Izvor - Interativa
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Estava na Estação Grove, encharcada pela luz amarelada do nascer do sol. O local se apresentava praticamente vazio, com, no máximo, mais dez pessoas. Esperando próximo ao trilho, um cheiro doce e refrescante o atingiu; parecia vir de suas costas, e decidiu se virar levemente para encontrar a fonte. No meio daquelas estruturas cinzas do metrô, fitou uma garota no outro lado da plataforma, esperando para embarcar em direção contrária. Sabia que ela era a dona daquela essência agradável e a única característica positiva naquele lugar. Fitou-a por mais um instante enquanto seu trem se aproximava: os cabelos castanhos longos dançavam em volta de sua cintura fina, enquanto a barra do vestido amarelo parecia imitá-los com inveja. Vislumbrou a figura delicada entrando no vagão e retornou o olhar para frente.
Pelo som, tinha a sensação de seu trem já estar parado, mas verificou que o mesmo ainda se aproximava. Relanceou para a direita e um homem, deveria ter menos de trinta anos, chamou-lhe a atenção. Caminhava lentamente, com um olhar vago, até a faixa de segurança na plataforma. Ainda sentia o perfume da garota quando voltou a olhar para o homem, que estava agora com um dos pés dentro da área do trilho. No fim do túnel, enxergava as luzes do trem, que mantinha velocidade constante. Sem medo, vislumbrou a si mesmo jogando-se no trilho após calcular o momento certo para a colisão com o maquinário.
Abriu os olhos e encarou o quarto escuro. Sentou-se, lembrando-se do sonho – ou pesadelo-, e suspirou. Suas noites foram acompanhadas por coisas assim nos últimos dias, principalmente após a missão do casamento. Coçou um dos olhos e se levantou, saindo do cômodo até o quintal. Sem saber, a casa destinada ao Tyo era similar a do Vor.
Parado na beira da piscina, observava a água quase estática quando ouviu sussurros apelativos. Virou-se e viu Phenice agachada na sacada, que parou com os murmúrios e sorriu enquanto gesticulava para Aidan espera-la.
– O que está fazendo aqui tão tarde? – interrogou o Rei após se sentar ao lado do mesmo.
– Tive um sonho estranho. Quis me refrescar um pouco – deu de ombros, lembrando-se do perfume de antes.
– Ah, entendi. E eu não estava te stalkeando, só gosto de olhar as estrelas.
Aidan sorriu com a voz decidida da garota.
– O céu está realmente dando uma boa oportunidade hoje.
Phenice concordou. Após um tempo, comentou enquanto colocava os pés na água:
– Quero que tenham mais missões do tipo. Achei tão divertido!
Lembrou-se da segunda missão. Passaram-se três dias desde o desafio em Hampton e não receberam mais nenhum até então.
– Também gostei – sorriu gentilmente.
– Não que eu não goste do Tyo agora...mas eu realmente queria cair no time da Moon – respondeu rapidamente, como se Aidan a tivesse questionado. – Você a viu no sábado? Tão linda... – disse com admiração.
– É uma Rainha incrível, não é? – assentiu.
– Vocês dois dançando... – a ruiva parecia sonhar. – Não faz ideia. Babei.
– Está dizendo que tenho o mesmo nível de beleza que a Moon? – perguntou em tom de brincadeira.
– O que acha?! – respondeu com surpresa. – Bem, aquele Vor não é feio, hein? Mas não importa, vamos ganhar, claro.
– Iremos sim – deu seu sorriso tranquilo e, sem que Phenice percebesse, olhou de relance para as portas de vidro da sala de jantar, onde um rapaz o fitava entre as sombras.
(...)
– Que droga é essa? – Lex arqueou as sobrancelhas ao encarar o papel que Aidan segurava.
Ao redor do Rei, o restante da equipe tentava ler a terceira missão.
– Parece que teremos trabalho – Michael disse descontraidamente.
– Talvez não. Phenice conheceu um amigo da Dust antes do Izvor, certo? – o Rei questionou, olhando para a garota.
– Sim, sim – assentiu. — Ele trabalha na Doness também.
– Então temos um bom começo.
– Acho que deveríamos começar agora – o primeiro rapaz sugeriu com tom autoritário.
Aidan mirou o companheiro de pele ligeiramente bronzeada e olhos castanhos. O jeito, além do olhar sempre duro, de Lex o incomodava um pouco. Além disso, não simpatizava com homens que usavam topetes.
– Todos de acordo? – continuou após o Tyo assentir. – Podemos chamá-lo para almoçar.
Ao meio-dia, saíam em direção ao lado oeste de Hacoshi. Em menos de trinta minutos, chegavam à empresa e perguntavam por Edward.
– Ah, ele está aqui sim – Josh pegou um dos telefones da bancada e teclou um dígito. – Ei, Ed, tem uma garota chamada Phenice te procurando. Tá, beleza – desligou e encarou o grupo. – Ele já está descendo para almoçar.
Após poucos minutos, o garoto apareceu no topo da escada. Ao chegar à recepção, Josh enviou-lhe um olhar interrogador e malicioso.
– Ei, oi, lembra de mim? – Phenice sorriu.
– Lembro sim – Ed olhou para o grupo de seis pessoas e o cumprimentou com um aceno.
– Queremos que você nos ajude com uma missão do Izvor. O que acha? – perguntou com entusiasmo.
– Por mim tudo bem – sorriu.
Ed os levou até uma praça de alimentação a céu aberto próxima a Doness. O aglomerado de restaurantes variava de comida mexicana a árabe.
– Bem, ainda não conhece a gente direito – Phenice começou após se sentarem. – Este é Lex – olhou para o rapaz de cabelos ondulados castanhos e encarou o resto um a um. – E Michael, Emily e Nathan. Ah, e o Rei, Aidan, claro – sorriu sem jeito pela falha.
– É um prazer – Ed deu um sorriso fechado. – Então, como posso ajudar? – indagou enquanto colhia uma porção de yakisoba com os hashis.
– Precisamos fazer um seminário sobre alguém da equipe adversária. E você conhece a Rainha, certo? – perguntou Aidan.
– A Dust? – disse confuso. – Ah, sim... Não estou acostumado com a ideia de “rainha” ainda – riu rapidamente.
– Precisamos saber de coisas específicas, que a missão nos pediu. Tudo bem em responder?
– Sim – continuou comendo. – Podem começar, tentarei lembrar do máximo que consigo.
O Tyo sorriu. Enquanto Aidan, Lex e Michael se distanciavam para comprar algo, Phenice puxou alguns papéis do bolso da blusa e começou:
– Ela é destra ou canhota?
– Destra.
– Alguma mania?
– Hm... Mexer nas unhas quando está entediada.
– Sério? Eu também – respondeu com um brilho nos olhos. – Bem... Quantos namorados ela já teve?
– Um. E você?
A garota desviou o olhar, mas continuou anotando tudo.
– Um também – após um tempo, retomou. – Pode dizer o nome dele?
– Era Duncan. Aposto que o seu se chamava... Henri.
– Não, nada a ver! – sorriu. – Kane. Continuando... Ela é otimista ou pessimista?
– Pessimista. Sem dúvidas.
A ruiva riu.
– Certeza? Não parece – encarou-o desconfiadamente. – Ok. Um medo?
– Montanha-russa. Acho que todas as garotas são medrosas assim — deu de ombros.
– Ei, ei. Só tenho medo de assaltos e lutas! – contestou.
– De montanhas-russas não? Você é uma heroína então! – brincou.
Phenice balançou a cabeça negativamente e sorriu.
– Qual animal de estimação prefere?
– Cães e esquilos. Quem não quer um esquilo, né?
– Esquilos? – riu. – Ela é incrível mesmo! Mas gatos são mais legais, sabe? Bem, esporte preferido?
– Handball. Ela é bem ruim em jogos violentos, só por curiosidade – deu de ombros.
– Mas ela é tão fofa! E jogar essas coisas...
– Exatamente – sorriu. — Diga-me que você também não joga assim.
– Ah, não, prefiro dançar – seu olhar se tornou distante por um momento. – Então, só mais três perguntas.
– Tudo bem – sugou um macarrão rapidamente.
– Hobbies? — perguntou alegremente, talvez por estar perto de terminar o questionário e poder acabar com a fome que sentia.
– Games, filmes e séries e desenhar são os principais. Ela também gosta de dançar e ler, embora eu ache que também precise treinar tudo isso.
– Duvido que ela seja ruim! – rebateu, divertindo-se. – Acho que ela consegue fazer de tudo. E se eu pedir para ela cantar algumas canções que faço? – perguntou com empolgação.
– Você escreve música? Deve ser bem divertido – sorriu gentilmente. – E por que você não canta?
– Ah, eu gosto de cantar... Só não é bom – suspirou. – Certo, certo... Cor e comida preferidas?
– Branco e comida japonesa. Meninas gostam de rosa... – contou, distraído com o resto de yakisoba no prato.
– Não vejo graça em rosa. Vermelho é mais bonito – encarou Ed, respondendo com convicção.
Nesse momento, os garotos do Tyo voltavam segurando bandejas.
– São cores totalmente opostas, realmente... – brincou. – Já comeu comida japonesa?
– Ah, não. Fico sempre na italiana! Adoro pizzas — soltou um largo sorriso e se virou para Aidan. – Missão em cinquenta por cento cumprida!
– Bom trabalho – o Rei sorriu e sugeriu gentilmente. – Vocês devem estar com fome, peguem algo.
Foi a vez de Phenice, Emily e Nathan se levantarem.
– Muito obrigado pela ajuda – Aidan fitou Ed após o trio sair. – Espero que a Moon não se incomode por termos feito as perguntas.
– Ela não liga, não se preocupe – acenou com a cabeça.
– Vocês são amigos há quanto tempo? – perguntou, curioso.
– Acho que uns nove anos.
O Rei arqueou as sobrancelhas com surpresa.
– É realmente muito tempo – sorriu e começou a almoçar.
Embora se encontrasse mais dois integrantes ali, Ed sentia que a presença de Aidan esmagava as outras. Não pelo fato destas estarem silenciosas, porém não conseguia encontrar o motivo.
Depois de uma hora, o Tyo se despediu simpaticamente e se retirou. Ed continuava sentado quando uma dupla feminina decidiu acompanhá-lo.
– Parece que você é um bom ator.
Ed encarou Dust, que se sentava no banco da frente, com Luna ao lado.
– Você me deve sorvete e batata frita – disse com chateação.
– Desculpe-me por ter pedido para você se comportar daquele jeito. E obrigada, rapaz interessado na vida de Phenice – disse com um sorriso brincando nos lábios.
– Já dei o troco queimando sua imagem naquele questionário – retrucou, sorrindo de volta.
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