Notas iniciais
Olá mkkkkk, esta fic foi postada para o desafio #IwaoiSquad no dia 20/12/18 no Spirit, mas estou postando aqui no nyah pq aprendi a usar o nyah no celular faz pouco tempo a

Literalmente no chão era onde Oikawa estava.

Não por ter escorregado ou decidido sentar para descansar por uma dor nas costas repentina, e sim por ter se atirado dentro do boxe evitar que waizumi não o visse do outro apartamento de apenas dois metros de distância.

Para que não visse sua bela face. Sua aparência que tanto enalteceu e que sempre arrancou suspiros joviais e maduros.

Suspiros, estes, nunca soltado por Iwaizumi.

Isso não significava que ele e seu vizinho possuíssem algum relacionamento conturbado e estranho, afinal, se davam incrivelmente bem — às vezes nem tanto. Uma ótima amizade que desenvolveram em três meses incomuns e interessantes de canções noturnas e coreografias esquisitas — e, falando a verdade, a única coisa possível de ser vista era a metade de sua sombra caso não fosse de dia.

Se davam tão bem que acabou se apaixonando por uma pessoa sem rosto.

— Ei, tem alguém aí? — Ouvi a voz de meu futuro marido e pai dos meus filhos.

Deus, o que responderia após minha nem tão sutil tentativa de fuga?

Respirei fundo e ignorei. Quem sabe Hajime não o ignore também.

— Tch, Oikawa? E você que está aí?! — dessa vez, mais alto.

Ajustei meu óculos quadricular ao rosto e me arrumei melhor na parede dentro do box.

Certo, seria um longo tempo que ficaria alí.

Fingi estar calmo e confuso como se tivesse acabado de acordar de um pequeno descanso.

— Oh, lwa-chan? Por que está gritando? Não sou surdo, sabe?

Ok, depois dessa atuação terrível mereço ser expulso do mundo artístico.

— Responde, porra! Que susto. Como vou saber se é voce mesmo? Notei o tom fora de controle do meu banheirocrush.

—Anw, estava preocupado com a possibilidade de ser outra pessoa? Acalme-se, aqui é muito seguro. — que coisa linda.

— E eu vou saber? Olha esse banheiro todo escuro, como conseque ficar nesse lugar?

— Ahn... eu gosto de apreciar o escuro.

— Escuro? Logo você que adora ter holofotes sobre si?

— É, estou relaxando na banheira, Iwa-chan, e não é como nunca tivesse acontecido. Talvez eu tenha derrubado água nas velas que coloquei na intenção de deixar o ambiente melhor. Coisa de gente rica. — Se eu fosse rico o suficiente não estaria vivendo aqui. Também não teria conhecido a oitava maravilha do mundo vulgo um homem lindo que roubou meu coração.

Males que venham para o bem.

Observei minha mão ao piso e notei alguns cacos de vidro da janela próximos a ela.

Obviamente estava mentindo. Droga, do fundo de todo meu coração espero que ele não pergunte.

Sério, de todas possibilidades que pensei em como declarar para Iwa-chan nenhuma delas incluía estar em uma banheira falsa.

"— Merda, merda, merda! Como eu não pensei nisso antes?!

Tenho certeza se existisse a possibilidade de todos do prédio me verem nu entre Iwa-chan, eu escolheria todos do prédio.

Apesar de ser apenas possível ver meu rosto levando em consideração a parte da janela que foi quebrada.

Oh, que ideia resolver dançar no banheiro com um todo na mão! Eu faço uma bela performance, desço até o chão e por algum destino ridículo escorrego na subida e tanto o vidro de meu box tanto minha janela resolvem magicamente quebrar.

Eu não posso simplesmente decidir mostrar meu rosto depois de meses nessa tensão-sexual-que-só-eu-sinto de cantar músicas quentes — algumas nem tanto — para Iwaizumi revelando toda a graça desse jogo nunca definido.

E pensar que eu alcanço grandes encontros fracassados apenas por minha beleza. Quem sabe eu encontre um novo emprego como modelo se ele me rejeitar e ver o que perdeu? Mesmo que apenas ingressar na nova editora pelos meus trabalhos muito bem elogiados me fez garantir fundos o suficiente para reformar meu apartamento — não, não reformei nada, pretendo me mudar para algum lugar mais tranquilo.

Há algo que eu não faça que é bom? Excluindo manter um local inteiro, certamente.

— Em falar nisso, ainda não conheci ninguém para me orientar o que cada um faz na editora. Hmmm… — dou uma bela checada no espelho — Vejo como minhas habilidades de interação estão decaindo cada vez que entro em contato com Iwa-chan.

Clic. Ouço algo sendo apertado. Olho em direção a brecha ocasionada pelo meu desatento e vejo ele entrando com uma toalha pendurada em seu ombro.


Foram poucos os segundos após esta cena, mas pude notar como sua cara estava emburrada com um beicinho muito fofo. Sua pele morena marcada com um pequeno vinco em suas sobrancelhas franzidas — por algum pensamento inoportuno ou por ser naturalmente mal-humorado — era tentadoramente atraente.

Seus olhos provavelmente seriam escuros e ocorreria um ótimo contraste com seu cabelo.

Oh Deus, eu me apaixonei pelo homem certo.

Minha devoção não durou muito tempo — Puta que pariu, é o Hajime!

Instintivamente me joguei no chão dentro do box e fiquei no chão esperando alguma coisa ser dita ou uma risada ser proclamada."

Agora, estou aqui.

— Nunca me disse que tinha uma banheira. — Hajime rebateu, ou, afirmou para si mesmo que eu realmente nunca disse isso.

— Você nunca perguntou.

— Hn, verdade.

Ficamos em silêncio. Não temos esse costume de não falar nada. Falamos, e muito. Um tempo atrás no banho decidi mudar minha semana religiosa de pop, cantando alguma música das minhas playlists “cantsr cm meu crush lindo e ele entder que eh uma indireta” e “qnd ngm tkver perto”— o motivo de “quando ninguém estiver perto?” obsceno demais — quando Iwa entrava, eu gostava de intercalar entre as duas, claro. Meu vizinho é a pessoa com quem eu tenho uma queda gigantesca e claramente não é alguém que eu considero como ninguém.

Aah, o que eu não daria para ver aquele rosto novamente?

— Ahrm… então… — ele começou.

Respirei fundo — então... não iremos cantar nada hoje? Meu celular está longe, então como a humilde e caridosa pessoa que sou deixo você escolher as músicas hoje. — alguém tinha que começar a falar algo. Cantar é praticamente um ritual para nós dois.

— Calado, Shittykawa! Qual o seu problema de não deixar as pessoas terminarem de falar? — credo, com certeza aquela expressão anterior era por mal humor. — Por que não apareceu ontem?

Ontem? Ah.

Ontem…

— Você não vai acreditar! Foi um craaash e um plemplom horrível. Meio que eu fui na casa de uns amigos e no caminho ocorreu um assalto horrível, entende? — comecei a falar empolgado.

— Não.

— Então, me confundiram com um dos assaltantes e nossa! Nem estava com uma arma. Devem ter me incriminado por ter tentado ajudar uma senhorinha entrar no carro. Ela 'tava meio perdida e fui descobrir um pouco depois que ela era alvo do assalto.

— Oikawa, quer mesmo que eu acredite nisso? — Iwa-chan me perguntou ligando o chuveiro, enquanto aumentava seu tom de voz — Eu não sou sua mãe, é um pouco surreal uma situação dessas acontecer.

— É, né? O pior foi houve depois disso.

— O que houve depois disso? — Indagou, curioso.

— Pensei que não estava acreditando nisso. — escutei aquele famoso tch feito pela língua de Hajime, baixo e sei que se pudesse, voaria daquele apartamento para me encher de porrada. —… Eu fui levado junto pois pensaram que eu estava transformado um assalto em um sequestro. Já estava tarde então saí de lá entre seis e sete da noite.

— Então porquê não voltou para casa? Teve tempo.

— Ah, bom… pensei em como me declarar para você. — arfei depois dessa última frase. — Só não deu em nada.

Estupidamente burro é a frase que estampa minha testa neste exato momento.

Escutei a pressão do chuveiro cair gradativamente enquanto era desligado.

— Creio que não escutei direito. — Hajime soltou após dez segundos contados de espera.

— Sei que sempre entro no banho as oito, não pude evitar de faltar em nosso encontro noturno ontem, sinto muito. — suspirei. Ando fazendo isso muito ultimamente.

— Não temos encontros, Oikawa. — Iwaizumi se remexeu de acordo com o que pude entender de um intenso farfalhar de cortinas. Elas não são muitos úteis. — Pare de brincadeiras.

— Não estou brincando, Iwa-chan! Eu realmente estive pensando em me declarar! — me exasperei, não podia perder esta oportunidade depois de ter chegado minimamente longe. — Não quero que vá antes de eu dizer isso.

— Isso o que, Toru?! Você acabou de roubar a porra da minha ideia, cara!

— O quê?

-//-

Quinze minutos atrás.”

Mirei o relógio que constava aproximadamente dez para as oito. Oikawa entra no banho entre oito e oito e meia.

Somado à isso, tenho o tempo exato para esperar meu jantar ficar pronto e aprecia-lo sem pressas.
Sem querer me gabar, mas sou um ótimo cozinheiro Eu não apenas pego os ingredientes e coloco-os na panela, eu sinto eles. Sinto sua textura, o cheiro, observo sua cor e seus sabores são transmitidos sem mesmo provar.

Ninguém acredita nisso quando presenciam um cara brigando por tofu quasevencido. Ênfase no quase.

Isso também me dará tempo para pensar em como perguntar a ele o motivo de não ter aparecido ontem. Doente? Algum resfriado? Acidente com algum parente? Trashykawa ingrato! Depois de tudo que passamos.

Tenho acompanhado sua — nossa — rotina à meses desde que ele começou a cantar Katy Perry no banheiro no primeiro dia que me mudei para cá. Meu caro vizinho que apenas conheço de nome — e voz — me cativou pela sua… hm, digamos que emoção e profundo amor por cantoras pops, já que em todas as vezes apenas Jessie dominava às segundas feiras, Miley às terças, Lana às quartas e algumas cantoras que ainda não decorei as vozes no resto da semana.

Ultimamente ele anda saindo de nosso padrão não estabilizado com músicas estranhas, suspeito. Seria uma indireta para que eu pare de o acompanhar?


Se for eu não me importo. Estou muito preocupado em cantar junto deste homem até então desconhecido.

E imagino que homem.

— Talvez eu esteja criando expectativas de mais. Não sei nem se ele possui vontade de me conhecer. — Jogo — tento — meus cabelos recém cortados para trás enquanto suspiro e levanto-me da mesa da cozinha. — Seria muito bom que sim… tch. Malditos homens sensuais conquistadores de mentes.

Levanto da cadeira da sala e vou em direção a cozinha.

Fiz miojo. Sim, um prato muito sofisticado e sem duvida alguma ajuda tradutores de livros estrangeiros esfomeados após passar o dia inteiro correndo atrás de escritores que ficam em redes sociais ao invés de responder ‘’Que tipo de gíria é essa?’’ e ainda acham ruim quando o manuscrito não é aprovado colocando a culpa em mim.

’Mas você não é um ótimo cozinheiro? Poderia estar fazendo algo mais saudável!’’ perguntariam. Claro, se eu não os mirassem com meus olhos extremamente cansados mandando-os para a puta que os pariu.

Ai de quem reclamar das comidas que faço.

Retiro-o da panela e o tempero, logo em seguida colocando em um recipiente redondo para ter o prazer de tomar o caldinho restante enquanto sinto minha vida se esvaindo, de acordo com minha vó, junto com o conteúdo cancerígeno que irá matar-me lentamente enquanto durmo.

Pfft, como se a água misturada com o tempero fosse um serial killer em uma falha tentativa de me sufocar com o travesseiro.

Talvez seja.

Dei uma garfada com certo ódio no macarrão da vasilha redonda com este pensamento. Não duvido nada que algum cientista maluco que após ver 'Tá Chovendo Hamburguer tivesse a mesma ideia de giríco e fosse tentar realizar a tal proeza estupidamente estúpida de dar vida aos alimentos.

— Gente maluca. — murmurei. Dei uma sugada em um fio de macarrão ocasionando um barulho molhado enquanto olhava para a porta fechada. Uma mão apoiada no rosto. — Aquele filho da puta estragou os meus planos.

Se um dia me dissessem que existe alguém que estraga coisas minimamente planejadas pior que o Oikawa irei rir até estufar. Não posso fazer nada pois nunca vi o rosto dessa desgraça. Apesar se eu visse qualquer pensamento estranho com certeza sumiria sem nem disser au revoir, passar bem.

Primeiro, passei o dia inteiro escrevendo uma música nem tão boa, ainda sim foi de todo meu coração! Peguei alguma soundtrack de algum filme que, absolutamente, foi Toru que mencionou amar de paixão e sei que não existiria coisa mais romântica, e baixei para deixar o clima melhor quando coincidentemente, começasse a tocar.

Segundo, treinei a minha voz para que não houvesse nenhuma falha e Oikawa risse de mim quando percebesse que não é alguma música conhecida ou de alguém famoso.

Terceiro, esperei o dito cujo à toa. Ele não apareceu.

Agora, a bendita pessoa que me faz sentir como quando ganhei meu primeiro dinossauro de brinquedo, dá a entender que decidiu faltar por pensar em como se declarar para mim! É mole?

— O que, o quê? Não vou deixar você continuar! É para eu fazer isso, não você.

— Mas, Iwa-chan! Eu pensei muito tempo nisso — Shittykawa começou a gritar do outro lado da janela. — Você roubou minha ideia!

— Nem vem! Estou pensando faz uma semana nisso! Você começou isso ontem.

— Quem disse?

— Eu!

Maldito. Meu esquema está indo por água abaixo. — Escute, é muito importante isso para mim, ok? Me deixe começar primeiro.

Não cheguei até aqui para nada. Um silêncio foi lançado pelo outro lado. — Ei?

— Estou esperando, Iwa-chan.

— Então avisa!

Me ajeitei, suspirei e passei incontáveis vezes a mão nos meus fios molhados. É agora.

Cê me ligou mas eu não vi
Já faz um tempo, eu parei de sentir
Agora cê sabe que eu tenho que ir
E eu tô ligado se quiser partir

Calma, é isso que preciso. Ele não irá fugir. Está ali, por mim, e quer ouvir-me. Está esperando isso tanto quanto eu. É uma pena que eu não tenha escrito com base neste pensamento.

Eu sei o que eu falei, eu não volto atrás
Desculpe amor eu não aguento mais
As suas falhas são propositais
Desculpa se eu não sou um dos seus principais

Droga, não foi isso que Oikawa disse. Ele passou horas fora de casa por mim!

É que aconteceu e eu não quis parar
Não sei se eu quero te encontrar
É que aconteceu e eu não quis parar
Não sei se eu quero te encontrar

Não. Eu quero encontrar ele. Eu sei que sim. Insegurança não é a palavra-chave que define isto. Eu preciso ver Toru. Eu preciso mudar a letra agora.

É que ontem a noite choveu
E mesmo assim eu queria te encontrar
É que quando eu lembrei de você
Não consegui parar de imaginar

Respirei fundo.

É que quando eu lembrei de você
Já era tarde pra parar
De imaginar você

Estou completamente emocionado. Quando foi a última vez que chorei? Seguindo para a parte final, agora não sei se realmente devia ter começado. O que eu falei sobre insegurança mesmo?

Você tem que me dizer o que a gente vai ser
O que eu tenho pra dizer é que eu só penso em você

Silêncio. Novamente.

— Você pode me dizer se gostou ou não, Toru.

— É… a primeira vez que você me chama de Toru. — Ele finalmente me respondeu.

— Eu sempre te chamei assim. — Eu meu coração, sim. É muito clichê se eu disser isso.

— Na verdade não. — Toru deu uma risadinha escrota que nem eu acreditei. — Eu entendi o que quis dizer. Isso está parecendo uma história criada por uma adolescente para outras adolescentes. Não pode ser real.

— Larga de ser idiota.

— Rude, Iwa-chan, rude. — Oikawa fungou. — Eu quero te encontrar. Agora.

O quê?

— Você não está tomando banho?!

— Não. Nunca tive uma banheira, Hajime. Não sei como não desconfiou. — Vi a luz de acender e a metade do rosto de Toru aparecer na janela. — Me passe seu endereço.

—//-

Meu coração está acelerado. A canção de Hajime foi incrivelmente melhor do que as mil ideias que se passaram durante as cinco horas fora de casa.

Estou dando a volta no quarteirão para conseguir entrar no prédio e chegar até Iwaizumi. Iwa-chan não passa de hoje.

— Com licença, irei visitar alguém. — Me informei ao porteiro daquela parte que nunca visitei, apesar de estar literalmente atrás de onde moro.

— Senhor Hajime me avisou. Pode subir. 24-G, certo?

— É.

Ouvi o pééé e entrei pelo portão. Correndo. Um pouco abalado e muito esperançoso para o futuro próximo e muito aguardado.

Apertei o botão do elevador e aguardei agitando minhas pernas. O elevador se abriu.

Entrei com pressa e cliquei no oitavo andar.

— Toru!

Hajime está vindo em minha direção pelas escadas. Ele segura a porta e, segura meu rosto com uma das mãos.

— Oi… eu sei que beleza não é importante, mas você é lindo.

Não pude evitar de ficar feliz e sorrir. — Obrigado, mas você certamente não se olha no espelho para falar isso de mim.

Enlacei seu pescoço com ambos os braços e aproximei nossos narizes — Mas, Iwa-chan, ontem à noite não choveu.

— Calado.

Hajime, ou eu, não sei, aproximou nossos lábios e porra, não tem sensação melhor que isto que eu já tenha experimentado.

É… salgado. E molhado, claro. Ele estava no banho. O que esperava, Toru?

Selinhos contínuos foram seguidos antes de eu, claramente apressado, morder delicadamente — no meu ponto de vista — o lábio de Hajime e entrelaçar sua língua com a minha.

Desta vez, devagar e calmo, nós dois pudemos apreciar os corpos um dos outros abraçados dentro de um elevador com uma música nem tão romântica para o momento tocando.

Mas nos conhecemos assim, certo? Não foi uma coisa ruim.

— Sabe… — Hajime se separou de mim, sua boca vermelha ocasionada pelas poucas mordidas e pelo beijo — pode ser meio cedo, mas acho que te amo.

— Eu tenho certeza, Iwa-chan.

Notas finais
... se você leu isso no spirit que tal comentar? rsrs Enfim, é apenas uma repostagem, se você esta lendo pela primeira vez sinta-se a vontade também!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!