Janelas da Alma
1 Caminhos se entrelaçam
Notas iniciais
Capítulo 01
Caminhos se entrelaçam.
Vem de uma linhagem pertencente ao País do Som. Seu clã vivia avulso naquelas terras, vivendo sob seus próprios interesses. Seu pai, no entanto, foi deserdado por ser rebelde e desobedecer às ordens do líder. Viajou para a Vila da Grama e lá conheceu sua mãe. Os dois se casaram, tiveram seu irmão mais velho e alguns anos depois tiveram ela.
Desde pequena, nunca teve interesse em aprender ninjutsus ou habilidades ninja, isso ficou para seu irmão mais velho. Apenas tinha interesse em cantar, mas mesmo nisso sequer teve envolvimento com nenhum tipo de habilidade musical de ninjutsu.
Quando ainda era pequena, seu pai morreu em uma pandemia que assolou a região em que moravam. Depois, sua mãe entrou em profunda tristeza e morreu poucos meses depois. Seu irmão, já adulto, era obrigado a cuidar dela e conseguir dinheiro para sustentá-los, passando até a fazer trabalhos mercenários. Mas este, morreu em um desses trabalhos que recebeu.
Foi levada até um orfanato, mas fugia às escondidas sempre que podia para cantar na rua e juntar trocados. Depois de um ano apenas, fugiu do orfanato e foi cantar em bares para ganhar a vida e tentar seguir a carreira que sempre sonhou. E funcionou, ficou muito famosa na região e sua fama foi sendo repassada por toda a vila como a garota jovem que possuía voz de anjos.
Foi aí que a grande guerra ninja chegou. Todos estavam se unindo contra uma ameaça maior, e Mai foi voluntária nos postos médicos para levantar o ânimo dos ninjas e trazer paz para as mentes atordoadas por meio de sua voz calmante. Passou de postos em postos trazendo esperança e conforto, recebendo também a fama de Voz da Esperança, por ter trazido de volta o desejo de lutar e a esperança que todos precisavam naquele momento de um futuro melhor e pacífico.
Quando a guerra finalmente acabou e a paz se instaurou, não só era conhecida em sua Vila, mas também em países inteiros, e foi aí que adquiriu seu hábito de viajar por vários lugares incansávelmente. Viajava de lugar em lugar cantando e trazendo para todos o incentivo que precisavam para viver da melhor forma possível e acreditar no amanhã. Essa era sua mensagem para o mundo. Aquilo em que ela acreditava.
Foi assim que se tornou conhecida, e agora, decidiu se aposentar. Pois dedicou sua vida inteira a aquilo que mais amava e agora já se sentia realizada, já se sentia em paz. Foi dessa paz que cresceu em si o desejo de viver de forma pacífica pelo resto de sua vida. Nunca teve a oportunidade de parar para fazer amigos ou para se apaixonar. Claro, essa era mais uma de suas vontades — se apaixonar por alguém e saber o que era esse tal romance que nunca pôde narrar em suas canções.
Talvez fossem planos do destino, quem sabe? Assistia a paisagem passando pela janela do trem, tentando distrair a cabeça do enjoo que sentia. Estava viajando para Konoha para um novo recomeço. Pretendia começar um negócio de floricultura. Começaria a cultivar e vender flores, chás e ervas medicinais. Sempre gostou de flores, então seria um tanto quanto divertido para ela.
Ao seu lado estava sentada Sachiko, sua assistente e guarda-costas. Conheceu-a quando ainda cantava em bares em busca de um pouco de reconhecimento, e foi Sachiko que a protegeu durante vários momentos quando estava voluntária durante a guerra. Se existia alguém em quem confiava, definitivamente, essa pessoa era Sachiko.
— Senhorita, está tudo bem? Você tem estado quieta desde que o trem começou a andar — Perguntou, preocupada.
— Eu… — Mai virou seu rosto para Sachiko, mostrando uma expressão nada agradável: pele pálida e um sorriso forçado. Mai era péssima em mentir e, principalmente, fingir caras e bocas. Por isso, seus olhos sempre ficavam arregalados quando tentava forçar uma expressão — Eu estou bem! Nunca estive melhor! Estou ótima! Não tem que se preocupar!
— SENHORITA? SEU BELO ROSTO ESTÁ PÁLIDO! Você está bem? Ah, meu Deus, você deve estar enjoada já que faz muito tempo que não anda de trem. Fique aqui! Vou buscar uma água para você!
— Espera! Não é necessário… — Era tarde demais. A moça já havia saído em disparada, provavelmente indo exigir aos funcionários do trem que dessem água para sua senhorita. Mai se sentia culpada por fazer ela se preocupar e se esforçar tanto.
A albina suspirou fundo, voltando a se concentrar nas formas que a janela refletia. Contava a quantidade de aves que voavam no céu e a quantidade de árvores que via, alternando, até perder a conta completamente e ter que recomeçar de novo. Estava distraída e relaxada, apesar do mal-estar. Tão relaxada que pulou de susto em seu assento quando a porta da cabine foi aberta de repente, agressivamente, fazendo ecoar um som estrondoso.
Olhou em direção a porta, pensando que provavelmente era Sachiko com aquele seu jeito apressado e alarmado. Mas, não, era um homem com uma expressão histérica, que a puxou pelo braço com força para o corredor e colocou uma kunai em seu pescoço enquanto segurava sua cabeça.
Logo, outro homem apareceu do outro lado do corredor. Este estava segurando uma espada longa, tinha cabelos negros e olhos da mesma cor. Tinha uma expressão séria e centrada em seu rosto.
O que está acontecendo? Quem são esses homens?, se perguntava, tentando compreender a situação. Logo, concluiu que estava sendo usada de refém e que sua vida estava a um centímetro de distância daquela kunai. Seu coração ficou acelerado e suas pernas de repente ficaram bambas.
— Não se mexa! Se você tentar me matar, tenha certeza de que eu vou levar essa garota junto comigo! — O homem que a segurava gritou, fazendo seu bafo fedorento e quente exalar sobre o rosto da garota.
Quê?! Me matar? Não! Isso não pode acontecer!, se desesperou.
— Não faça nada! Obedece o que ele tá dizendo! Eu não quero morrer! — Gritou para o moreno que ainda tinha uma pose firme.
— Isso! Faz o que ela tá pedindo! — Aproximou a lâmina ainda mais do pescoço da jovem.
Os olhos de Mai começaram a lacrimejar, seu coração estava prestes a parar e sentia que a qualquer momento teria um ataque de pânico. Fechou os olhos, tentando estar alheia àquela situação terrível e recobrar o fôlego que foi perdido, mesmo que aquilo fosse extremamente difícil.
Segundos se passaram, e então tudo ficou silencioso até demais. Sentiu o homem finalmente soltá-la. Abriu os olhos, sentindo-se segura para tal. O rapaz com a espada estava andando em sua direção. Surpreendentemente, parecia estar tudo bem, e foi quando olhou para trás e viu o homem que a fez de refém parado em transe.
— Fique tranquila. Ele não consegue se mover — Disse, tentando tranquilizá-la.
Mai estava em choque. Virou seu rosto lentamente para ele novamente, que já estava em pé bem na sua frente. Inspirou. Suas pernas que antes estavam trêmulas finalmente cederam, e ela caiu escorada no colo do moreno. O enjoo de mais cedo finalmente fez seu trabalho e Mai vomitou todo o conteúdo do seu estômago nas roupas do rapaz.
— M-M-M-ME DESCULPA! EU… — Olhou para o rosto incrédulo do moço e, por fim, sua visão se esvaiu. Desmaiou nos braços sujos com seu próprio fluido intestinal, e aquela seria sua primeira experiência em Konoha.
୨⋆˚࿔
Sasuke suspirou ao lembrar da experiência desagradável que teve mais cedo. Devia ter capturado aquele cara mais rápido, assim aquela situação não teria ocorrido, e também não teria suas roupas sujas de vômito.
Já faziam alguns anos desde o dia em que decidiu se isolar e se aposentar da vida de ninja. Sasuke não suportou a culpa após ter matado seu próprio irmão e após ter feito todas aquelas coisas ruins que ele havia feito antes. Após a Grande Guerra, se mudou para uma residência afastada e abandonada e se isolou de tudo como forma de expiar seus pecados, não passando um dia sequer sem pensar no que fez.
Mal conversava com Naruto e muito menos com Sakura. Não se sentia digno do amor de Sakura e nem de todo o esforço que ela havia feito por ele durante todos aqueles anos. E o mesmo com Naruto, que incansávelmente o perseguiu para trazer luz às suas trevas. Ambos ainda batiam à sua porta de vez em quando para encontrá-lo, mas sua vergonha nunca o permitiu a atender.
Saía de vez em quando para fazer as compras do mês, e era nessas saídas que acabava dando de cara com algum bandido e o entregava para a polícia. Se considerava azarado por isso. No entanto, estava tão acostumado que não havia previsto que algo daquele tipo iria acontecer, como ter alguém feito de refém. Se sentiu culpado, afinal, sua “incompetência” fez uma mulher inocente ter uma lâmina a centímetros de sua garganta.
Só espero que ela esteja bem…
୨⋆˚࿔
— SENHORITA! SENHORITA!! — Ouvia a voz de Sachiko abafada, chamando-a para acordar.
Abriu os olhos, ainda com a visão turva, vendo um teto de madeira nem um pouco familiar. Onde estou…?, se perguntou, logo olhando em volta. Então, percebeu que estava em um quarto e que Sachiko estava sentada ao seu lado com lágrimas no rosto e muita preocupação estampada.
— Senhorita! Você finalmente acordou! — Ela exclamou com um ar de alívio enquanto enxugava as lágrimas — Eu fiquei tão preocupada. Ouvi gritos vindo do vagão e quando cheguei você estava desmaiada.
— Minha cabeça tá doendo… Eu me lembro que… Ah! Sim! Um lunático me puxou da cabine e tentou me usar como refém, mas o cara de cabelo preto me salvou!
— Eu sei, senhorita. O “cara de cabelo preto” me informou sobre o que aconteceu e me ajudou a levar você para um hospital aqui de Konoha. Parece que você desmaiou por causa do estresse da situação e vomitou por causa do enjoo de andar de trem.
— Vomitei? Ah, eu… — Sua mente foi inundada pelas memórias finais, quando ela botou tudo pra fora em cima do rapaz e quando ele a olhou com um olhar incrédulo — MEU DEUS, EU VOMITEI. Eu preciso pedir desculpas pra ele. Onde ele tá?
— Ele já foi embora. Mas, acima de tudo, você tem que descansar, senhorita. Não sabemos se você já está 100% bem.
Droga! Não acredito que vomitei e depois desmaiei em cima daquele cara, pensou, se repreendendo mentalmente por tamanha vergonha que passou.
Agora que estava mais calma, finalmente percebeu algo. Quando ele estava próximo, seus olhos eram exatamente como o tal sharingan que diziam por aí. Um doujutsu do clã Uchiha. O único sobrevivente do clã Uchiha era Uchiha Sasuke, aquele que derrotou Otsutsuki Kaguya junto com o jinchuuriki da nove caudas.
Então aquele era…, pensou — UCHIHA SASUKE? EU VOMITEI EM UCHIHA SASUKE? — Berrou, deixando Sachiko confusa e assustada. Pensava se sua senhorita não havia batido a cabeça quando desmaiou.
Written by: fairy of Shampoo ☆
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