Jane

8 Capítulo VII - So Cold


Notas iniciais
Oi pessoal! Senti saudades de vocês ♥ Então, como vão? E esse calor? Nossa, eu juro que achei que fosse derreter todos esses dias. Maaas, vou parar de prender vocês nessas notas e deixar vocês lerem ♥ Boa leitura, e cuidem bem da visão, viu!

— Minha prova de Física... Minha vida... Oh meu Deus. – Jane falava consigo mesma durante a viagem toda, sempre seguida de comentários motivadores de Castiel e bufadas entediadas de Luke, que parecia querer avançar nela a qualquer momento para fazê-la calar a maldita boca que só sabia arrumar defeitos para a vida. Claro que ela tinha noção de que talvez estivesse exagerando, mas...

— Não se preocupe, o nosso tempo corre de um jeito diferente. Você nem mesmo estava onde pensava estar quando nos encontramos. – Dizia o ruivo naturalmente como se ela já esperasse por aquilo, e não conteve um sorriso quando viu a expressão espantada que ela fazia. – Mas eu fui até lá e coloquei tudo exatamente do jeito que era. Até conversei com o homem da... Daquilo transparente. – Olhou para baixo antes de continuar. – Ele era tão rude. Orei por ele.

— Ele é gentil, muito gentil. – Disse a morena em um tom baixo tentando processar tudo, o que estava ficando um pouco mais fácil com o tempo. – Mas eu sinto falta. Vou sentir falta da minha família, entende?

— Não muito, mas eu acho que sim. – O anjo sacudia um jornal tentando imitar o que provavelmente vira um homem fazer enquanto estava a Terra em que ela vivia, o que Jane achou engraçado, e acabou o jogando do outro lado do avião. Suspirou rindo. – Deve ser confuso.

— Ter tudo tirado de você de uma vez, é tão... – Sua voz foi interrompida por o som de baque de algo que fora jogado em sua direção, mas bateu na traseira da poltrona que estava na frente. Arregalou os olhos e moveu-os na direção do moreno que a olhava com uma feição severa.

— Pare de se fazer de vítima. – Ele bufou, olhando para o lado. – Tirado de você? Você tem a mera ideia do que é ter tudo tirado de você?

— Luke... – Começou Castiel quase se levantando, com um olhar preocupado focado no outro, que estava começando a ficar extremamente alterado e olhava para cima como se segurasse a raiva. – Está sendo mais difícil para você do que para qualquer um aqui. Nós entendemos, mas não precisa... – Novamente fora cortado pela voz gritante e ríspida do deus.

— “Não precisa exagerar”? Olhe para ela, Castiel... – Levantou-se e se aproximou da garota que estava novamente espantada por ele, e a respiração acelerada. Qual era o problema daquele deus paranoico? – Tudo que você conhece ainda está lá, você não perdeu nada. – Sua voz se tornara rouca, e depois ganhou um tom sussurrante que causou arrepios por todo o corpo de Jane. – Nós podemos conversar sobre isso quando eu destruir a humanidade.

— Não brinque com algo assim. – Advertiu o anjo olhando de maneira já irritada para Luke, que voltara a sentar-se com os olhos voltados para fora do avião. – Deveria agradecer ao invés de jogar sua raiva nos outros, ela está sofrendo também.

— Agradecer pelo meu mundo estar acabando? Ah, óbvio, que deslize o meu, obrigado. – Um novo silêncio havia reinado após ele completar a frase. Nenhum dos outros dois sabia o que dizer tanto para consolar quanto para argumentar contra o que ele dissera. Ambos sabiam que o sofrimento era algo muito delicado e certas feridas eram facilmente inflamáveis, e com certeza eles não queriam um Luke fora de controle naquele momento.

A quietude permaneceu pelo resto da viagem. Jane não tinha coragem para vociferar e nem mesmo para pensar em algo como antes, sentia-se extremamente culpada ao pensar o quanto tudo poderia ser muito pior, e advertindo a si mesma por reclamar tanto da própria vida.

Entretanto, conforme o tempo passou, ela começou a achar o silêncio bem agradável: facilitava para seus pensamentos se organizarem. A parte boa de ninguém falando, também, era que não provocariam nenhuma reação indesejada no deus, que Jane particularmente estava sentindo-se bastante intimidada. Não por ele ser alto, forte ou simplesmente um deus nórdico sádico, mas havia algo... Algo que fazia teme-lo, algo que fazia, ao mesmo tempo, quere-lo por perto.

Tão familiar...

Respirou fundo. Como poderia julga-lo por estar naquele estado? Talvez, toda aquela história de Ragnarok estivesse mudando os instintos dele, suas ações, talvez ele só estivesse muito sobrecarregado. Afinal, nem mesmo sabia o que tivera acontecido no momento que ele chegara no avião! Lembrou-se dele estar extremamente machucado, e tão... Bonito.

Balançou a cabeça negativamente. Devia odiá-lo, sim. E iria. Com certeza.

Acabou nem sequer percebendo que havia pegado no sono enquanto imaginava sangues, abdomens e cabelos negros. Ora ou outra, ofuscados pelo sol... Cabelos ruivos e olhos tão cristalinos..

Quando enfim o avião pousou, foi um alivio. A tensão havia se dissipado e boa parte da discussão de mais cedo tinha sido esquecida, e eles conversavam entre si normalmente – mesmo que Luke não falasse mais que uma palavra quando se dirigiam a ele. Levantaram-se ansiosos para saber o que os esperava do lado de fora, e Jane em especial estava empolgada para se aventurar no lugar novo e tão aguardado. Entretanto, o deus não parava de martelar em seus pensamentos a cada segundo, fazendo-a suspirar de vontade de olhá-lo.

Será que ele teria enfeitiçado ela?

Caminharam até a porta que já estava aberta, e seus olhos se iluminaram pela luz excessiva do ambiente que era rodeado de prédios e era possível ouvir música de todos os lados. O “aeroporto” ficava em cima de um grande prédio alto e todo iluminado, com pessoas circulando por ali como se nem sequer vissem o enorme avião que estava pousado, muito acostumadas com aquele pequeno detalhe na longa pista. Juntaram-se, em companhia de Hermes, à elas na caminhada pelo lugar a procura da saída, que era uma portinha modesta de elevador que descia até provavelmente os apartamentos do prédio – que não parecia ter menos que trinta andares, numa jogada mínima. Tudo era enfeitado de luzes e músicas de diferentes tipos, fazendo com que Jane ficasse absolutamente maravilhada enquanto seguia Hermes, com o seu andar confiante, até a saída.

Estavam na fabulosa Las Vegas.

Ω

— Wow, só... Wow. – Dizia Jane impressionada pela arquitetura do quarto em que ficaria pelo tempo em que levassem para achar a Ganância. Imaginou consigo mesma: Por que esse pecado estaria em Las Vegas, a cidade mais gananciosa do mundo? Achou que os herdeiros não tivessem características dos pecados, como se fossem o oposto deste, mas após um curto debate em seu subconsciente concluiu que seria quase a mesma coisa para encontrá-los se eles fossem o contrário, e se eles fossem o pecado em si. Aquilo provavelmente só os deixava ainda mais camuflados, pensou.

Como estava sozinha no lugar, jogou-se na cama onde sabia que deveria dormir até que fosse chamada. Castiel mesmo a tinha pedido gentilmente para que não saísse do quarto, já que poderia ser perigoso para uma humana do lado de fora, e ao julgar pelo que já tivera presenciado não poderia discordar que tinha bastante receio em desobedecer ao anjo. Pensou mais um pouco enquanto fechava os olhos e respirava fundo. Ele parecia muito bondoso com ela, como se sempre a tivesse como prioridade, e talvez realmente gostasse dela. Riu bobamente ao cogitar a possibilidade que martelou em sua mente durante a viagem, mas logo seu sorriso se desfez ao pensar em Luke. Enquanto Castiel demonstrava que amava-a, ele parecia a detestar. Virou-se de lado olhando para o relógio digital acima de um criado-mudo branco e preto muito moderno, que ficava ao lado da onde estava.

23h45min. E adormeceu.

“Querido Diário de Jane...

Ainda estou confusa, mas menos que antes. Alguma coisa fez com que eu aceitasse o fato de ser um pecado e tudo mais, mas não sei explicar o que está acontecendo. Castiel é um anjo – em todos os sentidos possíveis – e ele me faz um bem do cassete. Se fosse só ele... Mas não, tem o deus egocêntrico lá. Ele faz meu coração disparar e meu corpo suar, como se eu já tivesse tido experiências muito pervertidas com ele. Deve ser por que ele é bonitão, mas ainda sim isso me deixa confusa.

No fundo eu queria que ele desaparecesse. Tudo seria mais fácil. Sem contar que ele é muito chato e emocionalmente abalável também, pelo que parece, tipo uma criancinha.

Mas outra coisa que não sai da minha cabeça é a Iniciação. Eu estou muito ansiosa, ansiosa pro que vem pela frente. Não sei se gosto disso.

Não faço ideia de que dia é hoje, acho que é... Quarta, não sei.

Jane Wickdorff. “

Notas finais
E então, o que estão achando? Estou agradando, ou acham que algo poderia ser melhorado? Estou aqui para ouvir todos e melhorar cada dia, por vocês ♥ Aaaah, gente, me perdoem por não ter respondido - AINDA - os comentários do capítulo passado. Como vocês sabem, eu respondo todos com muito carinho, mas nos últimos dias, não tive tempo. Porém prometo que até amanhã eu respondo, não se zanguem comigo :c Aliás, vocês vão prestar o ENEM? Esses estudos estão acabando comigo. Estão nervosos? ;-; Até o próximo! ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.