Janelas da Alma

18 O primeiro de vários!


Notas iniciais
... Um por um.

Sei que não tenho tempo para perder com devaneios nem tão pouco deveria me expor, mas a vida é tão perfeita e por isso estou apaixonada por ela.

Sempre que estou aqui do outro lado da tela conferindo o que escrevi ou relendo, penso no peso de minhas palavras.

Quais serão as consequências ?

o que faz de verdade eu querer contar coisas, dividir experiências e expor minhas histórias, apresentar cada mundo e cada personagem ?

O está apaixonado faz com que nossas ações muitas vezes sejam precipitadas e impulsivas.

Estou consciente disso, eu não me importo com as consequências, tenho aprendido tanto que é um desperdício não comentar, passar ou expor o temas.

Este ano eu queria muito mesmo que meus projetos dessem certo, mas a vida veio e disse:

— Não não você não tá pronta!

eu respondi

— Eu estou e quero provar isso!

A vergonha alheia é um sentimento de vergonha pelo próximo, porém é este sentimento que estou tendo no momento.

Prometi tantas coisas e desejei alcançar o céu, mas não é isso que fará eu concretizar cada projeto.

Antes de continuar é importante dizer que Alai não quis interferir em nenhum dos momentos, estava aguardando a hora certa, e Billy com a desculpa de “ter receio” do tempo voltou para a sua casa.

Então muitas coisas ocorreram e no final encontrava-me sozinha com a minha tristeza conversando com o fracasso relendo meus textos, mas o que aconteceu? Eu solucionei cada enigma ...

Quando voltei ao quarto de bagunça/escola Zoe aguardava sentada em uma das cadeiras da sala do menos um, sem o seu jaleco usava uma roupa comum blusa com touca, calça jeans e botas de cano curto. Ela me devolveu com um pedido que eu o jogasse fora ou melhor queimasse.

— Eu não posso mais usa-lo, desculpe.

— Não se joga fora ou se devolve um presente, te dei é seu. O que aconteceu?

— Não notou as semelhanças ?

Eu percebi. Menos um usava um jaleco, era também um “mentor”, não sei o real motivo, porém uma raiva me veio já tinha atirado com a flecha nele, já tinha tentado de tudo menos...

Peguei o jaleco de Zoe o examinei, parecia comum, sem nada de especial, era a Zoe que o fazia parecer mágico.

— Quer mesmo que o queime?

Ela acenou com a cabeça.

Eu dobrei o jaleco, deixei-o em cima da mesa do menos um.

Não se queima um presente nem se pode jogar fora, quando se dar algo o faz para ser lembrado. Porém quando o presente perde seu significado inicial e vira um signo, quando existe mesmo que uma pequena ligação com algo “ruim” é hora de se desprender dele. Eu compreendi os motivos de Zoe.

Eu já havia tentando usar as flechas, já tinha atirado no Menos um e eu ainda precisava entender... a minha versão que ainda tentava fazer a prova.

Então eu entendi. me veio uma tristeza e eu neguei a necessidade, um pensamento revelador e não... não poderia ser verdade…

Zoe permaneceu calada, mas esboçou um pequeno sorriso, estava estampado em minha cara o espanto e finalmente percebi o camundongo! ou melhor os camundongos.

Situações que se juntaram em uma só lembrança, um signo que atuava em minha mente paralisando-me. Eu via como um presente, algo especial dado pela minha infância, todavia era hora de deixar o passado no passado.

— Quanto mais pegar mais terá e todos os alvos atingidos por estas flechas, irão se incendiar, serão pequenas luzes! Enquanto não se esquecer de seu maior compromisso e escritora saiba nunca está só!

Eu então peguei uma flecha e… demorei muito para juntar toda a coragem necessária para atirar, pensei nas lembranças de Alai e nas palavras de Virtude.

— alguns alvos precisarão de mais de uma flecha e outros mais treino, outros ainda não será você a atirar a flecha por isso divida as flechas e multiplique as luzes!

Não conseguia, eu me aproximei da garotinha e disse:

— Todo esse tempo criou camundongos, todo esse tempo fez com que perdesse oportunidades,criou falsas dificuldades… não quero mais vê-la aqui com ele, não quero que atrapalhe a minha vida, eu não sou mais você, a vida me ensinou que devo perguntar mesmo que haja alguma possibilidade ruim, ensinou que é sempre melhor tirar as dúvidas quando se trata de trabalho, estudo e quando precisamos de fato saber fazer algo.

Sabe quando eu atendia no call center eu ensinei muitos via a dúvida estampada nos rostos e eu não menosprezei ninguém ao contrário eu ajudei,mesmo que não ganhando para isso!!! Faziam filas em minha PA(posto de atendimento), não perguntavam para os supervisores eram a mim que procuravam e sabe o que mais ? mesmo com um cliente na linha eu ajudava, mesmo até sendo repreendida e suspensa por dois dias por ajudar eu não deixei de ajudar! Se esse babaca de merda não quer te ensinar F… não me importo, pois vai surgir alguém para isso!! Eu te liberto.

Eu atirei nela, no menos um e no jaleco.

Incendiaram e eu apenas saí da sala com Zoe logo atrás.

— É chegada a hora vamos caçar cada maldito camundongo!!