Janela para o futuro

2 Capítulo 1 - Despertar


Notas iniciais
Voltei! Essa ideia me animou bastante então acho que vou postar com bastante frequência. Vou postar o capítulo mas antes gostaria de deixar alguns pontos claros. As crianças no mundo de Naruto não sao como as daqui. A geração de Itachi para trás, principalmente, cresceram em guerra. Experiências como presenciar morte, ver feridos frequentemente, passar por racionamentos e sinais de emergência tornam qualquer criança mais séria, menos inocente por assim dizer. Além disso, o Clan Uchiha, ao meu ver, é um clan tradicional e que preza muito a força e o respeito. Eu acredito que justamente por isso, as crianças desde pequena são tratadas quase como adultas, o que também as torna mais maduras que a maioria. Eu acho que o anime deixa isso bem claro a falar tanto do clan, quanto ao falar dos outros prodígios. Enfim, queria apenas levantar esses pontos. O por quê de Izumi parecer tão mais velha vai ser revelado com a história, mas já queria adiantar o porquê das crianças que surgirem devem ser mais maduras do que sua idade.

Abro os olhos assustada.

Sangue. Dor. Olhos.

Sangue. Pulsos.

Mamãe. Kaa-san.

Eu nunca mais vou vê-la...

Eu estou sozinha...

Não pude salvá-la - salvá-los.

Eu sou nada.

Choro, e durmo novamente sem nem notar os arredores.

Acordo de novo, e minha cabeça dói. Pisco algumas vezes e sinto dor nos olhos, o mundo parece borrado. Aos poucos ele entra em foco e então eu percebo que não sei onde eu estou.

— Que lugar é esse? — pergunto em voz alta

— É o quarto de visitas da minha casa — Viro a cabeça assustada e vejo um menino, talvez um pouco mais novo que eu, parado na porta. Sua expressão é estranhamente séria. Ao seu lado um menino um pouco mais velho.

— E quem é você?

O mais velho parece tapar uma risada com a mão.

—Uchiha Itachi — O pequeno diz.

Esse nome me parece familiar. Ele era... importante?

Quem...
— O herdeiro do clã — Solto sem me conter. Eu achei que ele seria mais... velho? Minhas primas sempre falavam dele.

Itachi inclina de leve a cabeça para o lado mas concorda com um movimento.

— Eu achei que você seria mais velho. Não consigo entender o que as meninas tanto vêem em você.... — Falo automaticamente.

Ele era fofo, mas apenas isso. Não é nada de mais.

O mais velho explode em risadas, e surpreendentemente um pequeno sorriso também aparece no rosto de Itachi.

Sinto minhas bochechas avermelharem. Eu não deveria ter falado isso! Burra, burra, burra!

— Eu... — tento falar, mas fico nervosa.

Finalmente o mais velho recupera o ar e mais rápido do que eu posso ver ele aparece do meu lado, com a mão esticada.

— Uchiha Shisui — Diz ele com um sorriso gigante — É um prazer conhecer uma garota tão sã.

Sorrio hesitantemente e aperto sua mão.

— Uchiha Izumi -Pauso, ainda com vergonha do que tinha falado, mas sinto o sorriso querendo abrir — O prazer é meu!

Shisui consegue sorrir ainda mais. Seus olhos brilham e quase rio com ele.

— Você está aqui desde ontem. Nós encontramos você... — ele pausa — na sua casa no fim da tarde. Algo aconteceu com seus olhos, e você desmaiou em poucos segundos.

Mordo os lábios ao me lembrar das cenas de ontem e meu coração aperta. Coloco a mão no peito.

“- Kaa-chan... eu vou ser uma ótima shinobi. Eu vou proteger você e meu irmãozinho”

O que eu faria? Não tinha mais nada para proteger...

Sinto uma mão em meu ombro. Levanto os olhos, que noto que já estão molhados, e tento forçar um sorriso que não sai.

— Sabe, meus pais morreram na guerra — Shisui fala e o que me surpreende é que ele mantém um sorriso — Eu sei que agora não parece que isso vai acontecer, mas você vai viver, Izumi. Está tudo bem chorar.

Itachi pela primeira vez se aproxima. Ele tenta abrir os lábios quando uma voz fala de algum lugar da casa:

—Itachi? Shisui-kun? Por que vocês estão demorando tanto?

Uma mulher extremamente bonita abre a porta e passa os olhos pelo quarto, travando em mim. Congelo.

Ela só pode ser a mãe de Itachi — a semelhança é clara mesmo com a diferença de gênero — e fico novamente ansiosa. Eu estava na casa dela e sequer sabia seu nome! Seu marido — Fugaku-sama — é conhecido por todos, e eu sei que sua esposa também é. Mesmo assim, naquele momento não me lembro de seu nome.

— Olá querida. Eu sou Mikoto, mãe do Itachi — ela diz gentilmente — Você deve estar com fome, não? Já está na hora do almoço.
Abro a boca prestes a negar mas sinto minha barriga doer.

— Eu estou com um pouquinho de fome, Mikoto-sama, mas...

—Não precisa dessa formalidade querida. Pode me chamar de Mikoto baa-san — a mais velha cortando imediatamente — E não se estresse, Izumi-chan. O almoço já está pronto!

Fico levemente vermelho e tento abrir um sorriso.

—Obrigada Mikoto-s... baa-chan

Ela sorri — e por um segundo eu vejo minha mãe naqueles olhos calorosos e sorriso tenro. Uma culpa esmagadora começa em seguida — eu a matara, estava sozinha, era minha culpa e eu a substituía — e de novo sinto lágrimas escorrendo de novo.

Sinto braços quentes me envolvendo.

— Está tudo bem Izu-chan. Seus pais se foram mas você ainda tem família.

Por um segundo eu prendo a respiração.

— Mesmo que você não nos conheça nós somos família. Itachi, Shisui, eu, Fugaku, todo o clã. Você não está sozinha e nunca vai estar.

Choro ainda mais — e ao mesmo tempo sorrio. Deixo o calor dos braços de Mikoto me envolverem, e vejo Shisui e Itachi nos observando.

Eles ainda não eram família, mas eu queria que fossem. Eu queria aquele calor.

O que minha mãe pensaria? O que eu deveria fazer?

Naquele minuto não penso em nada. Me afogo no sentimento de segurança e rezo para que após o abraço se quebrar ele permaneça comigo.

Após ir no banheiro e lavar o rosto e as mãos sigo os meninos para a sala. A mesa está posta e o almoço parece ser algum tipo de peixe. Sento-me entre Shisui e Itachi e de frente para Mikoto.

— Itadakimasu — todos falamos em unissom.

Pego o hashi e tentativamente provo o peixe.

— Kami — sussurro impressionada.

— O que você disse? -pergunta o mais velho com uma sobrancelha levantada

— Que essa comida deve ter sido feita pelos deuses — ou talvez para eles. Nunca comi nada tão bom!

Mikoto solta uma risada leve e sonora, daquelas que fazem com que todos queiram rir junto.

— Não precisa exagerar, Izu-chan

— Eu não acho que ela esteja brincando, Kaa-san — Itachi fala com um leve riso nos lábios. A diversão está clara em seu olhar.

Respiro fundo e faço a cara mais séria que consigo. Ajeito a postura e abaixo vagarosamente o hashi. Ergo os olhos e o queixo e olho diretamente no olho da anfitriã.

— Baa-san. Você é a cozinheira de kami-sama?

A risada de Shisui chega a ser escandalosa. Mikoto o acompanha, porém graciosamente. O grande choque porém é a risada leve de Itachi.

Em poucas horas, eu já percebera que ele era um dos meninos mais sérios que eu já havia visto — e vê-lo rindo quase abertamente já veio quase como um choque.

Alegre por ter alcançado meu objetivo pego o hashi e volto a comer alegremente.

A refeição segue com um clima alegre e conversas de vez em quando. Não presto muita atenção no que estou falando.

— Izu-chan, Shi...

Mikoto é interrompida pelo som da porta e por uma voz grave que diz 'tadaima'. Todos ficam em silêncio quando a porta da sala é aberta e um homem de expressão séria adentra.

— Okaeri Anata.

— Fugaku-sama.

—Otou-sama.

Os três falam quase ao mesmo tempo. Eu me levanto e me curvo completamente.

— É um prazer conhecê-lo Fugaku-sama.

Me ergo com calma.

— É um prazer Izumi-san — responde o adulto com polidez e um leve inclinar de cabeça- por favor se sente e termine sua refeição. Preciso falar com você ao terminar. Itachi a levará para o meu escritório.

— Hai, Fugaku-sama.

Ele deixa a sala e eu termino de comer. Em pouco tempo, todos terminam e eu ajudo a retirar mesa. Estou prestes a lavar os pratos quando Mikoto baa-chan me interrompe.

— Itachi vai levá-la agora, querida. Pode deixar que Shisui me ajuda com a louça.

Sorrio e concordo com a cabeça. Sinto meu coração acelerar — Fugaku era alguém importante e eu nunca havia falado com ele. O que ele poderia querer comigo?

Itachi inclina a cabeça, indicando para seguí-lo. Respiro fundo, tentando me acalmar e em poucos segundos chegamos lá. Levanto o braço para bater mas Itachi o segura, me fazendo olhar para ele.

— Você está muito tensa Izumi-san. Respire um pouco.

Pisco e tento um sorriso. Em seguida, inspiro e expiro profundamente alguma vezes, finalmente relaxando um pouco.

— Otou-sama é sério mas ele realmente ama o clan. Você não precisa temê-lo — Diz o menino com sua expressão de seriedade

— Obrigada, Itachi-san.

O menino me observa mais um pouco, quase me analisando e solta meu braço. Eu bato na porta e Fugaku avisa que eu posso entrar. Me viro para falar algo para Itachi mas percebo que ele já havia deixado o corredor.

Abro a porta devagar e entro, mantendo a postura ereta e tentando ser o mais respeitosa possível. Por um segundo me arrependo de não ter prestado atenção nas aulas de etiqueta da minha mãe e uma culpa misturada com tristeza me invade, mas não choro. Pela primeira vez empurro esses sentimentos de lado, agora era hora de conversar, provavelmente sobre o meu futuro. Eu não posso perder tempo chorando.

— Izumi-san, por favor, sente-se — Eu o obedeço — Eu sinto muito por trazer assuntos tão difíceis tão cedo após sua perda. Entretanto, tanto eu quanto os anciãos precisamos disso resolvido o mais cedo possível.

— Eu entendo, Fugaku-sama.

— Primeiro, gostaria de te avisar que você é mais do que bem-vinda de ficar aqui por algumas semanas. Seu pai era um amigo e um companheiro... a perda dele e de sua mãe são lastimáveis — Concordo com a cabeça — O que você gostaria de fazer nos próximos anos? Soube que você está tendo aula de taijutsu e pretendia entrar na Academia ano que vem. Você ainda gostaria de seguir a carreira ninja?

Meu coração acelera ainda mais e me sinto nervosa. Eu queria ser ninja primeiro para ser como meu pai e em seguida para proteger minha mãe. Eu ainda queria seguir essa carreira?

Fugaku parece perceber minha ansiedade e arqueia de leve uma das sobrancelhas.

— Se você entrar na Academia um apartamento, provavelmente ao lado do de Shisui será fornecido a você, juntamente com um fundo que você poderá usar para qualquer gasto. Caso você decida ser civil, o clan tem um orfanato para onde você seria direcionada —Uma pausa onde os olhos do mais velho parecem me analisar — E eu tenho certeza que você percebeu mas seus olhos...

— Eu despertei o Sharingan —corto o mais velho sem conseguir me conter e vejo a sobrancelha do líder se arquear mais ainda —Eu sei. Mas eu ainda não decidi o que eu gostaria de fazer no futuro. E...

Paro sem saber o que dizer. A ideia de ser ninja agora me trazia dor — me lembrava do meu pai, de como eu fora fraca com minha mãe.

— Eu vou deixá-la ir agora — continua o mais velho —independentemente da sua escolha, seus olhos serão treinados. Mas Izumi-san... Você tem um dever para com o seu clã, sua família, sua vila. Ser ninja está no seu sangue e seria uma tragédia ver você desperdiçar esse... talento latente.

Aperto os lábios. O tom de voz me deixava claro que eu não tinha tanta escolha como ele fizera crer no início e a vontade de chorar, espernear, apenas aumenta. Me levanto e me curvo em sinal de respeito.

— Com sua licença, Fugaku-sama.

Deixo o pequeno escritório quando o homem inclina a cabeça, me dispensando. Eu fecho a porta atrás de mim e começo a atravessar a casa em direção a saída. Quando chego na cozinha praticamente corro até a saída: escuto a voz de Mikoto me gritando mas ignoro. Corro pelo distrito Uchiha e saio pelos portões ignorando qualquer chamada. Corro e choro, sem olhar pra onde, esbarrando em todos no caminho. Alguns gritam de raiva, alguns tentam me parar e ignoro tudo — só queria ficar sozinha, só queria meus pais, só queria me sentir bem de novo.

Bato em mais uma pessoa e tento seguir meu caminho mas sou segurada, não com raiva ou força, mas com gentileza. Vejo apenas borrões através das lágrimas, mas o estranho puxa um pano e com uma das mãos limpa meu rosto. Fecho os olhos e quando abro tudo está mais focado. Mais importante que isso, vejo o estranho.

Um sorriso que parece o sol: extremamente quente e gentil, cabelos tão loiros que chegam a ser amarelos, olhos mais azuis que o céu, mas que pareciam quase preocupados. Tudo naquele homem me dizia segurança, calor, gentileza. Vejo um protetor de testa em sua cabeça — ele era um shinobi. Penso em tentar fugir mas uma voz grave e aveludada me para.

— O que uma garotinha tão pequena faz aqui, correndo sozinha? Seus pais devem estar preocupados.

— Eles estão mortos — falo quase berrando. Sinto raiva se remexer dentro de mim: esse homem não sabia do que ele estava falando. Tento me soltar mas ele me segura firmemente.

— Isso não significa que eles não estejam preocupados, Uchiha-chan.

Por um segundo travo, pensando em como ele poderia saber que eu era uma Uchiha? Me lembro então do símbolo em minhas costas e relaxo um pouco.

— Minato! — Uma voz feminina berra por de trás do estranho — O que você pensa que está fazendo com uma garotinha’ttebane?

Uma ruiva entra em minha visão. Ela era linda — provavelmente no nível de Mikoto — e ao mesmo tempo de forma completamente diferente. Ela parece brava, seus olhos violetas estão tempestuosos e mesmo assim tudo nela grita alegria.

Sinto o estranho engolindo em seco, parecendo nervoso.

—Kushina!

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado! Com a entrada de Minato e Kushina o plot principal vai começar a ser desenvolvido! Comentem suas idéias,opiniões e críticas, estou sempre aberta a tudo! Uma pergunta boba: vocês preferem clã ou clan? As expressões em japonês incomodam? E o nome dos jutsus, os da tradução ou o original?