Jar Of Hearts

20 Runnin' 'round leaving scars


Notas iniciais
Antes de você continuar a leitura, há algumas considerações a serem feitas. Esse seria o último capítulo, porém, quem me segue sabe que eu sou detalhista, e na intenção de oferecer um final digno para a nossa história, eu acabei escrevendo mais de 3000 palavras. Isso acabou me obrigando a dividir o vigésimo capítulo, escrevendo e dando fim a história ao vigésimo primeiro. Não demorarei a postar o último capitulo. Sem mais delongas. Enjoy.

Victor havia saído do local aonde estava escondido. Ele havia mencionado que no parto da filha, ele quem teve que ajudar, provavelmente foi atraído por seu instinto paterno. Marc continuava com a arma apontada pro Theo. Eu comecei a suar, enquanto eu sentia o meu corpo se movimentando para deixar a criança sair. Apoio na cadeira próxima a mim na intenção de sentar.

—Vocês se odeiam, eu odeio vocês, mas nesse momento eu preciso de alguém pra me ajudar a dar a luz.

Falei aos berros.

A primeira contração veio, e eu me encolhi sobre a cadeira. Victor adentra a casa e Theo fica confuso sobre pra quem apontar a arma.

—Amélia…

Victor se aproximou.

—Não se mexa porra!

Theo apontou a arma para Victor e começou a se aproximar de mim.

—Ninguém se mexe.

—Você perdeu Theo.

—Eu vou explodir a cabeça dela, experimenta Marc!

Victor foi largando a arma dele.

—Eu só vou ajudar no parto da Amélia. Se a criança não estiver no lugar certo, morre as duas!

Victor falou com a voz serena, agindo de forma calma.

—Abaixa a arma Theo.

O olhar dele estava vidrado. Eu me continha, qualquer grito que eu desse naquele momento poderia gerar um disparo. Ele pagaria caro por aquilo.

—Vocês cuidam dela, eu vou ficar aqui.

Olhei para o Marc que apenas acenou com a cabeça.

—Pegue uma bacia com água e algumas toalhas Marc.

Ele se virou para mim.

—Preciso deitar você Ceci.

Apenas concordo. A dor era tamanha, eu não conseguia raciocinar direito, maldita hora da chegada dessa criança.Victor veio atrás de mim e me segurou pelas costas. Marc saiu em busca das toalhas, logo em seguida voltou com muitas coisas em mãos.

—Preciso de uma tesoura.

Theo parecia em choque.

—RAFAEL!

Ele piscou algumas vezes e algumas lágrimas desceram por seu rosto.

—Na gaveta atrás de você!

Marc abriu a gaveta e pegou a tesoura. As contrações só aumentavam, assim como meus gritos. Victor fez o toque em mim.

—Temos um problema! O bebê não está encaixado. Amélia, eu vou precisar virar o bebê.

—E quantas vezes você fez isso?

—Somente quando minha filha nasceu, e eu estava cercado de pessoas que entendiam a situação!

—O que pode acontecer de pior?

Marc perguntou aflito.

—EU POSSO MORRER, E A CRIANÇA TAMBÉM. TIRA ISSO DE MIM LOGO VICTOR.

Disse aos berros. A dor era crescente. Já não estava nos planos ter um filho, se eu sobrevivesse a tudo isso, eu tiraria meu útero, para jamais sentir essa dor. Victor posicionou as mãos sobre a minha barriga.

—Amélia, não faça força agora, não empurre o bebê para fora.

—Está doendo, por favor…

Segurei no braço do Victor.

—Por favor…

Victor começou a mover minha barriga na intenção de virar a criança. Eu só sabia gritar, a dor das contrações e do movimento era quase insuportável. Eu já estava exausta.

—Eu não vou conseguir…

Meu corpo começou a fraquejar. Era muito pra mim. Pra quem sabia de muito, a dor não era algo que eu sentia sempre. Marc segurou em minha mão. Foi um gesto sem sentido naquele momento, pelo menos para mim.

—Amélia, você consegue, você é forte, só mais um pouco eu te peço.

—Mais uma vez.

Victor falou. Eu nem conseguia gritar.

—Empurra, agora!

Respirei fundo sentindo o suor molhar todo meu corpo, e com um último grito, tudo silenciou. Depois de alguns segundos, eu pude ouvir um choro quase distante.

—É um menino!

Eu não via Theo, mas ouvi Marc falar algo sobre ele estar em estado de choque. Meu corpo aos poucos se entregou ao cansaço, a última coisa que eu vi, foi Marc, segurando a criança no colo e dizendo:

—Olha Ceci… Vai se chamar George.

George, o que essa criatura que acabou de chegar ao mundo, teria de tão especial para se chamar como meu pai? Enquanto Marc tentava colocar ele em meus braços eu perdi a consciência. Eu sabia que não sentia nada. Mas o inconsciente depois do parto foi um imenso vazio.

POV Marc.

Na cozinha havia um cesto de pães, eu coloquei algumas cobertas. Depositei George no cesto e voltei para sala. Victor estava sobre os joelhos com uma arma apontada para a cabeça.

—Você é um babaca idiota, mas não é um assassino, então abaixa isso.

Me aproximo.

—Vocês não vão viver um “Felizes para sempre” como se ela fosse uma princesa da Disney! Se não sair da minha frente, nenhum dos três permanecerá vivo.

Ele estava ensandecido, não tinha mais salvação. Não queria matá-lo, mas talvez não tivesse escolha.

—E você vai apodrecer na cadeia…

Tentei dissuadir ele.

—E você acha que vão acreditar em quem Marc? Em mim, a vítima, ou em você? Você sempre foi fraco Marc, por isso eu era o alfa, alvo desejado.

—Quem eu sou, não é ser fraco Theo, eu tinha um caráter, você mexeu no vespeiro e não eu. Eu sempre fui apaixonado por ela, não podia simplesmente sair de cena?

Ainda havia muito rancor.

—O que você ainda não entendeu Marc, é que ela nunca vai te amar… Eu fui uma desculpa para desencadear quem ela realmente é…

—E você? Qual a sua desculpa? Vai matar um homem inocente para que? Provar sua tese? Liberar quem você é?

Ele cerrou os dentes.

—Inocente? Homem inocente? Qualquer um que se envolva com ela, não tem um pingo de inocencia dentro de si.

Ele colocou a mão no pescoço do Victor.

—Então Victor? Qual a sua parcela de culpa? Quantas vezes dormiu com ela.

Victor então ergueu a voz.

—Diferente de vocês doentes e atraído por ela, tudo que eu fiz foi por minha filha Beth.

—Aaaaaaa, então arrancar corações é um negócio plausível agora? E eu sou o doente?

Tive que intervir, dei mais um passo para a frente e ele voltou a apontar a arma para Victor.

—Eu estava lá quando ela adoeceu, eu vi todo o processo, enquanto você se divertia e gozava da sua juventude, ela tentava entender porque a única pessoa em quem ela confiou de verdade a humilhou.

—Não foi eu quem humilhou ela, foi a Hardgraves…

—E o que você fez a respeito? Você nem foi ver ela depois disso. Eu estava lá. Ela deixou o que cultivamos, porque o ódio dentro dela oprimia qualquer sentimento bom. Você se acha superior? Você usou pessoas a vida inteira para preencher esse vazio que seus pais autoritários deixaram em você.

Respiro fundo.

—Você tem uma chance de se redimir.

—Redimir?

A arma voltou sua atenção a mim.

—Remissão? Você conheceu a Lena Cobe. Ela conheceu a Cobe. Você acha que a Lena merecia o final que teve? Tudo bem você ser juiz da Hardgraves e da Jaykings… Mas que pecado a Lena cometeu Marc? Eu havia visitado ela semanas antes, pedido que viesse trabalhar comigo, que eu tiraria ela daquela vida. Ela me pediu alguns dias antes da mudança…

—E eu a matei. Com prazer é claro.

Amélia havia se levantado e estava com uma arma em mãos apontada para a própria cabeça como quem pensava. Parecia fraca, estava pálida ainda.

—Vocês não sabem que eu preciso de repouso absoluto. Ordens médicas!

Ela começou a rir de forma histérica.

—Aonde vocês acham que essa discussão vai levar? O que foi feito não pode ser desfeito. Mas Marc tem razão Theo, se você tivesse tomado, nem que seja só uma decisão em me ver e pedir desculpa, teria poupado partes do derramamento de sangue.

Nesse ponto Theo não sabia para quem apontava a arma.

—Então você confessa que não era só parte da vingança, não é mesmo?

Ela deu ombros.

—No início foi. Até Chelsea vir a mim… Um presente caprichado pelos deuses. Quando o coração de Hardgraves bateu pela última vez em minha mãos, eu surtei. Todo aquele cenário melodramático adolescente chegando a um fim, eu fiquei vazia. Me senti abençoada, com um dom. “Ninguém tem direito de tirar uma vida” Eles dizem, mas tirar uma vida é tão emocionante excitante.

Ela suspirou com saudade nos olhos.

—Mas isso é passado. Agora podemos ter uma família. Ela conseguiu viver em paz e…

—Marc querido…

Ela levou o dedo em meus lábios.

—Não me defenda. O que eu sou não precisa de defesa. Foi divertido ser a dona de casa enquanto vivemos esses meses juntos. Mas você não faz ideia de como é por dentro. Essa tempestade que se forma quando eu tento acalmar minha parte externa, o escorrer do sangue, os últimos suspiros…

Ela alcançou a tesoura sobre a mesa.

—Até que eu encontrei a Sra. Amil… Ela torrava minha paciência umas duas vezes ao dia. Se não fosse o Theo ter atravessado meu caminho, eu estaria saciada e feliz, cozinhando costelas para o Marc até o final do dia.

—Pensei que estava brincando quando disse que podia me deixar ocupado…

Na minha cabeça começava a ficar claro, na minha garganta um nó e meu coração… Partido. E afinal das contas, eu estava mesmo cego, pelo que mesmo?

—E era na intenção de me diverti e te manter ocupado, viu, excelente esposa. Mas Theodore não sabe o lugar dele no mundo, não é mesmo Theo?

—Vagabunda!

—Ah… Você me chamou assim várias vezes. Já contou ao Marc o que fez comigo nos últimos dias enquanto eu estava grávida dele?

Aquilo me despertou. Eu pisquei várias vezes perplexo, seria mais um dos jogos dela?

—Do que ela está falando?

Meus olhos estavam nele, enquanto ela se sentou sobre o móvel observando.

—Eu…

Algumas lágrimas caíram dos olhos dele. Isso era real?

—Ele me violou de todas as formas possíveis. Isso quando não estava me batendo.

—Você estuprou uma mulher grávida? Isso é inaceitável!

Eu rangia os dentes. Fui persuadido por uma ira, quando me vi já estava em cima dele, não liguei para a arma que estava em suas mãos. Eu soquei ele o máximo de vezes possível. Minhas mãos estavam cobertas de sangue e minhas vistas um pouco embaçadas. Mas eu pude ver quando ela atacou ele dando várias tesouradas e em seguida arrancando seu coração em mãos.

—Você me drogou?

Minhas mãos formigavam e minhas pernas começaram a falhar. Victor? onde estava Victor? Amelia… Cecilia… Theo, George. Meu filho George. O impacto do meu corpo com o chão nem foi sentido. Eu não perdi os sentidos de imediato. Ainda a via bailando pela sala de jantar. No rádio tocava uma canção. Ela estava com o coração do Theo em mãos.

—Amelia… Amelia…

“When I had you (When I had you)

I treated you bad and wrong my dear
And girl since, since you went away
Don't you know I sit around
With my head hanging down
And I wonder who's lovin' you… — Onomatopeia musical. (Michael Jackson – Whos Loving You).

Notas finais
*Suspiro* Primeiro: Não me odeie. Diz pra mim se você já tem algo em mente sobre esse final...?! Xoxo - Ruiva (Red).
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.