Jandugard, Lembranças Eternas
1 Capítulo I - As Cinco Feras Divinas
Começarei, como é de se esperar, pelo princípio de Nebulon...
Eis que no começo essa nebulosa nada mais era que uma mar de energia pura e caótica, pelo vazio do espaço, em uma área onde sequer a luz conseguia se formar. E então os olhos do Arquiteto avistaram essa nuvem de sombras, e aos olhos dEle aquilo não era destruição e caos, mas uma possibilidade de criação, pois "o caos mais inconstante precede a instauração da ordem". E ele pôs-se a moldar aquele mar enigmático de pura aleatoriedade, e os tempos passaram, e ele moldou o espaço, os planetas e satélites, as estrelas e os cinturões, e então findou sua criação, e viu que aquilo tudo era belo e bom. Mas os astros eram vazios e sem vida, e sob as terras de Jandugard apenas as sombras habitavam, o Arquiteto então percebeu que sua criação não havia acabado, pôs-se então a observar o crepúsculo, a estrela de nêutrons que criara se punha sob o horizonte lentamente, a visão era bela, mas algo faltava e essa falta fez o Arquiteto desgostar de sua criação. Enquanto observava o Arquiteto entediou-se e direcionou seu olhar ao longe, para além dos céus e do vazio. Não sei o que ele viu, mas ele esboçou um sorriso e se decidiu, Nebulon não era o que ele queria, mas não podia simplesmente partir e deixar tão belo local à própria sorte, apanhou um punhado da areia da praia e moldou cinco seres, soprou sobre eles e os deu vida, quando as criaturas puseram-se a ouvir ele então disse:
—Eu sou o início e o fim, eu sou o criador, e a mim devem lealdade!- Então apontou para um deles, então este abriu suas asas e ao seu redor cintilou pó cristalino, sua crista se eriçou e seus chifres tornaram-se marfim, sua cauda graciosamente alongou-se e em sua ponta surgiu um rufo de pelos escuros.- Tu és Zarco, espírito da lua, senhor do gelo e neve e governante da sabedoria.
E esta foi a primeira fera divina.
—Aion.- E apontou para outro, as escamas deste porém, não se tornaram alvas como as de Zarco, mas num tom de dourado queimado, suas asas como bronze abriram-se.- O espírito do tempo, o futuro, o passado e o presente, e seu irmão Óirion.- Ao lado do espírito do tempo a massa ainda de forma incerta debatia asas malfeitas e tentava atacar, logo suas escamas tornaram-se rubras como sangue, sua cauda assemelhou-se a de um escorpião e seus espinhos tornaram-se negros, não possuía quatro patas, no lugar das mais próximas a cabeça estavam suas poderosas asas.- Tolo, debateu-se tanto que perdeste as patas, voe meu wyvern selvagem, espírito do espaço, senhor da selvageria.
Os irmão eram opostos, Aion sequer olhou para Óirion, em uma completa calma, mas este já encarava Zarco com a intenção de atacar, mas com um simples olha do senhor do gelo, desistiu.
—Lidorm, senhor dos humanos e espírito do mar.- disse ao esguio dragão azul, cujos chifres longos e asas longas refletiam a luz provinda do céu, este logo que se formou curvou-se na direção de Zarco, em sinal de respeito.
O Arquiteto olhou bem para as quatro formas que havia criado, faltava ainda uma e por isso ele pensava.
—Onde existe a luz, as sombras devem surgir, para que a ordem se instaure o bem e o mal devem coexistir, a luz e o caos.- tomou então a sombra de Zarco e lançou-a sobre a última forma.- Shinik, espírito das trevas, a sombra que nunca se ilumina, acorde para a criação.- A ultima forma absorveu a sombra e tornou-se negra como tal, um dragão negro como nenhum outro, sua forma era simplesmente indescritível. E então o Arquiteto findou seu discurso.- Esta terra vazia se chama Jandugard, sobre ela soprem e gerem a vida, que dominem esse planeta como seus deuses e que ao fim de cada vida tomem de volta seu sopro.- E a forma dEle se desfez em energia lentamente. Ao fim estavam apenas os cinco dragões, as cinco feras divinas nas terras vazias e sem vida de Jandurgard.
E assim tudo começou.
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