Jar Of Hearts
10 When you're feeling empty
Notas iniciais

-Essa garota mexe com sua cabeça, não é Ferrow? O que aconteceu com vocês no passado?
Enquanto eu dirigia para Ballyfermot, Paola sussurrava em meu ouvido. Aparentemente eu estava distraível.
—Eu a ajudei. Depois do baile. Foi o mais perto que eu cheguei perto dela. Não sabia que ela poderia transformar isso em uma vingança pessoal.
—Mas eles questionam sua presença nessa missão.
—É questionam sim. Eu não vou ficar correndo em círculos tentando explicar com palavras. Minhas ações falam mais.
Acendi um cigarro. Apesar da cara de paisagem, eu não deixaria transparecer meu nervosismo naquele instante. Com tanta coisa acontecendo, a polícia estava de olho em mim. E a analista a polícia não soltou isso a toa.
—Eu penso que eles estão cegos procurando a verdade em um lugar errado. Se gastassem seu tempo com o que está a nossa frente, e não revirando o passado dela, eles não andariam em círculos.
—Eles? Não nós?
—Esta jogando comigo… Paola? Eles. Eles não fizeram o básico. Colheram o depoimento da Tommlison e nem pediram a principal evidencia do caso.
—Se refere a peruca.
—Sim, a própria.
Ela estava me analisando? Sim, ela estava me analisando. Eu era um suspeito agora?
—Eles não pensam como eu, por isso estou um passo a frente.
—Aparentemente não a frente do dela, eu presumo.
—Isso é uma questão de tempo.
Ao chegar no local e ver ele todo cercado, eu tive certeza, isso seria um puta circo.
—Não vai demorar muito, Paola. Hoje ou elas saem daqui presas, ou saem mortas. E Cobe aplaudirá com certeza. Salvar Jaykings é o propósito, prender ou matar as duas é só a consequência. Observe atentamente. Não tem escapatória, a verdade vai aparecer.
—E se a verdade for a Tommlison?
—Então ela pagará pelas escolhas que tomou até aqui.
Desci do carro e fui em direção a central aonde estava as câmeras.
—O que está havendo? Mas que porra é essa?!
—Ela entrou e amarrou as duas. Já usou uma quantidade massiva de drogas e álcool. Dançou cantou. Está esperando elas acordarem, eu acho.
—A quanto tempo ela está la dentro?
—Umas duas horas talvez. Porque não entramos e pegamos elas?
—Preciso de algo que possa ser usado no tribunal. Precisamos pegar elas no ato.
—Acho que afinal de contas ela não seja culpada.
—O fato de agora ela ser vítima, não a torna inocente. Continuem filmando.
Sai para fora, a fim de acender outro cigarro. Foi o prazo de dar uma tragada.
—FERROW!
Alguém gritou em desespero.
—A conexão caiu! Precisamos entrar agora ou ela matará as duas!!!
Sai as pressas em direção ao galpão. As equipes já se preparavam para entrar.
—CHEQUEM A CONEXÃO, PRECISAMOS TER OLHOS LÁ DENTRO!
Conseguimos abrir a porta do galpão e começamos a nos dividir. Apesar de saber muito bem como era o galpão por conta das plantas, precisávamos ter calma, para possíveis armadilhas. A equipe que estava na frente foi acometida por uma bomba de gás lacrimejante. Não podíamos parar por conta deles. Aguardamos um pouco a cortina abaixar e prosseguimos galpão adentro. Ouvimos um grito agoniante. Sai correndo eu sabia o que estava acontecendo. Me escondi e vi Heiner com o coração de Savannah em mãos, sofrendo com suas ultimas batidas. Em seguida fui avançando e por entre as fendas fui vendo Cecilia, ela parecia ter conseguido se soltar. Alguns dos oficiais se posicionavam ao nosso redor. Heiner dizia coisas sem nexo, com a arma apontada para ela. Nos víamos ela se aproximando, da Heiner na intenção de desarmar a mesma. Quando eu vi ela dizer o que poderia ser suas ultimas palavras eu apontei a minha arma. O suor descia pela minha testa.
—Não vai acontecer amor… Eu amei você, como nunca amei ninguém… Adeus, Cecilia.
Eu sabia que aquele era o momento. Então atirei. O tiro foi na cabeça, o que a matou imediatamente. Porem o tiro que ela havia disparado, pegou no ombro da Tommlison.
Eu corri para socorrer a mesma. Ela estava bem, só estava sentindo dor. A missão jarro de corações havia chegado ao fim. Dois corpos e uma prisão. Tudo estava virado contra Heiner, contra Cecilia havia provas circunstanciais. Aquele momento, era o momento que todos esperávamos. A grande revelação.
{NAQUELE DIA MAIS TARDE}
Eu estava algemada sobre a cama. Eles desconfiavam de mim. Meu ombro direito doía muito. Aquilo deixaria uma cicatriz. Confesso que por um momento senti uma tristeza branda em meu coração. Ver a Lizzie cair no chão sem vida, aquilo mexeu comigo. Não esperava essa emoção. Mas o que veio a seguir manteve minha mente e coração ocupado. Precisava manter o foco no que havia acontecido. Apesar de estar sentindo algo, Lizzie era um meio para um fim, no final das contas, ela sabia disso. Ela não disse nenhuma palavra que me deixasse em maus lençóis. E foi quando eu o vi. Marc Carmine Ferrow. Eu não o via a alguns anos. Ele estava diferente, alto, forte e com postura autoritária. Tchau, Lizzie…
—Cecilia Tommlison.
—Marc Ferrow.
Fiz uma expressão assustada.
—Ela esta…?
Não conclui a frase…
—Sim, ela morreu.
Choro. Oscar. Liberdade. Deu vontade de rir desse pensamento.
—Encontramos duas cartas de despedida.
Perdi o ar.
—Duas? O que quer dizer? Que Lizzie escreveu duas cartas de despedida?
—Sim. Foi exatamente o que eu disse. Mas não pode ser exatamente o que aconteceu.
—O que quer dizer?
Pisquei atordoada. Uma eu estava presente quando ela escreveu, a outra não. Estupida. Se tiver atrapalhado meus planos eu vou até o inferno para te buscar.
—Isso implica você de várias formas.
—Esta dizendo que eu sou cúmplice de tudo que estão acusando ela?
—Você é?
—Claro que não. Você sabe que eu sou capaz de me machucar, mas quando foi que me viu machucando alguém?
Eu estava de fato muito nervosa com as suposições dele. A minha pressão subiu. A enfermeira logo apareceu.
—Vocês devem se retirar, a paciente precisa descansar.
Ele suspirou.
—Amanhã te levaremos para responder algumas perguntas. Descanse.
—Marc…
Ele se virou para ela.
—Vou poder me despedir dela?
—Boa noite, Cecilia.
A enfermeira ao me lado me olhava um pouco assustada.
—Será uma longa noite, vou te medicar, para que você não sinta dor e durma em uma noite coberta de sonhos.
Ela sorriu desconfortável. Não sei se era a medicação, mas o medo dela me fez sentir tão bem que adormeci… Ela tinha razão, eu sonhei.
Acordei as 5 da manhã sentindo uma terrível falta de ar. A Enfermeira estava com o travesseiro sobre o meu rosto me sufocando. Minha mão esquerda estava presa a cama e a mão direita impossibilitada pelo tiro que levei. Eu só podia me debater e tentar gritar. Quanto mais eu me movia, mais ela tentava me imobilizar. Estava se tornando cada vez mais difícil de respirar, eu já sentia um tênue desespero. Quando ouvi alguém chegar.
—O que está acontecendo aqui? Prendam ela!
Quando ela saiu de cima de mim eu senti um alívio, e respirava fundo buscando o ar que me faltou todo esse tempo.
—Avisem o Marc.
—ELA NÃO MERECE VIVER!!!! MINHA IRMÃ SOFREU NAS MÃOS DESSA ASSASSINA!!!
—Tirem ela daqui e chamem o Marc!
Não demorou muito eu estava em um quarto privado no hospital e não na enfermaria. Marc adentrou o quarto perguntando o que havia ocorrido. A irmã de uma das stripper mortas no meio do caminho era enfermeira naquele hospital. Ela tentou me matar. Idiota.
—Como você está?
Marc me tirou dos devaneios.
—Como quem acabou de perder a melhor amiga, amor da minha vida e quase foi morta por alguém que não conheço. Vocês me chamam de cúmplice e de assassina, mas nesse momento a maior vítima sou eu. Não percebe o quanto eu perdi? Até saberem a verdade, eu serei julgada, estereotipada… Meus pais…
E o choro veio de novo. Meus pais eram importantes para mim.
—Srta. Tommilinson eu sou Paola Novaes, daqui para frente, sua conversa é comigo.
Ela passou por Marc e sua mão foi em seu ombro. Eles estavam flertando? Ficando? Marc estava fodendo ela?
—Eu vou…
—Ah, fique Marc. Será do interesse da polícia a nossa conversa.
—Por que você matou todas essas garotas e obrigou a Heiner a se matar?
Eu me sentei para ficar a altura dela.
—Essa sua pergunta não tem nenhum cabimento. Eu me recuso a falar com você.
Falei cerrando os dentes.
—Eu não sou culpada, e você não vai me fazer fingir que sou, para ganhar a sua promoção em cima das minhas costas. Eu amo ela. Ela era a parte da minha vida que tinha paz. Se sei explicar o porque ela fez isso? Eu não sei. Mas durante todos esses anos eu acordei e dormi com ela. Fizemos viagens, ela aplacou minhas ansiedades e meus medos. Não, eu não sei o porque ela fez isso, me deixe em paz.
Recostei minha cabeça na cama sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Bom, nem tudo era mentira, ela realmente esteve presente nas minhas crises de ansiedade. Foi leal. Se tivesse conseguido se estabilizar ela seria incrivelmente perfeita para a vida. Mas ela ansiou voar muito perto do sol e como Ícaro, ela caiu. Eu era o labirinto.
—Você já viu a carta dela?
—Paola…
Ele a chamou pelo primeiro nome? Nesse angu tem caroço. Ela o olhou por cima do ombro.
{A quem encontrar essa carta.}
{Eu sou Elizabeth Heiner. Olá. Você já quis tanto encontrar um amor?
Tanto que faria qualquer coisa por ele?
Eu faria por ela. Ela é meu ponto fraco, meu calcanhar de aquiles.
Mas eu não me sinto suficiente as vezes. Talvez eu a ame tanto que, não seja capaz de ver se ela me ama ou não.
Faria qualquer coisa por ela. Eu fiz. Se você está lendo essa carta, puta que pariu, eu estou morta.
Vocês vão tentar acusá-la, dobrar ela, até mesmo reduzir ela. Mas fui eu. Eu planejei tudo. Só não planejei o encontro dela com o Theo. Ela pensava em me deixar? O que é mentira ou verdade?
Eu não sei.
Eu não sei…
Mas eu sei de algumas coisas}.
Nesse ponto meu coração começou a acelerar por conta da emoção sentida, eu sabia as palavras que sairiam a seguir, afinal de contas, é como escrever uma peça e ver ela sendo encenada naquele momento. Eu podia arrancar o coração da Paola, quase podia senti-lo em minhas mãos, havia essa necessidade, meu sangue fervia por isso.
{É tudo minha culpa. Eu cometi todos esses crimes. Eu fiz. E posso detalhar cada um deles. Posso explicar o porque matei a Chelsea antes de conhecer a Ceci. Eu já havia topado com a Chelsea. Ela propôs que nos envolvêssemos de forma que a família dela não soubesse, pois a família não suportaria a ideia da filha ser “desse jeito”. Imediatamente eu soube. Soube que queria sentir o coração dela em minhas mãos…}
—Para, por favor!
Levei as minhas mãos ao meu rosto.
—Eu não aguento mais. Por favor.
Virei para a lateral da cama coloquei um dos dedos na garganta e vomitei.
—Acho que já tá bom por enquanto.
Paola se aproximou de Marc e sussurrou em seu ouvido.
—Você não está caindo nesse joguinho… Ou está?
—Qual o seu prognostico doutora?
—Ela é uma psicopata, e das melhores.
—O Problema Paola, é que não temos prova que coloca ela nos locais dos assassinatos. Sendo assim, o relacionamento dela com a Heiner, não faz dela uma assassina. Quer mais? Com duas cartas que diz a mesma coisa, só mudando o alvo. Uma é pra polícia, a outra é para ela.
—Ache a bota masculina, e teremos ela no local do crime.
Apertei o botão da enfermagem e repeti o ato de vomitar.
—SAIAM, AGORA!
Gritei com eles. Logo a enfermeira entrou e colocou um remédio no soro. Aos poucos fui apagando e pude dormir novamente.
Acordei. Estava chovendo. Do lado da maca havia um vestido preto. Paola estava sentada lendo o que parecia ser a outra carta.
—Você não devia estar aqui.
—Você pediu para ir ao enterro, Ferrow achou melhor que eu a acompanhasse. De mulher para mulher sabe?!
Me sentei na cama e ela veio para me ajudar.
—Não preciso de você fingindo que está aqui para me ajudar.
—Eu não estou fingindo, eu estou aqui para te ajudar.
—Preciso de um banho.
—Ok…
Pude ver ela revirando os olhos. Ela me ajudou a tirar a camisola, deixando meu corpo nu. Ela pode me observar. Eu tinha algumas cicatrizes pelo meu corpo. Palavras escritas. Lugares discretos e outras nem tanto.
—O que foi isso?
—Marcas da adolescência. Se puder se retirar eu agradeço.
—Não precisa de ajudar.
—Eu posso fazer isso sozinha.
—Não vai doer?
—Já teve seu coração partido, Paola?
Ela balançou a cabeça em negativa.
—Isso sim, é dor.
—Mas existem tantos amores.
—Esse é o ponto. Existem sim. Mas todos podem te quebrar, aos poucos, até não existir mais você.
Fechei a porta do banheiro. Deixei a água quente lavar a minha alma. Podia parecer que não, mais isso era extremamente exaustivo. Minha bateria social se esgotava a cada segundo. Mas eu iria até o fim.
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