I've been waiting for you
1 Único
A dor vinha como ondas, intensas até diminuírem, então calmamente se afastavam até voltarem novamente. Ginny respirou fundo apertando as mãos contra as bordas da banheira de porcelana, um leve arrepio subiu por sua coluna enquanto Harry massageava suas costas, apertando a base de sua coluna, onde a dor era mais intensa.
—Você quer um pouco de gelo? — ele indagou puxando o cabelo dela para cima e o amarrando em um coque. — Meredith disse que isso ajuda.
—Não, eu estou bem. — ela afirmou mesmo sentindo uma nova onda se formar. A água quente parecia aliviar apenas um pouco, o suficiente para distraí-la das horas que pareciam intermináveis. — Quando ela vai chegar?
—Logo. O tempo entre as contrações está diminuindo, logo ela estará aqui. — Harry assegurou. Cegamente Ginny procurou sua mão, necessitando dele o mais perto possível. — Eu estou aqui, Gin. Eu não vou sair daqui.
—Eu sei. Eu te mataria se você saísse. — ela grunhiu ao sentir uma nova contração. — Eu não acredito que você está testando meus limites antes mesmo de nascer, James.
—Bem, não podemos negar que ele é seu filho. — Harry brincou recebendo um aperto mais forte, mas ele não resmungou. — Você tem certeza que não quer que eu chame sua mãe?
—Não, não. Eu só preciso de você. — ela disse olhando para ele, Harry inclinou a cabeça para o lado e a beijou suavemente. Desta vez Ginny não conseguiu reprimir o grunhido de dor que trouxe lágrimas aos seus olhos. — Harry…
—Está tudo bem. Eu estou aqui. — ele assegurou mais uma vez, houve um pop baixo em algum canto da casa indicando que alguém havia chegado. — Meredith está aqui, vou buscá-la e já volto.
Ginny assentiu soltando a mão dele. Harry se afastou rapidamente do quarto, saindo em busca da parteira. James se mexeu novamente, mas agitado do que antes, desejando sair o mais rápido possível.
—Apenas espere um pouco, meu pequeno pomo. Papai logo vem. — ela murmurou passando a mão pela barriga nua.
James havia ficado cada vez mais agitado nas últimas semanas, se acalmando apenas quando Harry sussurrava alguma música ou contava alguma história de seus tempos em Hogwarts. Era a voz dele que o acalmava durante a noite, mas também era com sua voz que James se animava durante o dia.
—Por aqui. — os passos agitados chegaram ao banheiro, Ginny os ignorou quando o intervalo entre as contrações pareceu diminuir.
—Vamos colocá-la na cama. — a voz de Meredith chegou aos seus ouvidos enquanto as mãos de Harry a ajudaram a se levantar. Ela vestiu a velha camisa desgastada da grifinória, que outrora havia sido de seu marido, e sentou na cama sentindo o corpo tenso contra os travesseiros macios. Meredith rapidamente a ajudou a se ajeitar e menos de segundo começou a incômoda análise, seus dedos tocando em partes privadas que apenas Harry podia tocar.
—Você trocou os lençóis? — ela indagou olhando para seu marido, desejando que tudo aquilo acabasse logo, ignorando as outras duas curandeiras em seu quarto.
—Sim, Gin.
—Eu não quero sujar os lençóis, eles são novos.
—Eu sei amor.
—Sua dilatação está ótima, minha querida. — Meredith disse dando um sorriso afirmativo para ela.
—O que isso significa?
—O bebê está pronto para vir.
Ginny olhou para Harry, cujo sorriso era brilhante mesmo diante do medo em seus olhos. De repente ela foi tomada por algo semelhante ao pavor.
—Não, ele não pode vir. — ela murmurou apertando a mão dele com força. — Eu não… eu não estou pronta. Harry…
—Está tudo bem. — ele assegurou beijando o rosto dela, sussurrando palavras de incentivo.
—Ele pode ficar ali por um tempinho, é tão quente, ele gosta de lá. — Ginny grunhiu e fechou os olhos com força. Seu corpo, diferente de seus desejos, sabia o que fazer, seus instintos diziam para empurrar.
—Querida, tudo está bem. Você consegue isso. — Meredith afirmou. — Apenas empurre, seu corpo sabe o que faz.
Ginny sabia que o parto poderia durar horas, ela havia lido sobre isso e ouvido os relatos de sua mãe, Percy demorou quase um hora para sair, enquanto Ron veio em menos de vinte minutos. Havia, obviamente uma grande diferença entre elas, Ginny não havia dado à luz a seis crianças, era seu primeiro bebê e a dor era algo que ela nunca tinha sentido antes.
—Harry…
—Aqui. — as mãos dele envolveram as delas, como uma âncora fixando-a a ele. Ginny respirou fundo, grandes e profundas lufadas de ar.
—Pronto, agora empurre. — Meredith ordenou e Ginny fechou os olhos com força antes de empurrar.
Ela não queria um parto em casa, longe disso, no início da gravidez havia comentado com Harry sobre ir a St. Mungus ou a uma clínica particular, era lógico que estar cercada por profissionais era a melhor escolha possível, entretanto no momento em que sua barriga começou a crescer e James decidiu por conta própria aparecer para o mundo, todos os lugares públicos de repente pareceram desnecessariamente lotados, jornalistas a perseguiam como insetos em volta da luz, correndo atrás deles, pedindo fotos de sua barriga ou novidades sobre o bebê. Ginny passou a odiar sair de casa.
—Isso, querida, você está quase lá. — Meredith a incentivou fazendo Ginny gritar de frustração, Harry por outro lado se mantinha em silêncio, sua presença constante era indicada por sua mão apertando firmemente a dela, dando o apoio que ela precisava.
Com o final de sua gravidez, Ginny se viu bombardeada por perguntas, as principais e mais impertinentes vindas de sua mãe, que havia se voluntariado para estar com ela durante o parto, embora Ginny tivesse dito claramente que desejava que Harry estivesse lá. Não houve discussão, apenas uma longa e silenciosa batalha que se estendeu pelas últimas semanas, agravada principalmente pela insinuação de que talvez seu marido não estivesse apto a tal situação.
—Você consegue, meu amor. — Harry sussurrou ao seu ouvido se sobrepondo a respiração ofegante dela, Ginny jogou a cabeça contra o ombro dele, precisando de seu apoio.
Seu corpo empurrou para frente, o suor escorria pelas suas costas e a dor apenas aumentava, tudo parecia demais. Ela não iria conseguir.
—Agora, um grande empurrão, criança. — Meredith disse. Ginny respirou fundo e empurrou o mais forte que podia, sua mão apertando a de Harry com força enquanto gritava mais alto, sua garganta estava seca e merda ela podia sentir todo o seu corpo tremer de dor. Ginny pensou que poderia desmaiar ali, até que ouviu… o choro começou fraco, aumentando gradativamente até ocupar todo o quarto, seu coração bateu mais forte e ainda com os olhos fechados ela sentiu as lágrimas escorrerem misturando-se com o suor em seu rosto. — Ah, veja, minha querida.
Ginny abriu os olhos, a visão embaçada pelas lágrimas lhe deu um vislumbre de James nos braços de Meredith, seu filho gritava alto, os pulmões em pleno funcionamento. Harry soltou a mão dela e inconscientemente se moveu até James, chamando-o pelo seu nome, fazendo-o se acalmar apenas um pouco. Ginny se deixou cair contra os travesseiros, seus sentidos ainda em alerta, mas o mundo ao seu redor parecia muito mais lento.
Os minutos que se seguiram passaram para ela como um filme mudo, os sons eram apenas sussurros. Meredith mal falava enquanto terminava de cuidar dela, Ginny foi obrigada a empurrar novamente, mesmo com o corpo dolorido e cansado, ela sabia que havia sangue em sua cama, que as outras mulheres estavam cuidando de James e que Harry estava perto dele desde que havia cortado o cordão umbilical, porém seu coração ainda batia acelerado, ecoando em seus ouvidos.
Ela abriu os olhos novamente apenas para ver Harry se aproximar com James em seus braços, este envolto em uma manta amarela enquanto chorava sem parar, e voltou para ela, Ginny observou seu filho, ainda vermelho de gritar, a pele enrugada e manchada, o sangue havia saído de seu rosto, mas ainda havia um pouco de sujeira embaixo de seu queixo, ela fechou os olhos reprimindo aquele sentimento que lhe cutucou a mente, aproximou o rosto de James e sussurrou apenas para ele ouvir.
—Mamãe está aqui, meu amor. Você está seguro, pequeno pomo. — James lamentou mais uma vez, porém seus gritos diminuíram se tornando apenas gemidos. — Minha vida, mamãe está aqui.
Harry o colocou em seu colo, Ginny teve uma leve dificuldade em segurar James, tão pequeno e tão frágil, tão dependente dela.
—Você não precisa chorar, meu amor. Tudo está bem. — Harry assegurou, Ginny pensou que ele estava falando com James, mas então ele tocou seus cabelos e segurou seu rosto.
—Eu sei, eu sei. — ela murmurou embalando James que havia se tornado inquieto.
—Tente dar de mamar. — Harry sugeriu, Ginny assentiu e puxou a camisa, ele rapidamente a ajudou a retirá-la, James relaxou mais uma vez, o contato direito com sua pele pareceu acalmá-lo. Ela o levou até seu seio, houve uma recusa no início, até que James aceitou, sugando energeticamente tudo o que podia.
Ela deixou que Harry cuidasse do resto, ouvisse o que tinha a se ouvir, todas as recomendações e sugestões. O mundo para Ginny de repente se calou, sua atenção e sentidos voltados a James, e apenas a ele.
—Ei. — Harry sussurrou baixinho, Ginny se voltou para ele, os olhos verdes aguados e vermelhos. — Você está bem?
—Ele está aqui. — ela murmurou, a voz embargada pelo choro preso em sua garganta.
—Sim, ele está. — Harry passou a mão pelo cabelo dela e a beijou suavemente. — Eu te amo.
Ginny sorriu e olhou para James. A prova perfeita do seu amor. Do amor deles.
A sala ficou em silêncio enquanto James mamava, Meredith saiu acompanhada pelas outras curandeiras, mas elas continuaram na casa, seus passos ecoaram pela porta aberta, Harry as acompanhou alguns minutos depois, deixando-a sozinha com James.
—Você está aqui, meu pequeno pomo. — ela sussurrou, James envolveu o dedo dela apertando com força. — Mamãe te ama tanto, James, muito, muito, muito. — sua voz baixa temendo por gestos abruptos que pudessem irritar o bebê. — E isso me assusta pra caralho.
O bebê suspirou afastando a boca de seu seio, seus olhos fechados, acomodando-se ainda mais contra sua mãe. Ginny sorriu sem desviar os olhos de seu filho, James tinha o rosto corado e ralo cabelo escuro, algo dentro dela torcia para que seus olhos fossem iguais aos de seu pai.
—Como você está? — Harry indagou entrando pela porta, Ginny olhou para seu marido, desde a barba mal feita e até o cabelo bagunçado, ele exibia os sinais claros de cansaço, mas mesmo assim seus olhos brilhavam de felicidade. As últimas horas haviam sido intensas. — Você fez muito esforço hoje, querida.
—Eu estou bem. — ela murmurou voltando a olhar James, velando seu sono como sabia que faria por muitos anos. Harry se aproximou dela, puxando a poltrona para o lado da cama. — Ele é lindo, não é? Ele se parece com você.
—Estou tentado a discordar. — Harry sussurrou tão baixo que Ginny teve que se aproximar dele para ouvir, ele parecia temer acordar James de seu sono tão merecido. — Ele tem seu nariz.
—Não, não tem. — ela insistiu traçando o contorno no nariz de James, tão pequeno que precisou apenas de uma leve pincelada de seu dedo. — Ele irá parecer com você, logo veremos. Eu gosto dos meus garotos de cabelos escuros e olhos verdes. Mesmo que agora ele pareça apenas uma minhoquinha enrugada.
Harry riu suavemente e deslizou a mão para cobrir a dela que segurava James com cuidado.
—Eu prefiro que ele tenha seus olhos.
—Meus olhos? — Ginny arqueou levemente a sobrancelha, um sorriso deslizou para seus lábios. — São meus olhos que te encantam?
—Eu amo seus olhos e o resto do rosto é claro.
—Que bom, pois seria ruim se não gostasse, já que está preso a mim pelo resto de sua vida.
—Ah, não me lembre disso. Que péssima escolha eu fiz ao deixar que você me amarra-se tão rapidamente. — Harry murmurou em tom melodramático que apenas a fez rir. — As revistas estavam certas, você deve ter me dado alguma poção de amor para me mandar amarrado, sendo que tenho tantos anos pela frente… aí!
—Não diga isso de novo, você sabe que eu odeio isso. — Ginny resmungou enquanto Harry massageava o braço que ela havia beliscado.
—Desculpe, amor. — ele murmurou entre risos baixos. James se mexeu novamente e abriu sua boquinha em um bocejo que encantou seus pais. — Isso é um pouco estranho. — Harry estendeu a mão e com a ponta dos dedos tocou o rosto de seu filho. — Vê-lo tão pequeno assim, tão frágil e vulnerável. Isso me deixa um pouco… assustado.
Ginny olhou para seu marido, cujo os olhos permaneceram em James, em seu rosto havia a mesma expressão do momento em que ela havia contado a ele sobre sua gravidez, a ansiedade e o nervosismo.
—Pegue-o. — ela estendeu o pequeno pacote para ele, Harry rapidamente o pegou com uma prática adquirida pelos anos com Teddy e as outras crianças da família. — Ele pode até ser pequeno e vulnerável, mas ele tem você, Harry, ele tem um pai que o ama muito e que sempre irá protegê-lo. — Ginny lembrava das noites em que Harry pensava que ela estava dormindo, as noites em que ele conversava com James, o assegurando que tudo ficaria bem, que eles ficariam bem. — James ama muito você, sabe?
—Oh Gin, tenho certeza que ele nem sabe quem eu sou. — Harry se recostou na cadeira, embalando James suavemente.
—É claro que ele sabe quem você é. — ela assegurou, sorrindo para eles. — Ele reconhece sua voz, ele sabe que você é o papai dele. — Harry olhou para James, havia tanto amor em seus olhos que Ginny sentiu seu coração saltar contra seu peito. — James te ama, você sabe disso.
—Eu também o amo muito, amo vocês dois. — Harry se voltou para ela, seu sorriso, aquele que parecia vir mais fácil a cada dia, era tão brilhante e amoroso. Ginny mexeu nos lençóis, embora Meredith houvesse limpado-a e limpando os lençóis, ela ainda se sentia suja, suada e cansada. Um movimento um pouco rápido a fez gemer quando sentiu uma pontada forte em sua barriga, ela fechou os olhos com força ainda sentindo o doloroso incômodo que nem mesmo a poção regular para dor poderia dissolver. — Calma. — a mão de Harry tocou seu ombro, a empurrando de volta à posição inicial. — Você acabou de dar à luz a um pequeno ser humano, precisa ir com calma.
Ginny piscou e suspirou enquanto olhava para Harry que embalava James contra seu peito.
—Deite-se comigo. — ela pediu, se arrastando para o lado do colchão, dando espaço para ele.
—Não acho que seja recomendável. — Harry murmurou olhando para a porta do quarto, como se Meredith pudesse surgir e gritar com eles. Ginny revirou os olhos
—Por favor. — Ginny empurrou o lábio inferior para frente, Harry riu balançando a cabeça, ela sabia que havia vencido.
—Só alguns minutos.
—Isso é o que veremos.
Eles se acomodaram na cama, James foi devolvido a ela enquanto os braços de Harry lhe envolveram de maneira protetora. Os três ficaram em silêncio, Ginny se concentrou no som da respiração de Harry e nos suspiros de James, sua família, aquela que ela desejou por tanto tempo, era tão perfeita.
—Gin…
—Sim?
—Obrigada. — Harry sussurrou, Ginny virou o rosto para encará-lo. Lágrimas silenciosas escorriam pelo rosto dele, um aperto em seu peito indicava que ela estava prestes a chorar.
—Pelo o que?
—Por aceitar viver comigo, por se casar comigo, por James, por tudo. Vocês são as pessoas mais preciosas da minha vida, eu nunca imaginei ser digno desse tipo de amor ou de felicidade, mas tendo você aqui, eu… — ele parou, abaixando a cabeça e fechando os olhos. Eles haviam passado por isso algumas vezes durante a gravidez, a cada marco ultrapassado uma barreira era quebrada e ela sabia que demoraria um pouco, mas ele ficaria bem.
—Meu amor, você merece isso, merece ser feliz, nós dois merecemos. — Ginny sorriu.
—Eu sei. — Harry beijou a bochecha dela e encostou a cabeça contra a dela. — Durma bem, daqui há algumas horas alguém do St. Mungus virá aqui para examinar você e James, ok?
—Ok.
Ginny fechou os olhos, a cabeça contra Harry e James em seus braços. Mas sua paz durou muito pouco, longo ela se viu arrastada para fora da cama, vestida em uma de suas camisolas de algodão e cutucada diversas vezes pela curandeira Lewis. James chorou quando seu sangue foi tirado, algo que a irritou profundamente, mas Harry o acalmou, beijando sua cabecinha e balançando-o de cima para baixo.
—Oficialmente ele é um Potter agora. — seu marido anunciou assim que a curandeira saiu, a certidão de nascimento de James estava autenticada e oficializada. Ginny riu olhando para seus dois garotos.
—Ele sempre foi um Potter, eu acho. — ela brincou, fazendo-o balançar a cabeça. — Ainda não tenho muita certeza, talvez alguém apareça pela porta e diga que não.
—Isso é engraçado, mas diga isso em voz alta e em público.
Ginny riu alegremente, James acordou novamente, gemendo contra o peitoral de seu pai, procurando algo que Harry não tinha. Ela estendeu os braços, pegando seu filho que gritava.
—Céus, como ele é barulhento. — ela comentou.
—Acho que ele puxou isso de você.
—Não vamos discutir isso novamente, Potter.
Harry baixou a cabeça escondendo a risada.
—Certo, campo minado aqui. Vou preparar o café e avisar a sua mãe que James chegou. — ele disse enquanto caminhava de costas para a porta.
—Não.
Harry parou e arqueou as sobrancelhas.
—Não para o café ou para…
—Não conte a mamãe agora ou para qualquer pessoa. — ela falou, tinha decidido isso enquanto era cutucada e medicada. Ela havia visto James passar de mãos e mãos, se contorcendo em desagrado e isso machucou seu coração de uma maneira que ela achava até então impossível. — Ele fica desconfortável com muitas pessoas ao seu redor, ele estava chorando quando Lewis o pegou.
—Ele acabou de nascer, Gin. — Harry disse, franzindo a testa, confuso.
—Exatamente! Ele acabou de nascer e precisa de mim e de você, não de um bando de Weasley estranhos que falam alto! — ela exclamou e James se mexeu incomodado com o barulho. — Vê?
—Gin. — Harry caminhou até ela e se sentou na cama, seus olhos estavam agitados entregando sua fachada calma. — Que tal contarmos a família, mas pedirmos privacidade? Vou dizer que queremos ficar sozinhos com James por um dia…
—Uma semana!
—Quatro dias, acho que é o máximo que sua mãe vai conseguir ficar longe. Sei que eles vão entender.
Ginny assentiu, uma mão apertando James contra si enquanto a outra segurava a mão de Harry.
—Desculpa por isso, é que eu… — ela sentiu a garganta apertar, mas lutou contra as lágrimas.
—Não se desculpe, está tudo bem. Você precisa de descanso e eu vou assegurar que tenha isso. — ele garantiu e ela não duvidou.
Em poucas horas as cartas foram enviadas para cada membro de sua família, uma para Andrômeda, duas seguiram para o Ministério, uma para Neville e outra para Luna.
Ginny acomodou James em seu berço, lançou um feitiço silencioso sobre o quarto antes de seguir para o banheiro. Lewis aconselhou sobre um banho rápido, de preferência uma lavagem rápida em suas partes íntimas, Ginny se recusava a olhar para baixo, havia um estrago que apenas seu corpo poderia consertar.
—Parece que eu estou carregando outro bebê ou uma melancia de tamanho médio. — ela comentou ao ouvir os passos no quarto.
—Com o tempo irá diminuir até desaparecer. — sua mãe disse, parada do outro lado do quarto com James em seus braços, completamente desperto. Ginny sentiu seus ombros caírem, uma onda veio novamente empurrando-a para baixo.
—Mãe, o que você está fazendo aqui? — ela indagou. — Você recebeu a carta de Harry, não recebeu?
—Claro que recebi.
—Então por que está aqui?
—Ora Ginny, você acha mesmo que eu não viria ver o meu neto? Ele é tão lindo. — sua mãe balbuciou para o bebê, James se manteve quieto.
—Mãe, a gente pediu privacidade, queríamos ficar com James sozinhos. — Ginny disse, respirando fundo.
—Querida, você acabou de dar a luz, você vai precisar de ajuda.
—Eu tenho Harry.
—Eu passei por isso seis vezes, acho que tenho mais habilidades do que Harry neste quesito. — sua mãe soltou a risada, se divertindo com a situação, mas Ginny não achava aquilo engraçado. — Que tal irmos ver o vovô, James?
Ginny apenas observou sua mãe sair do quarto carregando seu filho. A intromissão não era apenas irritante, era desgastante. Ginny amava sua mãe, ela realmente a amava, mas não podia negar o quanto a odiava naquele momento.
Ela havia pedido apenas algo, uma pequena coisinha, espaço para que ela e Harry pudessem se adaptar a James, ao fato de que agora suas vidas giravam em torno dele, mas sua mãe não podia ser contida, ela deveria saber melhor.
Se arrastou de volta para a cama, mínimo de esforço significava descanso contínuo por pelo menos vinte e quatro horas, Meredith voltaria em algum horário pela tarde, checar a James e a ela, conversar com Harry sobre as recomendações, fazer o que… Ginny respirou fundo, ela não iria chorar, não havia motivos para chorar, não é?
—Harry? — ela chamou, notando sua voz quebrada. Merda! — Harry?
Os passos subiram a escada e em segundos ele estava entrando no quarto, Harry não precisou de muito para saber o que estava acontecendo, talvez tenha cruzado com a mãe dela ou estivesse se sentindo tão frustrado quanto ela estava.
—Eu estou aqui. — ele a envolveu em seus braços, beijando seu cabelo enquanto acariciava suas costas. — Sua mãe disse que James parece com você.
—Não, ele deveria parecer com você, mas agora não parece com ninguém. — ela disse, tentando, grata por Harry ignorar seus soluços e as lágrimas. — Parece apenas um ratinho enrugado.
—Você por acaso está dizendo que nosso filho é feio?
—Não, ele apenas é um pouco menos bonito do que eu estava imaginando.
Harry riu balançando-a um pouco para os lados, algo que fazia quando Teddy estava chateado.
—Seu pai me prometeu que irá embora logo e que manterá sua mãe longe pelo tempo que você quiser. — Harry disse. — Ele sabe o quanto isso é importante para você.
Ginny mordeu o lábio e imaginou seu pai segurando James, isso cessou as lágrimas. Ela não havia passado toda a gravidez brigando com sua mãe, mas também não havia tido toda a calmaria que necessitava quando chegava a toca. Seu pai sabia disso e muitas vezes se absteve, deixando sua mãe zumbir ao redor dela como um mosquito irritante.
Ela deve ter cochilado no colo de Harry, pois quando acordou com a barriga roncando de fome, o sol havia mudado de posição. Seus olhos encaram James dormindo no berço ao lado da cama, embrulhado em uma manta rosa com nuvens usando um gorrinho de tricô, ela sorriu e se arrastou para o outro lado da cama.
—Desculpa pela sua avó, ela é uma boa pessoa, mas algumas vezes exagera. — ela sussurrou, James abriu sua boquinha em um bocejo antes de voltar a se acalmar. — Eu sei que ela te ama muito e por isso age assim, mas eu e seu pai queremos apenas um tempinho com você antes de ter que te compartilhar com o mundo. — James esticou os bracinhos e balançou a cabecinha virando-a para ela, seus olhos se abriram e Ginny sorriu, eles eram verdes. — Você vai ser parecido com seu pai, queria ter alguma foto para comparar. Talvez tenha algum naqueles álbuns que ele trouxe da casa vermelha.
James, indiferente ao tagarelar de sua mãe, continuou a piscar e olhar para ela, ele não era cego, mas parecia um pequeno ratinho perdido.
—Ei, você acordou. — Harry entrou no quarto carregando uma bandeja com comida, então olhou para James e se corrigiu. — Vocês acordaram.
—Ele tem olhos verdes. — Ginny comentou sentando-se contra a cabeceira.
—Eu sei, seu pai notou isso.
—Eles demoraram muito para ir embora?
—Depois que desci, James já estava dormindo no colo de sua mãe, então seu pai se despediu e disse que estava na hora de ir.
—Mamãe foi de bom grado? — ela indagou mesmo sabendo a resposta.
—Ela disse que voltaria, que cuidaria de tudo para você. — Harry depositou a bandeja sobre a cama, havia uma tigela com sopa, verduras cozidas, água e suco. — Líquidos para você se manter hidratada como Meredith sugeriu.
—Obrigada, amor. Mas não foi mamãe que fez, foi? Ela está aqui, não está?
—Não se preocupe, ela não está aqui. Eu mesmo fiz a sopa e cuidei da casa. — ele garantiu estendeu a tigela para ela, Ginny aceitou de bom grado, antes de começar a falar.
—Eu amo mamãe, eu realmente a amo, mas algumas vezes ela é um pouco invasiva, não que isso seja ruim, é só que…
—Você não precisa se justificar para mim, Gin. Eu entendo o que quer dizer. — Harry tocou o rosto dela, deslizando as mechas caídas para longe de seu rosto.
—Eu quero ficar com você e James, apenas vocês dois. Eu quero que esses dias sejam especiais, quero que James saiba e sinta quem somos para ele. Eu sei que pode soar besteira, mas eu quero isso. — Ginny olhou de Harry, que os olhos brilhantes e a presença inabalável tinham sido sua fonte de conforto durante os últimos anos, para James, que havia chegado em seus braços há poucas horas, mas tinha se tornado seu mundo desde que havia sido descoberto. — Eu amo vocês e não acho que estou pronta para compartilhá-los.
Harry assentiu lentamente.
—Eu já disse, você não precisa se justificar para mim, meu amor. Eu vou apoiar qualquer coisa que você queira, se quer ficar isolada de todos, ficaremos o tempo que quiser, não vou protestar contra isso. Agora coma um pouco, você ainda tem que comer por dois.
Ginny balançou a cabeça dando um leve sorriso ao seu marido. Ela comeu o lanche em silêncio, pontuado somente pelos suspiros de James e os passos de Harry ao pegá-lo do berço. Os três ficaram em silêncio a partir daí, Ginny sorria cada vez que olhava para seu marido, com James em seus braços ele parecia outra pessoa, seus ombros, que muitas vezes carregavam o peso do mundo, estavam relaxados, curvados para frente enquanto seus olhos estavam em seu filho. Harry era muito protetor, algumas vezes exagerado, mas outras eram apenas algo dele, a necessidade de manter seguro quem lhe fazia feliz.
—Sabe, quando você me contou que estava grávida, eu surtei um pouco…
—Um pouco? — Ginny zombou, lembrando-se dos eternos segundos de silêncio de Harry depois de saber a notícia. — Era eu quem estava grávida, mas foi você quem quase desmaiou.
—Eu havia acabado de voltar de uma missão de duas semanas e a primeira coisa que vejo é um teste de gravidez, isso me assustou pra caralho. — Harry justificou erguendo uma das mãos em defesa. — Mas o que me deixou com mais medo foi seu olhar.
—Meu olhar?
—Sim, você estava tão assustada, fazia muitos anos desde a última vez que eu vi essa expressão em seu rosto. Isso me deixou nervoso. — Harry contou lentamente, sua voz tão baixa quanto possível. Ginny piscou, surpresa por ainda haver lágrimas em seus olhos. — Então você me perguntou se eu não queria o bebê e eu fiquei ainda mais nervoso.
—Eu realmente achei que você não quisesse ter o bebê. — ela confessou deixando a bandeja de lado, a sopa pela metade e o suco invocado. — Eu não consegui ler seu rosto, então achei que estava desapontado.
—Nunca. A verdade era que eu simplesmente não conseguia acreditar, você estava me dando algo que eu nunca imaginei possuir, uma família. Eu estava em choque sobre como era tão fácil ter algo e como poderia ser tão fácil perdê-lo, como ainda é.
Ginny se arrastou até ele e o envolveu seus braços, apoiando o queixo em seu ombro, conseguindo uma visão de James adormecido.
—Ele está aqui e ele está bem. Nós vamos ficar bem, eu tenho você, você me tem e James nos têm por muitos e muitos anos. — ela assegurou beijando a bochecha dele. — Eu te amo, Harry.
James bocejo, seus olhos se encontraram com os dela, ele não a conhecia, ainda não, mas sabia quem ela era. Ginny suspirou, se sentindo agraciada por ter tudo aquilo, seu marido e seu filho, as pessoas que ela mais amava.
—Nós vamos ficar bem. Podemos não saber de tudo agora ou talvez nunca saberemos, mas James está aqui e nós vamos ficar bem. — Harry assegurou, seus olhos tinham aquele brilho de segurança que a fez sorrir. — Eu amo vocês mais do que tudo.
—Eu sei.
Ginny sorriu, seu dedo deslizou sobre a bochecha rosada de James. Ele era perfeito para ela. Eles eram perfeitos para ela.
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