Ele se aproximou dela bem devagar, fazendo-a pensar que seria beijada, mas ele tinha outros planos. Quando seus lábios estavam quase se tocando, ele estendeu a mão e pegou aquilo que queria, se afastando rapidamente e saltando da cama mostrando o que tinha conseguido.

— Me devolva — disse ela estendendo a mão.

— Se quer de volta venha pegar — respondeu ele andando na direção da porta do quarto.

Ela não poderia correr, ele era mais rápido e conseguiria despistá-la, mas talvez se ele não pudesse correr.

Ela tentou se concentrar o máximo no feitiço e para sua felicidade, deu certo. Graças ao feitiço Rictusempra, ele ria descontroladamente quase largando a varinha.

— Pa.... para... com.... isso... — suas palavras saíram em meio a risada histérica.

— Me devolva minha varinha e eu paro — disse ela ameaçadoramente.

— O.K.... O.K.... — o feitiço finalmente foi retirado dele, lhe dando uma chance para respirar. — Desde quando é boa em feitiços não verbais?

— Andei praticando para o caso de ter minha varinha roubada.

— Quem roubaria sua varinha?

— Você. Será que agora pode me devolver ela?

— Claro, claro... eu prometi que iria devolver, não prometi?

— Então será que pode me entregar agora?

— Eu prometi que a entregaria, só não disse quando — dizendo isso ele saiu correndo quarto a fora.

— Volta aqui, Potter — ela correu até a porta, mas parou ao saber que jamais o alcançaria, além disso ele tinha a vantagem, já que a casa era dele e ele conhecia todos os atalhos e cômodos da casa.

Ele teria que vir ao seu encontro e ela sabia exatamente como fazer isso ser possível.

— Hope.

O elfo doméstico da família logo apareceu na sua frente. Ela falou do que precisava e logo foi levada até o quarto do Potter mencionado. Depois pediu que o elfo entregasse um bilhete ao dono do quarto. Não demorou muito e ele apareceu no quarto com a varinha no alto e as mãos erguidas em sinal de rendição.

— Eu juro, te entrego a varinha agora mesmo, mas por favor, em nome de Merlin, não faça nada com minha Nimbus 1700.

A garota riu do desespero dele.

— Minha varinha, Potter — disse ela estendendo a mão.

Ele a entregou sem hesitar.

— Agora, onde está minha Nimbus?

— Não tenho ideia, talvez onde você a tenha deixado.

— Quer dizer que você não está com minha vassoura? Não iria destruí-la como prometeu se eu não devolvesse a verinha?

— Não chegaria a tanto. Sabia que viria correndo se ela estivesse em jogo.

— Não sabia que era chantagista, senhora Potter — disse ele se aproximando.

— Ainda sou Evans, James.

— Não por muito tempo — James já estava bastante próximo, o suficiente para seus corpos se encostarem. — Falta dois dias, não?

— Um mês — corrigiu ela, mas sorrindo ao ver a alegria dele ao falar sobre o casamento.

— Parece uma eternidade — disse ele passando os braços pela cintura da Evans.

— Eu sei — respondeu ela passando a os braços pelo pescoço dele.

James abaixou sua cabeça e a beijou, mal acreditando que depois de tantos anos ela finalmente tinha se apaixonado por ele.

— Eu te amo, Lílian — disse ele assim que se afastaram.

— Eu te amo, James — respondeu ela o beijando novamente.

Lílian tentou afastar suas memórias, pelo menos por enquanto. Mas já era tarde, lágrimas escorriam por seu rosto ao lembrar dos momentos que passaram juntos, dos poucos anos que passaram juntos... ela se obrigou a mudar seus pensamentos.

Aquele não seria um bom momento para ficar naquele quarto, talvez nem no que Harry dormia. Eram muitas as lembranças, e esse não era o melhor momento para revivê-las. Talvez ela pudesse procurar um quarto um pouco mais afastado, mas não tanto, ela tinha que ficar por perto para o caso do Harry acordar no maio da noite.

Lílian teve que andar um pouco, mas logo achou um quarto vazio onde pode passar a noite sem que sua mente fosse tomada de muitas lembranças dolorosas.

No dia seguinte, Lílian acordou com o sol batendo em seu rosto e clareando todo o quarto. Assim que abriu os olhos não conseguiu reconhecer o lugar onde estava, mas aos poucos, suas memórias foram voltando e ela entendeu que estava na mansão Potter e que estava só com Harry. Alguma coisa havia acontecido e Peter havia entregado a localização deles, mas Lílian duvidava que ele os tivesse traído, afinal ele era um Maroto, amigo deles, jamais os trairia, esse não era o Peter que ela conhecia, não podia ser.

Lílian olhou envolta no quarto e avistou sua mochila, provavelmente Hope a havia deixado ali durante a noite. A Potter se levantou, foi ao banheiro e tomou um banho na esperança que a água quente pudesse aliviar a tensão que sentia, mas não funcionou, ao sair do seu quarto, ela ainda estava sentindo um peso sobre seus ombros e a tensão continuava lá.

Lílian foi até o quarto de Harry e felizmente ele continuava dormindo, o que daria tempo para que ela pudesse conferir o que tinha para o café. Para isso, teve que conferir a cozinha e todos os armários e prateleiras, mas não achou nada que tivesse dentro do prazo de validade. Vendo que precisaria de ingredientes se quisesse continuar morando ali, rapidamente ela conjurou um pergaminho e uma pena, e começou a fazer uma lista de tudo que iria precisar. Assim que terminou, chamou o elfo dos Potter que imediatamente apareceu.

— Hope, será que poderia comprar essas coisas para mim? — Disse ela entregando o pedaço de pergaminho.

— Sim senhora, mas de onde devo pegar o dinheiro? — Perguntou ela ao terminar de ler a lista.

Lílian suspirou. Ela não estava com as chaves de seu cofre ou do cofre de James e não usaria o dinheiro separado para o Harry nem se tivesse a chave. Ela não tinha ideia do que fazer. Tinha medo de que os comensais continuassem a solta e a atacassem caso a vissem, mas precisava de ter acesso a Gringotes. Então uma ideia lhe ocorreu. Ela conjurou outro pedaço de pergaminho e escreveu algo nele, depois entregou a Hope.

— Dê isso a um duende chamado Grampo, ele saberá o que fazer.

Hope assentiu, mas antes de partir disse:

— Durante a noite chegou uma carta para a senhora, senhora Potter.

— De quem?

Uma carta apareceu nas mãos de Hope, que rapidamente a entregou a Lílian.

— Dumbledore? — Se questionou Lílian mais para si mesma do que para o elfo.

— Posso partir senhora Potter?

— Claro. Tome cuidado Hope.

O elfo partiu e Lílian implorou que desse certo, caso o contrário, ela não tinha ideia de como iria se sustentar pelos próximos anos.

Tentando mudar seu foco, ela se sentou na mesa da sala de jantar e passou a ler a carta do diretor de Hogwarts.

Minha cara Lílian,

Hagrid contou a mim que você e Harry conseguiram sobreviver ao ataque de hoje, meus sentimentos por James, ele era um bom homem e um excelente pai. Caso precise de alguma ajuda nesse período difícil, entre em contato comigo. Mas aviso que desde já, você não precisa se preocupar com coisas como dinheiro, foque em cuidar do Harry.

Falando sobre o cuidado do pequeno garoto, acho que o melhor a se fazer, é enviá-lo para morar com sua irmã, Petúnia. Sei que deve estar me achando doido de propor isso, mas pense bem: lá ele estará seguro, ninguém pensaria que ele estaria vivendo com trouxas, por tanto estaria mais seguro do que estando com a mãe que poderia ser facilmente encontrada, acredito.

Outro motivo pelo qual Harry deve ser mantido afastado de você, Lílian, é a questão da magia. Seria melhor para ele viver longe do mundo mágico, talvez conseguisse levar uma vida melhor.

Me envie sua coruja logo, se possível diga-me onde está para que possa ir até você ajudá-la.

Com meus mais sinceros sentimentos,

Dumbledore.

— Isso é sério? — Ela releu a carta e voltou a ler os trechos que falavam que Harry deveria ser criado por Petúnia e que ele não deveria ter contato com a magia.

O gato de Lílian saltou sobre a mesa e se esfregou no braço da dona.

— Eu sei como criar meu filho, não é Merlin? Não vou deixar um velho de barba me dizer como fazer isso, vamos mostrar que ele está errado.

Disse ela começando a escrever sua carta de resposta.

Dumbledore,

Muito obrigada pela oferta de ajuda, se precisar de algo pode ter certeza que eu avisarei.

Sobre Harry ser criado pela Petúnia, sinto em ter que discordar do senhor, mas não vejo como meu filho pode estar mais seguro com trouxas tão ignorantes à magia, do que comigo. Eu sei me proteger e sei proteger o Harry. James deu a vida para que eu pudesse criar meu filho e pretendo honrar o sacrifício dele.

Quanto a revelar minha localização, isso não será possível, mas posso dizer que estou muito segura onde estou e não terá como ninguém nos achar.

Por último, não. Não manterei Harry longe da magia, ele viverá comigo e viverá como bruxo, porém para lhe satisfazer, posso diminuir o uso da magia na frente dele, mas não mudarei nosso estilo de vida para lhe agradar, sendo que não corremos perigo algum. Quando ele for crescido, posso enviá-lo a uma escola trouxa e fazê-lo ter uma infância normal, exceto pela presença de magia, isso é indiscutível.

Por enquanto isso é tudo.

Pensando bem, teria como me providenciar uma assinatura do Profeta Diário? Duvido que um elfo doméstico possa fazer isso sem um dono presente.

Respeitosamente,

Lílian Potter.

Lílian olhou para o pergaminho e o pôs dentro de um envelope conjurado. Depois pôs Merlin no chão e saiu da casa em direção do corujal da família.

Aparentemente nada havia mudado, continuava a mesma pequena construção parecida com uma torre, na parte de trás da casa. Lá ainda tinha as mesmas quatro corujas de anos antes, a mais nova deveria ter uns cinco anos. Dentro da minitorre, continuava muito escuro e surpreendentemente limpo. "Hope deve ter continuado a trabalhar. " Pensou a Potter, enquanto se dirigia a coruja mais próxima e prendia a carta na perna dela.

— Para Dumbledore — disse ela ao soltar a coruja.

Assim que viu a coruja partir voando nas sombras, Lílian voltou para dentro da mansão e foi para o quarto de Harry. Finalmente acordado, o pequeno garotinho estava quieto no berço olhando para a porta. Lílian o pegou no colo e lhe deu um banho quente, depois o vestiu com uma blusa vermelha de manga cumprida e uma calça amarela, quase dourada. Roupas, claro, escolhidas por James.

— Tem alguma ideia de quanto pressão isso pode ser para ele? — Perguntou Lílian.

— O que quer dizer com isso? — Perguntou ele.

— E se ele se sentir pressionado para ir para a Grifinória?

— Mas ele vai ser da Grifinória, igual o pai. Mas se por um acaso ele for da Corvinal, vou ter que lidar com isso. Se for da Lufa-Lufa é só não o encarar durante o resto da vida.

— James! — Repreendeu ela.

— E se, Merlin nos livre, ele ficar na Sonserina, eu deserdo ele.

Lílian deu um tapa na cabeça dele para ver se ele parava de falar de falar besteira.

— Se ele ficar na Sonserina, e você o deserdar, eu me separo de você — ameaçou ela séria, mas não pretendendo levar esse assunto a sério, pois sabia que independente da casa, ele jamais deserdaria Harry.

— Retiro o que disse.

— Ótimo, e para seu governo, devemos nos orgulhar se Harry ficar na Corvinal, significa que ele é inteligente. Se ficar na Lufa-Lufa devemos ficar mais contentes ainda, significa que ele é leal como o pai, se não mais, também significa que é um ótimo amigo e confiável. Porém você não vai o deserdar se ele ficar na Sonserina será determinado e não se importará com as regras como você...

— Quer dizer que alguém não se importa de que nosso filho seja um Maroto?

— Eu não disse isso.

— Mas não se importa se ele quebrar as regras — o sorriso de James crescia cada vez mais.

— É claro que me importo. Para cada detenção que ele arranjar será uma semana de castigo.

—Mas você disse que não tem problema ele ficar na Sonserina, porque ele irá desprezar as regras.

— Pare de distorcer o que eu falei. Pensando bem, por que eu ainda discuto com você? — Disse ela balançando a cabeça em um sinal de decepção consigo mesma.

— Por que você me ama, Lírio. Admita.

— Não sei do que você está falando — disse ela se levantando da cama e caminhando lentamente até a porta.

— Ah, não? Pois eu tenho certeza que tem, mas se não quiser falar por bem, pode falar por mal. — Disse ele se levantando e caminhando na direção da esposa.

— Você não se atreveria... — Lílian sabia que sim, ele se atreveria por tanto se pôs a correr, mas infelizmente James era mais rápido e a alcançou em segundos.

— A senhora Potter gostaria de dizer alguma coisa antes de começarmos? — Perguntou ele a agarrando por trás.

— Sirius! Sirius! — Gritou ela a plenos pulmões, rezando para que James estivesse carregando o espelho consigo.

— Lílian! James! O que aconteceu? Harry está bem? — Perguntou uma voz desesperada vindo do bolso de James.

— Você não me escapa — disse James pegando o espelho, mas não soltando. — Sirius, que bom te ver — O.K. essa voz forçada não havia enganado ninguém.

Lílian ria por ter conseguido fugir da tortura de seu marido, por um tempo, o que só confundia Sirius mais ainda.

— O que aconteceu? Por que a ruiva está rindo tanto? Alguém os atacou e a pôs sobre uma azaração? — Perguntou Sirius cada vez mais preocupado.

— Nós estamos bem, Sirius. É apenas a Lily que está exagerando — disse James encarando o espelho com raiva, apesar de que não era culpa do Black.

— Exagerando? — Lílian estava tentando segurar sua risada para o encarar com uma expressão séria no rosto. — Da última vez você ficou uma hora inteira me torturando.

— Que mentira — disse ele com uma falsa expressão de indignação. — Foram dez minutos até você admitir que me ama.

— Não — discordou ela —, você ficou uma hora falando de quadribol.

— Isso é um insulto! — Disse James fazendo drama e pondo a mão no peito. — Almofadinhas tenho que ir, como pôde ver, tenho alguns assuntos para acertar.

— Não Sirius, me ajuda — implorou ela olhando na direção do espelho, mas se preparando para tentar fugir novamente.

— Sinto muito, ruiva. Insultou o quadribol agora não posso fazer nada. Mande um abraço para o Harry — disse ele já desaparecendo.

— Traidor — disse Lílian pouco antes da imagem de Sirius desaparecer.

— Agora que ninguém vai nos atrapalhar — disse James sorrindo marotamente —, a senhora Potter vai fazer duas coisas: uma é pedir desculpas por insultar o quadribol, e a outra é admitir que ama esse papai aqui — ele apontou para si mesmo ao dizer essas últimas palavras.

— Nunca — disse Lílian cruzando os braços e se segurando para não rir da cara do marido.

— Eu te dei uma chance... — disse ele antes de a jogar sobre os ombros e a carregar até o quarto.

Lá a jogou sobre a cama e se posicionou por cima dela, bloqueando qualquer possibilidade de saída.

— Tem certeza que não quer dizer nada? — Questionou ele com um olhar provocante, sabendo que sua esposa era teimosa e não falaria nada.

— Não tenho nada a dizer — respondeu ela.

James começou a atacá-la com cócegas sem piedade mesmo quando Lílian implorava para que parasse. Vez ou outra ele lhe dava uma trégua para que ela pudesse tomar um ar e admitir o que os dois já sabiam, mas como sempre, Lílian era teimosa o suficiente para não falar que o amava.

Haviam se passado meia hora de tortura até a ruiva admitir que o amava e que não falaria mal sobre o quadribol por dois dias. Claro que James queria que ela prometesse nunca mais falar mal de seu esporte favorito, mas esse foi o melhor que conseguiu e ele teve que aceitar.

— Harry acordou — disse Lílian pouco antes de ouvirem um choro infantil vindo do quarto do menino.

— Como sabia?

— Pressentimento — disse ela.

Lílian tentou sair de d'baixo de James, mas este a impediu.

— Onde pensa que vai? — Perguntou ele a mantendo deitada.

— Ver porquê meu filho está chorando, não posso? — Questionou ela um pouco confusa com a reação dele.

— Eu vou. Você parece que se fizer forças vai desmaiar a qualquer momento — disse ele divertido.

— E a culpa é de quem? — Perguntou ela erguendo as sobrancelhas.

James apenas revirou os olhos e saiu do quarto deixando a Potter sozinha.

Lílian se lembrava muito bem desse dia, tinha sido na semana passada, dois dias antes de colocarem o Feitiço Fidelius no Chalé dos Potter. Era sempre assim, quando ela não dizia que o amava, ele a torturava com cócegas até que a Potter admitisse. Ela sentiria falta disso. Sentiria falta dos momentos que passavam juntos, dos momentos que passavam com o Harry, somente os três... aquelas eram boas lembranças, lembranças que não voltariam a se repetir, por isso se tornaram muito mais valiosas.

Lílian foi tirada de seus pensamentos por conta de seu filho que estava com a barriga roncando.

— Alguém está com fome, não é? — Perguntou ela sorrindo enquanto erguia Harry no colo. — Vamos lá ver se Hope já voltou.

Ela desceu as escadas e foi para a cozinha, onde encontrou Hope já cozinhando.

— Conseguiu achar tudo, Hope?

— Sim, senhora.

Lílian começou a procurar a comida de bebê e logo a encontrou em uma das prateleiras. Depois de alimentar Harry e se alimentar, ela passou o dia brincando com o pequeno menino tentando se distrair.

Passava das sete da noite quando uma coruja adentrou pela janela trazendo uma carta e uma pequena bolsinha consigo. Ela pousou no braço do sofá em que Lílian estava sentada com Harry.

— Obrigada — agradeceu ela à coruja assim que pegou a carta e a bolsinha. — É do Dumbledore.

— Dumbles — disse ele animado batendo pequenas palmas, mesmo sem saber do que aquela carta se tratava.

— O que acha, Harry? Será que ele voltou com a sanidade?

O garoto tinha uma expressão confusa no rosto, o que Lílian interpretou como um "eu não sei".

Lílian,

Sei que a ideia de Harry crescer com sua irmã pode parecer um absurdo, mas pense bem não é.

Se você quer criar Harry sozinha, O.K., quem sou eu para discutir com sua autoridade como mãe? Mas entenda que está colocando seu próprio filho em risco só de mantê-lo por perto. Porém se quer assim, que assim seja.

Se quer manter sua localização um segredo, essa escolha é sua, mas caso seja atacada não poderei fazer nada para a ajudar.

Já disse uma vez e repito: é muito mais prudente manter Harry longe do mundo bruxo, mas se não quiser assim, não posso fazer nada a respeito.

Só te peço uma coisa Lílian: não saia de onde está. Fique segura e não deixe ninguém saber que está viva, isso pode causar problemas para vocês dois. Ao menos siga esse meu conselho se não quiser que você ou Harry sejam usados de isca no futuro.

Sobre a questão da provisão, duas vezes por mês enviarei uma coruja com uma bolsinha com feitiço extensor, cheia de galeões, sicles e nuques para lhe ajudar nas compras do que precisar. Também terá uma coruja que todo dia lhe entregará uma cópia do Profeta Diário, como me pediu.

De seu amigo,

Dumbledore.

Lílian terminou de ler a carta e suspirou.

— Ao menos vamos poder ficar juntos, Harry — disse ela colocando o garoto sentado em seu colo.