Jade M. E A Prisão Dos Deuses
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Mesmo estando há pouco tempo no acampamento, eu já criava intimidade com Lunna. Nunca havia tido uma melhor amiga antes, e aquilo era muito bom.
Saímos da aula de esgrima pouco depois das cinco da tarde. Logo iríamos jantar e haveria o jogo de caça à bandeira. E eu ainda não tinha uma equipe.
- Podemos falar com Quíron... — Lunna disse. — Posso pedir para que você fique na minha equipe.
- Eu agradeço — Sorri. Caminhamos até um casarão com colunas gregas.
- Acho que Quíron está aqui. — Lunna falou. — Esta é a Casa Grande.
Para uma Casa Grande, ela não parecia grande coisa; não era maior que o chalé 1. Segui Lunna até a entrada e ela bateu na porta com os nós dos dedos.
O próprio Quíron abriu a porta; estava sentado numa cadeira de rodas (como ele teria conseguido enfiar a parte de trás nessa coisa?) e com um punhado de cartas de baralho na mão.
- Ah, Lunna Star. — Sorriu. — E Jade.
Lunna sorriu de volta; coloquei uma mecha de cabelos negros atrás da minha orelha, meio nervosa. Eu nunca havia tido uma conversa particular com um centauro antes; Quíron parecia pacífico, mas eu era naturalmente desconfiada.
- Quíron... — Começou Lunna. — Jade está sem equipe na caça à bandeira e achei que ela poderia...
- Ficar na sua equipe? — Interrompeu Quíron. — Sem problemas. Será até melhor para ela, não acha?
Sorri e ele fez sinal para que entrássemos. Ainda tínhamos mais o que conversar?
Ele se dirigiu até uma mesa de Ping Pong, onde havia um homem barrigudo sentado numa cadeira acolchoada; também segurava algumas cartas na mão. Quando eu e Lunna entramos, ele riu presunçosamente.
- Encontrou algumas jogadoras de Pinochle, Quíron? Maravilha!
- Na verdade ... — Começou Quíron, mas o homem o interrompeu.
- Uma surpresa você estar aqui, Luana Esther. Já sei que não gosta tanto assim dos Olimpianos...
- É Lunna, Lunna Star. — Ela falou, entre dentes. — E não gosto, em especial, de você.
Ele riu em deboche e se virou para mim.
- É sempre um prazer receber filhos dos Três Grandes. — Ele disse sarcasticamente. — Seja bem vinda, Jessie Michael.
- É Jade... — Corrigi.
- Tenho certeza que o Sr. D está ocupado demais para conversar, agora. — Me interrompeu Lunna. — Já conseguimos o que queríamos. Vamos embora.
Saímos da Casa Grande em direção ao refeitório. Lunna estava com uma expressão raivosa no rosto. O Sr. D não me pareceu alguém muito simpático, mesmo.
- Sr D... — Disse.
- É. — Lunna respondeu. — Dionisio. De todos, o deus mais Insuportável.
- Eu já ouvi esse nome... Ele não é tipo, o deus da uva ou algo assim? Nossa, que coisa inútil para se controlar. — Eu ri, e Lunna me acompanhou.
- O Sr. D é o deus do vinho, e... Concordo com você. Meu pai é deus de tantas coisas legais! Sol, música, poesia, medicina, profecia, arqueiros ...
- OK, entendi. E você tem todos esses dons? — Já estávamos bem perto das nossas mesas agora; previ que a nossa conversa seria interrompida muito em breve.
- Nem tanto; sou curandeira na maior parte do tempo, e a melhor arqueira do acampamento! — Falou, com orgulho. — E, cá entre nós... — Me inclinei para ouvir seu sussurro. — Minha intuição é muito boa. Não é exatamente o dom da profecia, mas ainda assim, já é alguma coisa.
Soltei uma exclamação de surpresa; eu não tinha tantos talentos assim! Estava prestes a dizer alguma coisa quando Melody, uma das irmãs mais novas de Lunna, apareceu puxando a blusa da garota.
- Vamos, Lunna, deixa essa garota para lá que agora é hora de jantar!
Não pude evitar rir com a rima; eu sabia que Melody fazia sem nem perceber, e sua voz, mesmo sem cantar, era como música para os meus ouvidos. Mesmo com apenas 9 anos, eu via potencial nela.
- Tchau, Jade. Te verei na caça à bandeira.
Acenei para ela, e Melody também se despediu.
- Adeus para quem vai ficar, pois agora é hora do jantar!
As duas se afastaram rindo, e mais uma vez eu fui sozinha para a mesa de Zeus.
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