai lá na casa do Pedro, aproveita que é sábado, trás ele para cá e fazemos uma sessão, todos juntos. Como antigamente.
— Eu gostei da ideia. Posso cancelar o meu total de 0 compromisso de hoje e remarcar outro dia. — Brincou João.
— Eu também gostei, é bom que passo um tempo com meus irmãos já que viajo em lua de mel amanhã. — Aprovou Cobra.
— Partiu então. — Disse Karina.
— Antes, sentem todos aqui, e vamos tomar um café em família. Vamos, vamos. — Chamou Gael.
E todos voltaram para a mesa falando alto e contando histórias como sempre faziam, e Dandara apreciava o momento que com certeza duraria pouco, sua família não sabia se comportar e mesmo que não dissesse sentia orgulho disso. Sabia que o bebe que estava esperando seria tão feliz ali, e isso bastava para ela.
Continuaa...
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