Ive Hungered For Your Touch
2 Capítulo 2
Capítulo 02, Pov’s do Ryan.
Chicago. Jonathan estava radiante por rever sua terra natal apesar de ele estar tão cansado e desejando férias quanto eu. Ele decidiu que depois do show passaria na casa de seus pais devido ao tamanho das saudades que tinha. Não o censurei, jamais o censuraria por ser tão ligado à sua doce família. Apesar de eu achar esse negócio de família bem relativo. Nick e Andy estavam bem contentes por fazeremparte do nosso projeto.
Estávamos ainda no aeroporto. Tinham muitos fãs gritando por nossos nomes e muitos cartazes incentivadores, ou com frases do tipo “sempre estive com vocês”. Aquilo era o que me mantinha vivo por hora. Eu tinha perdido o meu motivo de vida e sabia disso. Apesar de sermos só amigos. E era melhor assim, Elizabeth não merecia traições, ainda que em pensamentos, sonhos ou qualquer coisa do tipo. Eu só poderia dizer que a amava, quando imaginava que ela era ele, mas isso sempre era muito falho.
Acenei para alguns fãs com um sorriso metódico no rosto. Jon estava realmente feliz, principalmente quando viu um cartaz escrito “Bem vindo de volta ao lar, Jon. Chicago te ama”. Eu, sinceramente, nunca tinha visto uma recepção tão calorosa, principalmente com Jonathan. Aquilo me trouxe uma lembrança imediata. Até me esqueci de dar autógrafos e quando o fazia era tão mecânico que chegava a ser soberbo. Eu me lembrei – mais do que automaticamente – da gravação do Live in Chicago.
Andamos em direção ao veículo que nos levaria ao hotel. Jonathan pediu para que fôssemos para lá um dia antes do show e eu concordei. Descansar seria bom, ainda que não fossem férias. Faltavam apenas uma semana para o final da turnê. Ao chegarmos ao hotel, Jon e eu ficamos no mesmo quarto. Não me pergunte por que, eu só sabia que isso ia ser divertido e me faria esquecer um pouco o assunto principal da minha cabeça: Brendon Urie.
Joguei-me em uma das camas de solteiro enquanto Jonathan foi direto para o banheiro. Não sei bem o que ele estava fazendo no banheiro, apenas ouvia os barulhos. Por minha vez, decidi ligar para o Spencer assim que zapeei os canais da TV. Tinha muitas coisas interessantes – como um documentário sobre os The Beatles na MTV -, mas minha cabeça estava longínqua. Sabe-se lá, exatamente, estava.
Por outro lado, eu decidi ligar para Spencer Smith. Dar um sinal de vida, pedir-lhe que viesse até mim para que pudéssemos conversar sobre qualquer coisa aleatória, mas sabendo que o que eu queria saber de fato era como – realmente – estava Brendon. No início, eu me lembro bem, sobre aqueles tweets sentimentais. Aquilo me matava aos pouquinhos, porque eu nunca contei para ninguém o motivo de eu ter saído do Panic!, o motivo muito além de um ponto de exclamação, muito além do meu gosto supremo por Rock Clássico e o gosto dos meninos de Pop. Eu estava longe de ser considerado altruísta, mas estava longe de ser egoísta. Um talento como Brendon não pode ficar preso a mim, ainda que eu tivesse que sacrificar tudo o que sempre quis.
- Alô? – Spencer dizia. Eram mais ou menos oito da manhã quando eu liguei. Sua voz era sonolenta e por isso eu pensei em desligar, mas ele sabia que quando eu me constrangia, eu não falava nada, então ele continuou – Ryan, é você?
- Sim. – Eu me ajeitei na cama – Onde está?
- Ainda em Vegas. – Eu sorri – Por que a questão, Ryro?
- Não é nada. – Respondi seco – Eu só precisava.... Eu só... – deixei a frase morrer naturalmente. Spencer me conhecia o suficiente para saber exatamente o que eu ia dizer. Apenas ouvi um suspiro vindo dele. – Fica até quando aí?
- Hoje. Daqui a meia hora estarei voltando pra Califórnia. – Enviesei os lábios manhosamente e soltei um grunhido da mesma forma, sem intenção nenhuma de que ele se comovesse por aqueles sons que eu emitia. – Eu dou um jeito de passar em sua casa antes de sair. Aí eu vou de vôo comercial mesmo.
- Maluco. – Eu ri baixinho com isso – Mas eu estou em Chicago. E estou morando em Los Angeles, só vou chegar daqui alguns dias, mas eu realmente preciso... Conversar um pouco e, bem, você é meu melhor amigo, mesmo eu tendo deixado a banda dessa maneira.
- Amigos, amigos. Música totalmente a parte. – Disse Spencer já em tom brincalhão – Eu vou conversar com o Brendon e dizer que vou pra Los Angeles pra falar contigo. Enfim, Ryro, eu vou tomar meu desjejum. Estou morto de fome.
- Vai lá. – Sorri – Até mais, Spenny. – Tranquei os lábios, deixando escapar o apelido carinhoso que Brendon deu para ele. Spencer deu uma risadinha e disse:
- Até mais, Ryro e... Fica bem. – Juro que devo tê-lo praguejado mentalmente de todos os nomes que eu conhecia em todas as línguas conhecidas por mim. O fato de Spencer me conhecer a mais tempo que eu conhecia Brendon, o fazia me decifrar com certa maestria. Murmurei um fraco ‘tchau’ sem prometer que ia ficar bem. Na realidade, eu não ia.
O tempo passou e fomos para a casa de shows. Estava bastante cheio, mas eu não estava muito no clima. Comecei a me desligar do mundo quando ouvia as pessoas pronunciarem meu nome repetidas vezes. Aquilo me fez subir ao palco junto com Jonathan, Andy e Nick, deixando tudo de lado. Tudo, extremamente tudo. Até mesmo Brendon Urie. A única coisa que me mantinha ali, eram todas aquelas pessoas cantando em uma só voz as minhas novas músicas.
Quando o show acabou, eu fui direto para o hotel. Deixei Jonathan com seus familiares e fui descansar. Não que eu estivesse caindo de sono, mas eu sempre soube muito bem disfarçar o que eu sentia. Eu ia para o hotel e ia navegar na internet a fim de notícias dele.
Eram duas da manhã quando eu consegui acessar a internet – sem cair – naquele hotel. Eu já tinha reclamado umas milhões de vezes na recepção, mas nada era feito. Aproveitei para olhar o twitter e achei uma direct message bem provocativa de Pete Wentz com um link do youtube. Cliquei e deixei o vídeo carregar. O texto da mesma tinha algo a ver com ‘Isso é o que você perdeu, Ryan’ e o pior que eu sabia que Peter nunca era hostil a toa. É feio assumir que eu tive medo do conteúdo daquele link? De qualquer forma... Eu tive receio de olhar.
Enquanto o vídeo demorava para carregar – enquanto eu me sentia um adolescente de classe média baixa que não tem dinheiro para pôr uma internet mais rápida -, fiquei olhando algumas mensagens dos meus fãs. Eu lia, mas não respondia. Ria de algumas, me emocionava com outras e todas elas me encantavam, até os xingamentos que eu ignorava completamente. Antes de mim, está o meu trabalho.
Passei pelo twitter do Brenny Bear e não tinha nada de muito importante. Só qualquer coisa que não me importava nada sobre trabalho. Havíamos – mesmo – parado com aquele jogo inútil de indiretas, embora eu gostasse daquilo por saber bem que eu fazia falta para ele como ele fazia pra mim.
Voltei minha atenção para a página do youtube com o vídeo hostilmente mandado pelo Wentz. Juro que pensei em mandar um “Fuck you, Wentz”, mas eu ainda devia muita coisa a ele para xingá-lo dessa forma. Ouvia New Perspective como um mantra. Cantada no bar A&K aonde eu tive muitos bons momentos. Embora aquele vídeo tenha me causado uma náusea tremenda quando vi o Peter com a boca em lugares indevidos e o pior foi à sensação de prazer que Brendon me passou com aqueles gemidos. Aquilo fez com que eu fechasse a página na hora e respondesse da seguinte forma “Você sempre gostou de restolhos, Pete. Faça bom aproveito do que – supostamente – foi meu”.
Havia algum tempo que Z-Berg pedia para eu me decidir sobre o que ia fazer. Tinham mensagens diretas dela também. Eu não as respondi, como de costume. Não como mensagens que ninguém fosse ver, mas para todos os meus mais de cinqüenta mil seguidores.
“@ilovethelike: eu acho que chegou a hora, Z. Você esperou por isso, sweet, faça as honras e diga o que realmente somos”.
Segundos depois recebi algumas mensagens de revolta, outras perguntando o que era. Z entrou online. Soube que era ela, porque ela me disse que entraria a essa hora. Eu pude fechar os olhos e imaginar um sorriso vitorioso brotando daqueles lábios vermelhos como sangue e o brilho surgindo nos olhos dela. Atualizei a página e a vi dizendo qualquer coisa relacionada ao meu nome, um coração, e o dela. Não necessitava mais explicações. Estávamos assumindo um namoro sério só porque eu queria vingança de Pete.
Fechei o twitter porque estava me entediando e abri meu e-mail. Era um milagre eu decidir conferir aquilo. Geralmente era somente apagar os milhões de mensagens vindas do twitter sobre quem está me seguindo. Porém uma me chamou atenção, vinha de um e-mail conhecido e intitulada “Lonely Time”. Abri e passei os olhos rapidamente por seu texto e na metade do mesmo, tinha deixado meus olhos inundados. Embora nenhuma lágrima tivesse caído até agora, meus olhos estavam inundados.
- Merda! – resmunguei enquanto fazia um download lerdo da música que ele tinha me mandado. Eu ainda não tinha reconhecido pelo nome, mas sabia que era trilha sonora de algum filme. Brendon era bastante ligado a isso e eu não o culpava. Demorou uns quinze minutos para o média player abrir aquele arquivo, eu ficara lutando contra o tempo para não ler com atenção cada detalhe daquele texto.
“Oh, my Love. My Darling I’ve hungered for your touch”
Era a voz de Brendon, consumindo-me por completo. Coloquei o headphone o mais rápido que pude e fechei os olhos. Deixei meus pensamentos serem levados por aquela voz doce, e entristecida por minha ausência.
“A long lonely time. Time goes by so slorwly and time can do so much. Are you still mine?”
Nessa parte foi que eu me entreguei, esqueci de ser firme e dei graças a tudo por eu estar sozinho. Maneei a cabeça em concordância quando o som saiu “Are you still mine?” Eu poderia estar a deriva, mas eu sabia que tinha feito movido pela raiva. E quem tinha dito o suposto ‘eu estou namorando Ryan Ross’, fora Z. Eu não podia ir lá e simplesmente apagar.
Demorei um pouco para raciocinar novamente. Eu precisava agir com a cabeça, não com a emoção. Eu precisava pensar antes de sair anexando qualquer coisa ou escrevendo qualquer porcaria como foi com Peter e seguido de Elizabeth. Mandei apenas:
“Isso não é hora de assumir algo que nós dois sabemos que não voltará. Me desculpe, eu tracei meu destino hoje e não inclui você da forma que me disse. R. R.”
Fechei o laptop e tentei dormir. Apenas virei para o lado e cochilei, imaginando o quão feliz a pequena Elizabeth deveria estar. Agora que eu tinha feito tudo dar errado, arcaria com as conseqüências.
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