Notas iniciais
acabou-se os fells , agora o medo

Naquele mesmo começo de dia, Sadie, acabara se descer da sua bicicleta, tentava achar a chave certa no molho, estava ainda escuro, a neblina ainda dominava o ambiente. Ela tinha que abrir o Big rosquinhas sozinha desde que Lars saiu para visitar a tia, ainda não voltara e nem dera notícias. Foi quando ouviu um ruído, passos no meio da nevoa... viu um vulto familiar, mas tão familiar que não podia crer, teve impressão que sua mente estava lhe pregando peças, mas parecia com... não! não podia ser.

Se apressou em abrir a porta, finalmente a chave virou, ela entrou e fechou a porta rapidamente atrás de si. Do que ela tinha medo? Tentou rir de si, que tolice, achou que estava começando a acreditar em fantasmas.

Entrou na loja e novamente o vulto do lado de fora através da vitrine. Dessa vez correu para cozinha, com muito medo agora, nunca havia ficado com medo quando vinha sozinha, mas dessa vez estava, pegou uma panela, a maçaneta das portas do fundo mexeu, ela se encolheu a porta se abriu.

Era Lars, Sadie deu um suspiro aliviado.

— Lars! — Exclamou correndo para abraça-lo.

— Nossa quanta saudade! — Lars falou um tanto impressionado retribuindo o abraço.

— Por que não atendeu o telefone! — Sadie se afastou tão repentinamente quanto se aproximou.

— Desculpa, puxa, minha tia mora num trailer no meio do deserto lá não tem sinal, pior que aquela ilha onde ficamos preso com Steven.

Ao ouvir o nome de Steven os lábios de Sadie tremeram seus olhos ficaram marejados.

— Lars sobre o Steven...

— Ah, já estou sabendo – disse ele distraidamente enquanto amarrava o avental.

— Já sabe? – Indagou confusa.

— é o Steven, sempre com fome, está esperando lá fora, onde já se viu uma hora dessas na frente da loja, disse para ele que só daqui uma hora.

— Como assim o Steven? — Sadie disse incrédula – ele... – ela sentiu um arrepio só de lembrar.

— Ele está ridículo naquela roupa que estava usando — interrompeu Lars rindo — de primeiro não o reconheci por causa da escuridão e da neblina, até zoei com ele perguntando se tinha voltado de algum funeral.

Sadie começou a chorar e alterou a voz .

— Não pode ser ele Lars – disse já entre lagrimas — ele está morto! Morreu há quatro dias!

Lars parou de rir, por causa da reação de Sadie, mas não acreditou no que ela dizia.

— Que brincadeira de mal gosto Sadie! Era ele que estava lá fora, parado, não disse uma palavra, não cheguei muito perto, mas era ele sim.- deu de ombros — morto, oras.

— Eu fui no funeral dele! – Reafirmou a garota, as lagrimas escorriam pelo rosto em abundância.

— Está dizendo que vi um fantasma?

— Não sei o que viu! Mas não deve ter sido ele, vi o caixão, seu tumulo!

— Ah está bem !– riu Lars olhando a amiga torto – e então quem é aquele na porta – disse apontando para a figura suja que entrava na loja deixando um rastro de lama.

Sadie arregalou os olhos e levou a mão a boca.

— Steven!? – Não sabia se era uma pergunta ou exclamação.

O garoto não disse nada, apenas entrou, vestindo o terninho com que o enterraram. O musgo crescia nos ombros e lapelas. O musgo sujava a camisa branca. O cabelo o era uma pasta de terra, seu rosto estava estranho, os olhos opacos, ele andava em passos incertos. Ao vê-lo mais de perto Lars contorceu o rosto em repugnância, a imundice da sua roupa, e o odor que vinha dele, desagradável, de terra revolvida.

— Cara você está péssimo –reclamou Lars– parece que foi atropelado por um caminhão.

— Olá Lars – finalmente cumprimentou, sua voz soava meio chiada como se tivesse cascalho nos pulmões – e... olá Sadie...

Sadie com olhos esbugalhado custava a crer no que via, um grito preso na garganta, tremia, aquele não era Steven, se parecia com ele, tinha a voz dele, mas não, definitivamente não era ele.

— Urgh Steven, está fedendo- comentou Lars levando a mão ao nariz -, caiu em alguma lata de lixo com alguma coisa podre dentro?

Sadie não dizia nada estava petrificada. Agora apertava os braços de Lars com força a ponto de machuca-lo.

— Sadie está me machucando – reclamou Lars desvencilhando o braço – não está vendo que é o Steven, provavelmente está voltando de alguma balada do Creme Azedo...

— Mas sou eu Sadie – por que não seria? – perguntou Steven, ele sorria – sabe, estou com fome... Eu estou voltando de muito longe, parece que não como nada faz uns... hum quatro dias !

— Não disse? – Falou Lars triunfante – só que ainda não tem...

— Espera Steven – interrompeu Sadie – acho que tem umas rosquinhas de ontem lá nos fundos, ainda estão boas – e puxou Lars novamente para a cozinha.

— Temos que sair daqui! – Disse baixinho , mas com a voz histérica – não viu o estado dele? Ainda acha que ele está vivo?

—Deixa de ser ridícula – Lars já estava impaciente — ele está andando falando mortos não fazem essas coisas!

—Mas é o Steven não sabemos como ele funciona, temos que avisar as Gems...

— Não, não precisa avisar – rosnou uma voz por traz dos ombros dela. Steven agora estava na porta da cozinha e caminhava na direção do casal – eu vou fazer uma visitinha para elas também – sorriso enviesado no canto dos lábios arroxeados, a íris dos seus olhos rodeada por um anel de sangue.

— Aqui estão suas rosquinhas – Sadie ofereceu um pacote tremula.

Steven ignorou o pacote, se aproximou mais ainda o cheiro de morte reincidia do seu hálito, olhos cravados em Lars.

— Ele não acredita em você Sadie – continuou Steven. Então deitou os olhos em Lars por um longo tempo,com uma espécie de sorriso na boca – para que acreditar ?Se sempre te enganou, não é Lars?

— Do que está falando? – Gaguejou Lars

— Ele não foi na casa da tia – prosseguiu Steven – desligou o celular para não ser incomodado, estava com uma namoradinha da internet, e ela era gostosa heim Lars?

Lars deu uma espécie de arfada, Sadie notou que Steven conseguira atingi-lo profundamente.

— É Sadie, eles se divertiram muito e riam de você, a trouxa, mas você deve estar acostumada né? Ele sempre faz isso.- Steven riu, uma risada agourenta que mais parecia um grito.

— Eu... eu. – Lars tentava se explicar o pior é que era verdade, mas como ele soube disso, ninguém sabia!

O olhar de decepção de Sadie tomou o lugar do pavor que ela sentia. Fulminou o garoto com os olhos, tinham assumido o relacionamento a pouco tempo, e ele estava pulando a cerca?

— Isso é verdade? – Quis saber.

O rapaz não sabia o que dizer, tentou desviar o olhar para evitar a cara de decepção dela.

— Mas não se preocupe Lars — Steven falou com uma voz muito rouca, tiveram de esticar a cabeça para ouvi-lo. Era como se tivesse cascalho nos pulmões.- Sadie sabe pagar com a mesma moeda, não é Sadie querida?

Agora foi a vez de Sadie, cambalear para trás.

— Do que está falando?

— Ué, você também não aproveitava e dava amassos, com todos os garotos, Creme Azedo, Buck, até o Ronaldo – ele parecia ter prazer contando coisas que eram segredos, segredos mais bem guardados – e você ria do tonto do Lars quando estava com eles e riaaa – ele riu mais alto dessa vez.

— Cale a boca! Cale a boca ou vou lhe dá um soco, seja lá que diabo você for!! – Gritou Sadie – Como sabe dessas coisas?

— Sei de muitas coisas – sibilou Steven se aproximando – dos seus segredos imundos, das suas mentiras.

— Saia daqui! – Gritou Lars avançando furioso contra Steven com os punhos fechados preste a desferir um soco. Mas num momento que não levou a metade de um segundo, a mão de Steven estava segurando o pescoço de Lars, precisamente na garganta.

Lar pode olhar nos olhos opacos dele, a respiração dele mesclou-se na sua respiração sentiu seu cheiro, tinha cheiro de sepultura. Era um cheiro nauseante, como se tudo dentro dele estivesse sem vida, podre.

— Eu não vou! não me alimentei ainda – e num movimento rápido e violento, Steven desferiu uma mordida na altura do ombro de Lars arrancando um naco de carne.

Sadie gritou, acuada no canto da cozinha pode assistir aquele espetáculo macabro. A pedra de Steven brilhou, uma luz mortiça , vermelha e maléfica. Parecia que se Steven estava drenando a vida dele através daquele ferimento, Lars envelhecera quase que instantaneamente. A pele parecia colar nos ossos. Steven largou o corpo desfalecido de Lars que caiu pesadamente, Sadie correu para apara-lo mas parecia segurar uma braçada de ossos. Então para seu horror viu que a carne dele havia sido chupada dos ossos.

— Sadieee – cantarolou Steven, sangue pingando no queixo – ainda tenho fome...

Não houve nem tempo para o último grito, o dia só estava começando.