Notas iniciais
obrigada. (:

Doze.

When the night falls on you, you don’t know what to do.

Quando a noite cair sobre você, você não sabe o que fazer.

Nothing you confess, could make me love you less.

Nada o que você confesse, poderia me fazer te amar menos.

I’ll stand by you, I’ll stand by you, and won’t let nobody hurt you.

Eu estarei contigo, eu estarei contigo, e não deixarei ninguém te ferir.

Era um dia muito especial. Não estava chovendo ou nevando o que era bem interessante, mas era um dia especial, porque Urie decidira sair de casa por um momento. E ao fazer isso, ele se arrumou ao máximo que pôde. Camisa branca de manga longa, gravata, calça jeans e tênis. Estava nervoso e ficava olhando o relógio de cinco em cinco segundos. Ryan franziu o cenho ao ver aquilo, enquanto curtia seu frapuccino em sua cama. Quando as horas chegaram, ele apenas deu um beijo em seu amado e saiu, sem falar para onde.

Ryan encolheu os ombros e franziu o cenho para a escada quando viu o seu garoto descer com toda pressa do mundo. Voltou os olhos pro notebook e continuou tentando escrever seu livro. Dessa vez, havia conseguido. Graças à sua persistência, claro, e também graças ao êxtase temporário que causava cada beijo de Brendon. Estava feliz e, naquele dia, sentiu vontade de fumar. Então, em passos pequenos – porque não gostava de deixar seu quarto com cheiro de nicotina -, desceu as escadas e abriu a janela.

Desde quando fora visitar o túmulo de Peter com Brendon, andava atordoado, com os pesadelos muito mais presentes do que antes. Era como se Peter Wentz viesse todas as noites reclamar seu lugar na vida de Ross. Supostamente, o cigarro que Ryan fora fumar, era para lhe relaxar quando seu pensamento lhe levou à Wentz. Cada tragada parecia queimar-lhe dentro da alma e, mesmo assim, ele continuou com o torturante cilindro de papel.

Ao terminar, comeu qualquer porcaria – já que Bden havia saído e não deixado nada pronto — e quando voltou para o quarto, tentou escrever no mesmo ritmo que escrevia antes, porém não houve existo. Ryan resmungou um pouquinho e colocou a culpa no word que usava por lhe roubar qualquer vestígio de inspiração. Para esperar Brendon, decidiu assistir um pouco de televisão. Algum seriado deveria lhe agradar, pelo menos.

Após zapear os canais entediado, achou Chuck e decidiu dar uma chance ao Agente Charles “Chuck” Bartowski. Além de achar o seriado bem interessante e diferente, Chuck e suas trapalhadas – principalmente quando ele era o refém do episódio – tornava-se ainda mais engraçado. E, oh, Morgan Grimes, era simplesmente, o idiota mais adorável de toda a NBC. Ryan riu, como realmente estava precisando. [n/a: eu sou, tipo, muito fã do Bartowski. ♥ Eu me divirto com ele.]

Quando acabou o episódio, desligou o aparelho e dormiu por duas horas inteiras, de puro tédio. Pela primeira vez em muitos dias, sem pesadelos complicados e dolorosos. Duas horas depois, Urie ainda não tinha chegado e isso doía, até mais do que os pesadelos. Porque com aquilo, uma série de feridas foi reaberta em Ryan que era um homem cheio de traumas e decepções. Era um homem amargurado e, na grande maioria do seu tempo, infeliz. Talvez Bden tivesse saído para procurar, do lado de fora, sexo. Talvez Brendon pudesse ter um outro alguém para saciar sua vontade sexual. Um alguém que lhe desse intimidade.

Num impulso, pensando na semana que viveu sem Urie e, também, angustiado com os riscos de ser novamente traído e acontecer uma nova tragédia, levantou-se da cama com rapidez e encaixotou todas as roupas de Wentz com um cuidado extremo. Escreveu “Meu Peter” na caixa e colocou-a num lugar seguro dentro do armário. Estava na hora de começar a viver um novo amor, embora sua consciência fizesse questão não lhe deixava em paz por causa de por causa da promessa que fez a Peter: nunca mais amar, nunca mais viver pra alguém, mas Brendon valeria a quebra da promessa?

Valeria.

Ou até aquele momento, a resposta era afirmativa.

Quando Urie voltou para casa – tendo se passado mais uma hora desde a arrumação de Ross -, o encontrou dormindo tranquilamente em sua cama. Deu um beijo sobre a testa dele e ajeitou maternalmente sua coberta, logo depois, deixou um suspirinho baixinho sair. A reunião com o DASA tinha ajudado a esclarecer bastante as coisas em sua mente e a respeito de Ryan (embora tenha se sentido estranho quando todos olharam com cara de “eu-sei-que-não-é-seu-chefe-que-tem-anorexia”, mais ou menos como entrar numa reunião do Alcoólicos Anônimos para ajudar alguém e as pessoas parecem saber de algo que você não sabe). Descobrira que o jeito mais difícil de alcançar Ryan seria o mais eficiente. Não ia mais fazer nada do seu jeito, ia tentar, uma última vez, viver para conquistar — nem que fosse – a compaixão de Ryan Ross.

Porque migalhas não alimentam por muito tempo.

Decidiu tomar um banho e quando abriu o armário – no pequeno espaço que Ryan deixara para ele – percebeu que suas roupas não estavam mais lá e sentiu um pouquinho de medo, mas quando abriu o armário mais um pouco, percebeu que suas roupas estavam completamente separadas e organizadas aonde costumavam ficar as roupas de Peter Wentz. Se xingou mentalmente por não estar com Ryan num momento como aquele, queria poder ter tido aquela alegria, mas ver que Ryan estava – ao menos tentando – afastar Wentz do seu coração, dava coragem para Urie seguir um dia após o outro.

Foi para o banho feliz. Ryan Ross era mesmo incrível, surpreendente. Mesmo sendo frio e, aparentemente, sem sentimento. Brendon ficou feliz pelo passo dado por Ryan, mas sabia que aquele passo não indicava que era o fim da caminhada.

Após o banho, deitou-se ao lado de Ryan e ficou olhando sua calmaria em respirar, em dormir. Deitou sua cabeça no ombro do outro com todo cuidado do mundo, mas acabou por acordar o maior, que já estava preocupado com aquela demora.

“Brendon?” Coçou os olhos com doçura, reabrindo-os em seguida. O menor sorriu grande, bobo, doce.

“Sou eu.” Murmurou bem baixinho. “Não precisava acordar, já passou das duas.” E fez um bico adorável.

“Não tem problema.” Sorriu apático. “Onde foi?” Perguntou baixinho, apertando Brendon em seus braços.

“Ver o Spencer...” Falou após um longo período em silêncio absoluto. Ryan sabia que havia mentira na resposta de Brendon, mas decidiu fingir que acreditava. Após a reunião, Brendon foi realmente ver Spencer, mas com ele, foi a um bar e bebeu algumas – não muitas, não o suficiente pra embebedar – cervejas. “Eu estava com saudade dos seus braços.”

O arquiteto forçou o sorriso. Sentia a mentira em cada palavra de Urie que mesmo vendo o quanto aquilo feriu o maior, não disse mais nada. O fantasma da traição estaria sempre presente em sua vida e a decepção jamais o deixaria. Brendon, com certeza, — ou era o que Ryan preferia acreditar – não seria capaz de chegar perto de outra pessoa só para ter sexo.

Ele seria capaz?

Seria? Ryan Ross precisava confiar em Brendon Urie para poder viver ao seu lado, mas como o faria com uma situação dessas? Com a mentira lhe mostrando que dar uma chance a Brendon foi pateticamente ridículo.

“Ryan?”

“Mhmm...?” Resmungou, baixo.

“Você tá quieto demais.” Brendon fez um meio bico e encostou o queixo no pijama de Ryan Ross. “Eu não gosto de ficar no silêncio.”

“Não quero falar agora.” Ryan falou seco e Brendon se afastou, se vendo obrigado a respeitar aquilo. Na verdade, Ryan não estava sentindo que tinha valido a pena encaixotar as caixas de Peter. Porque no final de tudo, ele tinha sido novamente traído. Brendon não o queria consigo, porque ele não tinha sexo.

É possível manter um relacionamento cheio de dúvidas?

Não.