Izuku Entra Para a Liga de Vilões
6 Capítulo 5
Izuku estava começando a odiar as aulas de treinamento. Era maravilhoso estar em um ambiente aberto e poder sentir o vento em seu rosto, sentir um pedaço da liberdade, mas ao mesmo tempo, não era um mar de rosas. Afinal, Katsuki ainda estava perto dele. Izuku não achava que ele se sentia completamente livre não enquanto Katsuki estivesse perto dele.
Mesmo Katsuki sendo um dos mais inteligentes na sala, Katsuki conseguia fazer da vida de izuku um inferno na terra. Não que fosse tão ruim assim, mas depois de algum tempo, todo mundo iria se sentir exausto na mesma situação.
Portanto, quando aquela manhã chegou e Izuku sabia que teria que ter uma aula externa com o seu rival de infância, a primeira coisa que pensou foi em não ir. Depois pensou que seu professor perceberia que ele não tinha ido para aula, e não era a primeira vez que ele faltaria nos últimos tempos. E também, provavelmente, seria uma das últimas vezes que seus professores o avisariam das faltas.
Mas Izuku não estava bem o suficiente para ter uma aula tão próximo de Katsuki. Da última vez que tivera aquela aula com Katsuki, foi o que o levara a aceitar o convite da liga dos vilões.
Ele odiara a forma como All Might o tratou no dia seguinte, mas ele adorara a sensação de estar no poder, de ser... desejado. Mesmo que fosse pelos vilões. Porque pelos heróis, ele não conseguia sentir a mesma coisa.
Depois de pensar um pouco, decidiu não ir na aula. Ficou em seu quarto, esperando os seus colegas terminarem de se arrumarem para enfim poder sair do quarto e, bom... Fazer o que ele bem entendia.
Mesmo que isso significasse que fosse ser a última aula que ele teria com seus colegas.
Como agora ele sabia onde era o esconderijo dos vilões, pensou em passar por lá. Pensou em fazer uma moral, passar para ver como estava as coisas. Ele queria arranjar qualquer desculpa para não estar em seu quarto, porque sabia que All Might se preocuparia e daria uma olhada em Izuku.
E, por mais que Izuku gostasse da atenção, ele não queria receber aquele tipo de atenção de All Might. Ele queria receber elogios, queria poder ficar tranquilo no sentido de não ter mais que se preocupar com as ofensas de Katsuki.
Provavelmente, Izuku apenas estava cansado de apanhar e sofrer humilhação. Mas quem não ficaria depois de tanto tempo sofrendo com o mesmo problema?
Assim que ele teve certeza de que todos os seus colegas de sala tinham saído de seus respectivos quartos e estavam indo para a sala de aula, Izuku saiu do quarto. Ele fez questão de não colocar seu uniforme, colocou uma roupa qualquer, um casaco com capuz e uma calça moletom, e saiu do quarto.
E embora Izuku tivesse esperado para ter certeza de que ele não veria nenhum colega seu, quando estava saindo dos dormitórios, passou por Kaminari. Ele correu de volta para seu quarto, falando consigo mesmo que tinha esquecido de alguma coisa, e, no meio do caminho, parou. Viu Izuku sem seu uniforme e sentiu a necessidade de perguntar.
— Oi, Izuku. Não vai para a aula hoje? — Perguntou e Izuku, ao invés de virar-se e responder, preferiu ficar em silêncio. Ele preferia isso a ter que escutar alguma coisa. Já estava começando a ficar com medo de que os outros colega de sala fossem entrar na brincadeira de Katsuki, portanto ficou em silêncio para não ser humilhado e continuou seu caminho.
Kaminari se sentiu ruim por ter sido ignorado, mas preferiu não ter que tocar naquele assunto novamente. Ele já tinha matado aula, então, ele entendia quando seu colega ia fazer isso, mas tinha se sentido levemente magoado, tanto por ter sido ignorado quanto por que, se ele tivesse recebido a oferta, aceitaria matar aula para passar um tempo com seu colega.
Mas da mesma forma como Izuku decidiu o ignorar, Kaminari fez o mesmo.
Izuku não tinha percebido até então que seus colegas se afastaram dele porque ele tinha feito isso primeiro.
Izuku caminhou para fora da escola e fez o mesmo caminho que ele fez da outra vez para chegar ao bar da liga dos vilões. Chegando na frente, percebeu que eles poderiam ter mudado o lugar depois que um herói descobriu onde eles ficavam. Mas, quando escutou gritaria vindo do lado de dentro e reconheceu a Toga, percebeu que eles não eram tão inteligentes quanto achou que fosse.
Então abriu a porta. A primeira coisa que viu quando entrou era dois dos membros discutindo, um puxando o outro mais para perto pela roupa, ambos extremamente irritados, embora não desse para ter certeza pois os dois usavam máscaras. Toga estava em um canto rindo dos dois.
A briga parou assim que eles perceberam que Izuku estava os observando. Eles ficaram receosos de falar mais alguma coisa, paralisados, ainda a centímetros um do rosto do outro. Izuku apenas entrou, fechou a porta atrás de si, e se jogou no primeiro lugar que tinha disponível para sentar, suspirando fundo. Ele tinha sentado em um banco do canto do bar, de frente à uma janela fechada por pedaços de madeira pregados de lado a lado, e se jogou para trás, praticamente deitando.
Os vilões estavam estupefatos.
— O que um herói está fazendo aqui? — Um deles disse e por causa da máscara Izuku não sabia dizer qual dois dois que tinha sido.
— Toga, você sabia que... — O outro tentou perguntar para a parceira, mas antes mesmo que ele pudesse terminar a frase, Toga pulou para cima de Izuku.
— Eu nunca imaginei que eu viveria para ver esse dia! — Ela disse, subindo por cima de Izuku e o abraçando. Izuku não esperou por aquela reação dela, então, quando sentiu o toque leve e suave do corpo de uma mulher no seu, ficou vermelho e nervoso, sendo obrigado a olhar para o lado. Toga riu. — Eu sou tão sortuda!
— Oi, Kurogiri! Você sabe de alguma coisa? — Compress perguntou para os fundos da loja, de onde uma sombra usando um terno apareceu.
Kurogiri deu uma olhada para a situação de Toga, praticamente deitada em cima do visitante.
— Ah, sim. Sei. Shigaraki o chamou para fazer parte da liga. — Disse e voltou para trás para continuar o que estava fazendo. Twice agora estava um pouco incomodado.
— E ele não parou para pensar em avisar o resto da liga que ele tinha convidado um herói para participar? — Twice disse gritando para Kurogiri que não estava nem mais prestando atenção.
Izuku sentou-se no banco e Toga o abraçou forte, ainda sorrindo que nem criança.
— Eu não sou herói. — Disse e percebeu que não sentia que mentia. — Pode ficar tranquilo.
Todos pareciam confusos.
— Mas você está na UA.
— Isso não faz de mim um herói. — Respondeu simplesmente. Izuku não sorria.
Compress entrou para algum lugar dentro do bar, discutiu alto com alguém. Algo quebrou-se, alguém reclamou e então, Tomura saiu calmamente, como se nada tivesse acontecido. Debaixo da mão em seu rosto, ele sorria.
— Resolveu aceitar minha proposta?
— O que você acha? — Respondeu e Kurogiri não exibia reação. Ele apenas tentava manter o lugar em ordem. Toga não largava de Izuku por nada e Tomura sorria.
— O que fez você aceitar? — Disse, sentando-se no banco em frente a Izuku para ter uma conversa decente com ele.
Aquela era a única pergunta para a qual não estava preparado mentalmente para responder. O olhar melancólico de Izuku ao olhar pelas frestas da janela trancada pela madeira fez Toga mordiscá-lo. Izuku pulou e Toga pediu desculpas. Ele percebeu que aquilo seria frequente.
— Eu não sou heróico o suficiente para ser um herói.
— É mesmo? — Tomura perguntou e ele fez questão de tirar a mão do rosto apenas para mostrar o quanto estava gostando daquela interação.
— Eu não cheguei a falar sobre isso com ninguém na escola. — Disse e suspirou. Então, resolveu contar seus problemas para ninguém menos que o líder da liga de vilões. — Eu to tendo um problema com um… amigo. Ele nunca me tratou bem, mas agora, parece que a história mudou completamente, porque ele… descobriu a verdade. Eu achei que talvez por causa dos meus poderes, ele passaria a me olhar como alguém, mas eu não passo de um perdedor para ele.
Tomura escutou Izuku sem interromper. Esperou ele terminar. Toga também escutava atentamente. Ele imaginava que se ele contasse essa história para seus colegas, talvez pelo fato de que eles conheciam Katsuki Bakugou, eles interferiam para tentar defender seu amigo. Mas eles estava dando espaço para ele contar.
Ele suspirou pesadamente.
— Minha mãe sempre me disse para eu tratar as pessoas como eu gostaria que eu fosse tratado. Eu sempre tratei Kacchan com gentileza, com cuidado, e para quê? Para que ele me trate como se eu fosse um vilão porque, pela primeira vez na vida, alguém enxergou potencial em mim ao invés de ver o potencial dele? Se ele vai me tratar como se eu fosse uma escória, então, era melhor que eu realmente me tornasse uma.
Tomura riu.
Ele conhecia aquele discurso. Escutara mais de uma vez.
— Essa é a primeira coisa que a gente pensa antes de tomar uma decisão que pode mudar nossa vida por completo. — Toga disse, lembrando de sua história.
— Mas nós não somos escória. — Tomura interrompeu.
— Eu sei. — Izuku interrompeu novamente. — Vocês só querem coisas diferentes dos heróis. Seja destruição, seja vingança. Eu só quero ficar longe do Kacchan, mesmo que isso me transforme em um herói. — Disse e Tomura ponderou como que poderia usá-lo dentro de sua equipe. Não que ele conseguisse fazer os planos, mas ele analisaria tudo e então passaria a informação para All For One.
— Seja bem vindo à Liga dos Vilões. — Tomura disse e Izuku, pela primeira vez em muito tempo, realmente se sentiu bem vindo. Sem julgamentos.
— Só uma coisa. — Disse Izuku. — Eu não pretendo ficar com o poder do All Might, antes que você me aceite por causa disso. Eu pretendo transferir de volta para All Might, ou sei lá, dar para alguém que seja melhor do que eu. Eu sei que ele tem uma rixa com o All for One, mas eu não quero mais me intrometer nisso. O problema dele é problema dele para resolver.
Se Kurogiri tivesse sobrancelhas, ele teria as arqueado.
Aquela criança não era um vilão. Apenas um adolescente revoltado. Ele se perguntava quanto tempo ele duraria dentro da liga de vilões e se ele se arrependeria de ter escolhido a outra opção.
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