Notas iniciais
Yoo, pessoal, como estão? (: Peço perdão pela (grande) demora, D: Boa leitura, ^s^

– Sabe o que houve com ela, Moon? – Feluriel perguntou, com preocupação, sobre Luna.

– Não, ela está quieta desde que nos encontramos na praça – a Rainha, sentada em frente à TV, respondeu.

– Talvez o encontro dela não tenha sido muito romântico – Python brincou.

“Nem um pouco...”, Dust suspirou mentalmente enquanto esperavam, na sala de estar, pela notícia de assalto na biblioteca que Ann visitara. Como imaginado, o canal principal de notícias logo passava imagens do local há horas atrás.

– A livraria Sol Menor, na tranquila Avenida dos Riachos, foi alvo de um assalto de uma dupla masculina hoje às nove horas. As câmeras flagraram os rostos e o ato, que durou cerca de três minutos...

– Uau, que bom que vocês estão bem, né? – disse Feluriel sem tirar os olhos da tela.

– Os criminosos levaram cerca de três mil reais em celulares, dinheiro e objetos dos clientes. Após o roubo, dispararam duas vezes, mas ninguém foi atingido. A dupla fugiu antes que a polícia chegasse ao local. Camille Ost para a América Hoje.

– Essas vozes sérias dos repórteres me perturbam... – Dust se queixou.

O grupo riu.

– Imagine-os em uma reunião de família ou em um casamento – o garoto de cabelos cumpridos respondeu descontraidamente.

– Bem, vou dormir, pessoal. E aconselho que anotem todas as informações que pegaram hoje, caso tenham memória tão boa quanto a minha – disse com ironia.

Após subir e desaparecer no corredor, o grupo se calara, mas após segundos Python quebrou o silêncio.

– Ouviram isso? – fitou os colegas atentamente.

– Ahn? – Feluriel questionou. – Não ouvi.

– Eu também não – Tsunaime falou enquanto Ann balançava a cabeça negativamente.

– Deve ser um gato então – deu de ombros e fingiu voltar a atenção para a TV. Concentrou-se e, com uma de suas visões, captou uma sombra em uma das janelas frontais desaparecendo.

Ficou em dúvida se realmente vira aquilo ou se não passava de uma paranoia. Como resposta, uma voz soou por sua mente dizendo que algo estava errado e deveria subir para verificar as garotas. Decidindo seguir sua intuição – pelo menos achava que era assim que se chamava aquela voz interior -, avisou os companheiros restantes e se levantou.

– É, também vou... – Feluriel o encarou alterado, como se tivesse sido atingido por um golpe de dúvida.

Inesperadamente, todos se ergueram e caminharam em direção à escada. Algo não estava certo, foi o que cada um pensou simultaneamente. No corredor, encontraram Luna na porta de seu quarto, encarando misteriosamente a porta de Dust.

– Ei, Luna, como você tá? – Python a interrogou.

– Bem, eu... – lançou um olhar confuso para o garoto.

– Sério mesmo? – apertou os olhos, expressando sua ausência de fé na resposta. – Ah, o que fez com seu pescoço? – mirou com curiosidade para a área.

O Vor a encarou. Na garganta, encontraram manchas escuras no formato de dedos.

– Eu me machuquei sem querer – tentou dar de ombros, mas o gesto saiu totalmente artificial.

Os garotos começavam a abrir a boca para rebater quando um som abafado saiu pelos fechos da porta da Rainha. Poderia ser a mesma socando a parede por ter morrido no jogo, ou algo mais normal como deixar os sapatos caírem no chão, porém sentiam que nada de habitual acontecia ali. Apertaram o passo e abriram a porta, encontrando a garota presa nas mãos de alguém mascarado. Ao lado, uma segunda pessoa, vestida do mesmo jeito que a primeira, descansava no chão como se estivesse em uma praia.

– Ah, finalmente. Vão deixar que eu leve a Rainha de vocês tão facilmente assim? – questionou com a voz mergulhada em tédio.

– O quê?!

Python avançou em direção aos estranhos e tocou em Dust. Ao tentar puxá-la, ouviu Feluriel exclamando. Ainda segurando a Rainha, olhou para trás e encontrou mais cinco pessoas de preto segurando seus colegas.

– E aí, quer a Rainha ou os outros ali? – o primeiro homem voltou a falar. – Sabe, eu gostaria de ficar com a Rainha, se não se importarem – com a mão direita, começou a acariciar o rosto da garota, que tentava afastá-lo.

O garoto de cabelos platinados, perplexo, encarou sua equipe. Por que, por céus, não tentavam se desvencilhar daqueles homens? Como resposta, Feluriel bufou.

– Eles são fortinhos até.

– Seja mais, oras! – Python começava a ficar impaciente. A Rainha em perigo enquanto o Vor decidia agir como um bando de mocinhas – tirando Luna e Ann, é claro. Olhou para o estranho, que parecia ter a mesma altura e porte físico que os outros. – Ela vai ficar aqui, idiota.

O homem riu com exagero.

– Estou vendo, babaca – subiu uma das mãos para a garganta de Dust e começou a apertá-la.

No mesmo instante, outro desconhecido entrou pela varanda e pulou em Python, prendendo-o ao assoalho de madeira. O indivíduo sentado se levantou e puxou uma faca. Ele não poderia machucar Dust. Não enquanto tivesse o Vor para protegê-la — um Vor confuso, com medo e hesitação de precisar mostrar algo que não deveria.

Com agilidade, a figura preta empurrou o objeto afiado para dentro da coxa esquerda da Rainha, que gritou enquanto lágrimas desesperadas enfeitavam seu rosto.

– Ok, parece que não estão em seus melhores dias – o primeiro inimigo continuou. – Uma pena.

Segurando Dust, pulou pela janela. Seus comparsas continuavam prendendo o resto do Vor.

– Droga! – Python praguejou e lançou um olhar de desespero para os companheiros.

Feluriel olhava aterrorizado para frente, agora apenas com o mascarado da faca. Luna apresentava olhos úmidos e brilhantes, Ann encarava misteriosamente o adversário e Tsunaime ganhara uma expressão de choque. Pareciam ter perdido o chão quando, em um instante, o ambiente mudara: Dust lia uma revista em sua cama; na ponta desta, o homem de preto estava em pé e dialogando com a estagiária. A perna da garota estava intacta.

– Que merda é essa? – o mascarado parecia confuso.

– Essa é a vida real – Dust o encarou como se estivesse entediada. – Aquilo era uma ilusão.

Feluriel e Python rapidamente se jogaram no homem, prendendo-o pelos braços. Deixou-se ser pego sem nem tentar fugir. No entanto, olhou para trás como se esperasse ver alguém ali.

– Uma pena, não? Sem mais cópias suas agora.

– Que merda você está fazendo?! – começou, finalmente, a se debater.

– Cancelando seu poder – deu de ombros. – Quando alguém utiliza uma habilidade em mim, posso fugir do efeito e ainda causar uma ilusão para fazer o usuário acreditar que seu ataque foi efetivo – colocou a revista de lado e se levantou em direção aos garotos. – Legal, certo, Lex?

– Idiotas...! – o garoto praguejou. – Tinham certeza que você estava limpa – tentou acertar Feluriel com o cotovelo.

– Se você for ver, estou mesmo – contou distraidamente e retirou a máscara do adversário.

– Esse cara... – Python apertou os olhos ao visualizar o garoto do Tyo.

– Sei que vocês estão confusos – Dust olhou para sua equipe. – Peço desculpas, mas explicarei tudo depois disso. Luna ou Ann — chamou-as. – Preciso que apague a memória dele.

Enquanto a ruiva desviava o olhar para baixo, Ann arregalou os olhos levemente. Os garotos não sabiam quem encarar.

– Elas não estão nesse nível – Lex debochou, mas sua voz deixou escapar certa ansiedade.

Dust o ignorou. Olhava calmamente para as garotas, em especial Luna. A garota, após ser intimada por Lex naquela manhã, parecia ser a certa para o momento.

– Quanto quer que apague? – a ruiva finalmente falou.

– Ele não veio para cá. Voltou com o resto do Tyo para casa – respondeu firmemente.

Luna assentiu e andou até Lex. O rapaz sorriu maliciosamente.

– Vá em frente e apague, mas amanhã ainda terá que me encarar.

Riu sarcasticamente.

– Você que irá me encarar, trouxa – jogou a mão brutalmente na testa do garoto e o encarou. Limparia as últimas horas e deixaria um presente para quando o inimigo pegasse no sono.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.