Jamais Quis Ser Seu Amigo
2 Matsuba, não encoste em mim.
Notas iniciais
Segundo mês de aula. Com os raios de sol saindo pelo espaço entre as cortinas e atingindo o rosto de Hazuki, ele começa a despertar. Além disso, o despertador de seu celular, tocando "Deeper Deeper" de One Ok Rock, ajudou em acordá-lo.
Desceu as escadas ainda sonolento. Na mesa da cozinha, viu que seu café da manhã estava pronto, mas como sempre, estava sozinho. Sua mãe e sua irmã já não estavam mais em casa.
– Elas realmente acordam cedo. Será que no futuro acordarei tão cedo assim? — pergunta Hazuki, com metade do pão já sendo mastigado.
Após o café da manhã, colocou seu uniforme e saiu calmamente de sua casa, sem pressa de chegar cedo no colégio.
No caminho, viu várias pessoas, a maioria delas correndo. Calmamente colocou os fones e passou o caminho todo escutando One Ok Rock. Uma gostosa brisa estava passando naquela hora, que fez com que Hazuki parasse por um instante e aproveitasse.
– Seria bom se o ano ficasse com esse clima. Sinceramente não consigo suportar o calor que estava ontem.
Chegando no colégio, sem rodeios, Hazuki vai até a sua sala. Senta-se em seu lugar e com as mãos nos bolsos e com as pernas cruzadas, curte calmamente, com os olhos fechados, a música "My Sweet Baby" de One Ok Rock.
Então, de repente, uma pessoa simplesmente cai em cima de sua carteira, derrubando-a. O barulho e toda a agitação o fez despertar. Tirou os fones e na sua frente, vê um belo garoto de cabelos castanhos, com um brinco em cada orelha e, o que chamou mais a atenção, belos olhos verdes. Mas tudo isso foi interrompido.
– Foi mal Hazuki. Já arrumo a sua carteira. — Falou o garoto que acabara de cair, já se levantando e arrumando a carteira.
Hazuki, fechando a cara e dizendo de um modo um tanto ríspido, já começa a dar uma bronca no garoto.
– Preste atenção! Eu podia ter me machucado. Aja como um garoto do colegial e pare com esse tipo de coisa. E não lembro de ter deixado você me chamar pelo meu nome.
Com o olhar incrédulo, o tal garoto apenas responde calmamente, com um sorriso.
– Se acalme Hazuki-chan. Não precisa ficar tão estressado. Já te pedi desculpas.
– Não acho que um "Foi mal" seja uma forma de pedir desculpas.
O garoto, em pé, ficou apenas olhando para Hazuki. E de repente, cutucou a bochecha dele com o dedo indicador.
– Excelentíssimo Senhor Kuroi. Perdoe-me pelos atos feitos ao senhor. Queira perdoar esse humilde servo.
Em um movimento rápido, Hazuki bateu na mão dele e se levanta. Em pé, ele olha para o garoto e simplesmente sai da sala, com a cara fechada. Antes que ele saísse, o tal garoto disse o seu nome.
– Meu nome é Katsuya. Matsuba Katsuya. Lembre-se do meu nome Hazuki-chan!.
Hazuki pára na porta e vira o seu rosto para a direção dele. Quando faz isso, Katsuya sorri e faz com que Hazuki feche ainda mais a cara, e sai apressado.
– Que humor complicado ele tem hein... Ele deveria ser mais sociável. — diz Katsuya, colocando as mãos no bolso.
Andando apressado pelo corredor, Hazuki chega no banheiro. Ainda com a cara fechada, ele entra e vai direto lavar o rosto. Aquela água fria faz com que todo o seu corpo arrepie e com as mãos molhadas, ele as passa no cabelo.
– Hoje não está sendo um dia muito bom.
Após isso, ele volta pra sala. Ao pisar nela, percebeu que Katsuya o observava. Novamente fecha a cara e vai direto para a sua carteira, ignorando o olhar dele.
As aulas passam normalmente. Na hora do intervalo, Hazuki coloca os fones e fecha os olhos. Relaxado e distraído, ele não percebe um dedo indo direto para a sua bochecha.
– Ha-zu-ki-chan! Vamos comer juntos.
Hazuki abre os olhos rapidamente e tira o dedo de sua bochecha com um tapa.
– Sinceramente Matsuba, você não pode deixar a minha bochecha em paz?
Inicialmente com um rosto meio assustado e incrédulo, passa para um rosto sorridente e feliz, e com uma voz bem meiga.
– Lembrou do meu nome Hazuki-chan. Mesmo eu falando ele apenas uma vez. Que fofo isso.
Hazuki, sem saber o porque, ficou um pouco envergonhado com isso, e tratou de virar o seu olhar para frente.
– Você sabe que isso te fez ficar extremamente gay né?
Hazuki, percebendo isso, quase não conseguiu conter o seu constrangimento e resolveu apenas ignorá-lo.
No resto do dia, Katsuya não o perturbou mais. No caminho para casa, Hazuki se sentiu extremamente cansado por causa dos eventos de hoje. E ficou com medo que isso possa se repetir de agora em diante.
Ao chegar em casa, percebeu que o resto da família Kuroi não chegou em casa. E sem opções, teve que fazer a sua própria janta, e dos restantes dos familiares.
– Não importa quanto tempo se passe, ainda não consigo me acostumar a cozinhar.
Após comer e tomar um belo banho, resolveu dormir logo, por estar cansado devido aos acontecimentos de hoje. Hazuki, momentos antes de adormecer, orou para que tudo aquilo não ocorresse no dia seguinte.
Fale com o autor