Ivy Greene

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Outro capítulo pra vocês! Espero que gostem. Boa leitura!

–... TRÊS.

As vassouras, os testrálios e a moto barulhenta de Hagrid decolaram em alta velocidade, estavam todos indo em direção ao céu.

De repente me vi cercada, vários vultos negros nos cercavam de todos os lados, ouvi gritos e uma onda de feitiços serem lançadas por todos os lados, me agarrei ainda mais na cintura de Fred com uma mão e puxei minha varinha com a outra.

– Estupefaça. – Gritei e lancei o feitiço em direção a um comensal, mas o mesmo desviou antes que eu pudesse atingi-lo, ele se virou para mim e mandou uma maldição de morte, Fred se inclinou com a vassoura e nos desviou do feitiço por pouco. Mais maldições dirigidas a mim e a Fred, e nós revidávamos com feitiços estuporantes que vez ou outra acertavam nos alvos.

Feitiços se colidiam no céu arranjando uma chuva brilhante multicolorida. Estávamos exaustos voando, lançando feitiços e várias vezes nos desviando deles.

– Temos que sair daqui. – Gritou Fred. Acenei com a cabeça e descemos com tudo nos afastando da luta. Vários pares fizeram o mesmo e pegamos caminho em direção à casa de Kingsley.

Não percebi que estávamos sendo seguidos até ver uma luz verde passar raspando pela minha cabeça, virei-me e gritei.

– Impedimenta. — Acertou em cheio o comensal da morte e restou apenas um.

Raios verdes passavam por mim e Fred e eu os revidava, mas o comensal desviava de todos os feitiços estuporantes que eu lançava. Quando um quase acerta a minha perna esquerda eu me solto do abraço na cintura de Fred e me viro ficando de costas para Fred.

– Não! – Gritou ele. – Você ta doida?! Se segura em mim! – Não respondi, outro feitiço foi lançado contra mim, mas antes que o comensal pudesse se preparar para desviar eu gritei.

– Petrificus Totalus. – E o comensal caiu duro rodopiando em direção ao chão.

Virei-me na vassoura novamente e apertei mais uma vez a cintura de Fred. Antes de chegarmos ao chão senti um baque e tudo ficou escuro.

– Ivy. Ivy abra os olhos. Isso, isso mesmo, anda, temos que ir. – Fred me levantava do chão.

– Onde estamos? – Minha voz era apenas um fiasco.

– Na casa do Kingsley, não temos muito tempo, já perdemos a chave do portal.

– O que aconteceu comigo?

– Você foi estuporada. Vem, eu te ajudo.

Me levantei e Fred passou a mão em volta da minha cintura, meus cabelos longos caíram sobre meus ombros, a poção já devia ter passado.

– Vem, temos que aparatar na Toca agora. Devemos ser os últimos. – Ele me apertou mais na cintura e eu senti um puxão e uma náusea instantânea.

Não que eu nunca tivesse aparatado, mas não era uma das minhas coisas preferidas não. Em um piscar de olhos estávamos no quintal da grande casa. As luzes lá de dentro estavam acesas e lá dentro estava um grande barulho, algo como “Agora saia da frente se sabe o que é bom pra você”, era a voz do senhor Weasley. Eu e Fred entramos rápido da toca e estavam todos envolta de Jorge que estava deitado no sofá com a orelha e parte do rosto ensangüentado.

*Fred foi para trás do sofá e olhava boquiaberto para o irmão, como se não conseguisse acreditar no que via.

– Como esta se sentindo, Jorge? – Sussurrou a Sra. Weasley. Ele levou os dedos à cabeça.

– Mouco. – murmurou.

– Que é que ele tem? – perguntei.

– A ferida afetou o cérebro dele? – terminou Fred aterrorizado.

– Mouco. – repetiu Jorge, abrindo os olhos e olhando para o irmão. – Entende... Surdo e oco Fred, sacou?

– Patético. – falou Fred. – Patético! Com um mundo de piadas sobre orelhas pra escolher e você me vem com “Mouco”?

– Ah bem... – Jorge olhou para a mãe que se debruçava em lágrimas. – Agora você não confunde mais a gente ,mãe.*

Hermione estava impaciente com a chegada de Rony. Pelo jeito, ainda faltava Bill e Fleur, Olho-Tonto e Mundungo e Tonks e Rony. Estava sentada junto com ela e Harry no sofá.

*- Vou ter que voltar à residência do primeiro ministro. Já devia ter voltado à uma hora. – disse Kingsley. – Avisem quando eles chegarem.

Lupin assentiu, com um aceno para todos nós, Kingsley se afastou no escuro indo em direção ao portão. Os minutos passaram como anos, então uma vassoura se materializou diretamente sobre eles, e como raio, foi em direção ao chão.

– São eles! – gritou Hermione.

Tonks fez uma longa derrapagem e pulou da vassoura em direção à Lupin.

– Remo!

– Você está bem. – murmurou Rony antes de Hermione pular sobre seu pescoço e abraçá-lo com força.

– Pensei... Pensei...

–To inteiro – respondeu dando palmadinhas nas costas dela.

– Rony foi o máximo. – comentou Tonks calorosamente – Fantástico. Estuporou um dos comensais da morte direto na cabeça.

–Você fez isso? – perguntou Hermione.

– Sempre o tom de surpresa. – disse o garoto se desvencilhando, rabugento – Somos os últimos a chegar?

– Não. – eu disse – estamos esperando Bill e Fleur, Olho-tonto e Mundungo.*

Entramos correndo pra dentro de casa.

Senhor e Sra. Weasley desceram e deram um abraço nos seus filhos.

*- Obrigada. – Disse Sra. Weasley. – Pelos nossos filhos.

– Não seja boba, Molly. – Tonks se pronunciou.

– Como está Jorge? – perguntou Lupin.

– Que aconteceu com ele? – Perguntou Rony.

– Perdeu...*

A fala da Sra. Weasley foi interrompida por um forte barulho do lado de fora da casa. Corremos para o quintal e um testrálio estava aterrissando a poucos metros da gente.

*- Bill! Graças a Deus...

Sra. Weasley se adiantou para o casal, mas o abraço que Bill lhe deu foi superficial. Olhando direto para o Sr. Weasley falou.

– Olho-tonto morreu.*

O silêncio se ponderou de todos, queixos caíam, olhares se inundavam com lágrimas, meu coração doeu e minha barriga deu um leve pulo.

*- Vimos acontecer. – continuou Bill, Fleur confirmou com a cabeça, lágrimas escorriam de sua face. – Foi logo depois que rompemos o cerco, Olho-tonto e Dungo estavam perto de nós, rumando também para o norte.

“Voldemort que é capaz de voar partiu direto pra cima deles. Dungo entrou em pânico. Ouvi-o gritar, Olho-tonto tentou fazê-lo parar, mas ele desaparatou. A maldição de Voldemort atingiu Olho-tonto em cheio no rosto, ele caiu da vassoura e... nada pudemos fazer, nada, havia meia dúzia deles me perseguindo... – A voz de Bill quebrou.

– Claro que você não podia ter feito nada. – Disse Lupin. Todos se olhavam.*

Eu não conseguia entender, Olho-tonto que sempre foi tão esperto, resistente, corajoso, não entrava na minha cabeça que ele estivesse morto. Eu ainda esperava que ele aparecesse aqui resmungando sobre como nós éramos melosos e tolos por chorar por ele.

Aos poucos todos foram caindo na real e entramos com passos pequenos para dentro da Toca, Fred e Jorge riam por alguma razão desconhecida.

– Que aconteceu? – Fred olhou para mim e fez uma careta de incompreensão vendo as lágrimas no meu rosto.

– Olho-tonto. – eu disse. – Está morto.

As caretas de incompreensão se transformaram em caretas de sobressalto. O silêncio estava mais uma vez presente, Tonks chorava, Hagrid se sentou no chão em um canto mais espaçoso e levava um lenço aos olhos enxugando-os.

*Bill foi até o aparador e pegou uma garrafa de uísque de fogo e alguns copos.

– Peguem. – disse ele, e com um aceno na varinha os copos foram ao ar em direção a cada um, treze copos foram em direção a cada pessoa inclusive a mim, o décimo quarto ficou no ar. – A Olho-tonto.

– A Olho-tonto. – dissemos em uníssono e bebemos.*

A bebida desceu quente pela minha garganta, era a primeira vez que eu bebia uísque de fogo, ele queimava enquanto descia pela minha garganta, um fogo tomou conta do meu corpo, mas não era uma sensação ruim, era uma sensação de... coragem.

*-Então Dungo desapareceu? – Disse Lupin que tomou o seu uísque de fogo em um gole, e todos direcionamos nossos olhares a ele.

– Sei o que está pensado. – disse Bill. – e me ocorreu o mesmo pensamento quando estava voltando pra cá, pois eles pareciam estar nos esperando não é? Mas Mundungo não poderia ter nos traído. Eles não sabiam que haveria sete Harry, isso os confundiu no instante em que aparecemos e, caso tenham esquecido, foi Mundungo que nos sugeriu esse pequeno ardil. Por que emitiria esse ponto crucial para os Comensais? Acho que Dungo entrou em pânico, foi só. Primeiro não queria ir, mas Olho-tonto o obrigou, e Você-Sabe-Quem investiu direto nos dois, isso é suficiente pra fazer qualquer um entrar em pânico.

–Você-Sabe-Quem agiu exatamente como Olho-tonto previu. – Disse Tonks fungando. – Olho-tonto disse que ele calcularia que o verdadeiro Harry estaria com os aurores mais fortes e capazes. Perseguiu primeiro Olho-tonto e, quando Mundungo os denunciou virou-se para Kingsley...

– E, tude stá muite bem. – Disse Fleur – mes inde nam exxplique come sabiem qu’ íamos trransferrir Arry hoje à noite. Alguém foi descuidade. Alguém deixou scapar a date prra um strranhe. É a unique explicaçon prra eles conhecerrem a data, mas nam o plane tode. *

– Não. – disse Harry e eu o olhei assim como todos. – *Quero dizer, se alguém errou e deixou escapar alguma coisa, sei que não errou por mal. Não é culpa dele. Temos que confiar uns aos outros. Eu confio em todos vocês, acho que nenhum dos presentes nessa sala me venderia para Voldemort.*

Todos ficaram em silêncio depois das palavras pronunciadas de Harry, todos ficaram olhando para ele.

Fred quebrou logo o silêncio.

*- Muito bem falado, Harry.*

Eles falaram mais algumas coisas, mas eu parei de prestar atenção e me sentei em um pufe enquanto pensava em tudo que aconteceu em menos de duas horas e levando de hora em hora o copo com o uísque á minha boca.

Mas uma movimentação e uma pergunta me tiraram dos meus devaneios.

– Ande estão indo? – essa pergunta veio de Tonks e Fleur ao mesmo tempo.

*- O corpo de Olho-tonto. – Disse Lupin. – Temos que regatá-lo.*

Ele se despediu de todos e saiu pela porta sendo seguido por Bill. Houve uma pequena discussão sobre Harry querer sair e ninguém deixar, mas eu não conseguia mais me focar em nada, o uísque de fogo finalmente fizera efeito, tudo rodava e meu corpo estava pesado. Sra. Weasley estava ao meu lado e provavelmente percebeu como eu estava, pois falou.

– Alguém leve a Ivy lá para cima. – Disse com uma voz terna.

– Eu levo. – Falou uma voz, mas minha vista já estava borrada e eu não consegui focar em quem era.

Senti dois braços em volta de mim e eu fui tirada do sofá, passei meus braços em volta do seu pescoço, e fechei os olhos. Fui colocada em uma superfície macia e quente. Abri os olhos e consegui focar os cabelos ruivos.

– Fred. – sussurrei. Ele me olhou, deu um beijo na minha testa e se virou em direção à porta. – Não. – falei um pouco mais alto. – Fica. – isso saiu sem o menor consentimento, eu apenas precisava de alguém do meu lado e Fred era o único que conseguiria me acalmar.

Todas as férias eu vinha pra cá por pelo menos uma semana, já era considerada da família, e eu sempre dormia com os gêmeos, eu podia dizer que formávamos um trio muito bom, ainda mais pelas pegadinhas que impúnhamos à Gina e Mione.

– Tudo bem. – ele sussurrou próximo aos meus ouvidos e se deitou ao meu lado passando seus braços em volta de mim.

Não demorou muito pra que eu caísse em um sono tranqüilo, ainda mais por que Fred fazia cafuné em meus cabelos.

Acordei com Ozzy dando pequenas lambidas e me batendo suavemente com sua pata macia, olhei em volta, minha cabeça doía e minha visão ainda estava um pouco turva por conta da bebida da noite passada. Gina estava na outra cama e Mione dormia em um colchão no meio das duas camas. Levantei-me devagar e me segurei na parede pra não cair.

Andei em pequenos passos até o banheiro e lavei meu rosto, mas isso não fez com que a tontura passasse, me despi e entrei na água gelada. Saí e senti meu corpo bem melhor. Coloquei um short e uma camiseta, calcei meus tênis pretos e desci.

Muitos já estavam acordados, porém a casa estava em silêncio, a não ser pelo barulho da louça sendo lavada pela Sra. Weasley e as pessoas comendo o café da manha. Entrei na cozinha e me sentei ao lado de Fred que me olhou e me lançou um pequeno sorriso de canto, porém não havia felicidade naquele sorriso.

O resto do dia foi basicamente trabalho, eu ajudei os gêmeos no quintal, lavei a louça com Mione e Gina e conversei com Tonks. Não havia mais felicidade naquela casa. Todas as brincadeiras e lugar aconchegante que deixavam todos a vontade não davam mais essa impressão, a perda estava ainda muito presente. Nem parecia que dali a algumas semanas haveria um casamento a se arrumar.

Notas finais
O que acharam?