Jason-Prólogo

2 Cartas e mais cartas...


Chego do trabalho e encontro o bilhete.Faz dois meses que os recebo,e toda vez eles me levam a um ponto.Um ponto qualquer.Um ponto qualquer nada agradável.Dessa vez,apontava para um local a oeste do meu bairro, um bosque antigo, no qual brincava quando pequeno.Chego ao local de carro, e caminho entre as árvores.Paro subitamente.Me permito uma lágrima.Depois, tomo uma expressão séria.Pego em minha bolsa um caderno e anoto, em meio a fedor de podridão, as informações do corpo da garota.Tem de 20 a 30 anos,cabelos lisos escuros,entre 1,50 e 1,80 metros de altura,seios fartos e provavelmente,era bonita antes de ter seu rosto destruído daquela forma.Respiro fundo,olho para ela.Pego minha faca,objeto antigo de meu pai,agora com cheiro de ferrugem não apenas por sua idade.Minha visão fica turva e vomito um pouco.Pego meu lenço e tiro o casaco.Posiciono o lenço em meu rosto e rasgo a barriga da mulher,bem onde havia as suturas que ele fez,enquanto observo o sangue brotar.O cheiro de ferrugem queima minhas narinas e meus olhos se encharcam.Sussurro"Perdão " várias vezes e então,em todo aquele sangue,eu o vejo.O tão procurado envelope,envolvido por um saco e inserido no cadáver por ele.O desgraçado que matou minha irmã.O tomo para mim e o retiro do saco.Guardo-o na mochila.Encharco o cadáver com gasolina.Acendo um cigarro.Em meio as lágrimas,o deixo cair e observo aquela maneira poética como as chamas dançam diante de mim.Vou para o carro e dirijo para casa.Me tranco em meu quarto e coloco uma arma recém adquirida debaixo do travesseiro.Abro o envelope e leio o bilhete.

"Johnny,meu grande amigo!Como vai?Gostou dessa?Espero que sim,escolhi uma com seios bem grandes, afinal é o que vocês da sua idade gostam.Hoje,quero contar-lhe como foi aquela linda noite,em que matei sua irmã.

Era uma bonita noite,a lua estava linda,e eu avistei ela andando na rua.Ofereci carona mas ela era esperta..."Não pego carona com estranhos,obrigada."Eu disse que estava tudo bem e a deixei ir.Abri a porta do meu carro e acelerei,acertando a nuca dela.Ela estava desmaiada,então peguei o endereço na bolsa dela e fomos para sua casa.Entrei com ela nos ombros e observei o recado na geladeira."Volto as 3:00.am maninha"Eram dez da noite, rapaz, como eu ri .A amarrei numa cadeira na sala,como você já sabe,e fui ao meu carro buscar minhas ferramentas.Peguei a bancada móvel de seu quarto e coloquei meus instrumentos nela.Peguei uma seringa com uma dose de adrenalina e injetei direto em seu pescoço.Ah,em alguns segundos aqueles olhos azuis que agora me observam em minha mesa se arregalaram e se encheram de lágrimas.A vadia gritou,e eu lhe dei dois belos tapas, para em seguida amordaçá-la.Comecei com meu alicate,é claro.Acertei-o aberto bem na barriga dela,apertei com força e o puxei. O sangue veio em litros, aquele cheiro de ferrugem, que tanto me alegrava, estava lá de novo. Repeti esse procedimento mais uma vez,mas logo parei, tinha que durar, certo?

Fixei pregos em seus dedos,e os retirei lentamente...Fiz ela engolir um dos dedos...Por fim,pensei em conservar-lhe os olhos,aqueles.lindos olhos azuis em seu momento de mais puro desespero...E os arranquei,com minhas próprias mãos,bem devagar.Arranquei-lhe os dentes com meu alicate, e comi suas pernas.Sim, eu comi as pernas da sua irmã,Johnny.Como se sente com isso?Mas sabe por que eu lhe conto hojeo que fiz com ela naquela noite?Simples:quero que faça o mesmo.Pegue a chave debaixo do seu colchão e vá até a fábrica abandonada ao sul da cidade.Sozinho."

Com desespero e mágoa,pego a chave.A observo durante horas.Literalmente,três.longas horas.E me dirijo para a garagem.Abro a porta e a garagem está aberta.Lá fora,no bosque, um vulto pode ser avistado.Ele se vira e sai andando,suas gargalhadas ecoando na noite.Dirijo para oeste da cidade,exatamente como as instruções indicaram e encontro a tal fábrica.Eu entro pelos fundos,e encontro uma garota em uma cadeira,com um saco na cabeça,algemada com as mãos nas costas e os pés atados na cadeira."Johnny!",ouço bem alto meu nome ecoar na fábrica e olho em volta,meu olhar parando em um alto falante preso no teto.

"Meu garoto!Como você está?"

–Péssimo!Seu miserável desgraçado!

"Johnny,acalme-se...Isso são modos para com um velho amigo?"

–Você não é meu amigo,seu bastardo filho da puta!

"Claro,claro.Enfim.O negócio é o seguinte.As próximas instruções estão no envelope na caixa em cima da mesa,que está lacrada com uma senha de 6 dígitos.Lhe darei os dígitos quando terminar de torturar a garota SEM TIRAR O SACO DA CABEÇA DELA,POIS SEI QUE ESTÁ PENSANDO EM FAZER ISSO!Lembre-se,deve ser uma coisa brutal.Se tentar trapacear,explodo essa merda de lugar,capisce?Boa sorte,meu amigo.Todos os instrumentos estão sobre a bancada móvel."

Observo a bancada e a puxo para perto.Ela contém um alicate,uma seringa com adrenalina(havia uma etiqueta identificando),facas,bisturis,uma machadinha e coloquei sobre ela também a faca de meu pai,instrumento cobrado pelo Caçador(era como eu o chamava agora,pois eu precisava chamar o bastardo de algo,nem que fosse de filho da puta).

Começo a me aproximar do alicate e coloco sua ponta sobre um dos dedos do pé da moça.Com relutância,eu o arranco.Mas a mulher não esboça reação.Devia estar desacordada.Olho para a adrenalina e injeto em seu pescoço.Após um tempo,ela dá um tranco para trás e ouço um gemido que se prolonga.Debaixo do saco,ela estava amordaçada.Com a machadinha,eu corto sua mão esquerda.Com um bisturi,abro um corte em sua barriga e juntamente com o alicate,arranco seu intestino.Então eu paro e penso durante alguns minutos.Se é tão fácil torturar alguém,se eu posso fazer isso com qualquer um,por qual razão não fora essa mulher ou a outra,o bosque a morrer no lugar de minha irmã?Por quê ela?!Por quê não elas ou outras?Então pego o alicate e lhe dou belas porradas,ela é culpada.é culpada de não ter sido ela a morrer, e nesse pensamento insano,no qual eu procuro fugir a realidade,eu avisto um martelo.Algumas tábuas estão sobre o chão e eu arranco delas os pregos.E martelo cada um deles nela,com um sorriso.Ela é culpada,talvez eu esteja louco,talvez...Talvez este jogo tenha me enlouquecido,afinal.Então,do auto-falante,ouço risadinhas.De prazer.Satisfação.Eu estava fazendo o que ele queria,me tornando o monstro que ele queria!E este pensamento me bastou para pegar uma faca e cravá-la em seu peito,para silenciar seu sofrimento.Ouço do alto-falante"645298".Me dirijo à caixa e a abro.Um bilhete."Só em casa",ele diz para mim naquele maldito auto-falante.E,andando para a saída,ouço sua risada.Desta vez uma risada,de verdade,não um simples riso.E então eu me viro para a mulher."Não tire o saco da cabeça dela"Ele estava rindo.O gemido inicial,agora penso que não parecia um simples gemido,parecia que ela queria dizer-me algo.Corro para a mulher e retiro o saco de sua cabeça.E então eu caio no chão.E observo,vendado,amordaçado e sem vida o corpo da mulher que tanto amei em vida,aquela que disse o "sim" mais importante da minha vida.Aquela que estava em viagem e deveria voltar um mês antes,e eu não percebi pois estava seguindo pistas de um certo bastardo que agora ri de minha desgraça.

Notas finais
Deu trabalho,mas ai está a segunda parte.No final de semana, eu posto mais.Qualquer duvida,sugestão ou reclamação,pode entrar em contato.Forte abraço!