Sara não queria, mas lágrimas vieram aos seus olhos e ela chorou, quase silenciosamente, enquanto ele observava.

_O que foi, honey?

Ela balançou a cabeça apertando os lábios com força, mas não conseguiu impedir que cessassem.

Qual o sentido delas? Por que teimavam em rolar por sua face, não era isso que queria ouvir? Ela sonhara com aquele momento! Por quantas vezes? Já havia perdido a conta.

Quase como em desespero, ele a abraçou com força, sentindo a velha sensação de medo. E se ela também tivesse medo? E se ela acreditasse que ele a machucaria de alguma forma. Grissom não podia prometer que nunca a magoaria, ele não seria honesto nem consigo mesmo, mas podia prometer que tentaria.

_Não chore … eu não sei o que fazer … com isso!

Outra vez! Que diabos era tudo aquilo? Do que ele precisava para acabar de vez com palavras prontas e simplesmente tentasse ser feliz ao lado dela.

_Preciso sair daqui …

_Por que?

Ela tentou se desprender dele, mas não conseguiu. Seus braços pareciam prendê-la como se fugisse dali, nunca mais a teria de volta.

_Não consigo mais, Gris … você nunca saberá o que fazer com isso.

De repente todas as suas dúvidas se dissiparam e ele se lembrou de um tempo recente.

_Não Sara! Eu não quis dizer desta forma … eu não sei o que fazer com você chorando, querida! Apavora-me , eu me sinto um monstro … — ele confessou.

Lentamente seu coração dolorido filtrou suas palavras e ela o encarou.

_Você sempre disse …

_Isso foi antes de descobrir que não posso fazer isso conosco. Eu só preciso de uma nova chance, não gosto de promessas, mas quero tentar ser … melhor … para você!

Aquilo bastava para ela, já era um começo, realista, mas de uma honestidade ímpar.

Era o máximo que ele conseguia, não tinha o habito de se abrir daquela maneira, se sentia exposto e fraco, mas vê-la chorando só fez sua consciência o punir ainda mais. Precisava, da maneira dele, convencê-la que ele queria mesmo uma nova chance, tinha dito a verdade e estava disposto a fazer sua parte, aos poucos!

_Gris?

_Hum …

_Eu também te amo!

Seus lábios se encontraram em resposta e foi suave e terno

_Só quero que saiba que você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida, me arrependo por não ter … nos dado uma chance antes.

_Talvez não estivesse pronto.

Ele não sabia se estava pronto naquele momento também, só sabia que tinha que tentar.

….......

Sara acordou assustada, alguns segundos para entender onde estava, depois olhou ao redor.

_Grissom?

Ela estava sozinha, o lado oposto, vazio, frio, pegou o travesseiro e inalou o perfume dele. Tão incomum, tão Grissom! Uma sensação estranha de felicidade e pavor!

Um milhão de coisas em apenas poucos segundos, dúvidas e incertezas, medo e coragem, fraqueza e força, seu coração respondia com batidas doentes e sãs. Uma bagunça que virou seus pensamentos de cabeça para baixo!

De repente a porta de comunicação se abriu e ela teve uma visão estonteante.

Cabelos molhados, camiseta cinza, calça jeans, o velho e bom colete CSI e … uma bandeja repleta de delícias, seu café da manhã.

_Olá … bom dia !

Ela esfregou os olhos, depois piscou várias vezes se sentando na cama. O lençol escorregou em seu corpo e ele estacou no meio do caminho, logo seus seios nus foram cobertos e ele avançou, temendo que a visão se dissipasse e voltasse para dentro da caixa de seus sonhos.

Mas aquilo era real e... assustador!

_Espero que não se importe, pedi um café para nós dois, eu … posso dividir com você?

_Sabe que sim …

Ele se inclinou e deslizou a mãos em seu cabelo, depois bicou seus lábios repetindo seu bom dia!

_Bom dia … Grissom!

_Grissom?

Ela sorriu de lado, deliciada, mas ainda meio temerosa.

_Gris …

Ele suspirou e sentou ao lado dela.

_Você gosta de torradas comuns? Me esqueci que poderia preferir as integrais!

_Tudo bem … não tem problema.

_Está com fome?

_Sim …

_Eu estou morto de fome …

Aquela frase lhe trouxe rubor à face, implicava em energia gasta, energia que precisava ser reposta! Ele não percebeu, ou se percebeu, não demonstrou.

_Manteiga ou geleia?

_Os dois …

Ele olhou para ela sem acreditar. Ele fazia a mesma coisa.

_Você gosta?

_Desde criança, é uma combinação deliciosa!

_Eu concordo!

_O quê ??? Você também …

_Eu também … — ele olhou para sua boca sentindo uma vontade quase sem controle de lamber os resquícios daquela mistura que sujavam seus lábios. Ele deslizou o indicador bem devagar, depois levou até sua própria boca, sem deixar de olhar para ela.

Aquela imagem mexeu com seus instintos mais primitivos e, por muito pouco ela não se atirou em seus braços e deixou sua imaginação comandar suas vontades.

Um barulho à porta e a atenção foi desviada.

_Se for aquele sujeito de novo …

Ele não terminou sua frase, nunca se imaginou tão ciumento em sua vida, era um sentimento de posse que cresceu ainda mais nas últimas horas.

Ela se levantou, enrolada nos lençóis e ia caminhar em direção à poltrona quando ele disparou.

_Vai atender a porta assim?

Ela se virou perplexa, apertando ainda mais o lençol sobre o peito. Seu olhar quase fatal lhe disse tudo e ele ainda teve a coragem de sustentar o desafio. Claro que parecia mesmo ir em direção à porta, mas é que a poltrona estava no meio do caminho. Ela agarrou seu robe e disparou para o banheiro gritando.

_Um momento!

Grissom ficou sem ter coragem de arredar o pé do quarto dela, precisa saber se era mesmo o idiota que não se cansava de dar em cima dela. Ele que se atrevesse a continuar com aquelas palhaçadas, de repente ele havia criado uma coragem de homem valente, que defenderia sua mocinha até o inferno.

Ele viu quando ela apertou o nó de seu roupão e abriu apenas um vão da porta.

_Sim?

_Podemos tomar o café da manhã? — O tenente Alan tinha uma cesta repleta de guloseimas e muitas delícias, mas ela não estava realmente interessada, preferia voltar para sua companhia que, com toda certeza, estava de olhos e ouvidos atentos.

_Obrigada, mas já estou fazendo isso!

_Quer companhia?

_Não … obrigada – ela repetiu com educação.

_Por favor … Sara … me dê esta honra!

Ela queria gritar para ele que nem em sonho gostaria de ter a companhia dele, já estava bem abastecida no quesito! Mesmo que estivesse sozinha, ele não seria um homem pela qual, arriscaria uma aventura. Conhecendo ele melhor, percebeu que não valeria o risco!

_Você … está vestida? — Grissom arregalou os olhos com a petulância daquela pergunta e se levantou meio atordoado, ia dizer umas verdades para aquele Dom Juan quando ouviu ele completar … _Posso esperar aqui fora para que se vista, mas não me negue este pedido, princesa!

Ela suspirou, como ele era tão autoconfiante mesmo, desde sua época da faculdade, não tivera alguém que não sabia o significado da palavra não!

_Eu não gosto de sua insistência. — ela desabafou com sinceridade.

Ele riu com malícia e tocou a mão dela que segurava a porta.

_Não sabe o que está perdendo … posso te fazer uma mulher feliz!

Ela ia fechar a porta quando ele a impediu com o pé.

_É sua última chance para não tomar seu café da manhã sozinha!

Uma voz grave e muito autoritária reverberou atrás dela.

_Ela não está sozinha!