Janela para o futuro

6 Capítulo 5 - Futuro


Acordo com minha cabeça latejando. Eu estava na casa, mas especificamente na sala, de Mikoto, mas apenas Fugaku estava aqui. Dessa vez me lembro do que acontecera: eu tivera visões após ter feito alguma coisa com meus olhos. O que elas significavam? O que eu fizera de diferente com Sharingan?

— Izumi-san? Você está se sentindo bem?

— Sim, Fugaku-sama. Mas eu posso perguntar o que exatamente aconteceu?

— Eu tive que colocar um selo em você. Eu te falei que seu doujutsu tinha uma condição especial, certo?

— Sim...

— Além da fase dos três tomoe, existe um novo nível: o Mangekyo, que é o que você despertou. Gostaria de começar avisando que essa técnica é um kinjutsu, ou seja, um jutsu proibido. Até mesmo dentro do clã ele é mantido em segredo e apenas quem o desperta tem informações sobre ele. Ele é extremamente poderoso, desgasta muito chakra e pode ter consequências definitivas.

Fico um pouco assustada com as palavras do homem. Algo tão poderoso e protegido fora despertado por mim?

— Por que ele é proibido, Fugaku-sama? E como... por que eu o despertei?

— Ele é um kinjutsu por dois motivos: o primeiro é que, para despertá-lo, é necessário matar alguém muito próximo e precioso. O segundo é que seu uso prolongado causa cegueira.

Minha boca fica seca e eu fico imóvel por vários segundos. Um verdadeiro kinjutsu: além de ser necessário causar dano a outros, ainda causa dano a si mesmo.

— Para ter um preço desses... o que exatamente o mangekyo possibilita, Fugaku-sama?

— Um poder comum a todos os usuários de Mangekyo é chamado de Susano’o. Ele exige quantidade absurdas de chakra, mas é extremamente poderoso. Seria classificado como um jutsu Rank-S, por isso não vou entrar em detalhes com você ainda. Além disso, mais dois poderes são despertados, mas eles variam de usuário para usuário. Costumam ser hereditária dentro da família mais próxima. Há também duas técnicas... bem, essas duas também são Rank-S então também ainda não vou detalhá-las.

— E pode ser qualquer coisa? Qualquer tipo de poder?

— Até onde nós sabemos, sim.

Absorvo as palavras.

— Como eu vou saber o que é?

— Quando você começar a usar o Mangekyo ele irá se manifestar naturalmente, cedo ou tarde.

— E quando eu vou poder usá-lo?

— Vou te ensinar a impedi-lo de surgir, mas treinamento específico só será disponível ou quando você se tornar chuunin ou se seu poder se manifestar e ele for considerado de alto risco ou imediatamente necessário.

— Certo. Muito obrigado por me explicar, Fugaku-sama.

Ele me olha parecendo surpreso.

— Não foi nada, Izumi-san. Nós continuaremos o seu treino amanhã.

Sorrio para ele, assentindo. Ele segue para a saída e eu me levanto, seguindo-o. Após deixar o prédio e me despedir de Fugaku, sigo para casa, notando que já era fim do dia — eu provavelmente ficaria desacordada por algumas horas. Em cinco minutos estou no meu sofá e antes que eu possa fazer qualquer coisa alguém bate na porta.

Abro rapidamente e Shisui e Itachi me encaram.

— E então? Como foi? — Pergunta o menino mais velho.

— Eu desmaiei, sem sequer conseguir segurar o Sharingan ativado por mais de um minuto e mal conseguindo desativá-lo.

— Mas... por que você desmaiou? Suas reservas de chakra podem não ser gigantes, mas também não são tão pequenas a ponto que a simples ativação do Sharingan acabariam com elas... — Pergunta Itachi

— Eu tenho...um outro nível do doujutsu? Eu não acho que eu possa entrar em detalhes com vocês.... Entretanto eu posso dizer que gasta muito mais chakra do que o nível normal. E eu definitivamente não tenho nem o nível de patente nem o poder necessário para usá-lo.

Isso parece acirrar ainda mais a curiosidade dos meninos. Mesmo assim, nenhuma outra pergunta é feita. Fico curiosa pelo motivo.

— Vocês não vão perguntar mais nada?

— Izumi, você acabou de falar que não podia nos contar — Fala Itachi como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— Sim eu sei, mas normalmente isso só deixa as pessoas mais curiosas. Especialmente crianças.

— Ei! Eu sou um shinobi — Responde Shisui — Já sou um adulto legalmente. E você já deveria conhecer Itachi o suficiente parra saber que ele não pergunta mais do que deve, Izu-chan!

O comentário do genin fazia sentido. O herdeiro era sempre educado e respeitoso, nunca puxando os limites de ninguém. Perto dele, eu sempre me sentia infantil — achava que minhas perguntas eram estúpidas demais, meu jeito invasivo demais. Quando manifestei esses pensamentos para Minato e Kushina (que rapidamente se tornavam família para mim) a ruiva rira de mim e dissera que Itachi era uma “alma velha”. Ela me disse que eu era muito madura para minha idade, mas o menino era um prodígio em todos os aspectos.

Eu me senti melhor com isso. Mas ainda assim era difícil aceitar alguém tão... perfeito em absolutamente tudo.

— Então, você não conseguiu manter o Sharingan ativo. Por quê? — Pergunta Itachi, desviando o assunto.

— Controle de chakra, eu acho. Eu achava que ativar o Sharingan seria mais natural. É difícil.

— Quando você aprender nem vai mais perceber — Diz Shisui tentando me motivar.

— Sabe, Shisui, se você não fosse um prodígio talvez fosse mais fácil de acreditar. Eu não sou um gênio como vocês.

— Izumi, você deveria ter mais confiança em si mesma — Itachi fala parecendo quase... irritado?

— Ohhh Itachi-kun — começa o menino mais velho com um sorriso quase maldoso no rosto — Você não gosta quando Izu-chan se subestima, não é? Você parece tão irritado!

O menino olha para Shisui com uma expressão de seriedade.

— Shisui, você é um idiota.

Eu não contenho as risadas. A interação entre os meninos, especialmente quando o mais velho decide irritar o herdeiro nunca falham em me fazer rir. Era um dos poucos momentos em que Itachi parecia refletir sua idade e suas expressões e comentários nunca deixavam de me divertir.

— Muito obrigada por defender minha honra de mim mesma, Itachi-kun.

— Até você Izumi? — Diz Itachi, se sentindo traído e me fazendo rir ainda mais.

— Como esperado do herdeiro do clã. Um verdadeiro cavalheiro! Defensor das damas! — Comenta Shisui entre risadas.

A gargalhada que deixa meus lábios sai mais alta do que o esperado, e parece estranhamente com um ronco de porco, o que gera uma risada sarcástica do mais novo. Em pouco tempo, estão os três rindo, praticamente rolando no chão.

Eu me sentia feliz.

Algumas horas depois, os meninos seguem para casa e eu já estou deitada em minha cama. Pensando no treino de amanhã, deixo o sono me levar.

“Eu estou em uma floresta. Minato vem em minha direção e ele parece furioso. Tento atacá-lo, mas ele some e sinto um impacto — uma dor excruciante que eu nunca sentira antes — nas costas. Um ódio irracional, direcionado a Minato, se junta em mim. Eu falo algo, mas não consigo prestas atenção por que aquela não é minha voz.

A cena muda.

Estou no meio da cidade. Itachi me puxa por uma mão e Shisui pela outra. O mais novo carrega um bebê e a cidade ao redor de nós estava em ruínas. Era noite. Pessoas gritavam e atrás de nós um rugido altíssimo ressoa. Eu olho para trás e uma raposa laranja, gigantesca, com várias caudas atrás de si parece preparar uma espécie de bola de chakra... roxo? Ela vai crescendo e junto com ela o terror cresce em mim. Lágrimas caem constantemente pelos meus olhos e um chakra demoníaco passa em ondas por mim. Shisui fala algo mais eu não presto atenção: a bola roxa é lançada em direção ao monumento dos Hokages.

Eu grito”

Acordo aos berros e suando frio. Eu estou no meu quarto. Meu coração está acelerado e de repente um som me faz quase saltar: Shisui abre a porta do apartamento e em pouco tempo se encontra do mau lado.

— Izumi? Você está bem?

Tento responder, mas não consigo. Ainda estou tremendo e chorando, minha garganta seca. O mais velho simplesmente me abraça, e eu me agarro a ele, tentando me acalmar.

Por que eu estava sonhando com aquele bicho? Que tipo de sonho era aquele?

Ele parecia real.

E nem sempre ela se sentia ela mesma.

— Você quer me contar o que você sonhou?

— Eu vi... Minato me atacando. E depois Konoha destruída. Eu, você e Itachi estávamos correndo.... Havia muitas pessoas gritando, prédios caindo e gente no chão. E um monstro. Laranja. Parecia uma raposa... tinha várias caudas.

Shisui pisca um pouco surpreso. Ele provavelmente esperava algo com a minha família não essa loucura.

Entra na fila.

— Você sonhou com a kyubi?

— Kyubi? O que diabos é isso?

O menino apenas franze mais a sobrancelha parecendo preocupado.

— Nada. É... quer que eu continue aqui ou você já está bem?

Paro para pensar.

— Pode ir. Boa noite, Shisui. Obrigada por vir me ajudar.

— Boa Noite, Izumi. De nada.

O menino deixa o apartamento e eu deito novamente. Kyubi, hum?

Amanhã eu iria na biblioteca.

—‘-

Nessa tarde, após o treino, vou direto para a biblioteca. Sento-me perto da janela, um livro nas mãos. É sobre o primeiro Hokage. Abro no capítulo que mencionava a bijuus e me ponho a ler.

“O primeiro Hokage Hashirama Senju foi quem capturou as oito bijuus e distribuiu entre as vilas. Ele fez isso para equilibrar o balanço de poder. As bijuus são monstros feitos de chakra e são distinguidos pelo seu número de caudas, que vão de um (Ichibi) ao nove (Kyubi)”.

Pulo a explicação sobre os outros, indo direto na que me atormentara durante a noite.

“Konoha ficou com a Kyubi, a raposa de nove caudas. Ela é conhecida por ser a mais poderosa das bijuus. Seu chakra é especialmente perigoso. Em Konoha também aconteceu a formação do primeiro Jinchuriki, ou seja, o primeiro ninja que teve um monstro de chakra selado dentro dele. A responsável por essa importante tarefa foi Mito Uzumaki, a esposa do primeiro Hokage que era pertencente a vila de Uzugakure. Seu clã, os Uzumaki, são extremamente temidos por seus fuinjutsu...”

Um monstro de chakra. Um que eu nunca ouvira falar sobre.

Por que diabos eu estava sonhando com isso?

O que poderia ter causado algo assim?

Mais confusa do que entrei, deixo a biblioteca e sigo em direção ao dojo.

—‘-

Um mês se passa e eu finalmente conseguia ativar e desativar o Sharingan.

Eu ainda não o deixava ativo por muito tempo, no máximo uns dez minutos, mas era o começo. A posse de Minato como Hokage seria amanhã e eu estava realmente feliz. O Namikaze era alguém que trazia esperança e nada poderia me deixar mais feliz do que o ver naquele monumento.

Ele merecia.

Eu tivera algumas visões desde aquele dia, todos centrados na raposa ou em Minato. Quando se focava no loiro eu sempre sentia uma raiva irracional dele e esses eram o que mais me preocupavam. Deito na cama e me espreguiço e com um sorriso no rosto deixo o sonho me levar.

“Tudo estava escuro. Eu estava em frente a algum tipo de... caverna? Escuto gritos de uma voz familiar (para mim e para essa pessoa). Os gritos param e a pessoa (Eu?) sabe que é hora de entrar.

Meus olhos puxam, meu chakra sobe e eu apreço em um lugar iluminado por velas — provavelmente dentro da caverna que eu vira.

Em minha frente uma ruiva está deitada, cansada. A seu lado, um loiro que eu conhecia bem parecia chocado. Eu ataco uma senhora e pego o bebê que tinha feições familiares.

Minato olha para mim com ódio nos olhos. Todos os meu ser grita para ter cuidado: ele era perigoso.

— Afaste-se da Jinchuriki, Yondaime — Eu falo com uma voz grave que definitivamente não era minha. Mesmo assim sinto minha boca se mexer e não consigo impedir as palavras de escaparem.

A cena muda.

Eu estou diante da ruiva que é segurada por selos pelos braços. Ela parece em muita dor e cansaço. Eu enfio minha mão em um selo em sua barriga e puxo um monstro laranja — a kyubi. Minha mente grita e me manda parar, mas esse corpo não me obedece. Seu dono parece feliz, quase realizado, ao ativar os olhos (Sharingan?). Ele (eu) então se vira para Kyubi e ordena que ela ataque.

A cena muda novamente.

Eu estou correndo a vila enquanto a raposa destrói tudo. Me sinto alta e forte.

— Fugaku-sama, quais são as ordens?

Me viro e respondo:

— Vamos atacar a Kyubi. Eu estou confiante de que com esses olhos eu consigo pará-la.

— Cer...

Antes que o homem termine de falar alguém me interrompe.

— Fugaku, todos os Uchihas têm ordens de ajudar na evacuação de civis. Nenhum pode se aproximar da raposa.

Eu me sinto injustiçada. E conseguiria pará-la — por que não posso ao menos tentar? A vila seria destruída, eu podia impedir.

— Certo, Danzo-sama

A cena muda novamente e dessa vez eu de alguma forma me reconheço em meu corpo. Eu estou em um cemitério, muitas pessoas ao meu redor e em minha frente duas lápides.

Nelas dois nomes são lidos: Minato Namikaze e Kushina Uzumaki. Entre elas um bebê loiro com riscos no rosto chora”.

Acordo em um baque.

A raposa estava em Kushina. Eu vira isso no sonho... a primeira Jinchuriki não era uma Uzumaki?

(Eles morreram)

Aquele bebê era o Minato cuspido e escarrado. Será aquela estava grávida?

(Eles morreram)

De ondes essas visões estavam vindo? Eram mesmo apenas sonhos?

(Eles morreram)

Nada daquilo acontecera. Por quê....

(ELES MORRERAM)

‘Além disso, mais dois poderes são despertados, mas eles variam de usuário para usuário’

Me levanto e sem me trocar corro até a casa de Fugaku. Era improvável... mas por que outro motivo eu estaria tendo um sonho tão recorrente?

Já é dia, eu percebo, mas não me importo.

Entro na casa sem sequer bater e atravesso até a sala onde a família comia. Todos param ao me ver. Lágrimas escorrem pelo meu rosto e eu me sinto tremer.

— Fugaku-sama... eu preciso te perguntar algo.

Alguma coisa em meu tom parece passar meu pânico por que o homem se levanta e me guia até sua sala.

— O que foi Izumi-san?

— Você acha que seria possível um Mangekyo ver o futuro?

O homem estreita os olhos parecendo pensativo.

— É difícil dizer, entretanto parece extremamente improvável. Por ter características únicas, prever um Mangekyo é impossível. Por que?

— Eu tive um sonho estranho. E ele vem se repetindo através das semanas. Nele... muitas coisas ruins acontecem. E ele vem se repetindo, porém em pontos de vistas diferentes, de uma mesma cena, sempre muito detalhado. Ás vezes... eu não sou eu. Eu sou outras pessoas.

— Não é comum sonhar com algo tão recorrente. Mas achar que isso é uma visão do futuro...

— Nesse sonho eu... vi algo. Algo que eu provavelmente não deveria saber. Se isso que eu sonhei for verdade, eu acho que deveríamos levar as visões para o Hokage.

— O que você acha que descobriu, Izumi-san? — Questiona o homem parecendo cansado.

— Kushina-nee é a Jinchuriki do Nove-caudas?

Ele não diz nada. Me olha parecendo extremamente surpreso e sem hesitar me puxa pelo braço e segue para fora da casa.

— Querido? — Pergunta Mikoto e sem parar para olhá-la o homem diz:

— Eu tenho que levar Izumi para ver o Hokage.

O homem me puxa pelo braço e corre pela vila. Antes que eu me dê conta estamos no prédio onde toda a administração de Konoha se encontra.

— Uchiha-sama. Sandaime está com Minato-sama, finalizando os preparativos da posse. O senhor...

— É uma emergência de rank-S. Com licença.

Sem esperar pela resposta da secretária, Fugaku me arrasta até o escritório do Hokage, onde ele bate duas vezes na porta. Um senhor abre a porta — Sandaime Hokage, Sarutobi Hiruzen. Eu o reconhecera pelas vestes. Ele era mais novo do que eu esperava. O homem ergue uma sobrancelha para o líder do clã Uchiha e pergunta:

— O que foi, Fugaku-san? Eu estou resolvendo assuntos sér-

— Isso é sobre o vazamento de informações sensíveis, Hokage-sama. E possivelmente algo ainda mais sério. É uma emergência de extrema importância que não pode esperar, caso contrário eu nunca os atrapalharia em um dia tão importante quanto hoje.

Hiruzen abre a porta e nos deixa entrar. Minato se vira e parece surpreso.

— Izumi-chan? O que...

— Izumi — corta Fugaku — Repita para eles a pergunta que você acabou de me fazer.

Eu não respondo nada, ainda encarando fixamente o loiro. Ele estava ali, vivo, diante de mim. Parecia extremamente bem descansado e sereno. Sem me conter, corro até ele, e deixo as lágrimas que segurava escorrerem. Soluço, o abraçando. Eu batia em suas pernas.

O homem se abaixa e me envolve em seus braços, uma mão afagando meu cabelo, o que me ajuda a me acalmar. Encosto o ouvido em seu peito e escuto as batidas de seu coração.

Vivo.

Em mais alguns segundos me acalmo e o loiro me solta, mas mantém minhas mãos entre as suas.

— O que aconteceu? — Ele questiona o líder Uchiha.

— Izumi-san.

O tom de Fugaku faz com que eu me lembre onde eu estava: no escritório do Hokage. Hoje era a posse de Minato, não era? Eu tinha que ser direta.

Respiro fundo, ainda segurando a mão do loiro e finalmente falo:

— Kushina-nee é a Jinchuriki das Nove-caudas, não é?

Eu já estava quase certa de que a resposta era sim, e o silêncio ensurdecedor que seguiu minhas palavras apenas confirmou.

Minato me encara com olhos mortalmente sérios que me lembrar de uma das visões do sonho: eu, em um corpo que definitivamente não me pertencia, segurando um bebê louro e sendo encarada (o?) por esses mesmos olhos frios. Sandaime também parece me analisar e me sinto extremamente tensa.

Outra visão vem a minha mente: uma bola azul de chakra atingindo as costas do homem de minhas visões e a extrema dor que isso causara.

Mordo os lábios tentando me acalmar.

— Onde você ouviu isso, Izumi?

— Eu venho tido sonhos nessa últimas semanas. Sempre com os mesmos acontecimentos mas em visões diferentes.

— Sonhos? — Os olhos azuis gelo de Minato me questionaram. Aquele não era Minato-nii, que ria e me levava para comer.

Aquele era o Relâmpago Amarelo de Knoha. E eu tinha informações sensíveis sobre sua esposa.

Minha mão treme levemente diante desses olhos. A cena de uma esfera azul de chakra atingindo ao homem de minhas visões por traz, enquanto Minato o olhava de forma semelhantepara ele não parava de ressoar.

Eu não havia pensado antes de falar.

E se eles achassem que eu era um bunshin? Ou que eu fora comprometid por outra vila?

Eu não tinha permissão de saber essa informação. Eu era uma criança.

Minhas mãos passam a tremer com ainda mais força e lágrimas, agora de medo, ameaçam de subir a meus olhos. Antes que eu pudesse me defender, Fugaku diz:

— Ela me trouxe esses sonhos com uma teoria do que os causou: um kinjutsu Uchiha que ela despertou. Chama-se Mangekyo Sharingan.

— Ela possui esse jutsu amaldiçoado nessa idade? — Quem pergunta isso com um olhar sério e profundo é Sarutobi.

— Sim. Ele foi despertado pela culpa que ela sentiu devido ao suicídio de sua mãe.

— E o que isso tem relação com o vazamento de informações da minha esposa, Fugaku? Todos os Uchihas terão acesso a isso agora?

— Cada Mangekyo concede um poder único ao usuário. Izumi acredita que o dela a permite ver o futuro.

— Ver o futuro — a incredulidade é clara na voz do loiro e tento ignorar a pontada de dor que essa fala me traz.

Seus olhos continuam frios e calculistas.

Seria aquele os olhos que seus inimigos viam antes de morrer?

O Namikaze vira seus olhos em minha direção nesse momento e outro tremor me atravessa. Os olhos de Sandaime em minhas costas apenas intensificam meus nervos.

Todos os meu instintos gritam ‘fuja!’

— O que você viu, Izumi?

A voz dele me corta como gelo e sem me conter cruzo os braços em forma de proteção, dando um passo para traz. Os olhos do homem se estreitam. Todo seu corpo está tenso, como se pronto para batalha...

Uma dor imensurável me atinge as costas.

Ódio.

— N-não me ataque com aquela esfera azul, Namikaze-san. Eu v-vou-

Isso parece tirar surpreender o homem. Em um segundo sua expressão relaxa, e a tensão presente em seus ombros se esvai. Antes que ei possa reagir, o homem se ajoelha diante de mim, seus olhos na altura dos meus.

— Namikaze-san? Eu devia estar realmente te assustando, Izu-chan. Me desculpe. Você é tão madura que eu esqueço que você não é shinobi ainda — Seus olhos azuis voltam a sua gentileza normal e todo a frieza se esvai. Seu sorriso é amável, e a voz suave e aveludada — E eu nunca usaria algo como o Rasengan em você. Me desculpe, Izu-chan. Mas você poderia me dizer exatamente o que você viu?

Toda a tensão em mim se esvai e eu percebo como fora boba.

Ele estava preocupado com Kushina-nee, é claro que como o ninja que ele era, a reação seria de analisar a situação. Ele não fora ameaçador, mas as lembranças dos sonhos…

Duas lápides.

Abraço o homem ainda agachado em minha frente. O aperto e em seguida solto.

— Eu vi Kushina dando à luz — começo hesitantemente — Em seguida eu… quero dizer, o homem cujos olhos eu emprestava, pega o bebê e o usa para afastar você dela. O selo dela estava frágil? Parecia um buraco. O homem puxa a raposa dele… e a solta em Konoha. Eu vi uma luta entre você e o homem…

Pauso pensando no que mais dizer. Os detalhes e as cenas se misturavam na minha cabeça. O loiro olha para mim, absorvendo tudo que eu digo.

— Você ganhava a luta, mas a Kyubi ainda estava causando destruição. Depois… — estremeço com lágrimas nos olhos — Depois eu vi duas lápides. Era um funeral gigantesco, Konoha inteira estava lá. N-nelas tinha o s-seu nome e o d-da Kushina-ne-nee…

Soluço e abraço novamente o homem, que passa a mão no meu cabelo. Não consigo ver seu rosto, contudo, sinto seu coração acelerado.

— Minato-nii… vocês não podem morrer. Eu proíbo. Por favor…

— Nós não vamos a lugar algum, Izumi.

— Prometa! Prometa que nenhum dos dois vai morrer…

— Eu não posso prometer algo tão irresponsável. Promessas devem ser cumpridas, especialmente as de um Hokage. Mas eu prometo que todas as informações que você nos forneceu serão usadas ao melhor de minha habilidade…

Minato é interrompido por Hiruzen.

— Se ele não pode prometer, eu posso, Izumi-san. Minato e Kushina só irão morrer por conta da kyubi por cima do meu cadáver.

— Hokage-sama!

— Você é o Hokage a partir de hoje, Minato. E eu estou muito feliz em me aposentar, obrigado. Se você morrer tão rápido eu vou ter que pegar esse maldito chapéu novamente!

Um riso nervoso deixa meus lábios com essas palavras e o Sandaime sorri gentilmente para mim.

— Você fez muito bem em nos trazer essa informação, Fugaku-san, Izumi. Entretanto, por hoje foi o suficiente.

— E a K-kyubi? — Pergunto com a minha voz ainda falha.

— Você viu Kushina dando a luz como o início de tudo, correto? Ela está com apenas dois meses agora. Ainda teremos tempo de nos panejar. Fugaku-san, por um acaso você acha que teria como Izumi ter visões mais claras e detalhadas?

O Uchiha para, ponderando suas palavras.

— Se isso é realmente a habilidade do seu Mangekyo então provavelmente sim. Mas mantê-lo ativo irá drenar mais chakra do que ela tem... A menina mal consegue manter o Sharingan ativo.

O ex-Hokage parece ponderar as palavras.

— Eu posso desenvolver um selo que transfira chakra para ela, o suficiente para manter os olhos ativos por um certo tempo — Propõe Minato.

— Quanto tempo para ficar pronto?

— Duas semanas.

— Fugaku, em duas semanas acha que consegue ensiná-la a ativar seus olhos?

— Sim.

— Então marcaremos a reunião para a segunda semana de março. Eu chamarei Shikaku e Inoichi para a reunião também, assim eles poderão confirmar o que Izumi disser e ver se a algo a mais que a menina não reparou.

— Hai, Sandaime-sama — diz Fugaku se curvando de leve. Eu imito o líder, porém me curvo mais profundamente.

— Vocês deveriam ir se arrumar. A cerimônia de posse será em duas horas e eu tenho certeza que vocês irão querer prestigiar Minato.

Nos curvamos novamente. O loiro me oferece um sorriso e nos viramos para sair.

— Ah! Izumi-chan! — Me viro para Sarutobi — Você não deve contar a ninguém sobre isso, certo?

— Sim, Hokage-sama.

O homem sorri e por fim deixamos a sala.

Me sinto mais leve.

—‘-

Fugaku me leva para casa dele, onde Mikoto e os meninos nos esperavam impacientemente.

— O que aconteceu, Fugaku? — Pergunta a Matriarca parecendo preocupada.

— Vamos, eu te conto no escritório — Responde o homem, conduzindo a esposa para dentro de casa. Quando a porta se fecha atrás dele, Shisui pergunta:

— O que aconteceu, Izumi?

— Eu... não posso falar. Ordens do Sandaime-sama.

O genin arqueia uma de suas sobrancelhas, parecendo curioso e levemente preocupado, entretanto nenhuma outra pergunta deixa seus lábios.

— Você está bem? — A pergunta agora vem do herdeiro que me olha com genuína preocupação.

— Sim.

— Hm.

Shisui passa o braço ao redor do meu pescoço, quase me usando de apoio.

— Bem, se está tudo bem você deveria ir para casa se trocar, Izu-chan! Já é quase hora da cerimônia de posse de Minato-san.

— Haaaii, Shisui-senpai.

Com seu característico sorriso, Shisui me conduz até nosso prédio, Itachi nos acompanhando. Ao olhar para o céu com meus dois melhores amigos, um sorriso genuíno aparece em meus lábios.

Aqueles dois nunca falhavam em me alegrar.

—‘-

Minato estava no mezanino do prédio do Hokage de Konoha. Sandaime-sama estava a seu lado, segurando o chapéu símbolo do Kage de Konoha em mãos.

— Muitos de vocês conhecem Namikaze Minato. Alguns apenas ouviram falar dele: o Relâmpago Amarelo de Konoha, responsável pela derrota de milhares de Shinobi de Iwa. Outros, o conhecem pessoalmente, conhecem seu caráter firme, sua determinação inabalável — Sarutobi pausa — Eu os conduzi a guerra. Fiz o melhor que eu pude. Entretanto, já estou velho e cansado. A paz chegou, e com ela, a necessidade de uma nova geração, um novo líder, nasce. Minato?

Toda a multidão está em silêncio.

— Eu nasci durante a Segunda Guerra e eu lutei na terceira. Eu vi amigos, familiares, companheiros sendo mortos. O que me manteve nas linhas de frete não foi o fato de eu ser um shinobi. Não foi o fato de que eu sou uma arma da Vila. Eu lutei, eu matei, pela Vontade do Fogo. Para proteger Konoha, as pessoas que eu amo, o lugar onde eu cresci.

Todos começam a sussurrar. Meu coração se acelera em meu peito. Lá em cima, em um lugar tão distante, Minato-nii parecia... um deus. Uma lenda. Ao meu lado, Shisui parece vidrado e Itachi, reflexivo.

Minha respiração falha.

— Desde criança o meu sonho é ser o Hokage. É fazer a diferença nesse lugar que todos nós chamamos de lar. Mas o que é ser um Kage? O que é uma vila? O que significa ser um Shinobi?

Os olhos de Itachi se arregalam e pela primeira vez vejo ele completamente surpreso. Cada palavra do loiro parecia ressoar no menino.

— Uma Vila são as pessoas que a compõem. Um Shinobi é alguém que luta para proteger o que ama, que sacrifica tudo por sua aldeia. Um Kage é aquele que guia o seu povo. Aquele que está à frente, o primeiro a entrar na batalha e o último a sair e, ao mesmo tempo, quem a evita não importa o custo. Eu acredito, acima de tudo, que um Kage é quem zela pela paz e pela justiça.

Paz. Justiça.

Cada palavra que o homem diz ressoa em mim. Me lembro de nossa primeira conversa, o que me levou a me tornar ninja.

Mudança.

— Eu acredito que o mundo Shinobi pode viver em paz. Que a justiça é um direito de todos. E eu juro que irei trabalhar ao máximo para preservar ambos.

O homem se curva. Sandaime-sama coloca o chapéu em sua cabeça e por um segundo nada ocorre.

Quando o homem se ergue, quase que quebrando um feitiço, a multidão ruge.

Gritos, aplausos, pulos. Toda Konoha parece vibrar de alegria, de emoção, o chão treme.

Após cinco minutos de aplausos intensivos, as palmas começam a morrer e Minato sorri.

A comoção começa de novo, mais forte.

Eu fico com a distinta impressão de que, se o Hokage os pedisse com um sorriso, qualquer um ali ficaria feliz em entregar sua vida.

Notas finais
Essa capítulo acabou bem maior do que o esperado! Enfim, a partir de agora estamos oficialmente começando a mudar completamente o plot de Naruto, apesarde ainda estarmos beeeem longe do início do clássico. O que estão achando? Por favor, não deixem de comentar!