Jane - O Outro Lado da Moeda

2 Capítulo 2 - O Vínculo


Notas iniciais
Uma curta continuação, mais capítulos em breve. Ainda estou entendendo como as postagens, edições e tudo mais funcionam kkkk' Espero que gostem!

Assim como o amor cria vínculos entre as pessoas, o ódio, raiva e desejo de vingança também o fazem.

Logo depois que minha recuperação começou a acontecer, após ser a única sobrevivente dos assassinatos de Jeff, eu passei a ter sonhos estranhos onde observava pessoas e lugares totalmente desconhecidos. Eram flashes rápidos. Algumas vezes apenas via corpos caídos e mutilados no chão. Havia passado por algo traumático, era de se esperar que tivesse noites de sono bastante ruins mas fiquei realmente preocupada na noite em que sonhei que observava a mim mesma, pelo lado de fora da janela do hospital. Eu, a pessoa do lado de fora, estava girando uma faca contra o parapeito da janela. Já havia um pequeno buraco na madeira no local onde a ponta da lâmina se encontrava. Lembro-me do vento frio e dos sons dos trovões. Eu queria rir. Na verdade, sentia como se estivesse rindo o tempo todo. Então, houve um relâmpago, seguido de uma forte trovoada. A luz iluminou a janela, que estremeceu junto da pequena Jane em sua cama hospitalar e foi nesse momento que, no reflexo da janela, eu vi seu rosto. Olhos sempre alerta, boca sempre sorrindo. Eu era ele, observando a mim mesma através daquela janela. Acordei. O som da trovoada que me despertara ainda estava presente. Poucos instantes após eu já estava de pé em frente a janela. As primeiras gotas de chuva já caíam, podia sentir aquela aroma petricor que em minha infância tanto gostava. Mais um pesadelo — sussurrei a mim mesma no escuro enquanto apoiava as mãos no parapeito, apenas para congelar de medo no mesmo momento. Um dos meus dedos repousou sobre uma breve depressão na madeira. Um pequeno buraco. A faca — lembrei logo após. Tirei rapidamente as mãos da janela, algumas raspas de madeira grudaram em meus dedos. Relutante, olhei pela janela e lá estava aquele capuz branco um um andar abaixo, do outro lado da rua, olhando na minha direção. Houve outro relâmpago que iluminou seu maldito sorriso. Eu soquei a janela e gritei. Gritei tão alto quanto o trovão que sucedeu o som do vidro estilhaçado caino no chão. Pouco depois uma dúzia de enfermeiras entrou correndo no quarto.

Elas me imobilizara na cama, devo ter machucado uma ou duas tentando me soltar pois haviam manchas de sangue em todas aquelas roupas brancas e pude ver, de relance, uma das enfermeiras com a mão sobre um dos olhos, talvez cobrindo um corte. Minha mão pulsava um estranho calor, provavelmente havia cortado ao quebrar o vidro. Estava com tanta raiva que não senti dor alguma. Devem ter me dado uma injeção em meio a bagunça porque após alguns minutos me senti sonolenta e apaguei.

No dia seguinte pedi a uma das enfermeiras que me trouxesse um jornal com a desculpa de querer ler um pouco. Busquei por notícias sobre assassinatos recentes e, como eu pude imaginar, meus sonhos não eram sem sentido. Eu estava tendo vislumbres da mente de Jeff. Nesse mesmo dia recebi seus presentes. Uma peruca preta, um vestido da mesma cor, uma máscara branca e a faca que eu havia pego para tentar matá-lo naquela noite. Junto de tudo havia um bilhete que prefiro até não ficar relembrando. Aceitei tudo sob a condição de usá-los em minha redenção e caí fora daquele lugar e, então, o vínculo foi estabelecido. A mente dele conectou-se a minha e, desde então, eu apenas sigo as migalhas que um dia me levarão até ele.

Você pertence a mim, Jeff. Você e todas as suas vítimas serão meus no final.

Notas finais
Peço desculpas por eventuais erros que deixo passar. Comentários são sempre bem-vindos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.